terça-feira, março 20, 2012

20 anos de ministério pastoral - Rev. Walter B. Czinczel


Em 1965 nascia o primogênito do casal Walter Czinczel e Nair Bronzeli. Ele católico e ela vindo de um berço protestante, mas uma cristã nominal. Anos mais tarde nasciam Claudia B. Czinczel e Ana Paula B. Czinczel, minhas irmãs. Somente em 1977, quando a família mudou-se para o bairro de Vila Prudente, eu e minhas irmãs tivemos a oportunidade de nos envolvermos com a verdade do Evangelho. Nesta ocasião, pela iniciativa dos meus tios, Rev. Paulo Bronzeli e Agelina dos Santos Bronzeli, começamos a frequentar a escola dominical da Igreja Presbiteriana da Mooca. Nesta época o Senhor começava a preparar o solo do meu coração para uma conversão que viria anos mais tarde.
Em 1982 mudamos para uma residência própria em Itaquera, num novo conjunto habitacional e, assim, deixamos de frequentar a igreja Presbiteriana da Mooca e em nossa juventude trilhamos caminhos que desagradavam a Deus. Muitas más influências neste período, mas Deus tinha outros planos e nos preservou. No mesmo ano da nossa mudança recebíamos em casa a visita do Rev. Mário de Oliveira, pastor da Igreja Presbiteriana de Sapopemba, que iniciava uma congregação presbiteriana em nosso bairro. Minha mãe e minhas irmãs começaram a participar das atividades da igreja nascente. E o Evangelho começava a transformar minha família.
Somente em 1984 fui visitar a Congregação Presbiteriana de Itaquera II, após muitos convites e a insistência da minha mãe. Foi numa quarta-feira, dia de estudo bíblico, o mês não me lembro, que visitei a igreja, apenas para satisfazer a vontade de minha mãe. Contudo, o Senhor tinha outros planos. E pelo convite do jovem Israel passei a participar dos jogos de futebol aos sábados e as demais atividades da igreja. Pouco tempo depois o Senhor haveria de transformar minha vida.
Na páscoa de 1984 a UMP da congregação realizaria o primeiro retiro espiritual. Fomos à praia, litoral sul de São Paulo, na cidade de Mongaguá.  Éramos doze jovens e fomos desafiados pelo seminarista Moisés A. Ferreira a termos um encontro com Deus neste retiro. Meu encontro com Deus foi marcante. Deus me livrou de um afogamento e, nesta experiência, tive minha vida transformada, dedicando-me inteiramente ao Senhor. No dia 27 de outubro de 1984 professei a fé e fui batizado na Congregação Presbiteriana de Itaquera II. Em 1985 fui eleito presidente da UMP e diante da responsabilidade e, cônscio das minhas limitações por ser novo na fé, matriculei-me no Instituto Bíblico de São Paulo, o IBB, desejoso de conhecer mais a Palavra de Deus e de ser um instrumento valioso nas mãos do Senhor.  
Em 1986, por questões profissionais, fui morar em Mairinque. E o envolvimento com a Igreja Presbiteriana de Mairinque, principalmente com os jovens da igreja, que eram muito dinâmicos e comprometidos com a evangelização, contribuiu para minha vocação ministerial. Durante a semana a UMP da igreja de Mairinque era responsável pelo ponto de pregação no bairro do Marmeleiro e também participávamos dos estudos bíblicos na semana e dos cultos no domingo a noite. Foi um ano abençoado e muitos irmãos daquela igreja marcaram minha vida. Aos sábados e escolas dominicais frequentava a igreja em Itaquera, onde era membro.
Eu, Laércio e Simonton no apto do JMC
No início de 1987, convicto do meu chamado ministerial e aprovado pelo conselho da Igreja Presbiteriana de Sapopemba e pelo Presbitério Paulistano (PLIS), deixei meu emprego em Mairinque e fui para o Seminário Presbiteriano Rev. José M. da Conceição. Era o primeiro seminarista do PLIS que não receberia ajuda financeira e nem recebi nenhuma ajuda financeira da minha igreja. Mas o Senhor, que é um Deus providente, me sustentou.  No primeiro ano do seminário tive ajuda da irmã Celina Cisoto Neves, da igreja Presbiteriana de Mairinque e, através do Rev. Humberto Lima de Aragão Filho, obtive recursos financeiros de uma irmã coreana e, com isso, passei a ajudar na Congregação da Igreja Presbiteriana de Vila Prudente, no Jardim Colonial por dois domingos. Também, por convite do Rev. Ramon Peres, passei a ajuda-lo na Igreja Presbiteriana de Piedade. A partir de 1988 até março de 1992 meu sustento veio do Instituto Mackenzie, onde trabalhei e convivi com o Presbítero Ivan Pereira, o qual foi usado por Deus para nos abençoar.
Durante todo o curso do seminário me envolvi no trabalho da Congregação Presbiteriana do Jardim Colonial, hoje Igreja Presbiteriana de São Mateus. Nos dois primeiros anos (1987 e 1988) dividi a responsabilidade da congregação com o seminarista José Roberto da Silveira e sua esposa Izabel Orestes da Silveira. Com a ordenação do Rev. José Roberto assumi a responsabilidade do trabalho até 1991. 
Comissão de Ordenação do PLIS
Conclui os meus estudos teológicos em 1990. 1991 foi um ano dedicado a elaboração da tese, trabalho para a ordenação que deveria ser apresentado ao Presbitério Paulistano. Em 02 de fevereiro de 1992, na Igreja Presbiteriana da Mooca, fui ordenado pastor presbiteriano e designado para a Igreja Presbiteriana de Vila Ema, onde permaneci até 1994. 


Estava solteiro, me faltava uma auxiliadora e isto trouxe alguns desconfortos no ministério. Mas o Senhor mais uma vez proveu o que era necessário. O Rev. Wilson Santana me convidou para ser um dos palestrantes no retiro de páscoa da UMP da Igreja Presbiteriana do Jardim Eldorado, retiro realizado no acampamento da APEC em Mairiporã. Ali conheci aquela que viria ser minha esposa e fiel auxiliadora. Em julho de 1995, eu e Damiana, assumíamos os votos nupciais na Igreja Presbiteriana de Vila Formosa.
No ano de 1995 fui pastor auxiliar do Rev. Abel José de Paula na Igreja Presbiteriana de Vila Formosa. Convidado para pastorear os jovens da igreja e também a Congregação Presbiteriana do Jardim Helian.
Damiana, Jonathan, Jomes e Eu - Barra Bonita 
Deixei a capital paulistana em 1996 e a convite do Rev. Nelson Bordini, então Secretário Executivo do Presbitério de São Carlos (PSCL), assumi o pastorado da Igreja Presbiteriana em Barra Bonita. Creio foram anos marcantes na minha vida e no meu ministério. Ali fomos abençoados com a chegada do Jonathan (1997) e com o Jones (1998). Deus nos deu o privilégio de ter a amizade e o carinho do Rev. Miguel Orlando de Freitas, pastor jubilado da IPB, que muito contribuiu para o nosso aperfeiçoamento. O coração do homem faz planos, mas é o Senhor quem nos conduz. Em dezembro 2002 deixamos o pastorado em Barra Bonita e assumíamos em 2003 o campo missionário de Dourado. Cidade tranquila, com sete mil habitantes. E Deus nos abençoou muito ali, ainda que tenha sido só um ano que ali permanecemos.
Em 2004 um novo desafio. Assumimos o pastorado da Igreja Presbiteriana de Bariri. É a partir daqui que nossas lutas com a saúde do Jonathan se intensificaram e, por isso, após um bom 2004 enfrentamos muitos problemas, que permanecem até hoje, ora mais intensos ora menos. Permanecemos em Bariri até 2007 e após 11 anos deixávamos o Presbitério de São Carlos (PSCL).
Em 2008 um novo desafio, num novo presbitério, o de Araraquara (PARQ). Convidados pelo Rev. Everton Matheus, por indicação do Rev. Naor Garcia, assumimos a Congregação Presbiteriana de Ibitinga, sendo pastor auxiliar na Igreja Presbiteriana de Matão. Foi um ano difícil. Os problemas com Jonathan se intensificaram, de um modo que jamais pensamos. Isto trouxe problemas no ministério e incertezas quanto ao futuro. Mas o Senhor jamais nos desampara e, quando menos esperávamos, uma nova porta se abriu. Em 2009 assumíamos o trabalho em Bebedouro, congregação presbiterial do concílio de Araraquara. Uma cidade boa que juntamente com os irmãos nos acolheram. Vieram anos mais tranquilos. Houve um equilíbrio na saúde de toda família e, assim, pudemos desenvolver melhor nosso ministério. Até aqui nos ajudou o Senhor!  

segunda-feira, janeiro 30, 2012

A PRÁTICA DA MEDITAÇÃO

Cremos que a Bíblia é a Palavra de Deus. O apóstolo Paulo nos diz que “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra” (2 Timóteo 3.16,17).  É por meio das Escrituras Sagradas que conhecemos a Deus, Sua vontade e propósitos para cada um de nós. Assim, o que se requer de nós cristãos é uma            disposição em ouvir o que Deus nos tem a nos ensinar. O Rev. Billy Graham afirma que “à medida que lemos e meditamos na Bíblia, o Espírito Santo – que inspirou a Bíblia, como sabemos – vai nos convencendo de pecados que precisam ser erradicados e nos dirige ao padrão de vida que Deus quer para nós. Sem a Palavra de Deus não pode haver crescimento espiritual duradouro”. A meditação era uma prática dos grandes servos de Deus. Isaque, Davi, Daniel, entre muitos outros, praticavam a arte de meditar (Gn 24.63; Sl 63.6; Dn 9.2). Contudo, observamos que a prática da meditação é uma arte esquecida em nossos dias. Devemos hoje nos juntar à tradição bíblica e uma vez mais aprender a arte da meditação.

O que é meditação? 
Meditação “é o ato de trazer à mente as várias coisas que se conhece sobre as atividades, os modos, os propósitos e as promessas de Deus; pensar em tudo isso, refletir sobre essas coisas e aplicá-las à própria vida” (J. I. Packer).  Em outras palavras, meditação é o processo que transfere a Palavra de Deus da mente para o coração. Esta é uma prática que objetiva nos conformar, no poder do Espírito, ao caráter de Cristo: 2 Co 3.18. Na meditação enchemos nossas mentes com as palavras, os atributos e os feitos do Senhor. Fp 4.8; Cl 3.1-4.

Passos práticos para a meditação
Aprendemos a meditar, meditando.
  • Separe um momento diário para estar a sós na presença de Deus: Sl 119.97
  • Valorize a qualidade e não a quantidade. “Você não precisa ler a Bíblia durante o ano, mas precisa ler a Bíblia com proveito o ano inteiro”.
  •  Sublinhe o que achar mais interessante. Faça anotações num diário, destacando a mensagem de Deus e sua aplicação em sua vida.
  • Ore pedindo que Deus fale ao seu coração. Devemos nos aproximar da Bíblia como palavra pessoal de Deus para nós.

terça-feira, janeiro 17, 2012

Salmo 7 - Sondas a mente e o coração

O Deus das Escrituras é onisciente. É Aquele que vê o que ninguém pode ver. “O Senhor não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração”[1]. Nada pode ficar oculto aos olhos de Deus. Ele conhece todas as coisas. Isto é maravilhoso, pois podemos ter a certeza que o Senhor conhece e sabe de cada uma das nossas necessidades e não descuidará daqueles a quem ama. “Deus, o vosso Pai, sabe de que tendes necessidade, antes que lho peçais”[2], afirmou Jesus. Todavia, para os ímpios isto é terrível, “porque Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más”[3].
Neste salmo Davi pede que Deus julgue sua integridade, bem como, as ações de seu inimigo[4]. Ele Sabe que o Seu juízo é justo e retribuirá conforme as obras de cada um. Estava sendo acusado de ter usurpado o trono de Saul e seu acusador proferia-lhe maldições. Mas esta acusação era injusta; Davi havia poupado aquele que sem razão o oprimia, pois não ousou pôr a mão no ungido do Senhor.
O conhecimento da onisciência divina deve nos levar a sondar os nossos corações e nossos sentimentos mais íntimos, submetendo-nos a correção e a orientação do Senhor (ver Salmo 139.23,24). “Porque”, conforme nos diz Paulo, “se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, quando julgados disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo”[5].
[1] Samuel 16.7[2] Mateus 6.8[3] Eclesiastes 12.14[4] Provavelmente este inimigo seja Simei, descendente de Saul cf. 2 Sm 16.5-14.[5] 1 Coríntios 11.31,32

quarta-feira, janeiro 11, 2012

A PRÁTICA DA CONFISSÃO 1 João 1:5-9

Uma vez que somos feitos novas criaturas em Cristo Jesus, somos exortados a crescer na graça e no conhecimento de Jesus. Portanto, devemos desenvolver a nova vida. Assim quero falar-lhes sobre “A Prática da Confissão”. O Rev. J. MacArthur nos lembra que “a confissão é sempre o modelo da vida do cristão e constitui uma das chaves essenciais para o crescimento espiritual”.

1. O Cristão e o Pecado.

a) O Cristão é alguém que foi liberto do domínio do pecado pela obra de Cristo. João no versículo 7 de nosso texto é enfático: “... e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado”. A Bíblia nos ensina que Jesus é Salvador (Mateus 1.21). Ele veio para salvar os homens do pecado, não somente das conseqüências do pecado – o inferno e o juízo – mas do próprio pecado. Não há salvação sem Jesus e Sua obra (1 Pedro 1.9; Apocalipse 1.5).

b) O Cristão é alguém que não vive na prática do pecado. Em 1 João 2.1, 2 o apóstolo fala-nos não de uma ação habitual, mas, sim, de atos individuais. “O cristão não vive continuamente no pecado, mas atos individuais de pecado ocorrem e estes precisam ser confessados”. Quais as consequências do pecado na vida do cristão:

ü Quebramos a comunhão com Deus: Is 59.2

ü Há falta de prosperidade: Provérbios 28.13

ü Sofremos enfermidades: Salmo 32.3,4

“Aquele que encobre o seu pecado nesta vida o terá descoberto na próxima, e aquele que confessa a Deus nesta vida jamais o verá exposto no provir” – Lucas 12.2,3. Assim, o caminho para a restauração da comunhão com Deus é o caminho da confissão, do arrependimento. O cristão é alguém que reconhece a graça de Deus em sua vida e agradecido vive para O honrar. Ou nas palavras do rev. J. MacArthur “afastamo-nos do pecado para não pisotearmos a Sua graça”.

quinta-feira, dezembro 29, 2011

O MISSIONÁRIO


Ele achou primeiro a seu irmão e o levou a Jesus (Jo 1.41-42).


Há na Palavra de Deus um homem que nos mostra o que significa ser missionário: é André. André não era orador como Pedro, não tinha a amável personalidade de João, nem os dons de Tiago; ele era apenas o irmão de Simão e assim era apresentado aos outros. Não podia ensinar como o grande Paulo, porém se alegrava em ser simplesmente André. Não era o mordomo dos dez talentos; contudo usava fielmente o seu único talento: trazer homens para conhecerem Jesus. E com que habilidade fazia isto! André estava entre os dois primeiros que seguiram o Mestre depois de ter ouvido a pregação de João Batista e de ter passado um dia com Jesus (Jo 1.39). Após essas experiências, movido por seu amor ao irmão, levou Simão Pedro ao Messias (Jo 1.42). Quando Jesus indagou por alimento, vendo a multidão que o seguia, foi André que achou o rapaz com os cinco pães e dois peixinhos e o trouxe ao Senhor (Jo 6.8-9); e Jesus os multiplicou e alimentou a todos. Na Páscoa, alguns gregos que vieram a Jerusalém dirigiram-se a Filipe pedindo para ver Jesus. Então Filipe foi dizê-lo a André, e André e Filipe o comunicaram a Jesus (Jo 12.20-22). Novamente, vemos André trazendo pessoas ao Mestre. Nem todos os cristãos podem pregar publicamente, nem têm o dom e a capacidade para tanto; muitos de nós somos apenas como André. Mas podemos cumprir nossa missão, seguindo o seu exemplo: levando a Jesus amigos, vizinhos, parentes, colegas de trabalho e crianças. Se você não pode ser um Pedro, seja simplesmente André. Comece como ele, na família. Depois alargue sua tenda, como diz Isaías (54.2-3), para atingir os outros. Esta é uma das mais lindas passagens da Bíblia – não foi escrita por grandes pregadores, mas pelos que têm compaixão pelas almas, em todos os tempos, trazendo-as para Jesus Cristo, como diz o texto: “e o levou a Jesus” (v.42). Vamos ser André? Vale a pena tentar!

Extraído do Pão Diário

quarta-feira, novembro 30, 2011

DEUS, NOSSO AMIGO - SALMO 23

Não há dúvidas que este salmo é uma das passagens mais conhecidas de toda a Escritura. Muitos o conhecem de cor. Concordo com Derek Kidner que afirma que “a simplicidade deste salmo tem profundidade e força por trás dele”. Nós nos referimos a este texto como o salmo pastoral, uma vez que Deus Se revela como o nosso Pastor. Contudo, se atentarmos bem, veremos que o Senhor nos diz que, além de ser o nosso Pastor, Ele é o nosso Amigo.

Um amigo é uma das maiores bênçãos na vida, ainda que verdadeiros amigos sejam raros. Muitos são nossos amigos quando tudo vai bem, mas poucos são aqueles que permanecem ao nosso lado quando estamos doentes, desamparados ou necessitados. Neste Salmo lemos: preparas-me uma mesa. Esta declaração é muito significativa. No contexto bíblico significa amizade. Mesa, muito diferente do objeto que usamos hoje, pois naquela época não havia mesa com pernas como hoje, tem o significado de comunhão. Não se comia com uma pessoa desconhecida. Mesa é um lugar de vivência familiar. Comer com alguém é um ato de companheirismo, de amizade.

Os versículos 5 e 6 descrevem um homem que caminha no deserto. E como nos diz certo estudioso da Bíblia, “deserto é sinônimo de provação, de sofrimento, de abandono. Deserto é lugar sem vida, árido”. E este errante do deserto é perseguido, ameaçado, por bandoleiros do deserto. Ele, então, encontra um homem rico, que lhe dá abrigo e oferece sua amizade. Deus, então, revela-Se como um Amigo. Como Aquele que vê nossas necessidades, angústias e nos ampara. Quando nos tornamos amigos de Deus encontramos:

1. Segurança: Preparas uma mesa na presença dos meus adversários. Aquele homem rico e poderoso do deserto oferece sua amizade àquele homem perseguido, diante dos seus perseguidores. É como se ele dissesse: Esse homem que vocês estão perseguindo é meu amigo, está comigo e eu ofereço segurança a ele. Se vocês o querem, terão de me enfrentar. A amizade com Deus nos dá segurança. No capítulo 9 de Atos lemos sobre a conversão de Saulo. Neste episódio Jesus o interroga dizendo: “Saulo, Saulo, porque me persegues?” Era a igreja a quem Saulo perseguia. No entanto, a igreja é a menina dos olhos de Deus. Ir contra ela era ir contra o próprio Deus. Aquilo que Saulo estava fazendo aos cristãos o Senhor estava vendo como perseguição a Ele. Esta é a primeira lição que aprendemos aqui. Deus guarda os que são seus. Deus nos valoriza e toma as nossas dores. Aquele que colocou a sua fé em Cristo Jesus, quando tiver que passar pelo deserto, quando enfrentar perseguições deve se lembrar que tem um Amigo, o melhor Amigo, que o defende, que oferece abrigo, que sai em sua defesa, que lhe promete segurança para esta vida e para a eternidade.

2. Cuidado e Provisão: Unges-me a cabeça com óleo e o meu cálice transborda. A unção mencionada aqui não é a unção do sacerdote, não é a capacitação para o exercício de uma vocação. A ideia é a de refrigério. Andar pelo deserto, debaixo de um sol escaldante pode causar insolação. O amigo oferece amizade com uma refeição e refresca a cabeça do seu hóspede. Desfrutar da amizade de Deus é desfrutar de Seu cuidado para conosco. O poeta sacro diz: Deus cuida de mim, na sombra de Suas asas, Deus cuida mim. Por isso a Bíblia nos ensina: “Não andeis ansiosos de coisa alguma”. A ansiedade é filha da incredulidade e da desconfiança. A Bíblia nos ensina acerca de um Deus providente, que supre as nossas necessidades, que cuida dos seus filhos. A ideia de um cálice transbordante é a de abundância. Deus cuida e cuida bem dos seus filhos. Paulo nos diz que Deus é “muitíssimo mais poderoso para fazer muito mais além do que pedimos ou pensamos”.

3. Proteção: Bondade e misericórdia me seguirão. Há uma mudança no tempo verbal no versículo 6. Os verbos do v. 5 estão no presente, neste versículo estão no futuro. Com isso Davi nos ensina que a segurança, o cuidado e a provisão de Deus continuarão conosco, para sempre! O homem que caminha no deserto encontrou abrigo com aquele que lhe ofereceu sua amizade. Contudo, ao sair das tendas do seu amigo, os bandoleiros estarão lá. É aí que vem a promessa: Bondade e a misericórdia certamente me seguirão. Um pastor batista nos diz que bondade e misericórdia “são dois guarda-costas que realmente vêm grudados nas costas do homem para proteger”. Bondade é tudo o que é bom. Misericórdia é o amor do pacto, amor que levou Deus nos escolher. É um amor inalterável e inabalável. Paulo nos ensina que “se formos infiéis Ele permanece fiel porque não pode negar-se a si mesmo”. Assim posso crer que em cada dia da minha vida, não haverá um dia se quer que Deus se esqueça de mim. Não é esta a promessa de Jesus? “Eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século”.

Tudo o que o Salmo nos oferece encontramos na pessoa de Jesus Cristo. Jesus é o amigo melhor. Ele quer ser seu amigo, partilhar da sua mesa, quer cuidar de você, lhe oferece uma salvação que consiste de salvação nesta vida e por toda eternidade. Venha a Cristo e desfrute da amizade com Aquele que é também o nosso Pastor.

segunda-feira, novembro 07, 2011

AS BEM AVENTURANÇAS - Rev. Manoel Peres Sobrinho

Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte, e, como se assentasse, aproximaram-se os seus discípulos; e ele passou a ensiná-los, dizendo: Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que vieram antes de vós. Mateus 5:1-12

“Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” Mateus 5:3.

As bem-aventuranças “abrem” o Sermão do Monte como uma porta de rara beleza que dá acesso a um suntuoso templo. Neste caso, o templo é o da Verdade de Deus. Fazem parte da “Plataforma do Reino” como um resumido prefácio, onde seguem como resultados do comportamento daqueles que amam a Deus e encaminham suas vidas pelas verdades divinas. A sua singularidade está em que estas máximas são de caráter inegociável e só serão realidade, vista e proveitosa, quando cumpridas em sua totalidade, na simplicidade e seriedade como Jesus as estabeleceu. Como fazem parte do Reino de Deus, sua aparição se dá por toda a Bíblia, disseminadas como sementes da fé e frutos do amor a Deus, ora de forma explícita, ora de forma implícita, mas sempre concitando os filhos de Deus a uma resposta adequada e verdadeira diante das suas exigências. Estabelecem-se como desafios diários que devem ser buscados como uma finalidade da existência cristã, como parte da adoração e obediência que devem os filhos de Deus ao seu Senhor e Salvador. São promessas que seguirão aqueles que levam Deus a sério diariamente e em todo lugar e momento e que desejam espelhar em suas vidas nos santos caminhos do Senhor. Felizes serão aqueles que atentarem para estes ensinamentos.

Ore: Senhor, meu Deus. Renova em meu coração o desejo de buscar a felicidade e a alegria nos teus ensinamentos. Dá-me o prazer da obediência sem tristeza e a coragem da fé sem esmorecimento. Em nome de Cristo, amém.

Pense: Somente aqueles que perseveram nos caminhos do Senhor serão felizes, pois só eles completam nossas carências humanas.

Rev. Manoel Peres Sobrinho : http://mpfragmentos.blogspot.com

quinta-feira, outubro 13, 2011

VIVENDO DE MODO DIGNO DO SENHOR - Colossenses 1.9-11

O desejo de Paulo em relação aos irmãos de Colossos era que eles vivessem de modo que Deus fosse honrado. Deveriam proceder diante dos homens de tal modo que suas vidas trouxessem crédito para o nome do Seu Senhor. Na verdade este é o dever de todo verdadeiro cristão. “Viver de acordo com a doutrina e prática da Escritura Sagrada; honrar e propagar o Evangelho pela vida e pela palavra”. O apóstolo, escrevendo aos coríntios, ensina-nos esta mesma verdade: “Quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Co 10.31). Não há distinção entre palavras e ações, prática e doutrina. A vida do cristão é coerente, condizente e harmônica com tudo o que ele professa ser. A sã doutrina nos leva a conduta correta. Não há prática cristã sem o conhecimento da doutrina. Isto está claro no texto, o verbo “viver” está no infinitivo e introduz uma afirmativa de resultado esperado. Viver vidas dignas do Senhor é resultado prático daqueles que estão cheios do pleno conhecimento da sua vontade. “Quanto mais os filhos de Deus O conhecem, tanto mais irão amá-Lo; e quanto mais o amarem, também mais desejarão obedecê-lo em pensamento, palavras e ações”. O cristianismo não é um simples ‘modo de vida’ no sentido moderno, mas sempre um modo de vida fundamentado sobre uma doutrina. O Rev. Mauro Meister afirmou que “Evangelho não é comportamento, mas envolve viver a vida com uma dignidade que nos distancia de todos os demais”. Assim há um padrão de vida em Cristo! Paulo aponta quatro características de uma conduta digna do Senhor:

1. Frutificando em toda boa obraPaulo deixa claro aqui que as boas obras não são o fundamento da graça, mas, sim, o fruto da graça em nós. “Boas obras são vistas no fruto de tudo aquilo que nós fazemos!” O Rev. Russel Shedd afirma que “não se trata de ação ou boa obra alguma que o homem possa efetuar para conseguir mérito aos olhos de Deus, mas, sim, atos cheios de amor que quem os observa não pode explicá-los sem recorrer à operação de Deus na vida do cristão”.

2. Crescendo no pleno conhecimento de Deus“Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor ... porque eu quero misericórdia e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus mais do que os holocaustos” (Os 6.3,6).

3. Sendo fortalecidos com todo poder“O aforismo ‘conhecimento é força’ é verdadeiro na vida espiritual mais do que em qualquer outra área. Quando uma pessoa cresce no pleno conhecimento de Deus, sua força e coragem aumentam” (Hendriksen). Tudo posso Naquele que me fortalece, diz o apóstolo Paulo, que diante das dificuldades pregou o Evangelho com perseverança e longanimidade.

4. Dando, com alegria, graças ao Pai“E, quanto fizerdes por palavras ou obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por Ele graças a Deus Pai” (Cl 3.17).

Você, meu irmão (ã), tem vivido de modo digno do Senhor? Há coerência no seu proceder com aquilo que você declara crer? Deus tem sido glorificado através das palavras e ações que você realiza? “Se a nossa vida, como cristãos, deixar de corresponder à vida do Senhor, estaremos andando indignamente”

sexta-feira, setembro 30, 2011

ANDA NA MINHA PRESENÇA E SÊ PERFEITO

Creio que a declaração de Deus a Abraão expressa a Sua vontade a todos os seus filhos. Deus diz a Abraão e a nós: Anda na minha presença e sê perfeito (Gn 17.1). Andar com Deus é desejar que Sua vontade seja a nossa própria vontade. Andar com Deus não é algo que se faz aos domingos, mas é algo contínuo, permanente. Isto implica em duas coisas simples e básicas da vida cristã.

A primeira delas é a oração. A Bíblia exorta-nos: Orai sem cessar. Através da oração falamos com Deus, colocando em Suas mãos toda a nossa vida, nossas angústias e necessidades. A oração nos faz desfrutar da intimidade com Deus e, assim, somos impactados com Sua santidade. Somos, então, transformados, tornando-nos como Ele é. J. C. Ryle afirmou que “oração e pecado jamais habitarão juntos em um mesmo coração. Ou a oração sufocará o pecado, ou o peado sufocará a oração. Quando me lembro disto e considero a vida dos homens, acredito que poucas pessoas oram”.

A segunda é a leitura da bíblia diariamente e o estudo diligente da Palavra de Deus. O cristão deve desejar a Palavra de Deus como o recém-nascido deseja e necessita do leite materno. O cristianismo é uma via de duas mãos, onde falamos com Deus e ouvimos a Deus. Lembre-se que Deus trabalha em nós de dentro para fora, do homem interior para o homem exterior. Portanto, renove seu coração permitindo que a Palavra de Deus dirija sua vida.

Oração e o estudo das Escrituras nos levam a plenitude do Espírito, nos tornam perfeitos, isto é, completos. Que cada um de nós, verdadeiramente possa estar andando com Deus, como Abraão andou e foi chamado amigo de Deus..

segunda-feira, setembro 26, 2011

PERMANECENDO NA PALAVRA

Como cristãos somos exortados pelo apóstolo Paulo a chegarmos “à perfeita varonilidade”, isto é, sermos pessoas maduras, “pessoas que alcançaram à altura espiritual de Cristo” (Efésios 4.13,14). O objetivo desta exortação é “para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para o outro, e levados ao redor por toda sorte de doutrina”. Lamentavelmente vivemos dias em que aqueles que se dizem cristãos não demonstram convicções e nem apresentam firmeza no que creem. São inconstantes e se curvam as tendências teológicas que prevalecem em nossa época, rejeitando os padrões absolutos da Palavra de Deus. Somos conclamados, pelas Escrituras, a permanecer fiéis à Verdade de Deus: “Assim, pois, irmãos, permanecei firmes e guardais as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por palavra nossa” (2 Ts 2.15). A Bíblia é o livro de Deus. Deus é o autor primário das Escrituras Sagradas. Rev. Adão C. Nascimento nos lembra que “a Escritura se originou na mente de Deus e foi comunicada pela boca de Deus, pelo sopro de Deus, ou pelo seu Espírito”. E o propósito de Deus se ter revelado através da Bíblia é de nos despertar à fé em Jesus Cristo e nos dar a salvação que há nEle! Calvino, o reformador do século XVI, afirma que a Escritura contém o guia perfeito de uma vida boa e feliz. Isto porque a verdadeira felicidade está na reconciliação do homem com Deus, o Criador. Uma vez que a Bíblia é o livro de Deus e tem um propósito tão especial, ela se reveste de tremenda importância para nossas vidas. Contudo, não devemos adorar a Bíblia e, sim, o Deus que Se revela em suas páginas. Essa adoração inclui estudar e obedecer aos mandamentos de Deus, bem como transmitir os seus ensinamentos a outros.

terça-feira, setembro 20, 2011

UMA PALAVRA AOS PERSEVERANTES - Hebreus 12.12-17

J. C. Ryle, um grande servo de Deus do passado, nos lembra que “o Cristianismo que o mundo requer, e que a Palavra de Deus revela (...) é uma religião útil para todos os dias. É uma planta saudável, forte e viril, a qual pode viver em qualquer posição, e florescer em qualquer atmosfera, exceto a do pecado. É uma religião que o homem pode levar com ele aonde ele for, e nunca precisa deixar para trás”. Em Hebreus 12 encontramos verdades essenciais para se viver esse cristianismo autêntico e relevante em nossos dias. Por isso temos nos esforçado em aprender e aplicar tais verdades às nossas vidas para sermos, de fato, uma igreja que faça toda diferença em nossa sociedade.

No texto de hoje encontramos uma nova exortação, a qual se inicia com a expressão “por isso”. Isto é significativo, pois nos lembra que o que o autor irá nos falar depende da compreensão de tudo o que já foi dito. Primeiramente seus leitores são exortados a serem perseverantes na vida cristã, observando o testemunho dos heróis da fé, mas, acima de tudo, olhando para Jesus, o Autor e Consumador da fé. Lembra-lhes que nesta jornada encontrariam dificuldades, mas os sofrimentos não são sinais de reprovação, pelo contrário, evidenciam o cuidado paternal de Deus, moldando-nos para que sejamos participantes da Sua santidade. Agora, nesta perícope, exorta seus leitores a se encorajarem mutuamente, de modo que aqueles que se acham desanimados sejam estimulados pelo testemunho da maioria e também se tornem perseverantes. É possível observar por toda carta que havia na igreja irmãos que, diante das tribulações, estavam esmorecendo. Em Hebreus 10.25 somos informados que estes estavam deixando de congregar. Contudo, observemos que eram “alguns” e não a maioria. E essa maioria deveria levar em conta as circunstâncias e fraquezas dos demais a fim de apoiá-los. Por isso a exortação em Hebreus 10.24: “Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras”. Portanto, nesta seção, encontramos UMA PALAVRA AOS PERSEVERANTES.

1. SEJAM CORAJOSOS. A primeira exortação é: Sejam corajosos. Mãos fracas e joelhos vacilantes formam uma metáfora que representa o desânimo e o desespero. Somente os covardes desistem quando o caminho é difícil. O autor os admoesta a não se contaminarem com o desalento de poucos, mas a se mostrarem fortes, corajosos, pois a coragem “pode reanimar os corações abatidos e renovar o progresso no caminho do cristianismo”. Convida-os a continuarem sendo perseverantes e, assim, fortaleceriam os que estavam em dúvida e reergueriam sua confiança.

2. SEJAM ÍNTEGROS. O autor desta carta era alguém que conhecia bem o Antigo Testamento. Para estimulá-los a coragem cita Isaías e para convocá-los a integridade refere-se a Provérbios: “Os teus olhos olhem direito, e as tuas pálpebras, diretamente diante de ti. Pondera a vereda de teus pés, e todos os teus caminhos sejam retos. Não declines nem para a direita nem para a esquerda; retira o teu pé do mal”. Sejam íntegros! Esta é a exortação aqui. Deveriam andar numa linha reta, com honestidade e franqueza, sem inconsistências morais ou espirituais em sua vida. Integridade significa inteiro, completo, sadio. A integridade é essencial para aqueles que representam Deus e Cristo neste mundo, para que o manco não se extravie, pelo contrário, seja curado. Lighfoot nos lembra que “a advertência é no sentido de que os fortes devem avançar num curso reto e auxiliar no percurso os irmãos fracos que de outra forma seriam tentados a desviar-se e abandonar a carreira cristã”.

3. SEJAM PACIFICADORES. No versículo 14 encontramos a terceira exortação: Segui a paz com todos. O verbo seguir é enfático e sugere-nos todo o esforço possível para se alcançar algo. O primeiro objeto a ser perseguido é a paz. Embora a expressão “com todos os homens” tenha um paralelo direto com Romanos 12.18, “se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens”, indicando uma abrangência em seu uso, creio que em nosso texto refira-se exclusivamente ao relacionamento dos cristãos. O versículo 15 confirma essa interpretação. Neste versículo o autor os previne para que não haja nenhuma raiz de amargura, citando o texto de Deuteronômio. A ideia não é de ressentimentos entre eles, mas, sim, a introdução de um veneno, isto é, uma raiz venenosa, que poderia trazer a destruição. O desânimo é essa raiz venenosa, que se não fosse eliminada contaminaria o ânimo de toda a congregação. Lembra-lhes que indiferença gera indiferença e apostasia gera apostasia. O autor já os havia advertido antes: “Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo” (Hb 3.12). Assim, fala-lhes daquilo que precisava ser corrigido na igreja. A estagnação, ainda que fosse uma realidade de alguns, estava evoluindo e deveria ser combatida com tolerância e amor. O conceito bíblico paz não consiste na ausência de conflitos, guerras. É, antes de tudo, o estabelecimento de um bom relacionamento entre o homem e Deus. E neste sentido, como pacificadores, os crentes perseverantes deveriam ajudar os que estavam se ausentando da congregação a “restaurar” o relacionamento com Deus para que toda a igreja não se contaminasse com o desânimo.

4. SEJAM SANTOS. O outro objeto ser perseguido é a santificação. Esta expressão assemelha-se à declaração de Paulo aos tessalonicenses: “Deus não nos chamou para a impureza, e sim para a santificação” (1 Ts 4.7). O autor aos Hebreus nos ensina a seguir a santidade e isto envolve nos sujeitarmos ao Espírito de Cristo. A Bíblia nos ensina que o Espírito Santo opera por meios – os meios de graça, a saber: a Palavra, oração, comunhão, adoração e a ceia do Senhor. Nesse processo é preciso o nosso envolvimento através da disciplina e do esforço. A formação de hábitos é a maneira normal pela qual o Espírito Santo nos leva para a santificação. Assim, o antídoto ao veneno mortal do desânimo é o esforço deliberado do cristão no uso destes meios de graça para a sua santificação. Aqui o autor traz a lembrança o exemplo de Esaú que fez uma má escolha e não pode mudar as conseqüências desta escolha. Assim a exortação é para que não desprezem os privilégios cristãos como Esaú o fez, senão incorremos no mesmo erro dele.

Amados irmãos, a compreensão destas verdades é significativa a nós hoje. Obviamente as dificuldades que enfrentamos hoje não são idênticas à daqueles irmãos. Contudo, sofremos problemas que podem nos desanimar em nossa jornada cristã. Ainda hoje há, como expressou o poeta sacro, aqueles que corriam bem e longe de Deus agora vão, outros que caminham sem fervor e sem vigor. Portanto, neste texto aprendemos que, em primeiro lugar, devemos cuidar da nossa própria espiritualidade. Certo servo de Deus nos diz que “ninguém tem esperança alguma de revivificar outras pessoas se não se esforçar para revivificar a si mesmo”. Não devemos permitir que as lutas que enfrentamos ou o desânimo de alguns nos façam estagnar. Acima de tudo, devemos nos fortalecer no Senhor, vivendo com integridade o Evangelho de Cristo. Em segundo lugar, devemos suportar uns aos outros em amor. Uma vez revigorados, animemos os desalentados! E, por último, jamais devemos negligenciar os meios de graça que o Senhor nos dá. Nas palavras de Paulo, não apagueis o Espírito!

domingo, setembro 11, 2011

ANDANDO NOS PASSOS DE JESUS

A Bíblia nos ensina claramente que o objetivo final de Deus para todo o verdadeiro cristão é que ele se assemelhe a Jesus. Paulo em Romanos 8.29 nos diz que fomos predestinados antes da fundação do mundo para sermos conforme a imagem e semelhança de Jesus. Deus nos transforma a imagem de Seu Filho conforme a atuação do Espírito Santo em nós. Esse processo de transformação é denominado na Palavra de Deus como santificação. Na santificação, não só o Espírito opera, mas exige-se o envolvimento intencional do crente, ou seja, a cooperação do crente. Entretanto, quero lembrar-lhes outra dimensão do ensino bíblico para promover a nossa santificação – o exemplo de Jesus. “A Bíblia diz claramente que nós, como cristãos, devemos moldar a nossa vida de acordo com o procedimento de Jesus Cristo”, lembra-nos Larry McCall.

1. ANDAR NOS PASSOS DE JESUS É NOSSO CHAMADO. Jesus certa ocasião nos disse:Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma (Mt 11.28). O próprio Jesus nos deu a graciosa ordem de ir a Ele a fim de aprender. Não somos chamados, em primeiro lugar, a uma instituição ou a uma doutrina em particular, e, sim, a uma Pessoa verdadeira. É dessa pessoa, com todos os Seus atributos, que devemos aprender. Jesus nos convida a aproximar Dele para aprender e devemos obedecer-Lhe o chamado. Quando respondemos a este chamado, nossos primeiros passos com Cristo devem ser caracterizados pela atitude de imitá-Lo.

2. ANDAR NOS PASSOS DE JESUS É NOSSA OBRIGAÇÃO. Professar que estamos ligados a Cristo pela salvação, nos leva ao dever de endossar esse testemunho verbal com um estilo de vida que reflete o caráter de Cristo. É isso que nos ensina o apóstolo João: “Nisto sabemos que estamos nele: aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou” (1Jo 2.5b,6). Ser como Cristo é um padrão necessário para o cristão. Se não buscamos refletir o caráter de Cristo em nossa própria vida, que direito temos de alegar que somos cristãos?

3. ANDAR NOS PASSOS DE JESUS É NOSSO TESTEMUNHO. O Rev. Martin Lloyd-Jones afirmou que o mundo ainda julga Deus e Jesus Cristo pelo que vê em nós. Muito do que o mundo conhece acerca de Jesus Cristo resulta da observação da vida daqueles que alegam estar unidos a Cristo. Nós cristãos hoje temos a obrigação de oferecer uma constante demonstração em carne e osso do verdadeiro cristianismo. Esse é nosso ministério! Nada mais prejudicial à evangelização do que uma pregação dissociada da vida.

Devemos nos dedicar mais e mais ao estudo da Pessoa de Cristo por meio de Sua santa Palavra, orando para que o Espírito Santo nos conforme, nos molde mais e mais à semelhança do nosso bendito Salvador.

(Texto adaptado do livro "Andando nos Passos de Jesus" de Larry McCall - Editora Fiel)

quinta-feira, setembro 08, 2011

CRESCENDO NAS ADVERSIDADES

Cortland Myers escreveu que “a mais fina porcelana do mundo é queimada pelo menos três vezes, e algumas mais de três vezes. A de Desdren sempre é queimada três vezes. E por que passa por esse calor intenso? Uma ou duas deveriam ser suficientes. Não, aquela porcelana precisa ser queimada três vezes para que os adornos de ouro e carmesim fiquem mais belos e se fixem nela permanentemente. Em nossa vida somos trabalhados segundo o mesmo princípio. Nossas provações ardem em nós uma, duas, três vezes. E pela graça de Deus as cores mais belas são nelas gravadas, e se fixam para sempre”. Quanta verdade há nesta declaração! Às vezes, como é próprio da natureza humana, nos queixamos dos nossos fardos e das tribulações que enfrentamos. Por que tenho que passar por tudo isso de novo? Esta é a indagação que fazemos. Alguns valores e princípios da vida cristã precisam ser trabalhados em nós e Deus usa as adversidades para imprimi-los em nós. Deus está nos transformando na imagem de Seu Filho. O fruto do Espírito está se desenvolvendo em nós. Muitos ao verem nossas dores nos acusam de estarmos em pecado, tal como os amigos de Jó. Para estes nossos sofrimentos são evidências de perdição, mas, com afirmou o apóstolo Paulo, na verdade são provas da nossa salvação (Fp 1.28). Nossas tribulações têm um caráter didático. O nosso Pai deseja que aprendamos algo a fim de que possamos viver de modo digno do Evangelho de Cristo. A teologia da prosperidade, tão difundida em nossos dias, descarta o ensino que obtemos através do fogo ao proclamar que devemos determinar a Deus que nos livre do mal. Lembremos que nos “foi concedida a graça de padecermos por Cristo e não somente de crerdes nele” (Fp 1.29). Se o próprio Filho de Deus “aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu” (Hb 2.8), quanto mais nós pecadores. Portanto, não devemos murmurar e, sim, glorificarmos a Deus, pois Ele está trabalhando em nós para nos apresentar perante Ele perfeitos, sem máculas e nem rugas. Que possamos crescer em meio as nossas adversidades e, como o salmista, dizer: “Foi me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teu decretos” (Salmo 119.71). (extraído)

terça-feira, agosto 23, 2011

OS MANDAMENTOS BÁSICOS DA EDUCAÇÃO DOS NOSSOS FILHOS - Efésios 6.4

Certa ocasião eu afirmei que vivemos dias maus. Dias em que assistimos a desconstrução da família. A sociedade quer nos impor um novo conceito de família, com novos valores e princípios que não estão pautados na Palavra de Deus. Creio que isto se deve pelo simples fato de que nós pais transferimos a nossa responsabilidade de educar nossos filhos a outros. Ora entregamos a criação dos nossos filhos à escola, ora à igreja e, assim, muitos pais se eximem do mandato que Deus nos delegou. Em Efésios 6.4 nos aprendemos que Deus entregou a responsabilidade da criação dos filhos aos pais. Obviamente tanto a escola como a igreja devem ter participação na formação do caráter de nossos filhos. Contudo, ninguém pode substituir de modo adequado ou completo o papel que cabe a nós pais e, jamais devemos abrir mão da educação dos nossos filhos. Nesta tarefa a nós delegada, devemos lembrar que Deus é o nosso modelo de paternidade. E baseados no modelo divino de paternidade encontramos, neste versículo, três mandamentos básicos. Propositadamente quero apresentar estes mandamentos na ordem invertida.
O primeiro mandamento é: ENSINAR. Paulo em nosso texto usa a palavra “admoestação”, que pode ser traduzida por “instrução”. Esta palavra se refere primariamente ao que se diz à criança. Está implícito aqui também que devemos dar aos nossos filhos um exemplo de vida e conduta cristãs. Nossos filhos são reflexos do que somos. E, acima de tudo, nossa instrução deve levá-los a um relacionamento íntimo com Deus. Assim, devemos orar por eles e com eles, ajudá-los na compreensão das verdades bíblicas ensinando-lhes as Escrituras e permitindo que eles nos vejam aprendendo destas mesmas Escrituras. Pv. 22.6.
O segundo mandamento é: DISCIPLINAR. O termo que é empregado aqui é Paidéia, que traz o conceito de instruir, educar por meio de disciplina. A disciplina nem sempre é agradável no momento em que a aplicamos, mas depois produz frutos excelentes. Em outro lugar Paulo usa este termo no sentido de “instruir na justiça”. É uma educação mediante regras e normas, recompensas e, se necessário, castigos. A Bíblia nos diz que “o que retém a vara odeia a seu filho, mas o que o ama, cedo o disciplina”. No passado assistimos uma disciplina severa, exagerada. No presente vemos uma reação que nos leva a permissividade e, perplexos, temos visto o resultado disto. O Dr. Lloyd-Jones sabiamente nos diz: “O oposto da disciplina errada não é a ausência de disciplina mas, sim, a disciplina certa, a disciplina verdadeira (...) o oposto de nenhuma disciplina não é a crueldade mas, sim, a disciplina equilibrada, a disciplina controlada (...) Ao disciplinar uma criança, você deve ter primeiramente controlado a si mesmo (...) Que direito tem você de dizer ao seu filho que ele precisa de disciplina quando obviamente está precisando dela também? O autocontrole do seu próprio gênio, é uma condição prévia essencial no controle dos outros”.
O terceiro mandamento é: AMAR. O apóstolo expressou esse mandamento assim: “Não provoqueis vossos filhos à ira. Criai-os com afeição ou ternura”. Os filhos precisam da ternura e da segurança do amor. O encorajamento positivo de pais amorosos e compreensivos faz que a personalidade da criança floresça e que seus dons desenvolvam. Há muitas maneiras de expressar amor, de dizer aos filhos que os amamos. “Os filhos não devem ter a prioridade em tudo, mas não podemos deixar as necessidades deles em último lugar”. Precisamos dedicar um tempo para estarmos com eles, brincarmos juntos, de prestar atenção em nossos filhos. É necessário expressar esse amor através do contato físico. Um abraço, um beijo, um colo, um carinho. Nada comunica tão bem o amor como o sentido do tato.
Como pais temos uma grande responsabilidade. Os filhos são herança do Senhor e devemos criá-los para a glória do nosso Deus. Deus, como modelo de paternidade, nos ensina a educá-los. Seus mandamentos são: Instruam, disciplinem e amem seus filhos!

terça-feira, agosto 09, 2011

VIVENDO SEM AVAREZA

A Bíblia nos exorta: "Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes" (Hebreus 13.5). A filosofia deste mundo desconhece por completo tal exortação e, assim, estimula os homens adentrarem numa disputa consumista. Diariamente somos impactados por uma série de comerciais que nos impressionam e impulsionam a investir em coisas supérfluas, não essenciais a vida.
Na passagem citada há uma exortação contra a cobiça ou concupiscência, que é o desejo intenso de gozos materiais ou ambição pela riqueza. A cobiça na verdade é uma forma de egoísmo e é extremamente prejudicial a espiritualidade. Jesus mesmo nos diz: "Não podeis servir a Deus e as riquezas" (Mateus 6.24). Muitas passagens falam dos perigos do dinheiro e do uso errado do mesmo. "Ora, os que querem ficar ricos caem em tentações, e ciladas, e em muitas concupiscência insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e na perdição. Porque o amor do dinheiro é a raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviam da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores" (1 Timóteo 6.9-10). A necessidade de ter mais e mais coisas é resultado do medo, medo da pobreza, de passar privações. E, também, desconfiança de Deus e de sua providência. Pois Ele mesmo nos diz: "De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei" (Hebreus 17.5). Em vez de apegar-nos às possessões terrenas e fiar nossos corações nos bens materiais os quais a traça e a ferrugem corroem e ladrões escavam e roubam, deveríamos compreender que tendo Deus temos o suficiente. Ele jamais permitirá que as coisas essenciais à vida nos sejam tiradas. E assim como Paulo, possamos aprender "a viver contente em toda e qualquer circunstância", sabendo que o Senhor nos sustenta e nos fortalece.

segunda-feira, agosto 01, 2011

A BÍBLIA E CRISTO

A mensagem central da Bíblia é uma só: Cristo. O próprio Senhor Jesus afirmou: “Examinai as Escrituras porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim” (João 5.39). Fora das Escrituras, Cristo não pode ser conhecido. Somente por meio dela que Ele é revelado. A Bíblia nos ensina que Jesus é o único Salvador dos pecadores, pois “não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (Atos 4.12). Estas palavras dão a entender que ninguém pode salvar-se do pecado – com sua culpa, poder e conseqüências – a não ser por Jesus Cristo. Ninguém pode obter a paz com Deus, nem o perdão, nem livrar-se da ira vindoura, senão através dos méritos da obra de Cristo. Em toda a Bíblia encontramos um único caminho de salvação: Cristo Jesus. O próprio Jesus afirmou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por Mim” (João 14.6). Devemos confiar em Cristo, como nosso substituto, como quem já pagou o preço dos nossos pecados. A Bíblia declara que “todo aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas todo aquele que rejeita o Filho não verá a vida, pois sobre ele permanece a ira de Deus” (João 3.36).
Crer em Cristo significa muito mais do que concordar mentalmente com as verdades da Bíblia a Seu respeito. É ter um conhecimento espiritual, não simplesmente um conhecimento intelectual; não teórico, mas experimental de Cristo. Significa que dependemos totalmente dEle. É uma entrega total, sem reservas a Cristo, confiando que Ele é Todo-Poderoso para nos salvar.
A Bíblia foi escrita com o objetivo de revelar-nos a Jesus, para que possamos crer que Ele é o Cristo, o Filho de Deus e para que, crendo, tenhamos a vida eterna (João 20.30 e 31).