
Há uma expressão neste capítulo que
resume todo o seu conteúdo, a qual eu tomo emprestado para intitular a mensagem
de hoje: SOB AS ASAS DEUS. Boaz descreve Rute (v. 12) como alguém que buscou
abrigo sob as asas de Deus. Domingo passado, citando Warren Wierbse, disse: “Rute... creu no Deus de Israel (2:12).
Havia passado por provações e decepções, mas em vez de culpar a Deus, creu nele
e não se envergonhou de confessar sua fé. Apesar do exemplo negativo da família
desobediente do marido, Rute conheceu o verdadeiro Deus vivo, e seu desejo era
ficar com o povo de Deus e habitar na terra do Senhor. A conversão de Rute é
prova da graça soberana de Deus, pois os pecadores só podem ser salvos pela
graça (Ef 2:8-10). Tudo dentro dela e a seu redor representava uma série de
obstáculos para a fé, e, no entanto, ela creu no Deus de Israel”. Hoje
acrescentaria que Rute não só creu em Deus, mas buscou Nele abrigo. Assim, as
palavras de Jesus se cumpriram em Rute: Vinde
a mim todos os que cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei. Este é o
Deus a quem servimos, um Deus que sempre está pronto a nos amparar, dispensar
cuidados. Quando olhamos a história de Rute aprendemos que:
1.
SOB AS ASAS DE DEUS DESFRUTAMOS DE DIREÇÃO – Por trás de ações fortuitas, Deus nos direciona, ou
seja, aquilo que para nós é meramente “sorte”, “acaso”, “destino” na verdade é
Deus dirigindo nossas vidas segundo o Seu propósito. O capítulo 2 começa
introduzindo um novo personagem à história: Boaz. Ele era “uma ‘pessoa poderosa’ - alguém cuja riqueza e alta reputação em Belém
lhe deram forte influência entre seus pares” (cf. Hubbard Jr) e também
parente de Elimeleque.
A Bíblia nos diz que Rute, por
casualidade, entrou na parte do campo que pertencia a Boaz. Na minha
versão lemos: “por coincidêndia”. Um
estudioso bíblico declara sobre este versículo: “Temos aqui uma reafirmação da fé do autor na graciosa providência de
Deus. O escritor sabe, como também os leitores, que não foi uma
"sorte" ou "casualidade" acidental. O que para Rute foi uma
mera coincidência em um conjunto de circunstâncias não planejadas, entendemos
(como Noemi entendeu mais tarde naquele dia; 2:20) que foi parte da obra do
cuidado gracioso de Deus”. Quando buscamos a Deus e nEle nos abrigamos
podemos ter a certeza que Ele nos dirige os passos. “A vida
parece (como deve ter sentido Noemi em suas amargas experiências) um emaranhado
de fios desconexos. Mas a fé na graciosa providência divina traz consigo a
certeza de que aqueles fios emaranhados são apenas o avesso de uma tapeçaria,
cujo lado direito apresenta uma mensagem de esperança e graça”.
2.
SOB AS ASAS DE DEUS DESFRUTAMOS DE PROTEÇÃO – A Palavra de Deus nos ensina que Deus habita com
o contrito e o humilde de espírito. No versículo 2 vemos a iniciativa de Rute
em cuidar de sua sogra. Observe que Noemi não manda Rute sair e trabalhar. Ela
mesma diz: “Deixa-me ir ao campo, e apanharei espigas atrás daquele em cujos
olhos eu achar graça.” Rute se comprometeu com Noemi com uma dedicação incrível
e ela toma a iniciativa de trabalhar e sustentá-la. É possível também r, ver a
humildade de Rute. Ela sabe como tomar a iniciativa sem ser presunçosa. No
versículo 7, segundo o relato dos servos de Boaz, Ela disse: “Deixa-me colher espigas, e ajuntá-las
entre as gavelas após os segadores”. Ela não demanda uma parte da colheita.
Ela não pressupõe o direito de recolher mesmo. Tudo o que ela quer é recolher
as sobras depois que os ceifeiros terminarem e ela pede permissão até para
fazer isso. John Piper afirma que Rute “é
como uma outra mulher estrangeira que veio para Jesus e disse: “Senhor, até os
cachorrinhos comem as migalhas debaixo da mesa dos seus senhores”, à qual Jesus
respondeu, exaltando sua fé. Rute sabe tomar a iniciativa, mas ela não é
agressiva ou arrogante, mas mansa e humilde”. Por esta postura humilde Deus
dispensa do seu cuidado e proteção. É interessante observar que Boaz veio
supervisionar o trabalho dos segadores no momento em que Rute estava ali. E, ao
tomar conhecimento de de quem era ela, agiu com misericórdia:
vv. 8, 9 - “Então, disse Boaz a Rute: Ouve,
filha minha, não vás colher em outro campo, nem tampouco passes daqui; porém
aqui ficarás com as minhas servas. Estarás atenta ao campo que segarem e irás
após elas. Não dei ordem aos servos, que te não toquem? Quando tiveres sede,
vai às vasilhas e bebe do que os servos tiraram”.
vv. 14,15 – “À hora de comer, Boaz lhe disse:
Achega-te para aqui, e come do pão, e molha no vinho o teu bocado. Ela se
assentou ao lado dos segadores, e ele lhe deu grãos tostados de cereais; ela
comeu e se fartou, e ainda lhe sobejou.
Levantando-se ela para rebuscar, Boaz deu ordem aos seus servos,
dizendo: Até entre as gavelas deixai-a colher e não a censureis”.
Deus usou Boaz para dispensar sua
proteção sob Rute. John Piper afirma: “Por
que Deus deveria mostrar misericórdia para com Rute? Porque ela buscou refúgio
sob as suas asas. Ela contou com a proteção divina. Ela fixou seu coração em
Deus para sua esperança e alegria. E quando uma pessoa faz isso, a honra de
Deus está em jogo e Ele será misericordioso. Se você invocar o valor de Deus
como a fonte de sua esperança em vez de invocar o seu próprio valor como fonte
de esperança, então o firme compromisso de Deus para com o seu próprio valor
irá englobar todo o coração d’Ele para sua proteção e alegria”.
3.
SOB AS ASAS DE DEUS D ESFRUTAMOS DE RENOVAÇÃO
O capítulo 1 termina com a declaração de
Noemi: “Ditosa eu parti, porém o SENHOR me fez voltar pobre; por que, pois, me
chamareis Noemi, visto que o SENHOR se manifestou contra mim e o Todo-Poderoso
me tem afligido?”. É interessante observar que, muitas vezes, nós
focamos tanto nossos problemas e angústias que não percebemos o agir de Deus na
nossa história. Assim foi com Noemi. Tão angustiada com suas dificuldades e tão
amargurada da vida que não percebe que Deus pôs fim a fome em Belém e a dispôs
a voltar; também Lhe deu uma “filha” para acompanha-la e preservou um parente
de seu marido, para dar resgatar Rute e dar continuidade à família de Noemi. O retorno de Rute, ao final de um
dia de trabalho, trazendo surpreendentemente uma quantidade significativa de
cereal e também o que sobrou da refeição oferecida por Boaz a Rute, fez com que
Noemi percebesse o agir de Deus em sua própria vida. Wierbse afirma que “este
foi o primeiro evento feliz para encantar Noemi desde o cap. 1”. Descobriu-se, então, um regatador, alguém que
poderia dar continuidade à sua família. John Piper: “Rute trabalha até a tarde. E ela
volta para Noemi e dá-lhe as sobras do almoço e todo o grão (v. 17-19). Ela diz
o que aconteceu com Boaz, e a teologia de Noemi sobre soberania de Deus, no
versículo 20, lhe serve bem. Ela diz, “Bendito seja ele do SENHOR, que ainda
não tem deixado a sua beneficência nem para com os vivos nem para com os
mortos.”
"Eu acho que a bondade que ela se
refere é a bondade do Senhor. Deus tinha começado a mostrar bondade para com os
vivos e mortos. Foi o Senhor que parou a fome. Foi o Senhor que vinculou Rute a
Noemi em amor. Foi o Senhor que preservou Boaz para Rute. A luz do amor de Deus
finalmente rompeu brilhante o suficiente para Noemi ver. O Senhor é bom. Ele é
bom para todos que se refugiam debaixo das suas asas. Por isso, vamos cair em
nossos rostos, curvar-nos diante do Senhor, confessar a nossa indignidade,
buscar refugio sob as suas asas, e nos maravilhar com sua graça”, afirmou John Piper.
Segurança, refrigério, quietude,
auxílio, descanso, esperança: estas são as palavras associadas com as
"asas" de Deus. Jamais devemos esquecer que em todas as amargas
experiências que os filhos Deus enfrentam Deus tem traçando algo para a sua
glória. E se nós acreditarmos nisso e lembrarmos-nos disso veremos o revelar da
graça em nossas vidas.