sábado, abril 10, 2010

AS QUATRO FALHAS ESPIRITUAIS

Existem quatro concepções errôneas sobre a espiritualidade e a maturidade cristã que simplesmente não são à prova d'água. Advertência: Elas podem ser uma surpresa para você, talvez até um choque; portanto, fique firme.
Primeira Falha: Por ser cristão, todos os seus problemas serão resolvidos. Prestamos um grande desserviço a um incrédulo quando o fisgamos com a frase: "Venha a Cristo e todos os seus problemas vão acabar". A Bíblia nunca diz isso. Ela promete que seremos novas criaturas, garante que teremos um destino seguro, mas não pressupõe uma descida suave ladeira abaixo uma vez que Cristo entre na vida da pessoa. De fato, em alguns casos os problemas aumentam e a estrada fica mais difícil!
Segunda Falha: Todos os problemas que terá de enfrentar estão mencionados na Bíblia. Não estão. É bem pouco sábio fazermos declarações amplas, abrangentes, em relação a pontos sobre os quais as Escrituras não falam. Muitas vezes não encontramos uma resposta explícita na Escritura para o nosso problema específico. Nessas ocasiões, somos forçados a andar pela fé, confiando no Senhor para mostrar-nos o próximo passo conforme necessário. A Bíblia simplesmente não oferece uma resposta específica para cada problema da vida.
Terceira Falha: Se você está tendo problemas é porque lhe falta espiritualidade. Não é triste que essa idéia seja anunciada em muitos lugares hoje? A existência de um problema simplesmente mostra que você é humano! Todos temos problemas e você não deixa de ser espiritual porque luta com um dilema. Na verdade, muitos dos homens e mulheres mais espirituais que conheço enfrentaram alguns dos mais difíceis problemas que a vida oferece. Pense em Jó e no seu sofrimento. Ele não tinha uma resposta. Ele não compreendia o porquê. Seus conselheiros, com suas declarações rígidas e precipitadas, estavam totalmente enganados; eles também não sabiam as respostas. Embora Jó fosse espiritual, tinha problemas enormes.
Quarta Falha: A exposição a ensinamentos bíblicos sólidos resolve automaticamente os problemas. A instrução bíblica por si só não resulta em soluções instantâneas dos problemas. Por mais confiável que seja o ensino, ou quão talentoso o professor, a declaração da verdade não proporciona a remoção das dificuldades. Pense nas Escrituras como um mapa absolutamente exato. O mapa lhe diz como chegar a um determinado destino. Mas o fato de apenas olhar um mapa não irá transportá-lo automaticamente ao Arizona, à Inglaterra ou ao Peru. Para chegar a esses lugares você terá de se esforçar... pagar o preço... arranjar tempo para a viagem... permanecer nela até chegar ao destino. O mesmo acontece na vida cristã. O mapa de Deus é confiável e está disponível. Ele também é claro e direto. Não há, porém, nenhum artifício em suas páginas que envie automaticamente o leitor ao seu destino por meio de um tapete  mágico.

Charles Swindoll
Do livro: Perseverança

quinta-feira, abril 01, 2010

A CRUZ É ALGO RADICAL - A. W. Tozer

Cruz
  A cruz de Cristo é a coisa mais revolucionária que já apareceu entre os homens. A cruz dos velhos tempos romanos não conhecia acordo; ela nunca fez concessões. Ela venceu todas as suas disputas matando o seu oponente e silenciando-o de uma vez para sempre. Ela não poupou Cristo, mas o matou assim como os outros. Ele estava vivo quando O penduraram naquela cruz e completamente morto quando O tiraram dela seis horas mais tarde. Isso era a cruz, a primeira vez que apareceu na história Cristã.
Depois que Cristo foi levantado da morte os apóstolos saíram para pregar Sua mensagem, e aquilo que pregavam era a cruz. Onde quer que eles fossem pelo mundo afora carregavam a cruz e o mesmo poder revolucionário ia com eles. A mensagem radical da cruz transformou Saulo de Tarso e o mudou de um perseguidor de cristãos para um crente gentil e um apóstolo da fé. O poder da cruz transformou homens maus em bons. Ela livrou a longa escravidão do paganismo e alterou completamente toda a perspectiva moral e mental do mundo Ocidental. Tudo isto ela fez e continua a fazer enquanto for permitido permanecer sendo o que era originalmente, uma cruz.
Seu poder se foi quando foi mudada de algo de morte para algo de belo. Quando os homens fizeram dela um símbolo, pendurando-a aos seus pescoços como um ornamento ou fizeram seu esboço diante das suas faces como um sinal mágico para repelir o maligno, então ela se tornou na melhor das hipóteses um fraco emblema, e na pior das hipóteses um fetiche positivo. Como tal ela é venerada hoje em dia por milhões que não sabem absolutamente nada sobre o seu poder. A cruz alcança seu fim pela destruição de um padrão estabelecido, a vítima, e cria um outro padrão, seu próprio. Assim, ela tem sempre seu estilo. Ela vence através da derrota do seu oponente e imposição da sua vontade sobre ele. Ela sempre domina. Ela nunca se compromete, nunca negocia nem concede, nunca renuncia um ponto por motivo de paz. Ela não se importa com a paz; ela se importa somente em acabar com sua oposição o mais rápido possível.
Com perfeito conhecimento de tudo isto Cristo disse, “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me” (Mt 16:24). Assim a cruz não somente provoca um fim à vida de Cristo, ela também dá fim à primeira vida, a velha vida, de cada um dos Seus verdadeiros seguidores. Ela destrói o velho padrão, o padrão de Adão, na vida do crente e o conduz a um fim. Então o Deus que ressuscitou Cristo da morte ressuscita o crente e se inicia uma nova vida. Isto, e nada menos, é Cristianismo verdadeiro, entretanto não podemos deixar de reconhecer a divergência crucial deste conceito daquele defendido pelos membros evangélicos de hoje. Porém não ousamos qualificar a nossa posição. A cruz permanece bem acima das opiniões dos homens e para aquela cruz todas as opiniões devem finalmente ir para julgamento. Uma liderança superficial e mundana modificaria a cruz para agradar os entretenimentos loucos dos religiosos que terão a sua diversão mesmo dentro do santuário; mas agir assim é procurar desastre espiritual e se expor ao perigo da ira do Cordeiro transformado em Leão. Devemos fazer algo com relação à cruz, e somente uma de duas coisas podemos fazer fugir dela ou morrer nela. Se formos tão imprudentes para fugir devemos por este ato pôr de lado a fé de nossos pais e fazer do Cristianismo alguma outra coisa exceto o que ele é. Então teremos deixado somente a vazia linguagem da salvação; o poder se apartará com nosso apartamento da verdadeira cruz.
Se formos sábios faremos o que Jesus fez; enfrentaremos a cruz e desprezaremos a vergonha pela alegria que está colocada diante de nós. Fazer isto é entregar todos os padrões das nossas vidas para serem destruídos e reconstruídos no poder de uma vida eterna. Descobriremos que isto é mais do que poesia, mais do que doce melodia e sentimento nobre. A cruz cortará em nossa vida onde ela fere mais, sem poupar nem a nós nem nossas reputações cuidadosamente cultivadas. Ela vai nos derrotar e levar nossas vidas egoístas a um fim. Somente então poderemos nos levantar em plenitude de vida para estabelecer um padrão de vida completamente novo, livre e repleto de boas obras. A mudança de atitude em relação a cruz que vemos na ortodoxia moderna não prova que Deus tenha mudado, nem que Cristo tenha facilitado na Sua exigência de que carreguemos a cruz; antes significa que a Cristandade atual se afastou dos padrões do Novo Testamento. Até agora temos mudado tanto que isto pode necessitar nada menos do que uma nova reforma para restaurar a cruz para o seu lugar correto na teologia e vida da Igreja.

Do livro: “The Root of the Righteous” (A Raiz do Justo).

sábado, março 27, 2010

CONSELHOS PARA VIVER A VIDA CRISTÃ



Amados, hoje gostaria de dirigir-lhes algumas palavras de estímulo e instrução para a vida cristã. Para isso, tomo emprestado as palavras do apóstolo Paulo, dirigidas à igreja de Corinto. Por certo podemos afirmar que Paulo, entre todos, é o mais proeminente evangelista que a igreja de Cristo conheceu. Gastou toda sua vida na implantação de igrejas cristãs em todo mundo antigo. E além de plantador de igreja, também se mostrou um verdadeiro pastor. Este caráter pastoral é facilmente percebido em suas epístolas. Todas elas foram escritas com o objetivo de orientar irmãos na fé, bem como, corrigi-los de erros doutrinários e morais. Eis os imperativos dirigidos aos coríntios em sua carta (2 Coríntios 13.11):
1) Aperfeiçoai-vos. A orientação dada é para que eles sejam perfeitos, busquem a perfeição. A idéia de perfeição, longe de expressar impecabilidade, pois neste sentido somente Jesus se mostrou sem pecado, significa que eles deveriam ser completos. Isto é, aquilo que criam deveriam se expressar em seus atos. O cristão perfeito é aquele que usa adequadamente todos os recursos que Deus lhe deu para desenvolver a vida cristã.  A Bíblia é muito clara em nos ensinar que aqueles que estão em Cristo, foram feitos nova criatura. Trata-se de um novo homem, gerado por um novo nascimento. Contudo, Deus não somente nos dá uma nova vida como também tudo que nos é necessário para vivenciarmos esta nova vida. Temos em nossas mãos a Palavra de Deus. Ela é “lâmpada para os meus pés” e “luz para os meus caminhos”. Ela é nossa bússola, que nos orienta num viver que agrade a Deus. O salmista nos diz: “Bem-aventurados os que guardam as suas prescrições e o buscam de todo o coração; não praticam iniqüidade e andam em seus caminhos. Tu ordenaste os teus mandamentos, para que os cumpramos à risca. Tomara sejam firmes os meus passos para que eu observe os teus preceitos. Então, não terei de que me envergonhar, quando considerar em todos os teus mandamentos” (Salmo 119.2-6). Além da Palavra temos o Espírito Santo. Ele é o que se coloca ao nosso lado e nos sustenta. É o que nos guia em toda verdade. Paulo afirma que nós não sabemos orar como convém e que o Espírito Santo é quem intercede por nós, com gemidos inexprimíveis.
2) Consolai-vos. O autor aos Hebreus escreveu: “Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e as boas obras”. A nova vida não será uma vida fácil, pelo contrário, enfrentaremos adversidades, lutas, provações. E para que não desfaleçamos em meio aos reveses da vida, temos a comunhão cristã para nos estimular, encorajar. O sábio nos ensina: “Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque se caírem, um levanta o companheiro; ai, porém, do que estiver só; pois caindo não haverá quem o levante. Também se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só como se aquentará? Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; o cordão de três dobras não se rebenta com facilidade” (Pv 4.9-12). Por isso devemos preservar a comunhão. E a exortação bíblica é para que não deixemos de congregar, como é costume de alguns. Porém, esta exortação tem muito mais peso sobre a liderança, pastores, presbíteros, diáconos e outros que lideram. Temos que nos tornar exemplos da vida em comunhão, participando, nos envolvendo, lutando juntos para que ninguém se desfaleça.
3) Sede do mesmo parecer. Aos filipenses, onde irmãos não pensavam concordemente, Paulo exortou: “Completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma cousa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma tendo o mesmo sentimento. Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo” (Fp 2.2,3). Como cristãos temos a mente de Cristo. Isto implica que temos o mesmo objetivo. Todos nós vivemos para glorificar a Deus. Por isso, “quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus”     
4) Vivei em paz. Aos Efésios Paulo escreveu: “Esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Efésios 4.3). Quando observamos esta passagem fica evidente que entre cristãos pode haver atritos. Paulo não recomendaria que os crentes mantivessem a unidade do Espírito, se não existissem dissensões entre eles e recomenda que eles procurem manter a unidade. Sob todas as diferenças entre os primeiros cristãos, está também o fato de uma unidade básica. Paulo não recomenda que eles se esforcem em produzir unidade, mas em conservar aquilo que já existe. “Os homens são incapazes de produzir a unidade, que é essencial para a vida da igreja. Ela só pode ser produzida pelo Espirito de Deus; mas uma vez produzida, é responsabilidade dos cristãos preservá-la”, afirmou Ray Stedman. É extremamente importante que os cristãos parem com as contendas, brigas, os ciúmes, ressentimentos e ódio. Se estas coisas existirem em nosso meio, nos tornaremos totalmente ineficazes em nossa sociedade.

ENSINA-NOS A ORAR

A oração é fundamental para o desenvolvimento espiritual do cristão. R. C. Sproul observou: “A negligência na oração é uma das principais causas da estagnação na vida cristã”. Portanto, se objetivamos crescer devemos nos juntar ao discípulo que pediu: “Senhor, ensina-nos a orar”. Precisamos admitir que, por nós mesmos, não conseguimos orar. Precisamos aprender a orar. Por isso nos valemos da Oração Dominical. Ela é uma oração modelo. “A oração do Senhor se constitui num modelo de oração para toda igreja em todos os tempos; por meio do seu estudo, podemos, mediante a iluminação do Espírito Santo, aprender uma série de princípios e orientações que devem nos guiar na escola da oração”, afirmou o Rev. Herminsten.  Tomás de Aquino corretamente declarou que “tudo o que um cristão precisa saber encontra-se em três fontes: O credo dos apóstolos, que nos diz em que acreditar; os dez mandamentos, que nos dizem o que fazer; e a oração dominical, que nos diz como orar”.  Por certo não existe angústia maior do que querer falar com Deus e não poder fazê-lo. D. Bonhoeffer: “orar não significa simplesmente derramar o coração, mas significa encontrar, com o coração saturado ou vazio, o caminho para junto de Deus, e falar com Ele. Disto, porém, homem algum é capaz. Para poder fazê-lo necessitamos de Jesus Cristo”. Não há dúvidas que precisamos aprender a orar. A Bíblia não é apenas a Palavra de Deus dirigida a nós, mas também a palavra que Ele quer ouvir de nós. Deus nos diz como podemos falar e ter comunhão com Ele. Assim, a presença ou ausência da oração é o elemento chave para desenvolver e manter o nosso relacionamento com Deus. Sim, precisamos clamar ao nosso Mestre que nos ensine a orar! O próprio apóstolo Paulo reconheceu esta necessidade, pois afirmou que “não sabemos orar como convém” (Romanos 8.26).  Concluo com as palavras de certo autor, que desconheço o nome: “O que hoje a igreja necessita não é de mais e melhor maquinismo, de novas organizações ou mais e novos métodos, mas homens a quem o Espírito Santo possa usar – homens de oração, homens poderosos na oração”.


    




sexta-feira, março 12, 2010

ESCOLHENDO UMA IGREJA - Greg Elmquist






Como posso escolher uma igreja?



Visto que temos uma igreja em quase  as esquinas, como uma pessoa pode escolher uma delas para freqüentar? A resposta para esta pergunta será determinada, primeiramente, por nossa razão para freqüentarmos a igreja. Muitos escolhem uma igreja (e neste artigo utilizo a palavra com um sentido bem livre) que oferece os programas mais interessantes e divertidos para sua família. Muitos escolhem uma igreja como se estivessem escolhendo um spa ou um evento esportivo. Outros escolhem uma igreja porque ela está em harmonia com o que eles sempre conheceram: a mesma denominação, estilo de culto e ambiente familiar. Na realidade, esta escolha é semelhante à que fazemos quando decidimos que teremos uma família. Estamos simplesmente apaixonados por aquilo que temos. Alguns escolhem uma igreja que seja próxima do lugar onde moram. Este é um bom motivo para escolhermos uma loja de conveniência, mas não nos associamos a uma igreja por motivo de conveniência. Alguns estão procurando por aquele “sentimento agradável e subjetivo”. Eles não podem censurar alguma coisa específica; podem apenas dizer: “Eu saberei quando estiver sentindo que algo é correto”. Esta pode ser uma boa maneira para decidirmos em favor do sabor de nosso sorvete, mas será que realmente funciona no que se refere a encontrarmos uma igreja? Eles dizem: “Muitos vão ao lugar que eles conhecem e no qual eles sentem-se confortáveis com outra pessoa ou com outras pessoas”. Esse tipo de comunhão cria um ambiente propício a um excelente clube social, mas seria o critério que alguém deveria usar para associar-se com o lugar que tem o objetivo de cuidar de sua alma? Finalmente, alguns escolhem uma igreja porque a pregação carismática do pastor os mantém despertos. Deveríamos ficar admirados se estas palavras do apóstolo Paulo: “A presença pessoal dele é fraca; e a palavra, desprezível”, obtivessem qualquer sucesso no ministério pastoral de nossos dias. A resposta à pergunta “Por que eu devo ir à igreja?” está ligada de maneira inseparável ao que eu percebo ser o propósito da igreja. Se a razão da existência da igreja é servir aos homens, então, as razões que apresentamos acima são válidas. Por outro lado, se a verdadeira igreja existe para servir a Deus e aos seus objetivos, o melhor que temos a fazer é considerar a Palavra dEle e verificar o que nos diz a respeito de sua igreja. O apóstolo Paulo definiu de maneira sucinta a verdadeira igreja, quando ele disse a Timóteo: “A casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade” (1 Tm 3.15). Não violentaríamos a Palavra de Deus, se parafraseássemos estas palavras do apóstolo nos seguintes termos: “A verdadeira igreja é o lugar onde o verdadeiro Deus se encontra com aqueles que Ele chamou, os quais sustentam e defendem com firmeza a pessoa e a obra de Cristo Jesus, o Senhor”.
Existe somente uma pergunta a fazer para determinarmos se a igreja que freqüentamos é a igreja certa. Ali, o Cristo das Escrituras está sendo completamente pregado, honrado e seguido? Muitos homens mentem a respeito do Senhor Jesus, por falarem coisas falsas sobre Ele. Outros mentem sobre Ele, por não dizerem a verdade a respeito dEle. Se Cristo está sendo plenamente anunciado, o conteúdo da mensagem será preferido à maneira de ser apresentada; haverá agradável e estimulante comunhão com Ele; e o regozijo será incomparável a todos os entretenimentos. E a consistência das Escrituras será muito superior à das minhas experiências passadas; e nenhuma distância ou barreira se tornará um obstáculo imenso. Para obter a resposta certa, você precisa fazer a pergunta correta. Escolha cuidadosamente!

segunda-feira, março 08, 2010

PECADO E DESÂNIMO

Assistimos atônitos nestes últimos meses cenas de pessoas que perderam tudo nas constantes chuvas e inundações em diversas regiões do nosso país ou no terremoto do Haiti.  Pessoas que certamente se exauriram diante das calamidades e, sem dúvida, foram tomadas por um total desânimo.  Você é capaz de lembrar-se de um momento em que o desânimo tomou conta de sua vida? Talvez tenha enfrentado ou enfrente uma situação cuja impressão é de que lhe falta ou faltou o chão e que você perdeu todas as esperanças. A morte de um familiar, a notícia de uma enfermidade incurável, a perda de um emprego, o fracasso no casamento, um(a) filho(a) envolvido nas drogas; todos estes fatores podem desencadear momentos aflitivos e terríveis em nosso viver. Em Juízes 6.6 lemos: “Israel ficou muito debilitado com a presença dos midianitas”. A verdade é que não só os midianitas, mas também os amalequitas e os povos do oriente vinham sobre Israel e na expressão bíblica “vinham como gafanhotos”, isto é, saqueavam tudo e não deixavam nada, a ponto do povo de Deus ser obrigado a se refugiar em cavernas. Os israelitas experimentaram fome, pobreza, insegurança e medo durante sete anos, não é a toa que eles se desanimaram e se exauriram. Creio que a Palavra de Deus pode trazer luz em meio às trevas, pode nos ajudar a enfrentarmos os dias cinzentos da nossa vida. Ela nos diz que “tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança”. Paulo nos diz aqui que tudo foi escrito para a nossa instrução. Toda a Bíblia foi preservada com o propósito de nos dar esperança! Charles Swindoll escreveu que “Deus não planejou uma vida cheia de desânimo para nós. Ele quer que seu povo tenha esperança... Mediante perseverança e encorajamento proveniente das Escrituras, podemos obter esperança”. Deus nos oferece instrução em Sua Palavra e nós precisamos aceitá-la e aplicá-la em nossa vida!
A opressão midianita se deu nos dias dos Juízes, um período posterior a morte de Josué e que marca a transição para a monarquia. O último versículo do livro resume bem o contexto histórico: “Naquela época não havia rei em Israel; cada um fazia o que lhe parecia certo”.  A última expressão do versículo explica à primeira. Não havia quem ditasse as normas e cada um fazia o que bem parecia aos seus próprios olhos. Isto explica a frase inicial em Juízes 6.6: “Fizeram os filhos de Israel o que era mau perante o Senhor”.  Na verdade o povo havia desobedecido ao Senhor que havia dito que não deveriam permitir a presença de outros povos no meio da nação. Eles desobedeceram a Deus e agora influenciados por estes povos não seguiam a Deus.  Em Provérbios 3 lemos:

Meu filho, não se esqueça da minha lei, mas guarde no coração os meus mandamentos, pois eles           prolongarão a sua vida por muitos anos e lhe darão prosperidade e paz (...) Confie no SENHOR de todo o seu coração e não se apóie em seu próprio entendimento (...) Não seja sábio aos seus próprios olhos; tema o SENHOR e evite o mal”.

É possível que tenhamos desprezado o Senhor e Sua Palavra, nos deixamos levar por falsos amigos, tal qual o filho pródigo e, inevitavelmente, colhemos os frutos que plantamos do mesmo modo que a nação sofria por não ter ouvido a voz do Senhor. E assim caímos e pensamos que é o fim. Quando sofremos as conseqüências de nossa irresponsabilidade somos levados a um estado de debilidade indescritível e achamos não haver mais jeito.  Mas quero lembrar que é possível mudar isto.  Se você está desanimado por causa de sua desobediência ao Senhor a primeira atitude é reconhecer o erro. Creio que é doloroso, mas é necessário que haja total honestidade. “Reconhecer nosso erro é marca de excelência”.  Devemos admitir francamente que fracassamos que pisamos na bola.  Se não estamos andando de acordo com a instrução do Senhor, Deus nos diz: Você me desobedeceu. Quando reconhecemos nossa situação diante de Deus, Ele não nos rejeita. Deus tem compaixão por nós e está pronto a nos perdoar!

O VALOR TERAPÊUTICO DAS ESCRITURAS - Rev. Elben M. Lenz César

A Lei do Senhor é perfeita e revigora a alma
Salmo 19.7

A Lei do Senhor era lida pelos adultos e ensinada às crianças. Era objeto de conversa todo o dia, enquanto assentado em casa, enquanto andando pelo caminho, enquanto se preparando para dormir e para acordar. Era amarrada aos braços, presa na testa e escrita nos batentes das portas (Dt 6.6-9). Feliz, muito feliz era aquele que meditava na Lei do Senhor dia e noite (Sl 1.1,2).
Para o experiente salmista, “a Lei do Senhor é perfeita” , “os testemunhos do Senhor são dignos de confiança”, “os preceitos do Senhor são justos”, “os mandamentos do Senhor são límpidos” e as ordenanças do Senhor são verdadeiras” (Sl 19.7-11). Mas o poeta de Israel não fica apenas na admiração e na contemplação. Ele enumera também o valor terapêutico da Palavra de Deus. A cada palavra elogiosa, menciona uma virtude dos oráculos divinos. Além de perfeita, a Lei do Senhor “revigora a alma”. Além de serem dignos de confiança os testemunhos do Senhor “tornam sábios os inexperientes”. Além de justos, os preceitos do Senhor “dão alegria ao coração”. O salmista não hesita em afirmar que “os mandamentos do Senhor são límpidos e trazem luz aos olhos” (Sl 19.7-9).
Não se lê a Bíblia apenas para se tomar conhecimento da verdade. A verdade sozinha torna-se lei, torna-se um peso, torna-se cansativa e pode até mesmo gerar a tal soberba da verdade, a soberba teológica. A Palavra de Deus é leite para acabar com a fome, é alimento para fazer crescer, é lenha para atear fogo do entusiasmo, é combustível para pôr em movimento os bons propósitos do coração. A Escritura existe “para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra” (2 Tm 3.17). 

A IGREJA E A EVANGELIZAÇÃO - JOHN STOTT



A evangelização pode assumir diferentes formas. Desde que Jesus ofereceu a água da vida à mulher samaritana no poço de Jacó, e desde que Filipe assentou-se ao lado do etíope em sua carruagem para anunciar-lhe as boas novas de Jesus, o evangelismo pessoal tem tido impecáveis prece­dentes bíblicos. Ainda é nosso dever, sempre que surge uma oportunidade e em espírito de humildade, compartilhar Cristo com aqueles parentes, amigos, vizinhos e colegas que ainda não o conhecem. Não obstante, pode-se dizer que a evangelização através da igreja local é o método mais normal, natural e produtivo de se divulgar o evangelho hoje. Há duas razões principais para recomendá-lo. A primeira delas encontra-se na Escritura. Segundo o apóstolo Pedro, a igreja é, ao mesmo tempo, "um sacerdócio real", destinado a oferecer sacrifícios a Deus (ou seja, a adoração), e "uma nação santa", que divulga os louvores de Deus (ou seja, o testemunho). Além disso, estas res­ponsabilidades da igreja universal se desenvolvem em cada igreja local. Toda congregação cristã é chamada por Deus para ser uma comunidade que adora e testifica. Com efeito, cada um desses dois deveres envolve necessariamente o outro. Se nós adoramos verdadeiramente a Deus, reconhe­cendo e adorando o seu infinito valor, somos igualmente impelidos a torná-lo conhecido de outros, a fim de que eles também possam adorá-lo. Assim, a adoração conduz ao testemunho, e o testemunho, por sua vez, produz adoração, em um círculo vicioso. Os tessalonicenses deram um belo exemplo de evange­lização através da igreja local. Bem no comecinho de sua primeira carta para eles Paulo aponta para esta notável sequência: "... o nosso evangelho ... chegou até vós ... Tendo recebido a palavra ... de vós repercutiu a palavra do Se­nhor". É como se a igreja local fosse um eco que reflete e amplifica as vibrações que recebe, ou como um satélite de comunicação, que primeiro recebe e depois transmite uma mensagem. Toda igreja que já ouviu o evangelho deve passá-lo adiante. Este continua sendo o principal método evangelístico de Deus. Se todas as igrejas tivessem sido fiéis, o mundo já teria sido evangelizado há muito tempo. O segundo argumento parte da estratégia. Cada igreja local está situada em um contexto específico. Sua primeira responsabilidade missionária, portanto, deve ser para com as pessoas que vivem ali. A congregação é situada estra­tegicamente a fim de atingir aquele bairro.  Assim, teologia bíblica e estratégia prática combinam-se para fazer da igreja local o agente primordial da evangelização.

A MENSAGEM DE ISAÍAS

Todo o conteúdo do livro de Isaías é fruto de uma visão. Isto é, Isaías nos informa que é um profeta e que a mensagem não foi criada, inventada por ele, mas, sim, é a Palavra que o Senhor lhe falou. Surge, então, a questão: O que o Senhor falou? Qual a mensagem proclamada da parte do Senhor?  Creio que a mensagem é uma só em todo o livro. Apesar de ser um livro extenso com 66 capítulos há uma única mensagem permeando todo livro.  “Isaías escreveu para explicar a causa dos problemas e o único caminho de saída” [1]. O povo de Deus achava-se em dificuldades por não ouvir a voz do Senhor, por ser indiferente a proclamação profética. Deus afirma que as coisas piorariam se continuassem assim e seriam levados cativos, mas, em Sua infinita misericórdia, haveria de salvá-los. 
A mensagem proclamada pelo profeta inicia-se com a convicção de pecados. “Deus nos coloca frente a verdades que são demasiadamente desagradáveis para nos salvar” [2].  Era preciso fazer com que o povo de Deus se conscientizasse que a razão da sua condição atual era o seu próprio pecado. Há um ensino significativo aqui para a igreja em nossos dias em sua tarefa evangelística. É preciso fazer com que os homens e mulheres se conscientizem de seus próprios pecados para lhes apresentar as boas novas em Cristo Jesus. Lloyd-Jones afirmou que “as pessoas não acreditarão no Evangelho enquanto não perceberem que precisam dele” [3]. A nação deveria ser levada a entender sua necessidade. Assim o povo é descrito primeiramente como um filho rebelde. Deus falou e os céus e a terra são testemunhas de Sua queixa. A queixa de Deus é a de um pai que criou seus filhos com todo empenho e eles se rebelaram contra Ele. “Criei filhos e os fiz crescer, mas eles se revoltaram contra mim”.  Essa é a essência do pecado. “Pecado não é primeiramente uma questão de ações ou de atos. A coisa realmente séria com respeito ao pecado é que ele indica uma atitude errada para com Deus. É isso que faz das pessoas pecadoras...” [4].
O povo de Deus também é descrito com um filho insensato.  Insensato significa tolo, néscio. “O boi reconhece o seu dono, e o jumento conhece a manjedoura do seu proprietário, mas Israel nada sabe, o meu povo nada compreende”.  O verbo compreender tem a idéia de “sabedoria prática”, sensatez. O povo não está usando de bom senso em sua maneira de viver. E assim a nação de Deus é pior do que o boi e o jumento. Observem o que afirma o Dr. Lloyd-Jones:

Por que vocês acham que Isaías escolheu o boi e o jumento? A resposta óbvia é que, de todos os animais, eles são os mais estúpidos. De entre todas as criaturas do universo eles são os mais obstinados e difíceis de se tratar.  Por isso Isaías tomou o boi e o jumento para estabelecer este ponto. Até o boi e o jumento conhecem seu dono e a manjedoura de seu dono. Apesar de obtusos e estúpidos, como eles são, eles têm instinto que faz com que reconheçam seu dono. É muito difícil conduzir um boi; um jumento por vezes parece ser irremovível. Vocês podem puxar, empurrar e bater num jumento e ele não se move, mas, quando está com fome e vê seu dono chegar com uma vasilha, ele se apressa imediatamente ao seu encontro! O boi e o jumento obedecem a seu instinto; eles querem a comida e observam a pessoa que traz a mesma. Eles parecem ser tão obtusos, estúpidos e desatentos, incapazes de reagir a qualquer tipo de persuasão, porém quando se trata de comida e sustento, eles imediatamente obedecem à lei de seu ser e se apressam a consegui-lo. Mas homens e mulheres não fazem assim! Eles são mais tolos que um boi ou um jumento! [5]

Esta insensatez é observada pelo fato do povo não e importar com o que Deus lhes diz através de seus profetas. Acham quem são capazes de viverem por si só, sem a direção de Deus. Não foi este o problema dos nossos primeiros pais? Ao comerem do fruto proibido, dando ouvidos à serpente, não se rebelaram contra Deus como se julgaram capazes de dirigir seus próprios destinos sem a orientação de Deus.
O povo de Deus é descrito como um filho enfermiço. A nação está doente, enferma. “Da sola do pé ao alto da cabeça não há nada são; somente machucados, vergões e ferimentos abertos, que não foram limpos nem enfaixados nem tratados com azeite”. E a causa destas chagas é o pecado, a iniqüidade.
Esta é a descrição da nação de Deus nos dias de Isaías. É também a descrição do homem diante de Deus: rebelde, insensato e doente. E nesta condição somos incapazes de fazer algo em nosso favor. O profeta Isaías quer conduzir tanto os seus primeiros leitores como nós hoje a colocar toda a nossa esperança na obra da redenção divina. O caminho para alcançar a redenção é o caminho da convicção de pecados e do arrependimento. O que é redenção? Compreender seu significado é compreender como Deus nos salva.  Redenção traz a idéia de pagamento, de resgate. A Bíblia nos diz que o homem tornou-se escravo do pecado. O pecado é o nosso senhor. Só nos livramos deste senhorio mediante o pagamento, o resgate. Deus pagou o preço do nosso resgate na cruz de Cristo (Tito 2.13,14). Em Cristo somos libertados, somos livres. O caminho que nos leva a redenção é o do arrependimento. Se não optarmos pelo arrependimento seremos consumidos. Se nos arrependermos seremos salvos.




[1] O Caminho de Deus, não o nosso, p. 9.
[2] Ortlund Jr, R. C. Isaías: Deus Salva Pecadores, p. 30.
[3] Op. cit., p.29.
[4] Lloyd-Jones, D. M., Op. cit., p.31.
[5] Op. cit., pp. 37-38.

sexta-feira, outubro 17, 2008

SANTIFICAI A CRISTO

O apóstolo Pedro nos ordena: "Santificai a Cristo" (1 Pedro 3.15). Sua exortação faz eco a oração dominical, quando Jesus nos ensina a rogar para que o Nome do Pai seja santificado. Temos aqui um uso não muito comum do verbo santificar. Geralmente na Bíblia são os homens que são santificados, e Deus ou Cristo operam a santificação. Em nosso texto a ordem é inversa. Qual é o significado de tal assertativa? Deus não é Santo, porque devemos orar pedindo que Ele seja santificado? Karl Barth, um dos principais teólogos do século XX, interpretou corretamente este texto, diz ele: "levai uma vida santa, digna da santidade de Cristo". Isto implica dizer que o nosso viver não somente deve reverenciar e honrar a Deus, mas também glorificá-Lo mediante a obediência aos seus mandamentos. Assim aprendemos que Cristo é santificado quando obedecemos à Sua vontade. Esta é a grande verdade que o texto nos fala. Uma das coisas que Cristo mais condenou na vida dos religiosos nos dias de Sua encarnação foi à hipocrisia. A hipocrisia consiste na representação de um papel, evidenciando aquilo que de fato não somos. No sermão do monte, Jesus nos diz que não devemos ser como os hipócritas quando orarmos ou jejuarmos. Dirigindo-se aos escribas e fariseus, o Mestre os censurou dizendo: "Hipócritas! Bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim" (Mt 15.7).
Em Provérbios (3.1,2) lemos: "Filho meu, não te esqueças dos meus ensinos, e o teu coração guarde os meus mandamentos; porque eles aumentarão os teus dias e te acrescentarão anos de paz e vida". A obediência a Deus consiste na conformação das nossas vidas à vontade de Deus. Como cristãos já não andamos segundo os nossos próprios pensamentos, mas tão somente somos orientados, em tudo, pela Palavra de Deus. A renovação da nossa mente com a Palavra viva de Deus nos leva a uma vida que glorifica a Deus. Devemos lembrar que Deus espera de nós a obediência e, como Ele mesmo disse a Samuel, "Tem, porventura, o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros" (1 Sm 15.22).

segunda-feira, outubro 06, 2008

SANTIDADE...SEM A QUAL NINGUÉM VERÁ O SENHOR

O Rev. J. I. Packer afirmou que "a busca da santidade é evidentemente uma prioridade cristã; contudo, é uma prioridade que os crentes, hoje em dia, por hábito negligenciam". Lamentavelmente, são verdadeiras suas declarações. A Bíblia fala-nos de uma vida plena, abundante, cheia do Espírito Santo. Alguns irmãos podem me interpretar mal, achando que falo de uma experiência espetacular ou extraordinária na vida cristã. Este não é o meu pensamento, pois o único caminho que pode conduzir-nos a uma vida plena é o caminho da santidade. Isto porque "santidade é intimidade consagrada com Deus. Santidade é, em essência, obedecer a Deus, viver com Deus e para Deus, imitar a Deus, observar sua lei (...) seguir os ensinamentos de Cristo e seus exemplos".
Ao falar sobre santidade não pretendo ensinar nada novo, mas tão somente voltar nossos olhos para as Escrituras e reaprender o que elas nos ensinam acerca deste tema. Devemos aprender com Isaque: "Então Isaque partiu dali e, acampando no vale de Gerar, lá habitou. E Isaque tornou a cavar os poços que se haviam cavado nos dias de Abraão seu pai, pois os filisteus os haviam entulhado depois da morte de Abraão; e deu-lhes os nomes que seu pai lhes dera. Cavaram, pois, os servos de Isaque naquele vale, e acharam ali um poço de águas vivas" (Gn 26.17,18). Devemos voltar as Escrituras e redescobrir o que ela nos ensina sobre a santidade/santificação e, certamente, acharemos "um poço de águas vivas".
O Rev. James Kennedy nos lembra que o pecado tem um "poder corruptor", o qual age em nós "contaminando nossa personalidade, mente e ações". "Santificação é o processo de retirar essa corrupção" e, "se amamos a Deus, deveríamos estar dispostos e ansiosos para obedecê-lo (...) santificação é um mandamento".
A santidade é um processo contínuo e envolve luta, pois, como nos diz Packer, "a santidade é uma experiência de conflito". Paulo nos fala de uma tensão entre a carne e o Espírito: Porque a carne luta contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes se opõem um ao outro, para que não façais o que quereis (Gálatas 5.17). Assim devemos ser perseverantes no caminho da santidade. O autor aos Hebreus nos ensina a seguir a santidade (Hb 12.14). E isto envolve nos sujeitarmos ao Espírito de Cristo. A Bíblia nos ensina que o Espírito Santo opera por meios – os meios de graça, a saber: a Palavra, oração, comunhão, adoração e a ceia do Senhor. Nesse processo é mister o nosso envolvimento através da disciplina e o esforço. "A formação de hábitos é a maneira normal pela qual o Espírito Santo nos leva para a santificação". Portanto, não apagueis o Espírito.

sexta-feira, setembro 26, 2008

A PALAVRA DE DEUS É VIVA!

Em Hebreus 4.12-13 a Palavra de Deus é retratada como sendo uma espada de dois gumes que corta penetrando o ser da pessoa, para expor e julgar seus pensamentos e motivações mais íntimos. Com isso Deus penetra nossos corações com sua Palavra e nos deixa descobertos diante de seus olhos. Aqui o texto nos recorda um criminoso sendo levado ao tribunal ou para execução. Freqüentemente um soldado segurava um punhal sob o queixo do criminoso para forçá-lo a erguer a cabeça para que todos pudessem ver quem ele era. De modo semelhante, a Escritura nos expõe o que realmente somos e nos força a encarar a realidade do nosso pecado. Mas a Escritura também reprova o ensino errôneo. O apóstolo João revela o poder da Palavra como verdade, quando diz que os crentes que vencem o maligno o fazem porque são fortes e a Palavra de Deus permanece neles. Crentes que têm um amplo entendimento da veracidade bíblica não são como crianças sem discernimento, mas são como jovens fortes que podem facilmente reconhecer a falsa doutrina, evitando ser "...como meninos agitados, de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro".
Jesus disse: "Não só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que procede da boca de Deus". A Escritura é o nosso alimento espiritual. Pedro disse que deveríamos desejar o alimento da Palavra, com o mesmo desejo com que o bebê anseia pelo nutrimento do leite. Tiago afirmou: "...despojando-vos de toda a impureza e acúmulo de maldade, acolhei, com mansidão, a palavra em vós implantada..."(Tg 1.21). Esta é a nossa parte. Devemos receber a Palavra com um coração puro e uma atitude humilde. Enquanto o fazemos, ela progressivamente renova e transforma nosso pensamento, atitudes, ações, palavras, tornando-nos em pessoas segundo o coração de Deus.

sexta-feira, setembro 12, 2008

ALEGRAI-VOS NO SENHOR!


Muitas pessoas têm recorrido a bebida para experimentarem momentos de alegria na vida. São pessoas que, por se sentirem miseráveis e insatisfeitas consigo mesmas, buscam alcançar a felicidade no "trago".
Se objetivamos ter alegria em nossa vida devemos escutar o imperativo divino: "Enchei-vos do Espírito". A vida cristã é uma vida emociante, feliz, plena de alegria, pois a alegria do Senhor é a nossa força. A vida cristão não é somente uma vida cheia de alegria, mas uma vida que capacita a pessoa estar feliz em meio as provas e dificuldades. O apóstolo Pedro afirma: "...pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que está preparada para se revelar no último tempo; na qual exultais, ainda que agora por um pouco de tempo, sendo necessário, estejais contristados por várias provações, para que a prova da vossa fé, mais preciosa do que o ouro que perece, embora provado pelo fogo, redunde para louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo; a quem, sem o terdes visto, amais; no qual, sem agora o verdes, mas crendo, exultais com gozo inefável e cheio de glória, alcançando o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas" (1 Pedro 1.5-9).
Isto é cristianismo! Como isto é possível? É possível porque temos uma esperança e porque "o amor de Deus tem sido derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado". Somente aquele que, pela graça de Deus, teve um encontro com Cristo, obtendo assim uma nova vida pode dizer:

Embora me assalte o cruel satanás,
E ataque com vis tentações;
Oh! Certo eu estou, apesar de aflições,
Que feliz eu serei com Jesus!

quarta-feira, setembro 10, 2008

UMA IGREJA VIVA

Fala-se muito, atualmente, em Igreja viva e igreja morta. A diferença entre uma e outra, segundo pensam, reside especialmente na sua liturgia; ou seja, no modo de adoração a Deus. Se o culto é "animado", então, a igreja é viva; se é "solene", então, a igreja é morta. Entretanto a vida de uma igreja diz respeito a aspectos mais específicos que os de sua adoração ou liturgia. Fundamentados no modelo que nos oferece a Igreja primitiva, gostaríamos de salientar que uma igreja viva é aquela que tem uma sólida base doutrinária.
Lucas nos ensina que a Igreja Primitiva valorizava e perseverava na doutrina dos apóstolos. A palavra "doutrina", neste contexto, refere-se ao corpo de ensinamentos que os apóstolos, pela convivência com o Mestre, e pelas suas conclusões vétero-testamentárias, bem como pela necessidade de se fazer frente as heresias, apresentaram aos novos convertidos.
Se quisermos uma igreja vibrante devemos obter um profundo conhecimento das Escrituras, ou seja, ter a nossa vida sustentada pela Palavra de Deus. O Rev. M. Lloyd-Jones nos lembra que "a doutrina visa ser prática e a levar a grandes riquezas na vida cristã.
No entanto, é igualmente importante dizer que as nossas vidas cristãs nunca serão ricas, se não conhecermos e não aprendermos a doutrina. Estas coisas não devem ser separadas uma da outra; são uma coisa só e indivisível".
"Quanto amo a Tua Lei! É a minha meditação, todo o dia!" Será que você pode dizer isto? O grande reavivamento no tempo de Neemias começou quando os homens vieram ao sacerdote e disseram: Trazei o Livro (Neemias 8.1). Se queremos ser uma igreja viva e atuante devemos permitir que a doutrina de Deus renove o nosso coração, nossa mente e que a Sua Palavra dirija a nossa vida. Portanto, vale dizer que uma das principais características de uma igreja viva é a sua firmeza e perseverança nas doutrinas bíblicas. Levantar-se contra elas e combatê-las é infantilidade e insensatez. É destruir um edifício pelos seus alicerces.

O CÉU NA TERRA

Visto que o céu é estar com Jesus, estar com Jesus é o céu. E podemos estar com Ele agora. Como cristãos, é nosso imenso privilégio comungar com Cristo diariamente, ouvir Sua voz na Bíblia, buscá-lO em oração, partilhar com Ele nossas ansiedades e preocupações, expressar-Lhe o nosso amor e a nossa adoração. Chegamos a Cristo com pedidos por nossas necessidades e pelas dos outros, e pelo progresso do Seu reino. Recebemos dEle direção, fortalecimento e consolo. Não seria isso prelibar o céu?
Porventura não é trágico que haja cristãos professos que têm que ser bajulados ou pouco menos que aguilhoados para que adorem a Deus? A "hora tranqüila" da devoção pessoal é negligenciada por tantos, como se fosse um fardo tedioso! Os cristãos modernos estão prontos a ocupar-se em quase todo tipo de atividade religiosa, mas isso de serena comunhão com o Seu Senhor é considerado mais como um dever do que como um prazer. Eles esperam ir para o céu, afirmam que o aguardam anelantes. Todavia, a essência do céu que eles declaram esperar é essa comunhão com Cristo pela qual eles mostram tão pouco interesse!
Há subjacente a essa apatia espiritual alguma coisa profundamente perturbadora. "Se não chegarmos ao céu antes de morrermos", dizia Spurgeon, "nunca chegaremos lá depois".
Deveríamos passar mais tempo no céu. Deveríamos aproveitar-nos mais dos meios da graça que Deus providenciou para nosso benefício, praticar a presença de Cristo com maior entusiasmo, entrar mais completamente em comunhão com Ele aqui na terra. Quanto mais rica e mais profunda for a nossa comunhão com Ele agora, mais celestial será a nossa presente experiência e mais bem preparados estaremos para a glória. Isaak Walton escreveu sobre o puritano Richard Sibbes: Sobre este abençoado homem, basta fazer-lhe este elogio: O céu estava nele antes dele estar no céu.
Isso deveria ser verdade a respeito de todos nós. Não temos que ficar esperando! Podemos viver nos subúrbios do céu hoje. E quão diferentes isso nos faria! Quanto é que o céu significa para você? O seu presente relacionamento com Cristo dá a resposta.

Rev. Edward Donnelly
(Este texto é parte do livro: Depois da Morte – O Quê? Publicado pela PES)

quinta-feira, setembro 04, 2008

LUTANDO COM DEUS


O Rev. J. I. Packer afirma que o "nosso Deus é um Deus que nos abençoa quebrando". Assim foi com Saulo, quando o Senhor o fez cair no caminho de Damasco para transformá-lo no grande apóstolo que foi. Do mesmo modo Deus agiu com Jacó no vau do Jaboque, a fim de "depurá-lo do seu orgulho".
Há um dualismo na vida de Jacó. Ao mesmo tempo em que o vemos com o temor de Deus, sua vida é marcada pela auto-suficiência, evidenciada em sua atitude de querer levar vantagem em tudo. Por isso usurpa a bênção de seu irmão Esaú e engana seu sogro Labão.
Em Gênesis 32 lemos o relato de sua luta com Deus. A princípio sua auto-suficiência ainda é evidenciada. Em Oséias 12.4 lemos que ele "lutou com o anjo e prevaleceu", isto é, pensou que poderia vencer, confiava em sua própria força. Mas sua esperança de vitória lhe é tirada quando Deus o tornou coxo. Então, ele "chorou e lhe pediu mercê". E sabendo de sua derrota e, reconhecendo com quem lutava, clamou: "Não te deixarei ir se não me abençoares". Aprendeu a não confiar em si mesmo, mas a viver na dependência de Deus.
Isto me faz lembrar a ocasião em que os discípulos de Jesus enfrentavam uma tempestade em alto mar, enquanto o Mestre dormia. A princípio confiaram em suas habilidades, achando que dariam conta, afinal eram pescadores e acostumados com a lida do mar. Até que, destituídos de sua auto-suficiência, acordam a Jesus, suplicando-Lhe Sua intervenção.
Deus permite que passemos por tribulações a fim de que aprendamos a confiar e depender de Deus e em suas promessas, e não em nós mesmos. Torna-nos mancos, tal qual Jacó, para que saibamos que a nossa suficiência vem de Deus.


* A luta de Jacó e o Anjo. Obra do francês Alexander Louis Leloir, 1865.

sábado, agosto 30, 2008

FÉ E OBEDIÊNCIA




Como cristãos reformados, cremos na infalível e inerrante Palavra de Deus. Ela é a lente pela qual devemos avaliar todo e qualquer sistema de teologia. O que realmente importa é o que a Bíblia diz. E nada é mais importante do que o que as Escrituras dizem respeito das boas novas de salvação. O Evangelho de Jesus é a base sobre a qual toda doutrina do Novo Testamento se fundamenta. Contudo, observa-se que a maior parte do evangelicalismo atual – tanto o testemunho pessoal quanto a pregação - está muito aquém de apresentar o Evangelho bíblico de modo bíblico e equilibrado. Este novo evangelho tem produzido uma geração de cristãos cujo comportamento raramente se distingue da rebeldia em que vive o não regenerado. Há uma dicotomia entre fé e obediência. No evangelismo atual não há necessidade de se abandonar o pecado, nem uma mudança de estilo de vida, nem de se assumir um compromisso – nem mesmo a disposição para se submeter ao senhorio de Cristo. Tal ensino tem sido catastrófico a igreja atual. Diferentemente, o evangelho que Cristo proclamava era um chamado ao discipulado, um chamado a seguí-Lo em obediência submissa. John Stott afirmou: "o homem que se entrega a Cristo, perde a si mesmo, não pela absorção de sua personalidade na personalidade de Cristo, mas sim pela submissão de sua própria vontade à vontade de Cristo". Então, o que é ser discípulo de Jesus?
Primeiramente, ser discípulo é romper com a existência anterior. O chamado ao discipulado cria imediatamente uma nova situação. É uma nova vida (2 Coríntios 5.17). Quando Mateus foi chamado da coletoria; Pedro, André, Tiago e João das redes, não tinham dúvidas de que o chamado de Jesus era sério. Deveriam abandonar tudo para O seguir (Lucas 14.33).
Em segundo lugar, ser discípulo é comprometer-se com a pessoa de Cristo. Cristão é alguém que segue a Cristo, que está inquestionavelmente comprometido com Cristo como seu Senhor e Salvador. Sem Jesus não há discipulado. O discipulado é compromisso exclusivo com a pessoa de Jesus Cristo. A bíblia é clara ao nos ensinar que não podemos servir a dois senhores. Deus não aceita corações divididos. Assim, comprometimento com Cristo implica em ter a mente de Cristo, andar do mesmo modo que Ele andou.
Em terceiro lugar, ser discípulo é ser obediente a Cristo. "O caminho para a fé passa pela obediência ao chamado de Cristo. Exige-se um passo decisivo um passo decisivo, senão o chamado de Jesus ecoa no vácuo, e todo o suposto discipulado, sem esse passo ao qual Jesus nos chama, transforma-se em onda entusiástica mentirosa" , afirmou D. Bonhoeffer. Discípulo é aquele que crê, cuja fé o leva a obedecer. Crer em Deus, segundo as Escrituras, é confiança em Deus. É amor a Deus. É obediência a Deus! A fé está associada com a nossa obediência, com a nossa submissão à Sua vontade. Se assim não for, não será fé. A falta de fé e a falta de obediência são dois lados de uma mesma moeda. Que o Senhor nos guarde de uma fé sem frutos, de uma religião sem obediência!
Por último, ser discípulo é produzir frutos de justiça. A Bíblia ensina claramente que a evidência da obra de Deus numa vida é o fruto inevitável de um comportamento transformado. O apóstolo João escreveu: "Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo: todo aquele que não pratica justiça não procede de Deus, nem aquele que não ama o seu irmão" (1 João 3.10). A fé que não produz um viver santo está morta e não pode salvar. Crentes professos em cujas vidas há ausência completa do fruto da verdadeira justiça não encontrarão nenhuma base bíblica que lhes assegure a sua salvação. A verdadeira salvação não é somente justificação. Ela não pode estar separada da regeneração, da santificação e da glorificação final. A salvação é tanto um processo em andamento quanto um fato no passado. É a operação de Deus, através da qual somos feitos "conformes a imagem de seu Filho".

sexta-feira, agosto 29, 2008

VENDO CAVALOS COLORIDOS

O mundo que vivemos é marcado pela violência e pela desigualdade social. Assistimos aos noticiários e, diante de tantas notícias ruins, indagamos: Ainda há esperança? Consequentemente somos tomados de um pessimismo mundano e pernicioso que nos faz cansados, abatidos e que nos leva a viver num pragmatismo tolo: "Comamos e bebamos que amanhã morreremos".
Os profetas Zacarias e Ageu foram contemporâneos e os dois exerceram ministérios complementares entre os exilados de Israel que haviam voltado da Babilônica e reorganizavam a vida política, social e religiosa do povo de Deus. Ambos procuraram estimular, incentivar e encorajar o povo a buscar a Deus a fim de que vencessem as dificuldades. Portanto, é uma mensagem de esperança.
Em Zacarias 1.7,8 lemos que o profeta olhou de noite e viu. Já pensaram nisto? Ver de noite numa época em que não havia recursos luminários e elétricos como em nossos dias. E não somente isto, ele olhou e viu cavalos coloridos!!! Somente os que crêem em Deus podem, em meio as trevas e desesperanças da vida, olhar e ver um futuro promissor. Para muitos a esperança cedeu lugar ao pessimismo, ao descrédito e frustração. Porém, a Palavra de Deus promete:
"Os que confiam no Senhor são como o monte de Sião, que não se abala, firme para sempre" – Salmo 125.1
"Os que esperam no Senhor renovam suas forças como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam" – Isaías 40.31
Para o cristão a esperança está em Deus. Ele é o Deus da esperança e O que dá esperança. Diz-nos o salmista: "Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa, porque Dele vem a minha esperança" – Salmo 62.5
A esperança cristã é a expectativa confiante do cumprimento das promessas divinas. Deus é fiel, imutável e não pode mentir. Nada pode frustrar os propósitos de Deus. Assim, os ouvintes imediatos de Zacarias saberiam , pela visão, que nenhuma nação poderia impedir o plano de Deus em reorganizar o povo, mesmo sendo um grupo insignificante de exilados.
Creia em Deus e em suas promessas. Só assim poderemos enfrentar os desafios da vida, na certeza de que Jesus, Aquele em quem esperamos, nos conduz em triunfo. E como Zacarias sejamos visionários de uma nova vida cheia de esperança. Amém!