domingo, julho 31, 2011

PESCADORES DE HOMENS - Warren Wierbse

Jesus não apenas proclamou as boas-novas e ensinou ao povo a verdade de Deus, mas também escolheu para si alguns discípulos que pudesse treinar para o serviço do reino. Em Mateus 4:18-22, lemos sobre o chamado de Pedro, André, Tiago e João, homens que já haviam se encontrado com Jesus e crido nele (lo 1:29-42). Voltaram para seu negócio de pesca, mas Jesus os chamou para deixar tudo e segui-lo. Os detalhes desse chamado podem ser encontrados em Marcos 1:16-20 e Lucas 5:1-11. A expressão "pescadores de homens" não era nova. Há séculos, filósofos gregos e romanos usavam-na para descrever o trabalho daqueles que procuravam ensinar e persuadir outros. "Pescar homens" é apenas uma dentre muitas imagens que retratam o evangelismo na Bíblia, e não devemos nos limitar a ela. Jesus também falou do pastor à procura de ovelhas perdidas (Lc 15:1-7) e de trabalhadores na época da colheita. Uma vez que esses quatro homens trabalhavam com a pesca, nada mais lógico que Jesus usar essa abordagem. Quatro (ou talvez até sete) dos doze discípulos de Jesus eram pescadores (ver Jo 21 :1-3). Por que Jesus chamou tantos pescadores?
Em primeiro lugar, eles eram homens ativos; não costumavam passar o dia inteiro ociosos. Quando não estavam no barco, passavam boa parte do tempo selecionando o que haviam pescado, preparando-se para a pescaria seguinte ou fazendo a manutenção de seu equipamento. O Senhor precisava de pessoas ativas, que não tivessem medo de trabalhar.
Os pecadores tinham de ser corajosos e pacientes. Sem dúvida, é necessário paciência e coragem para levar pessoas a Cristo. Era preciso ser habilidosos e aprender com outros os melhores lugares para encontrar peixes e a melhor maneira de pescá-los. A pesca de almas requer habilidade. Os pescadores precisam trabalhar em equipe, e o trabalho do Senhor também requer cooperação.
Acima de tudo, porém, a pescaria requer fé: os pescadores não conseguem ver os peixes, portanto não sabem ao certo o que pegarão em suas redes. A fim de ser bem-sucedida, a pesca de almas também exige fé e vigilância.

Warren Wierbse

domingo, julho 24, 2011

CORRAMOS, COM PERSEVERANÇA, A CORRIDA DA FÉ. Hebreus 12.1-3

A epístola aos hebreus é, sem dúvida nenhuma, uma das cartas do Novo Testamento mais obscura quanto ao pano de fundo histórico. Contudo, sua mensagem se reveste de valor inestimável, pois descreve a supremacia do cristianismo em relação a outras religiões. Esta carta dirige-se a judeus que se converteram ao cristianismo e, por causa da fé em Cristo Jesus, enfrentavam uma severa perseguição (Hb 10.32-39). Por causa disto, muito provavelmente, alguns apostataram da fé (Hb 6.4-8). Outros estavam deixando de congregar (Hb 10.24,25). Assim, o autor desta epístola, lembra seus leitores que a vida cristã é semelhante a uma competição atlética: “... corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta”. A palavra “carreira” aqui usada denota, na língua original, a ideia de “luta”, “conflito”. Paulo a empregou várias vezes em suas cartas para referir-se ao seu sofrimento e lutas que enfrentou na pregação do Evangelho (Fp 1.30 e 1 Ts 2.2). A ideia de uma disputa intensa associada ao verbo correr informa-nos que a figura usada para descrever a vida cristã é uma corrida, mais especificamente, a uma maratona e não uma corrida de curta distância. Sendo assim, exorta-os a continuarem em sua jornada. Lembra-lhes que, os que estão em Cristo, não retrocedem para a perdição (Hb 10.39). E convida-os: “CORRAMOS, COM PERSEVERANÇA, A CORRIDA DA FÉ!
1. CORRAMOS, COM PERSEVERANÇA, A CORRIDA DA FÉ, ESTIMULADOS PELO TESTEMUNHO DOS HERÓIS DA FÉ. Primeiramente seus leitores deveriam lembrar-se que “temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas”. Referia-se aos heróis da fé descritos no capítulo anterior. A princípio poderíamos imaginar que esta expressão sugere-nos expectadores num estádio torcendo pelos atletas em sua disputa. Creio, entretanto, que a intenção do autor não é afirmar que os heróis estão a nos observar e, sim, que nós devemos observá-los. Quer nos chamar atenção para a fidelidade de Deus. Por isso exorta-os: “Guardemos firmes a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel” (Hb 10.23). E a prova desta fidelidade está no testemunho dos heróis da fé. Homens e mulheres que, por causa do compromisso com Cristo, “foram torturados (...) passaram pela prova de escárnio e açoites, sim, até algemas e prisões. Foram apedrejados, provados, serrados ao meio, mortos a fio de espada; andaram peregrinos, vestidos de pele de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos e maltratados” (Hb 11.35-37) e, no entanto, nunca negaram sua fé e agora estão na Jerusalém celestial, chegaram à cidade do Deus vivo e a igreja dos primogênitos arrolados no céu. Olhem para estes e não retrocedam na fé! Eles venceram e, em Cristo, somos vencedores.
2. CORRAMOS, COM PERSEVERANÇA, A CORRIDA DA FÉ, DESEMBARAÇANDO-NOS DE TODO PESO E PECADO. Você pode imaginar um maratonista, em plena competição, com uma mochila nas costas? Por isso o autor desta carta exorta aos cristãos judeus que se desvencilhem de todo o peso que possa impedi-los de correr. A palavra “peso” indica “volume”, “massa”. Quando aplicada ao atleta pode significar (1) qualquer excesso de peso no corpo ou (2) a qualquer artigo pesado que possa ser colocado ou levado no corpo. Certo estudioso observa que esta “metáfora refere-se primariamente ao corredor que lança fora o peso das coisas desnecessárias, como roupas incômodas, apesar da idéia de reduzir o peso pelo treino e exercício não estar muito distante”. Na verdade, exortava-os a abrir mão de tudo o que impedia a jornada com Cristo. É preciso remover tudo aquilo que nos impede de correr a carreira cristã. F. F. Bruce nos diz que “há muitas coisas que podem ser boas em si mesmas, mas que estorvam um competidor na carreira da fé; são pesos que devem ser deixados de lado”. Mas, sobretudo, o cristão em sua jornada deve abandonar o pecado. Se há algo que impede ou retarde a nossa caminhada com Cristo é o pecado. Com “pecado” não se referia a um pecado específico, mas ao pecado em geral. Assim, quem quer viver para agradar a Deus deve deixar de lado, deixar parta trás tudo o que impede seu progresso, principalmente, o pecado.
3. CORRAMOS, COM PERSEVERANÇA, A CORRIDA DA FÉ, OLHANDO FIRMEMENTE PARA JESUS. O corredor que tem por objetivo alcançar a meta final não pode se distrair facilmente, nem com a multidão e nem com os demais competidores. O verbo olhar significa desviar os olhos de todas as outras coisas a fim de olhar para uma única ou como afirmou J. C. Ryle, “deixar de olhar para outros objetos e olhar um, apenas um, e observá-lo com um olhar firme, fixo e intenso”. Assim, os leitores desta epístola são exortados a fixar seus olhos em Jesus, o nosso alvo e modelo. Isto porque Ele é o “autor e consumador da fé”, isto é, a fé encontra sua expressão completa em Cristo, especialmente em Seu sofrimento (Hb 5.7-10). O significado desta declaração é explicado pelo próprio autor da carta quando diz: “O qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia”. Jesus não se esquivou em fazer o que Ele sabia ser a vontade de Deus. Certo estudioso compreendeu bem o significado desta exortação ao declarar que “a exortação nessas linhas pode ser colocada da seguinte forma: “Considerem Jesus. Comparem as experiências dEle com as suas. Ele também viveu na carne e foi um companheiro nas tribulações. Foi violentamente antagonizado, suas palavras foram deturpadas, e suas reivindicações ridicularizadas. Considerem os seus sofrimentos e a maneira como os enfrentou”. Fica perfeitamente implícito que, se os leitores da epístola fizerem uma avaliação exata, não irão desfalecer na pista antes de terminar a corrida”.
Diante do texto que separamos para nossa edificação nesta noite, é possível que alguém pense: “Eu não sou judeu e nem estou sofrendo ameaças de morte, porque esta mensagem é importante para mim?”
Primeiro quero lembrar-lhes o que Paulo escreveu a Timóteo: “Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”. Em segundo lugar, como cristãos, temos um caminho a percorrer. Com desafios tremendos, obstáculos gigantescos e com um inimigo a rodear-nos, pronto para nos devorar. Ainda enfrentamos um mundo ímpio, que cada dia mais se corrompe e se torna mais violento. E neste caminho que percorremos existem vidas feridas, lares desfeitos, pessoas aprisionadas, povos não alcançados e igrejas a serem implantadas. Esta é a carreira que nos está proposta. Assim, Deus nos fala hoje e exorta-nos: CORRAMOS, COM PERSEVERANÇA, A CORRIDA DA FÉ, ESTIMULADOS PELO TESTEMUNHO DOS HERÓIS DA FÉ; DESEMBARAÇANDO-NOS DE TODO PESO E PECADO E OLHANDO FIRMEMENTE PARA JESUS.

domingo, julho 17, 2011

A EVANGELIZAÇÃO E A ORAÇÃO

Creio que ao Senhor pertence a Salvação (Jn 2.9). A vida eterna é inteiramente gratuita, não depende daquilo que fazemos, mas fundamenta-se na vontade e ação de Deus. Nas Palavras do apóstolo Paulo, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia (Rm 9.16). Contudo, é através da proclamação da Palavra de Cristo que Deus nos tem dado a vida, mesmo estando nós mortos em nossos delitos e pecados (Ef 2.4 e 5). Paulo, escrevendo aos Romanos, declarou que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. E salienta a estreita relação entre a salvação e a pregação do evangelho ao acrescentar: Como, porém invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E a conclusão lógica é que a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo (Rm 10.13-15 e17).
Todo homem que é alcançado pela graça tem a responsabilidade de transmiti-la através da proclamação do evangelho de Cristo. E Paulo estava cônscio disto e por isso declara: Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho! (1Co 9.16). Sabia também que deveria fazê-lo na dependência de Deus, pois o evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16). No entanto, para ele, a oração, na evangelização, não consistia em rogar a Deus para que determinada pessoa fosse alcançada pela graça, como é comum fazermos em nossos dias. Consistia, sim, em ser ela um instrumento nas mãos de Deus para que vidas fossem salvas.
Em primeiro lugar, através da oração, buscava uma oportunidade para pregar: Suplicai, ao mesmo tempo, também por nós, para que Deus nos abra porta à palavra (Cl 4.3). A oração é a chave que abre a porta para divulgar o mistério de Cristo.
Em segundo lugar, através da oração buscava intrepidez. “Vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos e também por mim, para que me seja dado, no abrir da minha boca, a palavra, para com intrepidez, fazer conhecido o mistério do evangelho”(Ef 6.18,19). Uma vez que Deus nos abre a porta, nos é necessário ousadia, intrepidez, coragem para anunciarmos a Cristo.
Em terceiro lugar, através da oração buscava a palavra. Deus pode nos dar oportunidades, abrindo portas, e intrepidez para falarmos de Jesus, mas se Ele não colocar a palavra em nossa boca a nossa obra será inútil. Devemos aproveitar as oportunidades, como exortou aos colossenses, mas acrescentou: a vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um (Cl 4.6). Deveriam fazer uso da palavra com graça, ou seja, numa linguagem atraente, que provoque nos incrédulos uma reação favorável. Assim fez Jesus, maravilhando pessoas com palavras de graça que lhe saíam da boca (Lc 4.22).
Portanto, devemos orar em favor da evangelização do nosso país, rogando ao Senhor que nos dê oportunidades, abrindo portas, intrepidez e, principalmente, a palavra para que o mistério de Cristo se torne conhecido e todos os eleitos de Deus sejam salvos.












*Este texto foi publicado no Brasil Presbiteriano em 2004

segunda-feira, julho 11, 2011

O EVANGELHO DE JESUS É UMA ORDEM AO ARREPENDIMENTO

O versículo chave para compreender o significado do encontro de Jesus e Levi, descrito em Mateus 9.9-13, é o versículo 13. Jesus resume a mensagem do cristianismo e descreve o propósito do seu ministério ao declarar: “Não vim chamar justos, e, sim, pecadores”. Jesus se encarnou com o objetivo de chamar pecadores – pessoas que sabem que têm uma doença fatal e que nada merecem, mas que desejam profundamente ser perdoadas. Ao relatar este mesmo episódio em seu evangelho, Lucas acrescenta duas palavras: “Não vim chamar justos, e, sim, pecadores ao arrependimento”. A mensagem do evangelho de Jesus é, antes de tudo, uma ordem ao arrependimento. Desde o início do ministério de Jesus sua mensagem consistiu em chamar pecadores ao arrependimento. Sua primeira pregação foi: “Arrependei-vos” (Mateus 4.17). O pastor ou pregador que negligenciar a chamada dos pecadores ao arrependimento não estará pregando o evangelho segundo Jesus. Mas, o que é arrependimento? Primeiro é preciso dizer o que ele não é. Arrependimento não é remorso, isto é, sentir-se envergonhado e triste pelo pecado, embora isto esteja presente no verdadeiro arrependimento. O arrependimento não é uma obra humana e, sim, um dom de Deus. Em Atos dos Apóstolos lemos: “Logo, também aos gentios foi por Deus concedido o arrependimento para vida” (Atos 11.18). Se é Deus quem concede o arrependimento, não pode ser uma obra humana. O Rev. John MacArthur define muito bem o arrependimento, ele nos diz que “o arrependimento é um chamado a repudiar a velha vida e voltar para Deus para ser salvo”. Quando analisamos o encontro de Jesus e Mateus podemos compreender o arrependimento. Primeiro, o arrependimento consiste em voltar-se para Deus. Jesus encontrou Mateus na coletoria e disse-lhe: Segue-me. Somos informados que Mateus deixou tudo e O seguiu. Mateus abandonou tudo para seguir a Jesus. Ele pagou um preço bem alto. Como cobrador de impostos, servindo ao império romano, ao abandonar seu posto seria imediatamente substituído e não teria volta. É uma decisão de se submeter ao senhorio de Cristo, é colocar-se sob a direção de Deus. Assim, o verdadeiro arrependimento resulta numa mudança de comportamento. A mudança em si não é arrependimento, mas seu fruto inevitável e “onde não há mudança de conduta, não se pode confiar que haja ocorrido arrependimento”. Em segundo lugar, arrependimento consiste em abandonar o erro. Mateus era publicano, ou seja, cobrador de imposto. Alguém que havia traído o seu próprio povo e servia a Roma e vivia da extorsão dos seus próprios patrícios. O fato de ir após Jesus revela que ele era alguém que estava sob convicção de pecado e ansiava por libertar-se desta vida. Jamais teria seguido a Jesus por capricho, pois o preço era muito alto. Em terceiro lugar, arrependimento consiste em servir a Deus. Mateus decidiu oferecer um banquete e apresentar Jesus aos seus amigos. Jesus repreendeu aos religiosos da época afirmando que os são não precisam de médico e, sim, os doentes. A transformação de Mateus o levou a agir como Jesus, buscando pecadores ao arrependimento a fim de que encontrassem a cura. No arrependimento verdadeiro há não só a disposição de voltar- se para Deus, abandonando o pecado como também a disposição em se fazer à vontade de Deus. Se faltar qualquer um destes elementos não há arrependimento genuíno. Em Tessalonicenses 1.9 vemos estes mesmos elementos na conversão daqueles irmãos. Paulo descreve o arrependimento dos tessalonicenses assim: “Deixando os ídolos, vos convertestes a Deus, para servirdes o Deus vivo e verdadeiro”. O Evangelho de Jesus é um chamado ao arrependimento, a uma mudança radical e transformadora em nossas vidas. Ele continua nos dizendo: Arrependei-vos!

domingo, julho 10, 2011

A ARTE DE FAZER CALAR - SALMO 131.1,2.


“SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes cousas, nem de cousas maravilhosas demais para mim. Pelo contrario, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo.” - Salmo 131.1,2.


A pior decepção é aquela que sentimos com relação a nós mesmos. Quando nos decepcionamos com um amigo, familiar, projeto de trabalho ou até mesmo na vida financeira, esta dor incomoda, mas é circunstancial. Existem muitos fatores externos à nossa vontade que contribuem para que determinados projetos e planos não se realizem. Por outro lado, algumas pessoas estão presas a valores e uma visão de vida diferente da nossa, por isso, a decepção nestes ambientes são comuns. O problema se torna mais complexo quando nos decepcionamos com nossa reação em determinado momento, com nossas palavras e com nossa visão e valores acerca da vida. O salmista aqui está nos ensinando algo muito profundo. Ele abre seu coração diante de Deus e aponta um caminho para todos os seus leitores. Neste texto podemos aprender a não nos decepcionarmos com nossas atitudes na vida.
Em primeiro lugar, devemos fazer um diagnóstico de nossa alma na presença de Deus. O salmista aqui é Davi. Na presença do SENHOR ele abre seu coração e diz que afastou sentimentos ruins de sua vida. Na alma de Davi não existia soberba, altivez e desejo de coisas grandes demais para ele.
Em segundo lugar, devemos perguntar; como Davi alcançou este coração? Davi aprendeu a fazer calar e sossegar a sua alma. Precisamos aprender a arte de fazer calar e sossegar a nossa alma. Quando não fazemos a nossa alma calar, ela fala o que não deve. Sim, a boca fala aquilo que está na alma. Se nossa alma está cheia de choro, nossos lábios tremem, nossos olhos ficam cheios de lágrimas e o rosto se transforma. Se nossa alma está cheia de ira, nossas expressões faciais denunciam. Se nossa alma está cheia de alegria, os lábios não conseguem conter o sorriso. Não existe maquiagem para a alma. Quando Davi testemunhou a sua paz interior, ele compartilhou o segredo de uma alma que sabe ficar calada. Como fazer? Orar quando refletir sobre o assunto, pensar antes de falar e falar com palavras escolhidas para não machucar. Mesmo quando for um elogio devemos ter o cuidado para não parecer simples bajulação. Que Deus nos abençoe na arte de fazer calar e sossegar nossa alma.

"Autor : Rev. Leonardo Sahium - Pastor da Igreja Presbiteriana da Gávea

quinta-feira, junho 30, 2011

O SENHOR É MEU PASTOR



O salmo 23 é, sem dúvida, um dos textos bíblicos mais conhecidos em todo o mundo. São poucos os que não o sabem de cor. Davi usando de seus conhecimentos pastoris estabelece de uma forma singela, simples a relação vivida por ele com Deus como sendo de uma ovelha e um pastor. Assim, Deus é descrito como Aquele que cuida e dispensa todo cuidado para prover o sustento diário ao seu povo. É Ele quem nos conduz aos pastos verdejantes e leva-nos as águas de descanso. Por isso Jesus nos lembra que devemos buscar a Deus acima de todas as coisas, na certeza de que o comer, o beber e o vestir serão supridos.Porém devemos observar que o caminho que nos leva às planícies é o caminho dos vales. Ninguém julgue que por ser cristão está isento de enfrentar tribulações e aflições. O Rev. A. W. Pink nos lembra que “devemos estar preparados para os reveses que a Providência permite”. O texto nos diz: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte...” Em nosso viver atravessamos os vales. Somos atribulados, provados e afligidos. Por vezes, enfrentamos reveses insuportáveis e, nestas horas, devemos lembrar que, embora Deus não nos livre de tais problemas, Ele promete estar conosco. “Tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam”. Como é bom sabermos que temos alguém ao nosso lado, para nos apoiar, incentivar, encorajar, ouvir e consolar. Melhor ainda quando este alguém é o próprio Deus. Certo estudioso bíblico escreveu: “Como crentes, descobriremos, mais cedo ou mais tarde, que é nos vales da vida que encontramos o refrigério proveniente de Deus. Somente depois que caminhamos com Ele através dos profundos vales das dificuldades, aprendemos que Ele pode nos levar a encontrar refrigério nEle bem em meio as tribulações”. Em situações que estão além do nosso controle devemos ter a mesma atitude do profeta Elias: buscar a presença de Deus em oração, certos de que o nosso Supremo Pastor cuida de nós e nos ouve. Que todos nós possamos declarar: O Senhor é o meu Pastor.

terça-feira, junho 21, 2011

Salmo 18 - Deus é nosso refúgio, nossa luz e nossa força!

O salmo 18 foi escrito por Davi em sua velhice. Muitos estudiosos atribuem a este salmo como sua última canção. Ao observar o contexto em que foi escrito vemos que Davi vivia dias difíceis. Ele nos fala de tribulação, laços de morte, da angústia experimentada por causa dos seus inimigos. E, no entanto, escreve um salmo de louvor ao Senhor. E com Davi podemos aprender lições preciosas para a nossa vida.
A primeira lição: Deus é nosso refúgio (v.6). – Deus é descrito neste salmo como um Pai Celestial em quem podemos confiar. Davi achava-se angustiado. Angústia nos dá a ideia de um lugar apertado e sem saída. É estar diante do perigo e não ver saída. É estar num beco-sem-saída. Neste momento ele recorre ao Senhor. Deus não é uma divindade distante, que não se importa conosco. O Deus que habita um alto e sublime trono também habita com o contrito e abatido para o vivificar (Is. 57.15). Deus ouviu a oração de Davi e respondeu ao seu clamor. Muitas vezes, diante das nossas aflições, nos angustiamos, achamos que Deus está muito ocupado para se importar com os nossos problemas. Mas aqui aprendemos que Ele se importa. Esta á a mensagem da graça. Deus sente profundamente os nossos sofrimentos. Creia nisso! Se os tempos estão difícieis, se as dificuldades lhe sobrevieram, recorra a Deus. Ele é refúgio, é apoio e nos socorre quando clamamos.
A segunda lição: Deus é nossa luz (v. 28). – Muitas vezes nos encontramos em situações, tal qual Davi, em que tudo em nossa volta é trevas, não conseguimos enxergar nada, nem ver nenhuma saída. E Deus nos concede luz suficiente para darmos apenas o próximo passo. Aqui nos lembramos do Salmo 27: “O Senhor é a minha luz e a minha salvação; de quem terei medo?” Nesse mesmo salmo somos lembrados de que mesmo que nossos pais nos desampararem, o Senhor nos acolherá. Deus ilumina nosso caminho melhor que nossos pais. A luz do Senhor fornece direção e livramento, porque devemos temer?
A terceira lição: Deus é nossa força (vv. 31-39). Paulo também nos ensina isto quando declara: “Tudo posso naquele que me fortalece”. O grande poder de Deus é aperfeiçoado em nossa absoluta fraqueza. Deus nos diz: “Meu poder é melhor demonstrado quando você é fraco” (2 Coríntios 12.7-10). Esse é o segredo.
Às vezes, como cristãos, vacilamos e nos esquecemos quem é o Deus a quem servimos. Queremos resolver as nossas dificuldades, nossos problemas, queremos enfrentar nossas trevas confiados em nós mesmos e nas nossas capacidades. Davi nos lembra que o nosso Deus é refúgio, é luz e é força. Ele ouve o nosso clamor, orienta-nos em meio a confusão, iluminando nosso caminho e é a nossa força para vencermos o mal.

terça-feira, maio 17, 2011

UMA VIDA FRUTÍFERA




Há nos Evangelhos o registro de muitas parábolas, quero destacar uma, registrada tanto por Mateus como por Marcos, cujo ensino é significativo a nós hoje. É a parábola da figueira sem frutos. Geralmente uma figueira produz frutos e depois as folhas. Assim, quando ela está totalmente enfolhada esperamos achar figos nela; doutra forma não dará mais fruto naquela estação. A narrativa bíblica nos diz que Jesus aproximou-se da figueira porque teve fome e esperava encontrar figos, visto que já houvesse folhas. Contudo, não havia fruto algum! Da mesma forma podemos afirmar que Cristo anseia por receber frutos de nós, os cristãos. Ele espera ver em nós as qualidades do Seu caráter. Ele espera de nós ações que são de acordo com a Palavra de Deus e com a mente de Cristo. Se Ele não receber tais frutos estará sendo privado daquilo que Lhe é devido. No Salmo 92 o salmista declara que o justo, na velhice, ainda daria frutos! Temos apresentado uma vida frutífera? Temos demonstrado uma vida cristã autêntica? O que precisamos fazer para ter uma vida frutífera?
I. UMA VIDA FRUTÍFERA REQUER INTIMIDADE COM JESUS. Jesus mesmo afirmou: “Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15.5).Este texto nos mostra a necessidade de termos um relacionamento íntimo e pessoal com Cristo para que haja produção de frutos. “Um ramo de videira não tem vida nem utilidade se não continuar ligado a videira. A seiva que flui pelo caule capacita-o a produzir uvas; sem isto ele fica infrutífero. A mesma coisa acontece com os discípulos de Jesus; somente a medida que permanecem unidos a Ele e têm nEle a origem de sua vida é que podem produzir o fruto do Espírito”.
II. UMA VIDA FRUTÍFERA REQUER INTIMIDADE COM A PALAVRA DE DEUS. “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite. Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido”. O cristão que medita na Palavra de Deus é comparado a uma árvore plantada as margens de um rio. A conclusão óbvia é que a nossa frutificação depende da importância que a Palavra de Deus tem para nós. Do mesmo modo que o rio é a fonte de alimento para a árvore, a Bíblia é a fonte de alimento para a nossa vida. Não há frutos sem a Palavra de Deus. Rev. Billy Graham nos diz que “à medida que lemos e meditamos na Bíblia, o Espírito Santo – que inspirou a Bíblia, como sabemos – vai nos convencendo de pecados que precisam ser erradicados e nos dirige ao padrão de vida que Deus quer para nós. Sem a Palavra de Deus não pode haver crescimento espiritual duradouro nem produção de frutos em nossa vida”. COLHEMOS O QUE PLANTAMOS, PRECISAMOS DAR FRUTOS E NÃO VIVER APENAS PARA NÓS MESMOS.

quarta-feira, maio 04, 2011

FAÇA SUA VIDA VALER A PENA







"Faça sua vida valer a pena". Esta é a mensagem deste vídeo. Assim, quero convidá-lo a refletir sobre a vida. A Bíblia nos ensina acerca da fragilidade da existência humana comparando-a com um vapor (Tg 4.14) e com uma planta que de manhã floresce e a tarde seca e murcha (leia o Salmo 90). A nossa existência é transitória, efêmera. Precisamos encontrar o sentido para qual existimos ou a nossa vida não terá o brilho e o vigor que uma vida humana deve ter. A vida faz sentido para quem encontra o sentido da vida. Paulo, o apóstolo, estando preso, impedido de viver como queria, e, em outras ocasiões enfrentando necessidades e privações, ainda assim conseguia transmitir uma qualidade de vida capaz de consolar de dentro da prisão aos que estavam livres. Tudo porque tinha um objetivo claro, definido: viver para realizar a vontade de Deus e testemunhar do Evangelho da graça de Deus. "Porquanto, para mim, viver é Cristo, e o morrer é lucro" (Fp 1.21), escreveu Paulo. Jesus declarou: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. A vida é Cristo e aqueles que não O receberam não têm a vida. Só vive quem encontrou com Cristo e passou da morte para a vida. Só encontrou um motivo de existir aquele que tomou uma decisão de estar com Cristo. A morte é uma trisdte realidade. Não sabemos quando ela virá, mas é certo, ela virá. Hoje é tempo de decidirmos pela vida. É momento de decidirmos por Cristo, pois Ele promete: Quem crê em Mim, ainda que morra, viverá (João 11.25).

quinta-feira, abril 28, 2011

Salmo 6 - Crendo em Deus e em Suas promessas

É possível ver neste salmo um homem profundamente perturbado. Há aflição tanto no corpo como na alma. Davi experimentou o que tem sido a realidade de muitas pessoas hoje, cristãs ou não. Assim, percebemos o quanto a Bíblia é maravilhosa e atual. Ela fala ao homem de nossos dias, trazendo esperança e forças àqueles que não têm ânimo para orar.
A oração de Davi está alicerçada não em algo que possa realizar, mas, sim, na graça de Deus. “Sara-me por tua graça”, exclamou ele. A graça é favor imerecido, algo que não conquistamos. O primeiro passo, para a cura, é o reconhecimento da nossa debilidade e incapacidade para mudar nossa vida. Davi buscou a Deus, “ele se reanimou no Senhor, seu Deus”[1]. Não se trata de uma fé na “fé” ou uma crença no pensamento positivo, “eu vou mudar”. È fé na revelação do caráter de Deus. È fé baseada em quem Ele é. Por isso roga: “Volta-Te”. Repete, torna a fazer como antes. Vemos, então, que a intimidade com Deus não nos impede de sofrermos aflições. Esse é o ensino bíblico. Mas, também, só é possível passar pelas aflições e as vencermos se desfrutarmos a intimidade com o Senhor, sabendo que Ele está conosco e que o Seu bordão e o Seu cajado nos consolam. Só assim poderemos dizer: “Antes de ser afligido, andava errado, mas agora guardo a Tua Palavra”[2].
Deus é Senhor imutável. Ele mesmo declarou: “Porque eu, o Senhor não mudo”[3]. Sabia Davi que seus adversários, os que praticavam a iniqüidade, não haveriam de prevalecer no juízo. E com esta certeza futura exclama: “o Senhor ouviu a voz do meu lamento, o Senhor ouviu a minha súplica”. Que possamos ter a mesma fé que Davi, crendo em quem Ele é e no que Ele diz.

[1] 1 Samuel 30.6
[2] Salmo 119.67
[3] Malaquias 3.6

segunda-feira, abril 25, 2011

NO CAMINHO DE EMAÚS - Lucas 24.13-35

Lucas registra em seu Evangelho uma das passagens mais bela e comovente acerca do Cristo ressurreto, cuja vitória sobre a morte celebramos hoje. Dois caminhantes na estrada de Emaús, que liga a cidade de Jerusalém a este pequena aldeia, num percurso aproximado de 12 km. Jesus se coloca no caminho com os discípulos trazendo um novo alento. Quero convidá-lo a refletir comigo nesta história, pois aprendemos que:
1. No caminho de Emaús encontramos discípulos entristecidos e frustrados. Quando Jesus se coloca a cominho na estrada com os discípulos, logo os interroga: "Que é isso que os preocupa e de que ides tratando a medida que caminhais?" Então, lemos: "Eles pararam entristecidos" (v. 17). A primeira observação a fazer é que Emaús é um lugar de tristeza. E esta tristeza revela a frustração daqueles homens: "Ora, nós esperávamos que fosse Ele quem havia de redimir a Israel". O judeus estavam subjugados pelos romanos e havia uma uma grande expectativa que Jesus os libertasse. Mas Ele morreu! Parece que Deus falhou. Nada mudou! Ainda continuavam sob o domínio de Roma. Sim, Emaús é um caminho de tristeza e decepção. Quem de nós já não trilhou por ele? Quem aqui não caminhou por Emaús? Com tristeza e dor, com frustração e decepção? Nem sempre as coisas saem do jeito que planejamos ou sonhamos. E, assim, a tristeza nos invade e somos tomados pelo desânimo. E, muitas vezes, provoca mágoas e revolta. Por que Deus permite isso? Por que não mudou a minha sorte?
2. No caminho de Emaús encontramos discípulos com uma visão errada de Cristo e incrédulos. Interrogados por Jesus sobre quais fatos ocorreram nos últimos dias, respondem: "O que aconteceu a Jesus, Nazareno, que era varão profeta". Jesus viveu por três anos ensinando e mostrando quem Ele era: O Filho de Deus, o Deus humanado. João nos diz que Jesus fez muitos sinais para que pudessem crer que Jesus é o Filho de Deus e recebessem a vida eterna (João 20.30,31). No entanto, os discípulos de Emaús O viram apenas como varão profeta. Jesus não é um simples profeta, é Emanuel, Deus conosco! Eles estavam equivocados a respeito de Jesus, o Messias. Erraram por não compreenderem as Escrituras! E uma visão errada acerca de Sua pessoa os leva a uma visão errada de sua obra. Esperavam um libertador político. Não assim também em nossos dias? Muitos O vêem como alguém que resolve os nossos problemas, ajuda-nos a superar nos dificuldades e curar nossas enfermidades. Não O vêm como é, O Salvador, O Senhor, O Deus encarnado, Aquele que morreu na cruz para religar o pecador com o Seu Criador, para dar-nos o perdão! E por desconhecerem as Escrituras descrêem dos fatos da ressurreição (v. 25). A "fé" que não está fundamentada na verdade de Deus é incredulidade, leva-nos a tristeza e decepção.
3. No caminho de Emaús encontramos o Cristo ressuscitado. Somos informados que enquanto caminhavam, discutindo a respeito de todas as coisas sucedidas "o próprio Jesus se aproximou e ia com eles". Apesar da tristeza, frustração e da incredulidade dos discípulos, Jesus chega e caminha com eles, O Cristo ressuscitado se faz presente, transformando a tristeza em alegria, a decepção em vitória! A Sua presença aponta-nos para a veracidade das Escrituras pois tudo o que os profetas falaram sobre o Messias se cumpriu. Jesus venceu a morte! "Onde está, ó morte, a tua vitória?" A vida está em Jesus e Ele nos dá graciosamente. Ele mesmo afirmou: "Eu vim para que tenham vida". Não há motivo para pranto, dor e frustração, Cristo já ressuscitou!
A realidade do Cristo ressurreto no caminho de Emaús nos desafia. Nos desafia a proclamar o significado profundo que o túmulo vazio tem. Nos desafia a um viver coerente com a doutrina da ressurreição. Nos desafia a uma nova vida. Uma vida ressuscitada e uma mente transformada. Nos desafia a um viver segundo o poder da ressurreição!

terça-feira, abril 19, 2011

CRUZ VAZIA

Nós adoramos o Cristo, da cruz vazia!

VAZIA,

dos nossos pecados, porque Ele os levou sobre a cruz.

VAZIA,

das nossas dores, porque Ele a suportou por nós.

VAZIA,

dos preconceitos, porque ele os tirou.

VAZIA,

das nossas aflições porque Ele afirmou: tenham bom ânimo!

VAZIA,

da escravidão, pois Ele nos libertou.

VAZIA,

das injustiças, porque Ele se tornou nossa justiça, diante de Deus.

VAZIA,

das nossas preocupações porque: Ele é o nosso pastor e nada nos faltará.

VAZIA,

da crueldade da morte, porque Nele temos vida eterna.

A cruz e o túmulo vazios, são provas

Incontestáveis da Glória do meu Senhor

Mas, nós, estamos cheios: da sua Graça,

do seu Perdão e do seu Amor!

Sione Rocha

segunda-feira, abril 18, 2011

AOS PÉS DA CRUZ

Não há dúvidas que, para nós cristãos, tanto o natal como a páscoa são as datas mais significativas do nosso calendário. A primeira nos fala da encarnação do Filho de Deus, do Deus-humanado que veio buscar e salvar o perdido. A segunda fala-nos do modo pelo qual o Cristo salva os pecadores e aponta-nos para o sacrifício, a obra vicária do Messias na cruz, e Sua ressurreição. Nesta reflexão me detenho na cruz. Ali Jesus enfrentou duras provas. Foi julgado e condenado de um modo injusto pelos homens, sofreu afrontas e foi pregado no madeiro. A declaração do autor aos Hebreus nos ajuda a entender a cruz ao afirmar que "sem derramamento de sangue não há remissão" (Hb 9.22). Na cruz Jesus, o Senhor, derramou o Seu sanguue, a Sua vida a fim de que encontrássemos a redenção, a reconciliação do pecador com o Criador. Jesus, estando na cruz, proferiu algumas frases, as quais são grande ensino para a nossa vida. Convido-o a colocar-se sob a cruz, aos pés da cruz, e ouvirmos as palavras de Jesus.
1. Aos pés da cruz ouvimos um brado de dor: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?
Houve um intenso sofrimento físico pelo qual Jesus passou. Açoites, coroa de espinhos, carregar o madeiro e as dores dos pregos cravados nos punhos e nos pés. Contudo, este não foi o maior sofrimento enfrentado pelo Salvador. A bíblia nos lembra das manifestações cósmicas naquele momento. A escuridão tomou conta da terra, lembrando-nos que o juízo de Deus caía sobre o Substituto dos homens na cruz. Sobre o Cordeiro de Deus caía o peso de todo o pecado, o peso de toda culpa da humanidade. Cumpria-se as palavras de Isaías e Jesus foi "traspassado por nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades". O pecado faz separação entre nós e Deus (Is59.2) e naquele momento o Cristo sentiu a dor da separação. Certo pastor afirmou: "Amaldiçoado, Jesus precisava suportar a solidão do pecado e da condenação, suportando a angústia do inferno, separado de Deus". É impossível compreender esse sofrimento. Mas, para os que são salvos, só resta-nos louvá-Lo, pois jamais enfrentaremos tal dor. Ele o fez por nós!
2. Aos pés da cruz ouvimos um brado de satisfação: Está consumado!
Que maravilhosa declaração: Está consumado! Não é afirmação de alguém que foi derrotado, mas a declaração de satisfação por completar o que veio cumprir. Ela resume toda a obra de Cristo. Foi feito o que era preciso fazer! O preço foi pago! Este é o sentido. A Lei de Deus estava plenamente cumprida e a Sua justiça satisfeita. Aquele grito queria dizer que a dívida estava paga. Por isso Paulo declara que não há mais condenação para os que estão em Cristo Jesus e que o escrito de dívida foi cancelado! (Rm 8.1 e Col. 2.14). A dívida satisfeita foi a dívida do nosso pecado. Porque o salário do pecado é a morte (Rm 6.23a). Mas, o dom gratuito de Deus é a vida eterna! (Rm 6.23b). Aleluia! A dívida foi paga e o pecado dos que crêem foi cancelado!
3. Aos pés da cruz ouvimos um brado de perdão: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o fazem.
Jesus dirige-se ao Pai e intercede pela multidão. Multidão que aglomerava-se para ver o espetáculo da crucificação. Multidão que O seguia em busca de pão, de curas e milagres. Multidão que O aclamou na entrada de Jerusalém, a mesma que gritava: Crucifica-O! E, agora, multidão que assistia Sua morte na cruz. Em nenhum momento Jesus declarou ser a multidão inocente, mas clamou pelo perdão do Pai. Perdão que poderia ser aplicado com base no Seu sofrimento e na satisfação da justiça de Deus pelo Seu sacrifício. Que nesta páscoa ouçamos a voz que ecoa da cruz: Cristo salva o pecador, Aleluia!

domingo, abril 17, 2011

NAS PROVAÇÕES: REFÚGIO! - Salmo 5


No fundamento do pecado original encontra-se o orgulho. Ele nos faz ter uma falsa idéia de quem realmente somos. “Deus sabe que, no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês, como Deus, serão conhecedores do bem e do mal”[1], esta é a oferta do diabo aos nossos pais no paraíso. Foram seduzidos a serem como Deus e, consequentemente, pecaram.
Em sua oração Davi revela-se humilde, o que o faz ter uma real visão de si mesmo. Embora fosse rei dirige-se a Deus dizendo: “Rei meu e Deus meu”. Esta é uma declaração de intimidade e, como Derek Kidner observou, “o emprego da palavra rei coloca a realeza no contexto certo. Aceita a verdade de ser ele um homem sujeito a autoridade, e não alguém que deve lutar em prol dos seus próprios interesses através dos seus próprios meios”[2].
Em sua dependência ele brada ao Senhor e refugia-se em Sua Soberania. Se Deus julgar o seu caráter está arruinado. Davi mesmo declarou em outro salmo: “Não leves o teu servo a julgamento, pois ninguém é justo diante de Ti”[3]. Por isso adentra a casa de Deus pela riqueza da misericórdia divina (ver vs.6,7). Diante de Deus clama por Sua justiça contra os adversários e suplica que o Senhor o guie, pois “ele não necessita apenas de conhecer o que é reto. Necessita de ver removidos todos aqueles obstáculos que poderiam impedi-lo de andar no caminho de Deus”[4].Davi ensina-nos que, nos momentos de nossas aflições, quando enfrentamos as adversidades e lutamos por viver de forma a agradar a Deus, devemos humildemente clamar por Seu auxílio, deixando em suas mãos os nossos inimigos. Diante das provações refugiamo-nos em Deus, “pois tu, SENHOR, abençoas o justo; o teu favor o protege como um escudo” (v. 12).





[1] Gênesis 3.5.
[2] Comentário do Livro de Salmos, p.73.
[3] Salmo 143.2.
[4] M`Caw, L.S., op. Cit., p.503.


domingo, março 20, 2011

SALMO 4 - NAS PROVAÇÕES, PAZ!

O cenário deste salmo ainda é o mesmo do anterior. Davi encontrava-se sob ameaças de Absalão, seu filho. Ao declarar que Deus lhe deu alívio em sua angústia (v.1), ou seja, Deus concedeu-lhe livramento de um perigo iminente, contudo nem tudo estava bem, ainda corria o risco de ser morto. Davi conclama aos líderes do povo a refletirem na situação e que deixem a falsidade. Como nos diz Leslie S. M’Caw, “que eles considerem de novo que aquele que ama a Deus e a quem o Senhor escolhe é guardado por Ele e será ouvido por Ele em qualquer emergência”[1]. E como prova evidente do verdadeiro arrependimento deveriam oferecer sacrifícios ao Senhor, pois “os sacrifícios que agradam a Deus são um espírito quebrantado; um coração quebrantado e contrito” (Salmo 51.17). E é em meio a perseguição e perigo de morte que Davi declara: “em paz me deito”. Hoje, em nossos dias, a paz é o anseio mundial. Pessoas de todas as raças, línguas estão unidas por um desejo comum: alcançar a paz. Porém, ao observarmos os últimos acontecimentos somos levados a indagar: Será que um dia terá paz? Davi ensina-nos que paz não é ausência de conflitos e guerras. É, antes de tudo, o estabelecimento de um bom relacionamento com o nosso Criador, pois o Senhor escolheu o piedoso(v.3). É pela instrumentalidade de Cristo, o nosso Mediador, que restauramos a relação com Deus, experimentamos a paz conosco mesmos e com o nosso próximo. Cristo promete: “Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá”[2]. Jesus morreu para trazer a paz, ressuscitou para trazer a paz e se faz presente em nossas vidas, por meio do Seu Espírito, trazendo a paz em nossos corações.

[1] O Novo Comentário da Bíblia, Ed. Vida Nova, p. 502.

[2] João 14.27.

sábado, fevereiro 12, 2011

Salmo 3: Nas provações, confiança!


Nem sempre temos um sono tranqüilo. São muitos os que não conseguem ter uma noite sossegada de sono. Contas a serem pagas, preocupação com o emprego ou com a falta dele, a educação de nossos filhos, a busca de uma vida melhor, são inquietações que podem tirar o sono. Quem já não experimentou da insônia, inquieto e preocupado? Não seria esta uma das razões do elevado número de pessoas deprimidas? Impressiona-nos saber que Davi, que é o autor do nosso salmo, o escreveu num momento muito difícil em sua vida. Seu próprio filho, Absalão, desejava matá-lo e ocupar o trono de seu pai. Davi demonstra uma confiança inabalável em Deus, o Seu Pastor. Ele era o seu escudo e cria que o ouviria suas súplicas.
Jesus declarou: “... Não se preocupem com sua própria vida, quanto ao que comer ou beber; nem com seu próprio corpo, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante que a comida, e o corpo mais importante que a roupa? (...) Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas. Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal”. É claro que devemos trabalhar para prover o que nos é necessário. A Palavra de Deus não condena a solícita provisão para o futuro. O que ela realmente condena é viver excessivamente inquieto, preocupado, ansioso, esquecendo-se do Deus providente que nos apresenta. Também não solucionamos os nossos problemas declarando repetidamente que eles não existem. Devemos ser realistas, sim! Problemas e dificuldades todos nós enfrentamos. É em meio aos reveses da vida que devemos exercer nossa fé. A Bíblia nos ensina: “Entregue o seu caminho ao SENHOR; confie nele, e ele agirá”. Lembre-se, Deus não promete livrar-nos do vale da sombra da morte, mas, sim, nos suster ao passarmos por ele. Seu Espírito e sua Palavra nos consolarão.

quinta-feira, dezembro 23, 2010

É NATAL!

Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, em dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém. E perguntavam: Onde está o recém-nascido Rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos para adorá-lo.

Mateus 2.1,2.

Mateus, o Evangelista, nos informa que quando Jesus nasceu fora visitado pelos magos. Muitas pessoas hoje acham e, até crêem que foram três o número de magos que O visitaram. Contudo, a Palavra de Deus não é específica neste relato, apenas declara: “...eis que vieram uns magos”. Provavelmente por terem sido três presentes que trouxeram é que inferimos serem três magos. Esses só chegaram a Jesus porque, ao partirem da presença de Herodes, a estrela que fora vista no oriente, de novo lhes aparecera, o que lhes causou grande alegria. Diz-nos o texto: E, vendo eles a estrela, alegraram-se com grande e intenso júbilo.Este é o modo que Deus age para conduzir os homens até Jesus. A salvação nos é dada somente pela ação graciosa e soberana de Deus na vida dos pecadores. Somente pela revelação divina somos conduzidos a vida eterna, a Jesus Cristo!Por certo hoje, a estrela que nos conduz a Jesus é a Bíblia, a Palavra de Deus. Examinais as Escrituras, por que julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim, afirmou Jesus. Aqueles magos quando encontraram a Cristo O adoraram e apresentaram suas ofertas a Jesus: ouro, incenso e mirra. Neste natal devemos adorar Aquele que nos dá vida plena e abundante, Aquele que Se revelou a nós, dando-nos a salvação. Graças ao Senhor que nos abriu os olhos para vermos o caminho da estrela que levou-nos a Cristo e a todas as bênçãos que se acham Nele!

sábado, dezembro 11, 2010

BÍBLIA: NOSSA REGRA DE FÉ E PRÁTICA


O Rev. Odair Olivetti conta-nos que, quando seminarista, percorreu uma região extensa ao sul do Paraná, durante as férias de verão. Numa das casas visitadas, o chefe da família lhe disse: “Há poucos anos fui para o norte do Paraná a procura de fortuna. Perdi tudo o que tinha, mas achei o melhor tesouro: a Bíblia”.

Muitas pessoas já receberam exemplares da Escritura, mas nem todas a consideram como o tesouro espiritual que é. Se todos os brasileiros que receberam a Bíblia ou porções dela, tivessem olhos para ver o tesouro que é e tivessem aberto a mente e o coração para receberem sua mensagem gloriosa, Cristo, o Senhor e Salvador, quão maravilhoso seria hoje o panorama religioso, social e político da nossa querida pátria!
Para muitos ela não passa de um mero amuleto para livrá-los dos “maus espíritos”, mas para nós cristãos é a Palavra de Deus, a nossa regra de fé é prática. Paulo declarou a Timóteo: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra” (2 Timóteo 3.16,17).
Assim aprendemos que, primeiramente, a Bíblia é nossa regra de fé e prática, porque Ela é Inspirada. Quando afirmamos que a Bíblia é inspirada queremos nos referir que ela é um produto divino. Por inspiração entendemos a ação sobrenatural do Espírito de Deus na vida dos escritores sacros, a fim de que eles escrevessem, em suas próprias palavras, aquilo que Deus quis revelar. Como nos diz J. I. Packer: “A Escritura não é apenas a Palavra do homem, o fruto do pensamento, da premeditação e da arte humanas, mas também e igualmente é a palavra de Deus, proferida por meio de lábios humanos ou escrita com a pena brandida pela mão humana”.
Por outro lado, a inspiração garante a veracidade da Bíblia, ou seja, eu posso crer que aquilo que está escrito é verdade porque ela é a Palavra de um Deus veraz. “Deus não é um homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa...” (Números 23.19). Por isso, a Bíblia é e continuará ser a Palavra de Deus, para todas as gerações sucessivas dos homens somente em virtude de que sua inspiração é divina.
Ela também é nossa regra de fé e prática porque Ela é Útil. A Bíblia não é um livro de teorias vagas, nem de contos da carocinha, pois a “Escritura não provém de particular elucidação” como vimos. Nem mesmo foi escrita para satisfazer a especulação humana, mas para ser aplicada a vida diária do cristão. O Reverendo Hermisten diz que “a Bíblia não foi registrada para o nosso deleite; mas para que cumpramos os seus preceitos” e nisso é que reside a sua utilidade. A Palavra de Deus comunica vários benefícios a quem faz uso dela com humildade e fé. Ela, portanto, é benéfica, vantajosa, proveitosa ao cristão.
Em primeiro lugar, ela é útil para o ensino, ou seja, ela apresenta ao homem o sistema cristão com seus ensinamentos e práticas. Ensina leis civis, morais e sociais; ensina a maneira sábia de viver, incluindo as relações humanas; ensina verdades espirituais, incluindo o plano de salvação. A sua doutrina é o padrão de vida que deve ser seguido por quem Deus escolheu.
Em segundo lugar, ela é útil para a repreensão e correção. A idéia de repreensão, no original, tem o significado de fazer com que o homem fique convicto do seu próprio erro e do juízo de Deus, isto é, prova-lhe a sua culpa como também que está sujeito a condenação. Contudo, a Palavra de Deus, não se limita apenas em mostrar nosso erro, ela também nos restaura, restabelece. Este é o significado do termo “correção”. Por isso podemos afirmar que ela exerce uma função corretiva em relação às ações morais e nos aprimora. Ela refuta o erro, e nos coloca novamente no caminho certo. Sabendo desta utilidade é que o salmista pode dizer: “Lâmpada para os meus pés é a tua Palavra, e luz para os meus caminhos”.
Em terceiro lugar, ela é útil para a educação na justiça. O termo usado aqui para educação jamais aparece sendo usado para referir-se o trato de Deus para com o incrédulo, pois o Pai educa a quem ama. Educação na justiça traz a idéia de ser treinado naquilo que é reto.
William Hendriksen declara: “Todo cristão necessita de disciplina para que possa prosperar na esfera em que a santa vontade de Deus se considera normativa” e este é o caráter se instruir na justiça.
Por último, a Bíblia é nossa regra de fé e prática porque ela tem um propósito. Uma vez que a Bíblia é inspirada e útil, consequentemente, exerce uma função prática na vida do cristão, ou seja, ela tem uma finalidade, um propósito na vida do regenerado.
Em primeiro lugar, a Palavra de Deus tem o propósito de tornar o cristão perfeito. O termo “perfeito” não quer dizer alguém que não peca, mas refere-se ao fato do cristão estar equipado, preparado para uma tarefa delegada, isto é, o cristão é perfeito no sentido que tem o equipamento espiritual necessário e o usa apropriadamente. “A vida dos santos deve corresponder à graça dada, e esta mesma é o padrão ao qual devem aspirar”. Portanto a Bíblia objetiva nos tornar capazes de cumprirmos todas as exigências como cristãos, nossas responsabilidades como filhos de Deus, onde a santidade do cristão, a sua eficiência no conhecimento bíblico fazem parte deste aperfeiçoamento.
Como conseqüência do aprimoramento falado, nos tornamos habilitados para toda boa obra, ou seja, nos tornamos, pela Palavra de Deus, a expressão prática da nossa fé. Vemos que as boas obras são a demonstração de uma fé viva, conforme Tiago salientou, em oposição àqueles que afirmam estar salvos pela fé, mas cuja fé não é acompanhada pelas boas obras. Podemos afrmar que boas obras são frutos do amor, que estão de conformidade com a Palavra de Deus e tem como objetivo a glória de Deus. Se faz mister que o cristão demonstre a atividade divina na sua vida através de suas boas obras, como declarou nosso Senhor Jesus Cristo: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mateus 5.16).
Vimos que a Bíblia é o livro inspirado e útil, visando um fim propósito final na vida do cristão. Contudo se faz necessário o envolvimento do cristão com a Palavra de Deus, pois o vigor de nossa vida espiritual estará na proporção exata do lugar que a Bíblia ocupar em nossa vida e em nossos pensamentos, conforme disse George Müller. Quanto a isto também declara o Rev. Billy Graham: “A medida que lemos e meditamos na Bíblia, o Espírito Santo – que inspirou a Bíblia, como sabemos – vai nos convencendo de pecados que precisam ser erradicados e nos dirige ao padrão de vida que Deus quer para nós. Sem a Palavra de Deus não pode haver crescimento espiritual duradouro...” É essencial para a vida cristã nos submetermos à Escritura, porque sem isto a nossa vida será seriamente prejudicada, senão totalmente destruída. Como vimos, A BÍBLIA É A NOSSA REGRA DE FÉ E PRÁTICA.

terça-feira, novembro 30, 2010

ENFRENTANDO A DEPRESSÃO

A depressão é um problema comum e antigo na vida humana. Todos os cristãos enfrentam períodos de depressão. Até mesmo os mais bem-sucedidos servos de Deus se depararam com ela: : Jó 3.11; Moisés: Nm 11.15; Davi: Sl 42.5; Jonas: Jn 4.3; Paulo: 2 Co 1.8. Mas o exemplo mais forte é o de Jesus. No Getsêmani, Ele ora: “Minha alma está profundamente triste até a morte” (Mt 26.38). Naquele momento o nosso Mestre passou por sofrimentos, sensações e sentimentos de agonia tão fortes que até desejou a morrer. Com isso as declarações do autor da carta aos Hebreus, em 4.15 e 2.18, se tornam vívidas e significativas hoje. Creio que a depressão, sem dúvida nenhuma, é atualmente a doença que mais afeta a humanidade. A depressão é uma doença e como tal precisa ser tratada. Ela é de difícil diagnóstico, mas o psicólogo cristão, Gary Collins, afirma que “os sinais de depressão incluem tristeza, apatia e inércia, tornando difícil continuar vivendo ou tomar decisões; perda de energia e fadiga. Normalmente acompanhadas de insônia, pessimismo, desesperança, medo, auto-conceito negativo, quase sempre acompanhado de autocrítica e sentimentos de culpa, vergonha, senso de indignidade e desamparo; perde de interesse no trabalho, sexo e atividades usuais, perda de espontaneidade; dificuldade de concentração, incapacidade de apreciar acontecimentos ou atividades agradáveis e freqüentemente perda de apetite”. O profeta Elias experimentou em sua vida a depressão (1 Reis 19.4). C. Swindoll escreveu: “Fico feliz ao ver este capítulo incluído nas Escrituras. Alegra-me saber que, quando Deus pinta o retrato de seus homens e mulheres, Ele o faz com defeitos e tudo. Deus não ignora a fraqueza ou esconde a fragilidade de seus servos”. É bom saber que o profeta era “homem semelhante a nós” ou como nos diz ARC, “era homem sujeito às mesmas paixões[sentimentos] que nós” (Tg 5.17). Nesta manhã o nosso propósito é analisar a depressão na vida de Elias e identificar suas causas e efeitos, bem como, a maneira que Deus a tratou para a cura do profeta.

01. ELIAS: UM HOMEM ZELOSO PELO SENHOR -1 Reis 19.10.

Elias era um homem de Deus. Isto é claramente percebido por sua vida:

  • Ele confrontou bravamente Acabe, anunciando a seca que viria.
  • Ele continuou fiel ao Senhor o longo e solitárioa período de espera na torrente do Querite.
  • Ele arriscou sua própria reputação quando orou para que o filho da viúva fosse ressuscitado.
  • Ele obedeceu à ordem dada por Deus para que ele se encontrasse com Acabe e com os falsos profetas no monte Carmelo.

Tais fatos são inquestionáveis. Ele realmente era um homem zeloso pelo Senhor. Mas este fato não o livrou da depressão. E, deste modo, encontramos um princípio fundamental para nós hoje. Ser um cristão fiel, dedicado e zeloso não significa que estaremos isentos de enfrentar a depressão. Nem devemos pensar que depressão significa que não estamos em comunhão com Deus. É interessante observar que a depressão na vida de Elias aconteceu logo após sua maior vitória espiritual. A pergunta que fazemos, então, o que levou o profeta a enfrentar a depressão?

02. AS CAUSAS E OS EFEITOS DA DEPRESSÃO EM ELIAS.

a) Primeiramente podemos afirmar que a depressão ocorreu após a exaustão física e emocional do profeta. Deus nos criou para operarmos dentro de certos limites fisiológicos e emocionais. Quando avançamos, indo além dos nossos limites, e permanecemos por um longo período nessa condição, sofremos as conseqüências. Quando olhamos a vida de Elias verificamos que ele viveu sempre no limite. Fora um homem procurado por Acabe e tido como seu inimigo número um. Enfrentou tempos difíceis no deserto, onde quase morreu de fome. Depois o encontramos numa confrontação com o povo de Deus e com os falsos profetas, que exauriu suas forças físicas e emocionais. Não bastasse tudo isso, o profeta correu uma verdadeira maratona de mais de 30 quilômetros! 1 Reis 18.46. G. Getz: “Todos nós temos um “sistema de alarme” físico que é ativado quando estamos sob estresse. É esse sistema que nos dá uma força física incomum para ficarmos sem dormir, fazermos o que pode ser considerado tarefas sobre-humanas e agirmos além de nossas habilidades normais. Mas, uma vez que essas atividades terminam, nosso sistema de alarme “desliga” e tudo volta ao normal. Quando isso ocorre, a depressão passa a ser previsível. Todas essas dinâmicas contribuíram para a repentina mudança de Elias – ainda que sua “explosão” de energia que o capacitou correr 32 km definitivamente tenha sido algo sobrenatural”. O homem é um ser psicossomático e isto implica que, quando sofremos fisicamente, por causa de uma enfermidade, o nosso emocional é afetado. A recíproca é também verdade. Quando sofremos emocionalmente, nosso corpo sofre. É possível afirmar que isso acontece na dimensão espiritual, pois se tivermos problemas espirituais, não deveríamos nos surpreender se também tivermos problemas físicos e psicológicos. Obviamente, tudo isso explica porque o profeta fugiu do problema. E o fato de exaurir-se física e emocionalmente levou-o a ter uma visão distorcida. Primeiro diante da ameaça de Jezabel, que o ameaçou de morte. Quem é Jezabel diante do Deus de Elias? O profeta não considerou isto. Depois, quando questionado por Deus afirma estar só. E Obadias? E os profetas que foram salvos por Obadias? Na verdade Elias demonstra um sintoma normal associado à depressão. As experiências negativas nos impedem de ver as verdades e os fatos positivos. Concentramo-nos nas coisas que nos desanimam.

b) A depressão ocorreu após uma decepção, uma frustração. Elias esperava por um avivamento em Israel. Esperava o arrependimento da nação. E esta esperança se intensifica após a reação do povo no Monte Carmelo (1Reis 18.39). Mas não é isto que acontece. Jezabel ao saber dos fatos ocorridos no monte Carmelo o ameaçou com morte! Ela decidiu permanecer e insistir na idolatria. Ao receber a mensagem da rainha, uma mudança acontece na vida do profeta. Sua alegria transformou-se em tristeza e sua coragem em medo. E ele se foi.

c) A depressão levou o profeta a isolar-se. A narração bíblica nos diz que ele fugiu para Berseba e “ali deixou o seu moço”. C. Swindoll: “Pessoas desencorajadas são pessoas solitárias. Só há espaço para uma pessoa debaixo de um zimbro no deserto. Debaixo dos galhos secos da desmotivação e solidão há somente uma pequena sombra”. Nós somos assim. Temos a tendência de nos isolar e não percebemos o quanto isto é prejudicial. Elias deveria ter ficado com um amigo de confiança, um companheiro que o estimulasse, dando-lhe coragem. Mas a natureza humana não funciona assim. “Quando ficamos desmotivados, a primeira coisa que procuramos fazer é ficar sozinhos. Normalmente esta é a pior decisão”.

03. COMO DEUS LIDOU COM A DEPRESSÃO DE ELIAS?

Deus encontrou o seu servo num momento de desmotivação e desespero. A depressão lhe era tão intensa que desejou a morte. Em sua oração disse: “Basta; toma agora, ó Senhor, a minha alma”. E nesta condição sentou-se debaixo de uma árvore e dormiu profundamente.

a) Em primeiro lugar Deus permitiu que o seu servo tivesse um momento de descanso. O Senhor, através de Seu anjo, o alimentou e permitiu que repousasse. Não há nenhuma reprimenda. Nenhum sermão ou repreensão. Deus não disse: “Vamos lá! Levante! Ao trabalho! Não sejas ingrato!” Deus providenciou uma refeição de pão quente e água fresca e o deixou descansar. Era preciso recobrar suas forças físicas. C. Swindooll: “O cansaço pode fazer que você mude de rumo. A fadiga pode levá-lo a todo tipo de estranhas alucinações. Ela pode fazer que você acredite numa mentira. Elias estava acreditando numa mentira, em parte por estar exausto. Então Deus lhe dá descanso e refrigério, o que o permitiu que, depois, Elias se levantasse para uma caminhada de quarenta dias e quarenta noites”.

Creio que isto é necessário não só no caso de Elias. É preciso repousar, descansar. Mas quero dizer que podemos prevenir a depressão, proporcionando um período de descanso. Deus nos ensina que é preciso repousar de nossas fadigas, por isso descansou no sétimo dia.

b) Depois ouviu a Elias. Como disse Deus não o condenou por sua atitude. Ao invés disso, pergunta: “Que fazes aqui Elias?” Deus queria entender. Não que Ele não entendesse, mas queria que o profeta expressasse, verbalizasse o seu problema. Certas vezes precisamos colocar para fora os nossos sentimentos, mas devemos fazê-lo de uma maneira responsável.“Independentemente de como estejamos nos sentindo, Deus está sempre disposto a nos ouvir. Ele não está esperando para bater em nossa cabeça e nos condenar quando decidimos compartilhar com Ele os nossos sentimentos – mesmo que eles possam ser negativos” (G. Getz).

c) Deus fez Elias entender e enfrentar a realidade. Para vencer a depressão é preciso entender e enfrentar a realidade. Expor os nossos sentimentos repetidamente não resolve os problemas emocionais. Na verdade, se repetirmos uma idéia errada durante algum tempo, temos a tendência de nos convencer que estamos certos. É preciso para de falar e somente ouvir o que os outros têm a dizer. A nossa ação deve basear-se na realidade.

Elias estava acreditando numa enorme mentira. “Estou sozinho. Sou a única voz de Deus. E ainda estão tentando me matar!” Vejam a resposta de Deus: 1Reis 19.11,12. Vento... terremoto... fogo. Deus não estava em nenhum destes fenômenos poderosos. Sua voz veio de um cicio, uma brisa suave. É como dissesse: Você não está só Elias, Eu estou com você.

E mais uma vez pergunta: “que fazes aqui, Elias? E de novo a expressão de autocomiseração. Mas Deus lhe mostra a realidade (1 Reis 19.15-18):

· Deus mostra ao profeta que ele ainda tinha um trabalho a fazer. Ele ainda era um homem de Deus.

· Deus lhe diz: você não está sozinho. C. Swindoll nos adverte que “nenhuma pessoa é suficientemente forte física, psicológica ou espiritualmente para fazer a obra de Deus”. Elias precisava aprender isto.

d) Deus lhe providenciou um amigo próximo (1 Reis 19.19-21). È interessante observar que Deus não lhe deu apenas um sucessor, mas alguém que o amava e o compreendia suficientemente bem para servi-lo e encorajá-lo. Todos nós precisamos de outros cristãos em nossa vida para nos ajudar e encorajar. É por isso que Deus estabeleceu a igreja, para vivermos em comunhão, em amizade e em encorajamento mútuo.

Gostaria de encerrar usando as palavras do Rev. Gene Getz:

“Os princípios para derrotarmos a depressão que podemos aprender com a maneira como Deus lidou com Elias são básicos para nos ajudar a derrotar qualquer tipo de depressão. Mesmo que as lutas que causam a depressão em nossa vida possam ser bastante distintas dos problemas de Elias, esses princípios são os mesmo quando tratarmos desse tipo de problema. Isso nos fornece uma estratégia básica e um ponto de partida para solucionar nossos problemas. Porém, se você já colocou esses princípios em prática durante algum tempo e não conseguiu curar a sua depressão, você deve consultar um médico – de preferência um psiquiatra cristão que entenda nossos problemas como um todo: física, mental e espiritualmente”.