Em
Hebreus 4.12-13 a Palavra de Deus é retratada como sendo uma espada de dois
gumes que corta penetrando o ser da pessoa, para expor e julgar seus
pensamentos e motivações mais íntimos. Com isso Deus penetra nossos corações
com sua Palavra e nos deixa descobertos diante de seus olhos. Aqui o texto nos
recorda um criminoso sendo levado ao tribunal ou para execução. Freqüentemente
um soldado segurava um punhal sob o queixo do criminoso para forçá-lo a erguer
a cabeça para que todos pudessem ver quem ele era. De modo semelhante, a
Escritura nos expõe o que realmente somos e nos força a encarar a realidade do
nosso pecado. Mas a Escritura também reprova o ensino errôneo. O apóstolo João
revela o poder da Palavra como verdade, quando diz que os crentes que vencem o
maligno o fazem porque são fortes e a Palavra de Deus permanece neles. Crentes
que têm um amplo entendimento da veracidade bíblica não são como crianças sem
discernimento, mas são como jovens fortes que podem facilmente reconhecer a
falsa doutrina, evitando ser "...como meninos agitados, de um lado para
outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens,
pela astúcia com que induzem ao erro". Jesus disse: "Não só de pão
viverá o homem, mas de toda a palavra que procede da boca de Deus". A
Escritura é o nosso alimento espiritual. Pedro disse que deveríamos desejar o
alimento da Palavra, com o mesmo desejo com que o bebê anseia pelo nutrimento
do leite. Tiago afirmou: "...despojando-vos de toda a impureza e acúmulo
de maldade, acolhei, com mansidão, a palavra em vós implantada..."(Tg
1.21). Esta é a nossa parte. Devemos receber a Palavra com um coração puro e
uma atitude humilde. Enquanto o fazemos, ela progressivamente renova e
transforma nosso pensamento, atitudes, ações, palavras, tornando-nos em pessoas
segundo o coração de Deus.
sexta-feira, março 27, 2015
segunda-feira, março 16, 2015
SOB AS ASAS DE DEUS - RUTE 2
Há uma expressão neste capítulo que
resume todo o seu conteúdo, a qual eu tomo emprestado para intitular a mensagem
de hoje: SOB AS ASAS DEUS. Boaz descreve Rute (v. 12) como alguém que buscou
abrigo sob as asas de Deus. Domingo passado, citando Warren Wierbse, disse: “Rute... creu no Deus de Israel (2:12).
Havia passado por provações e decepções, mas em vez de culpar a Deus, creu nele
e não se envergonhou de confessar sua fé. Apesar do exemplo negativo da família
desobediente do marido, Rute conheceu o verdadeiro Deus vivo, e seu desejo era
ficar com o povo de Deus e habitar na terra do Senhor. A conversão de Rute é
prova da graça soberana de Deus, pois os pecadores só podem ser salvos pela
graça (Ef 2:8-10). Tudo dentro dela e a seu redor representava uma série de
obstáculos para a fé, e, no entanto, ela creu no Deus de Israel”. Hoje
acrescentaria que Rute não só creu em Deus, mas buscou Nele abrigo. Assim, as
palavras de Jesus se cumpriram em Rute: Vinde
a mim todos os que cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei. Este é o
Deus a quem servimos, um Deus que sempre está pronto a nos amparar, dispensar
cuidados. Quando olhamos a história de Rute aprendemos que:
1.
SOB AS ASAS DE DEUS DESFRUTAMOS DE DIREÇÃO – Por trás de ações fortuitas, Deus nos direciona, ou
seja, aquilo que para nós é meramente “sorte”, “acaso”, “destino” na verdade é
Deus dirigindo nossas vidas segundo o Seu propósito. O capítulo 2 começa
introduzindo um novo personagem à história: Boaz. Ele era “uma ‘pessoa poderosa’ - alguém cuja riqueza e alta reputação em Belém
lhe deram forte influência entre seus pares” (cf. Hubbard Jr) e também
parente de Elimeleque.
A Bíblia nos diz que Rute, por
casualidade, entrou na parte do campo que pertencia a Boaz. Na minha
versão lemos: “por coincidêndia”. Um
estudioso bíblico declara sobre este versículo: “Temos aqui uma reafirmação da fé do autor na graciosa providência de
Deus. O escritor sabe, como também os leitores, que não foi uma
"sorte" ou "casualidade" acidental. O que para Rute foi uma
mera coincidência em um conjunto de circunstâncias não planejadas, entendemos
(como Noemi entendeu mais tarde naquele dia; 2:20) que foi parte da obra do
cuidado gracioso de Deus”. Quando buscamos a Deus e nEle nos abrigamos
podemos ter a certeza que Ele nos dirige os passos. “A vida
parece (como deve ter sentido Noemi em suas amargas experiências) um emaranhado
de fios desconexos. Mas a fé na graciosa providência divina traz consigo a
certeza de que aqueles fios emaranhados são apenas o avesso de uma tapeçaria,
cujo lado direito apresenta uma mensagem de esperança e graça”.
2.
SOB AS ASAS DE DEUS DESFRUTAMOS DE PROTEÇÃO – A Palavra de Deus nos ensina que Deus habita com
o contrito e o humilde de espírito. No versículo 2 vemos a iniciativa de Rute
em cuidar de sua sogra. Observe que Noemi não manda Rute sair e trabalhar. Ela
mesma diz: “Deixa-me ir ao campo, e apanharei espigas atrás daquele em cujos
olhos eu achar graça.” Rute se comprometeu com Noemi com uma dedicação incrível
e ela toma a iniciativa de trabalhar e sustentá-la. É possível também r, ver a
humildade de Rute. Ela sabe como tomar a iniciativa sem ser presunçosa. No
versículo 7, segundo o relato dos servos de Boaz, Ela disse: “Deixa-me colher espigas, e ajuntá-las
entre as gavelas após os segadores”. Ela não demanda uma parte da colheita.
Ela não pressupõe o direito de recolher mesmo. Tudo o que ela quer é recolher
as sobras depois que os ceifeiros terminarem e ela pede permissão até para
fazer isso. John Piper afirma que Rute “é
como uma outra mulher estrangeira que veio para Jesus e disse: “Senhor, até os
cachorrinhos comem as migalhas debaixo da mesa dos seus senhores”, à qual Jesus
respondeu, exaltando sua fé. Rute sabe tomar a iniciativa, mas ela não é
agressiva ou arrogante, mas mansa e humilde”. Por esta postura humilde Deus
dispensa do seu cuidado e proteção. É interessante observar que Boaz veio
supervisionar o trabalho dos segadores no momento em que Rute estava ali. E, ao
tomar conhecimento de de quem era ela, agiu com misericórdia:
vv. 8, 9 - “Então, disse Boaz a Rute: Ouve,
filha minha, não vás colher em outro campo, nem tampouco passes daqui; porém
aqui ficarás com as minhas servas. Estarás atenta ao campo que segarem e irás
após elas. Não dei ordem aos servos, que te não toquem? Quando tiveres sede,
vai às vasilhas e bebe do que os servos tiraram”.
vv. 14,15 – “À hora de comer, Boaz lhe disse:
Achega-te para aqui, e come do pão, e molha no vinho o teu bocado. Ela se
assentou ao lado dos segadores, e ele lhe deu grãos tostados de cereais; ela
comeu e se fartou, e ainda lhe sobejou.
Levantando-se ela para rebuscar, Boaz deu ordem aos seus servos,
dizendo: Até entre as gavelas deixai-a colher e não a censureis”.
Deus usou Boaz para dispensar sua
proteção sob Rute. John Piper afirma: “Por
que Deus deveria mostrar misericórdia para com Rute? Porque ela buscou refúgio
sob as suas asas. Ela contou com a proteção divina. Ela fixou seu coração em
Deus para sua esperança e alegria. E quando uma pessoa faz isso, a honra de
Deus está em jogo e Ele será misericordioso. Se você invocar o valor de Deus
como a fonte de sua esperança em vez de invocar o seu próprio valor como fonte
de esperança, então o firme compromisso de Deus para com o seu próprio valor
irá englobar todo o coração d’Ele para sua proteção e alegria”.
3.
SOB AS ASAS DE DEUS D ESFRUTAMOS DE RENOVAÇÃO
O capítulo 1 termina com a declaração de
Noemi: “Ditosa eu parti, porém o SENHOR me fez voltar pobre; por que, pois, me
chamareis Noemi, visto que o SENHOR se manifestou contra mim e o Todo-Poderoso
me tem afligido?”. É interessante observar que, muitas vezes, nós
focamos tanto nossos problemas e angústias que não percebemos o agir de Deus na
nossa história. Assim foi com Noemi. Tão angustiada com suas dificuldades e tão
amargurada da vida que não percebe que Deus pôs fim a fome em Belém e a dispôs
a voltar; também Lhe deu uma “filha” para acompanha-la e preservou um parente
de seu marido, para dar resgatar Rute e dar continuidade à família de Noemi. O retorno de Rute, ao final de um
dia de trabalho, trazendo surpreendentemente uma quantidade significativa de
cereal e também o que sobrou da refeição oferecida por Boaz a Rute, fez com que
Noemi percebesse o agir de Deus em sua própria vida. Wierbse afirma que “este
foi o primeiro evento feliz para encantar Noemi desde o cap. 1”. Descobriu-se, então, um regatador, alguém que
poderia dar continuidade à sua família. John Piper: “Rute trabalha até a tarde. E ela
volta para Noemi e dá-lhe as sobras do almoço e todo o grão (v. 17-19). Ela diz
o que aconteceu com Boaz, e a teologia de Noemi sobre soberania de Deus, no
versículo 20, lhe serve bem. Ela diz, “Bendito seja ele do SENHOR, que ainda
não tem deixado a sua beneficência nem para com os vivos nem para com os
mortos.”
"Eu acho que a bondade que ela se
refere é a bondade do Senhor. Deus tinha começado a mostrar bondade para com os
vivos e mortos. Foi o Senhor que parou a fome. Foi o Senhor que vinculou Rute a
Noemi em amor. Foi o Senhor que preservou Boaz para Rute. A luz do amor de Deus
finalmente rompeu brilhante o suficiente para Noemi ver. O Senhor é bom. Ele é
bom para todos que se refugiam debaixo das suas asas. Por isso, vamos cair em
nossos rostos, curvar-nos diante do Senhor, confessar a nossa indignidade,
buscar refugio sob as suas asas, e nos maravilhar com sua graça”, afirmou John Piper.
Segurança, refrigério, quietude,
auxílio, descanso, esperança: estas são as palavras associadas com as
"asas" de Deus. Jamais devemos esquecer que em todas as amargas
experiências que os filhos Deus enfrentam Deus tem traçando algo para a sua
glória. E se nós acreditarmos nisso e lembrarmos-nos disso veremos o revelar da
graça em nossas vidas.
quinta-feira, março 12, 2015
LIÇÕES DA PROVIDÊNCIA DIVINA
Em nossa caminhada com Deus muitas
vezes nós somos surpreendidos com situações que não compreendemos e que nos
causam angústia e dor. Ao longo da história do cristianismo vemos muitos homens
e mulheres que perderam suas vidas por amor a Cristo. Em 15 de fevereiro p.p., foi divulgado um vídeo na internet, cujo
título era "Uma mensagem assinada com sangue para a nação da cruz". Neste vídeo nós vemos reféns (cristãos coptas)
de mãos amarradas nas costas, ajoelhados e cruelmente sendo degolados por
terroristas do estado islâmico. Diante de um quadro destes muitos indagam: onde
está Deus? Se Deus existe, porque há tanto sofrimento no mundo? Deus é
bom e o homem é mau, afirma o Rev. Elben L. César, Deus age de um modo e os homens de outro. Podemos sempre esperar o
melhor da parte de Deus. Podemos sempre esperar o pior da parte dos homens. O Rev. A. W. Pink nos lembra que “devemos estar preparados para os reveses
que a Providência permite”.
O livro de Rute foi escrito no
período dos juízes. Um período, de aproximadamente 350 anos, que começou depois
da morte de Josué e terminou com a coroação do rei Saul. Esse tempo foi marcado
pela instabilidade política, o colapso moral e a
infidelidade espiritual. A BKJ afirma que este período foi “um tempo de apostasia, confusão, degradação moral e muita tristeza”.
O último versículo do livro de Juízes descreve bem este tempo: “Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava
mais reto”. É neste contexto de confusão e caos político, social e moral
que encontramos a história de Rute. John Piper afirma que “o livro de Rute é uma história que mostra como Deus se move de maneira
misteriosa, e maravilhosa. Essa é uma história para pessoas que se perguntam
onde está Deus quando não há sonhos, visões ou profetas. É para pessoas que
querem saber onde Deus está quando uma tragédia após a outra ataca a sua fé. É
uma história para as pessoas que se perguntam se uma vida de integridade em
tempos difíceis vale a pena”. Assim quero convidá-los a aprender, neste
livro, LIÇÕES SOBRE A PROVIDÊNCIA DE DEUS.
1ª
LIÇÃO: Alguns reveses que enfrentamos
são decorrentes de não crermos na providência de Deus. Um poeta inglês chamado William
Cowper disse: “Não julgue o Senhor com
débil entendimento, mas confie na Sua
graça. Atrás de uma providência carrancuda Ele esconde uma face sorridente”. O apóstolo Paulo nos ensina: “Sabemos que
todas as coisas cooperam para o bem d aqueles que amam a Deus, daqueles que são
chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28). Podemos não compreender e ficar perplexos diante de circunstâncias
que a vida nos impõe, mas devemos lembrar que Deus compreende e está no
controle de todas as coisas. Diante da crise que assolou a nação (talvez por
causa da sua infidelidade do povo a Deus), a qual trouxe fome e miséria,
Elimeleque decidiu sair da terra prometida, da “casa do pão” (Belém) ir morar
no estrangeiro entre aqueles a quem Deus havia proibido a nação de se misturar.
Tentou “ajudar” a Deus na resolução das suas dificuldades, em vez de confiar em
Deus. O Rev. Hernandes Dias Lopes afirma que “Elimeleque, Noemi, Malom e Quiliom escolheram fugir, em vez de
enfrentar a crise. Eles apostaram que a crise era irremediável e que o caminho
da fuga era a única rota de escape. Contudo, fugir nem sempre é a alternativa
mais segura e sensata. Na hora da crise, devemos olhar para Deus, em vez de
mirarmos apenas as circunstâncias. Quando somos encurralados pelas
circunstâncias adversas, precisamos acreditar que Deus está acima e no controle
delas”. Quais os resultados? Foram a Moabe em busca de sobrevivência e
encontraram a morte, foram em busca do
pão e lhes sobreveio a doença e a tristeza.
2ª
LIÇÃO: Deus é misericordioso e,
providencialmente, transforma o mal em bem. Viver a vida cristã não é viver por
meio de suas próprias forças, recursos e realizações. Viver a vida cristã é
viver mediante Cristo e mediante os recursos que Ele nos coloca a disposição.
Quando vivemos por meio de nossas próprias forças e capacidade (e isto é
religiosidade) a tendência é nos exaurirmos e cairmos extenuados, desanimados e
frustrados. Foi isso que ocorreu com família de Noemi. Por não crerem na
revelação de um Deus providente e buscarem nas próprias realizações a superação
da crise, falharam. Por isso Noemi declara: Não
me chameis Noemi; chamai-me Mara, porque grande amargura me tem dado o
Todo-Poderoso. Ditosa eu parti, porém o SENHOR me fez voltar pobre; por que,
pois, me chamareis Noemi, visto que o SENHOR se manifestou contra mim e o
Todo-Poderoso me tem afligido? Quando chegamos neste ponto
pensamos: não tem mais jeito. Deus não
voltará a ser misericordioso comigo. É assim que o inimigo quer que pensemos. Isaías
descreve o ministério de Jesus assim: Não
esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega. As vezes os
reveses da vida (que muitas vezes são frutos da nossa insensatez) nos fazem
sentir como um bagaço, inútil e sem valor. E a Palavra nos diz que Deus não
esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega. Deus não se livra daqueles que se viram
queimados pela vida. Deus nos restaura. Mais uma vez John Piper nos diz: Não só Deus reina em todos os assuntos dos
homens, e não só a sua providência, por vezes, é difícil, mas em todos as suas
obras são feitas para o bem e a felicidade de seu povo. Quem teria imaginado
que no pior de todos os tempos, o período de juízes, Deus estava se movendo em
silêncio nos dramas de uma única família para preparar o caminho para o maior
rei de Israel? Mas não só isso, ele estava trabalhando para preencher Noemi,
Rute, Boaz e seus amigos com grandes alegrias. Se alguma coisa aconteceu na sua
vida que fez o seu futuro parecer perdido, aprenda com Rute que Deus está
trabalhando nesse momento para dar-lhe um futuro de esperança. Confie nele,
espere pacientemente. As sinistras nuvens estão cheias de grande misericórdia e
vão liberar com as bênçãos sobre sua cabeça
“Nem
o Antigo Testamento nem no Novo Testamento prometem que os crentes vão escapar
das aflições da vida. Mas, suponha que a calamidade de Noemi foi devido à sua
desobediência. Isso faz com que a história seja duplamente encorajadora, porque
mostra que Deus deseja e é capaz até mesmo para transformar os seus juízos em
alegrias. Se Rute foi trazida para a família por causa do pecado, é duplamente
surpreendente que ela é feita a avó de Davi um antepassado de Jesus Cristo.
Nunca pense que o pecado de seu passado significa que não há esperança para o
futuro”. O Rev. Hernandes em seu comentário
deste livro nós trás algumas aplicações interessantes. Destacamos duas das suas
ênfases:
Em primeiro lugar, a
providência do Altíssimo é maior do que a tragédia humana. Deus
transforma vales em mananciais, nossas tragédias em cenários de esperança. Ele
enxuga nossas lágrimas, acalma a nossa dor e coloca os nossos pés na estrada da
mais esplêndida vitória ... Quando a
nossa causa parece perdida, com Deus ela não está perdida. Quando julgamos que
as circunstâncias suplantaram nossa esperança, o Deus que chama à existência as
coisas que não existem nos faz triunfar no deserto das nossas crises.
Em segundo lugar, as
tragédias humanas jamais podem anular os soberanos propósitos de Deus.
O livro de Rute é essencialmente um livro sobre a soberania de Deus. A
implicação por toda a obra é que Deus está vigiando Seu povo, fazendo acontecer
a eles o que é bom. O livro é a respeito de Deus. Ele governa sobre todas as
coisas e abençoa os que confiam nEle.
sexta-feira, fevereiro 20, 2015
ANDANDO CONSTANTEMENTE COM DEUS
No Salmo 16 Davi declara: “Tenho
sempre o SENHOR diante de mim. Com Ele à minha direita, não serei abalado”.
Aqui encontramos uma resolução feita pelo salmista: a de andar sempre na
presença de Deus. A Bíblia Viva expressa bem esta decisão: “Fiz do Senhor a
minha companhia constante”. Esta é, sem dúvida alguma, uma decisão importante
que todos nós deveríamos fazer e, além de decidirmos em andar com Deus, devemos
perseverar em manter intimidade com Ele. Andar com Deus é desfrutar de uma vida
plena e uma felicidade eterna. Você tem andado com Deus continuamente?
Davi nos diz que estando Deus ao
seu lado não seria abalado. A Bíblia Viva ao traduzir esta frase afirma:
Enquanto Ele (Deus) estiver ao meu lado, não tropeçarei. Com isso Davi não
estava dizendo que não enfrentaria situações difíceis, mas, sim, que em meio as
circunstâncias adversas, Deus estaria ao seu lado para mantê-lo de pé, Ele o
sustentaria. Esta é a mesma experiência do profeta Habacuque: Ainda que a
figueira não floresça, nem haja uvas nas videiras, mesmo falhando toda a safra
de olivas, e as lavouras não produzam mantimentos; as ovelhas sejam
sequestradas do aprisco, e o gado morra nos currais, eu, todavia, me alegrarei
no SENHOR, e exultarei no Deus da minha salvação! (Hc 3:17,18). Quando andamos
com Deus e desfrutamos de Sua amizade experimentamos o Seu cuidado em cada
momento, dirigindo-nos, orientando-nos e sustentando-nos. E assim desfrutamos
de uma felicidade que o mundo não conhece e nem pode nos proporcionar, pois ela
vem da intimidade com Deus. Mesmo diante do pior inimigo, a morte, não há
motivo para tristeza, porque Deus não nos abandona nas profundezas da morte;
Ele a venceu por meio da ressurreição! Somos em Cristo mais que vencedores! Eis
a exortação do SENHOR a nós hoje: Anda na minha presença!
quarta-feira, dezembro 31, 2014
REABERTO: SOB NOVA DIREÇÃO - REV. PAULO BRONZELI
“Logo,
já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho
na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou
por mim”
Gálatas 2.20.
Sim, após o fechado para balanço, à
luz da Palavra de Deus há dois caminhos, apenas dois: Aceitar o Senhorio de
Cristo e viver sob a direção dEle, ou rejeitar o Senhorio de Cristo e viver
tentando se equilibrar sob a direção de dois senhores. Qual a direção que o
‘fechado para balanço’ confirmou para a sua vida?
REABERTO, SOB NOVA DIREÇÃO é uma forma de
compreendermos que o velho homem morreu e que o novo homem nasceu. O apóstolo
Paulo, em Romanos 5.12-21 contrasta o primeiro homem, Adão, e Cristo, o segundo
Adão; através do primeiro homem entrou o pecado e a morte que passou para todos
os homens e, no segundo homem, Cristo, ’veio a graça sobre todos os homens para
a justificação que dá vida” 5.18b. Aos Efésios (e a nós também) o apóstolo
ensina que Jesus Cristo fez, tanto do judeu quanto do gentio, um novo homem,
fazendo a paz. (2.15) E, mais ainda, na condição de novo homem, temos acesso ao
Pai em um Espirito, (18), pertencemos à famÍlia de Deus (19) e somos edificados
sobre o fundamento que é Cristo Jesus (20). Aos Colossenses Paulo declara que a
natureza terrena deve morrer:
‘prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza que
e idolatria(3.5) e que o despojamento deve acontecer (ira, indignação, maldade,
maledicência, linguagem obscena do vosso falar) e que o revestimento do novo
homem deve acontecer (3.10). A linguagem figurativa de alguém que tira as
roupas velhas e veste roupas novas. Paulo insiste sobre o revestir-se. Romanos
13.14 ‘mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no
tocante às suas concupiscências’. Efésios 4.24 ‘e vos revistais do novo homem,
criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade’ e Colossenses
3.12 ‘revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos
afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de
longanimidade’.
O balanço feito certamente produz
resultados. Confirma a direção que se está seguindo. Propõe alteração de direção,
novo rumo. “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas
antigas já passaram; eis que se fizeram novas”. SOB NOVA DIREÇÃO implica em mudanças. A mente
é transformada. Mente transformada, transforma o corpo. A vitrine é
rearranjada. O corpo do cristão é templo do Espirito Santo. Romanos 12.1-2
‘Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso
corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto
racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela
renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e
perfeita vontade de Deus”. A língua é transformada. Efésios 4.25-32. ‘Por isso,
deixando a mentira, fale cada a um a verdade com o seu próximo...não sai da
vossa boa nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para
edificação...’ (25,29).
O ‘fechado para balanço’ realinha a
vida com Deus. “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de
toda a tua lama e de toda a tua força”; realinha a vida com o próximo. ‘Amarás
o teu próximo...’. A ninguém fiqueis
devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros; ..’Rm
13.8-10. Realinha a vida consigo mesmo. O modelo passa a ser Cristo. ‘Assim
como eu vos amei...’ Tome firma a decisão de não viver mais por si mesmo, mas
por Cristo que vive em você!
Rev. Paulo Bronzeli - Pastor da IP de Sapopemba
FECHADO PARA BALANÇO - REV. PAULO BRONZELI
“Sonda-me ó Deus e conhece o meu
coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho
mau e guia-me pelo caminho eterno”.
Salmo 139.23-24.
É uma
expressão usada pelas empresas ou lojas no final do ano e tem a finalidade de
avaliar tudo quanto foi feito durante o ano e quais as condições para iniciar o
novo ano. Outras placas podemos observar em outros tempos tais como: ‘sob nova
direção’, ‘estamos em reforma’ ‘volto logo’ ‘fechado para almoço’. Indicam
atividades necessárias e importantes, porém o ‘fechado para balanço’ tem o
propósito de avaliar cada um desses momentos e todos os outros ao longo do ano.
Na vida cristã também é necessário
o tempo de ‘fechado para balanço’. O profeta Jeremias aconselha o assentar-se
solitário e ficar em silencio
(Lamentações 3.28). Tempo de avaliar com profundidade, sinceridade, humildade e
com propósito definido de aprender do Senhor, como afirmou o salmista
‘ensina-nos a contar os nossos dias para que alcancemos coração sábio” Salmo
90.12.
Todos os cristãos são chamados a
edificar sobre o fundamento que é Cristo Jesus. Leia 1 Corintios 3.10-17. A
obra que cada um realizou será manifesta. Ela pode permanecer e pode se
queimar. Para permanecer é preciso conjugar a qualidade do material usado
(ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha) e o propósito da mente e
do coração. Tal avaliação ‘balanço’ precisa ser feito com total lisura (não
pode ser maquiado), isto é, nem o material e nem as intenções devem ser
alterados. É um exame preciso e precioso
pois definirá as diretrizes que devem ser seguidas para a nova etapa da
vida do cristão. Perguntas auxiliam a ser preciso e evitar erros ou falsas
interpretações. A primeira fase é de avaliação. Após um tempo a sós com o
Senhor e com as perguntas certas a segunda fase, de planejamento, poderá ser
iniciada com base nos resultados da avaliação. Como foi meu relacionamento com
Deus ao longo do ano? Deuteronômio 6.4-6. Quais são as implicações de ‘amar ao
Senhor de todo coração, de toda a alma e de toda a força’? Deus ocupou, de
fato, o primeiro lugar em minha vida ao longo do ano? Isso implica em avaliar
como o tempo foi usado, a mente foi alimentada, o corpo foi tratado. Como foi
meu relacionamento com o meu próximo ao longo do ano? Lucas 5.43-48. Tal avaliação certamente alcançará
meu relacionamento até com aquele que é
meu inimigo e as orações que faço em relação a eles. O modo como tratei minha
família, tanto a de sangue quanto a da fé. Segui as orientações da Palavra do
Senhor sobre esse relacionamento? Qual foi o meu procedimento com as funções e
ou ofícios que me foram confiados, seja por eleição ou nomeação? 1 Cor.
3.10-17. Procurei inteirar-me quais as ações e ou tarefas inerentes ao
cargo/ofício? Busquei ajuda? Quando entramos em uma loja sempre surge alguém
com a pergunta ‘posso ajudar?’. Atendi todos os requisitos do ofício e função?
Há algo que ainda não fiz e devo fazer? Examinando-me, preciso do auxilio
do Senhor, para não ser nem complacente e nem intransigente. O Senhor faz a
sondagem completa, precisa e fiel. Orienta com firmeza, segurança e amor. Nas
cartas às igrejas da Ásia, Apocalipse 2 e 3 há lições preciosas para todos nós,
destaco 3.18 ‘Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo....,
vestiduras brancas...e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas’.
Fechado para balanço!?
Rev. Paulo Bronzeli, pastor da IP de Sapopemba
domingo, dezembro 21, 2014
QUE DAREMOS A JESUS?
Em Mateus 2.11 lemos: “Entrando na
casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e, abrindo
os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra”. Aqui
está, pelo que se sabe, a origem de se dar presentes no Natal. Os magos levam a
Jesus ouro, incenso e mirra. Com o desenvolvimento do capitalismo, que
transforma tudo em bem de consumo, abusamos de comprar presentes. Para muitos o
sentido do natal se esgota nisso: pacotes, cartões, surpresas e presentes,
muitos presentes! O que eu vou dar para as crianças este ano? E para o meu pai,
o que vai ser? E os sobrinhos todos? Você já deve ter experimentado a angústia
que é escolher um presente para alguém. Contudo, é natal, Jesus nasceu! È tempo
de festa, alegria e comemoração! É tempo de celebrar o aniversário do Salvador.
Qual o presente que você dará a Jesus? Mas o que se pode dar a um Rei? Ele já
tem tudo. Tornar-se difícil oferecer-Lhe algum presente. Creio que os magos
podem nos dar uma boa dica. Primeiro: Dê ouro a Jesus, neste tempo que
comemoramos a Sua visita ao nosso mundo. Ouro? Sim! Dê a Jesus aquilo que tem
mais valor para você que qualquer outra coisa. Dê a Ele o seu maior tesouro. O
seu melhor bem. Entregue-Lhe a sua vida! É isso mesmo! A sua VIDA. Assim como
é. Tome todas as suas virtudes e ofereça-as a Jesus. Mas, ajunte também, todos
os seus defeitos e leve-os ao Senhor. Vá a Ele com seus pecados. Com tudo o que
você é, e diga-lhe: “Senhor, aqui está o meu tesouro: eu mesmo. É tudo o que eu
posso ofertar-Te”. Ofereça sua vida a Jesus, hoje. Ela vale ouro.
A Palavra de Deus apresenta-nos o incenso como símbolo da oração. E aqui
está um segundo presente que podemos ofertar a Jesus: uma vida de oração. Orar,
como você sabe é conversar com o Senhor. Saiba que o Rei dos reis fica alegre
quando você e eu conversamos com Ele! Que bênção é poder falar com Deus, uma
vez que Ele poderia nem querer ouvir seres tão pequenos quanto nós! Uma
pergunta: como vai sua vida de oração? Reclamamos da falta de diálogo que há
entre pais e filhos, entre marido e mulher, entre amigos e entre os diversos
segmentos da sociedade. Só que nos esquecemos de que nós mesmos temos falhado
muito nessa área, em relação Àquele que muito nos amou. Balbuciamos algumas
palavras na hora de dormir, antes de alguma refeição, ou quando passamos algum
aperto. Que tal fazer diferente este ano? Reformulemos nossa vida de oração,
abrindo verdadeiro diálogo com Jesus. A oração é a chave que Ele mesmo nos deu
para abrirmos as portas mais emperradas que se nos apresentam.
Se podemos entregar a Jesus ouro (nossa vida), e incenso (vida de
oração), também podemos oferecer-Lhe mirra, que é um perfume e que simboliza o
bom testemunho daquele que anda na presença do Senhor e O manifesta por aonde
vai. A Palavra nos ensina que “nós somos
para com Deus o bom perfume de Cristo” e que, por meio de nós, Deus
manifesta em todo o lugar a fragrância do seu conhecimento. Você já pensou em
ser um vaso de perfume? Pois é isso que o Senhor quer que sejamos: vasos que
manifestem o caráter de Jesus em tudo e em todo lugar. Sei de pessoas que foram
interpeladas por estranhos, que lhes perguntaram: “Você é crente?”. E diante da
resposta afirmativa, ouviram: “Só podia ser! Eu logo percebi!”. Que maravilha!
Estavam manifestando, por sua maneira de ser, a pessoa de Jesus! Quer oferecer
ao Senhor um presente que realmente irá agradá-Lo? Pois Lhe ofereça mirra: a
disposição de manifestar o caráter de Jesus em todo o lugar, em todo o tempo!
É Natal, sim! Tempo de alegria, festas e folguedos. Mas tempo de
presentear Aquele que nos deu o maior presente de todos: Jesus e a Vida
Eterna!
quarta-feira, dezembro 17, 2014
Rev. José M. da Conceição - O Primeiro Pastor Presbiteriano Brasileiro

Hoje, 17 de Dezembro, a Igreja Presbiteriana comemora o dia do pastor presbiteriano. Esta data foi escolhida por ser a ordenação do primeiro
pastor presbiteriano brasileiro, o Rev. José M. da Conceição. Conceição
nasceu em 1822 e em 1845 tornou-se padre, tendo estudado no seminário diocesano
em Sorocaba. Pelas amizades que mantinha com estrangeiros protestantes e o
gosto pela leitura da Bíblia recebeu a alcunha de “Padre Protestante”. Por
causa desta fama, conforme o Rev. Alderi nos informa, “o bispo D. Manoel Joaquim Gonçalves de Andrade passou a transferi-lo
com frequência de uma paróquia para outra: Piracicaba, Monte-Mór, Limeira outra
vez, Taubaté, Ubatuba, Santa Bárbara e por fim Brotas, onde chegou em 1860”.
Em 1863 Conceição recebeu a visita
do Rev. A. Blackford, com quem manteve uma boa amizade. Em 23/10/1864 cedeu às
exortações do Evangelho e fez sua pública profissão de fé e batizou-se na
Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro.
Um dia após a organização do
primeiro Presbitério, o do Rio de Janeiro, composto pelas igrejas do Rio, São
Paulo e Brotas, Conceição foi ordenado pastor presbiteriano em 17/12/1865, após
cumprir as exigências para tal. Observamos alguns fatos importantes
na vida deste servo de Cristo:
1.
Foi um homem transformado pela Palavra de Deus. “Desde os dezoito anos travou contato com a Bíblia,
descobrindo conflitos entre os seus ensinos e certas práticas e doutrinas
católicas. Certa vez, ao repreender o seu professor de desenho, o francês
Carlos Leão Baillot, por tê-lo VISTO andar na igreja com o boné na cabeça,
ouviu dele palavras que nunca esqueceu: “Menino, aprende em tua Bíblia a
distinguir a alegoria da religião. O fim da Bíblia é ensinar-nos a amar a Deus
sobre tudo e depois amarmo-nos uns aos outros como bons irmãos, filhos de um só
Pai que está no céu. Ouves, meu menino?” Relacionou-se com protestantes e
sentiu-se atraído por eles, levado pelo bom testemunho de suas vidas
religiosas. Em Ipanema, visitou a família inglesa Godwin e as casas dos
alemães, impressionando-se com a maneira respeitosa como guardavam o domingo e
com a prática da leitura da Bíblia e de livros religiosos” (Rev. Alderi). A
Bíblia nos diz que a fé vem pelo ouvir a Palavra de Cristo.
2.
Foi um homem usado pelas mãos de Deus. A
mensagem de Deus àqueles que por Ele são transformados é: “Ide e pregai o
Evangelho a toda criatura”. Conceição foi um homem cônscio desta
responsabilidade e quase o ouvimos falar
como Paulo: “Ai de mim se não pregar o Evangelho” (1 Co 9.16). Dois meses
depois da sua ordenação, Conceição desapareceu. Deixou um bilhete dizendo que
não o esperassem. Mais tarde descobre-se o que houve, em seu relatório ao
Presbitério ele diz: “Aos 28/02/1866 saí de São Paulo pregando o Evangelho.
Tomei a estrada do sul para Sorocaba. Visitava as casas da estrada e pregava
onde havia oportunidade” (SP, Cotia, Uma, Piedade, Sorocaba e retorna por São Roque, Cotia e SP).
Aplicação:
·
Deus usa
homens/mulheres que verdadeiramente foram transformados pela Palavra
· Deus usa homens/mulheres que se dispõe a serem usados
por Deus
·
Deus usa
homens/mulheres que se comprometem com Seu Reino e Igreja.
quinta-feira, dezembro 11, 2014
POR QUE EU PRECISO DA IGREJA?
Esta é uma questão deveras importante. Vivemos em uma época em que muitos
afirmam ser possível ser cristão autêntico sem a igreja, ou seja, não preciso
de uma instituição para ser o que sou. É
preciso que se diga, antes de qualquer outra coisa, que tornar-se cristão é uma
experiência individual e pessoal. Ser cristão trata-se de um relacionamento
íntimo e pessoal com Deus. Não consiste em nascer num lar cristão ou fazer
parte de uma família cristã. Mas, sim, de uma experiência pessoal com Cristo, a
qual a Bíblia denomina de novo nascimento. Jesus mesmo declarou que “quem não
nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus” (João 3:5).
Francis Schaeffer acertadamente nos diz que “não há nenhum meio de começar a vida
cristã excet através da porta do nascimento espiritual, do mesmo modo como não
há como alguém de começar a vida física exceto através da porta do nascimento
físico”.
Embora o cristianismo seja uma experiência individual não é
individualista. O nascimento espiritual nos introduz no corpo de Cristo e,
assim, somos membros uns dos outros. Esta metáfora, que descreve a igreja de
Cristo, é fundamental para compreendermos a importância da igreja local e a
comunhão que deve existir entre os cristãos. Um dos grandes perigos que
enfrentamos como cristãos é o da apostasia. Apostatar é não permanecer em
Cristo e no Seu Evangelho até o fim. Paulo, o apóstolo, nos exorta: “Aquele que
pensa estar em pé, cuidado para que não caia” (1 Coríntios 10:12). Na carta aos
Hebreus lemos: “Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós
perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo; pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada
dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido
pelo engano do pecado” (Hebreus 3.12,13). Comentando esta passagem Stuart
Olyott afirma: “Todos nós que professamos seguir a Cristo temos de reconhecer
que não estamos isentos de apostatar. O uso do apóstolo das palavras ‘qualquer’
e ‘nenhum’ ressalta justamente isso. Cada um de nós deve temer (Hebreus 4.1).
Podemos crer que estamos a caminho do céu, mas é possível que não cheguemos
lá”. A marca de um verdadeiro cristão é
a perseverança. Jesus afirmou: “Aquele, porém, que perseverar
até o fim, esse será salvo” (Mateus 24.13). Por isso somos estimulados à
comunhão, devemos exortar, encorajar “uns aos outros todos os dias, durante o
tempo que se chama Hoje, para que nenhum
de vós seja endurecido pelo engano do pecado”
(Hebreus 3.13). Paul David Tripp nos ensina que “discernimento pessoal é
produto da comunidade”, pois “preciso de você para realmente me ver e me
conhecer. Caso contrário, eu escutarei meus próprios argumentos, acreditarei em
minhas próprias mentiras, e aceitarei meus próprios enganos. A percepção que
tenho de mim mesmo é tão exata quanto aquele espelho que distorce em um parque
de diversões. Se eu vou me enxergar de maneira clara preciso que você segure o
espelho da Palavra de Deus à minha frente”. Portanto para eu perseverar na fé é
essencial participar da comunhão daqueles que se acham em Cristo. Devemos nos
aproximar uns dos outros e permitir que outros se aproximem de mim. Devemos nos
estimular e encorajar mutuamente para seguirmos adiante em direção ao alvo que
é Cristo. Lembre-se: precisamos uns dos outros. Salomão nos diz que “melhor é
serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque se caírem,
um levanta o companheiro; ai, porém, do que estiver só; pois, caindo, não
haverá quem o levante” (Eclesiastes 4.9,10).
sexta-feira, outubro 24, 2014
A ALEGRIA DA NOSSA SALVAÇÃO - Lucas 15.1-7
As parábolas contadas por Jesus em
Lucas 15 têm o mesmo pano de fundo histórico. Jesus era criticado pelos
fariseus e pelos escribas por receber e comer com publicanos e pecadores e em
resposta a estas críticas Jesus contou-lhes estas parábolas. Warren Wiersbe
afirma que “Jesus usou essas parábolas
para refutar as acusações de escribas e fariseus escandalizados com seu
comportamento. Já era problemático Jesus receber de braços abertos esses
marginalizados e ensiná-los, mas chegava ao cúmulo de comer com eles! Os
líderes religiosos judeus não haviam entendido que o "Filho do Homem veio
buscar e salvar o perdido" (Lc 19:10). Mais do que isso, não conseguiam
enxergar que eles próprios estavam entre os perdidos”. Devemos lembrar que
no contexto do Oriente Médio há um profundo significado cultural da comunhão à
mesa. J. Jeremias nos lembra que “convidar
um homem para uma refeição é uma honra. É uma oferta de paz, confiança,
fraternidade e perdão, em suma, compartilhar de uma mesa significa compartilhar
da vida... Desta forma, as refeições de Jesus com os publicanos e pecadores...
são expressões da missão e da mensagem de Jesus”. Nos evangelhos aprendemos
que “os sãos não precisam de médico, e sim os doentes”; Jesus veio chamar
pecadores e não os justos (Marcos 2.17). Uma das verdades bíblicas mais
confortadoras é a Doutrina da Graça. Ela nos ensina que nenhum homem tem o
poder de buscar a Deus; Deus tem que buscá-lo primeiro. Foi o próprio Jesus que
disse: “Ninguém pode vir a Mim se o Pai que Me enviou não o trouxer” (João
6.44). O homem encontra-se morto em seus delitos e pecados, incapaz de crer na
Palavra de Deus. Mas o Espírito Santo o vivifica, regenera, fazendo-o
contemplar a graça que provém de Deus, através dos méritos de Cristo, pela
justiça que Ele proveu na cruz. E assim o homem pecador pode ser declarado
filho de Deus. Sem dúvida nenhuma esta é uma verdade que nos enche de alegria,
onde o nosso coração arde de gratidão por esta dádiva divina. A parábola da
ovelha perdida é usada por Jesus para nos ensinar esta verdade. Ela fala—nos do
criador de ovinos que perdeu uma de suas ovelhas para ilustrar a graça de Deus
que é dispensada ao homem pecador e que se afastou de Deus. É interessante
Jesus comparar o homem a uma ovelha. Há duas possibilidades de uma ovelha se
perder do rebanho. A primeira é que, devido a sua curta visão, ao afastar-se do
rebanho, torna-se difícil o agregar novamente. A outra razão é por não se
contentar com a pastagem onde o rebanho se encontra e sai a procura de outros
pastos. Jesus quer salientar o quão fácil é ao homem afastar-se de Deus! Por
qualquer descuido ou distração nos afastamos de Deus. Naturalmente temos a
tendência de nos distanciar de Deus. Mas o Evangelho de Jesus é o Evangelho da
graça! Nesta história vemos a graça de Deus, de forma clara e objetiva,
manifestando o amor de Deus na busca do homem pecador. Jesus nos ensina nesta
parábola sobre A ALEGRIA DA NOSSA
SALVAÇÃO. Devemos nos alegrar porque a nossa salvação é fruto do amor
gracioso de Deus, é evidenciada pelo arrependimento e, por último, tem como
resultado a comunhão com Deus e seu povo.
1)
A ALEGRIA DA NOSSA SALVAÇÃO É FRUTO DO AMOR GRACIOSO DEUS - De uma
maneira muito clara e objetiva Jesus destaca que o amor gracioso de Deus por
homens pecadores. Sua parábola começa dizendo: “Qual, dentre vós, é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma
delas, não deixa no deserto as noventa e nove e vai em busca da que se perdeu,
até encontrá-la?”. O amor de Deus
não é um sentimento estático e nem mesmo um sentimento abstrato. Jesus mesmo
declarou: “O meu mandamento é este: que vos amei uns aos outros, assim como eu
vos amei. Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos” (Jo 15.13).
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito para que todo o que nele crê não pereça,
mas tenha a vida eterna”. O amor de Deus é dinâmico, porque Deus é quem procura
e providencia a salvação para o homem perdido. Certo pastor acertadamente
afirma que “o amor de Deus não é
estático, mas dinâmico, no sentido de que Deus é quem procura e providencia a
salvação para o homem perdido, considerando-o justificado mediante os méritos
graciosos e suficientes de Jesus Cristo”.
2)
A ALEGRIA DA NOSSA SALVAÇÃO É EVIDENCIADA PELO ARREPENDIMENTO. Na parábola da ovelha perdida observamos que a
ovelha nada fez para ser achada, a não ser o fato de se perder. Simon
Kistemaker lembra-nos que “as ovelhas são animais gregários; vivem
juntas em grupo. Quando uma ovelha se separa do rebanho, fica desnorteada.
Deita no chão, imóvel, esperando pelo pastor”. Na parábola o pastor
encontra a ovelha. E depois, na conclusão, Jesus nos fala sobre a alegria de um
pecador que se arrepende. F.F. Bruce
obsersa que “na comparação entre a
alegria do pastor e a alegria no céu por um pecador que se arrepende,
precisamos observar que o destaque está na alegria, e não no arrependimento,
pois a ovelha, evidentemente, não experimentou um arrependimento consciente.
Nem a ovelha nem a moeda podem se arrepender; isso talvez sugira que o
arrependimento do pecador seja uma dádiva de Deus, resultado de ter sido
achado, e não a condição para ser achado”. Com isso podemos afirmar que o
arrependimento não é uma condição prévia para se alcançar o favor de Deus. Para
os fariseus o arrependimento era uma maneira de entrar no reino de Deus, mas o
ensino de Jesus nos mostra que o arrependimento é uma resposta ao reino que
chegou. Assim o arrependimento é uma obra pela qual o homem justificado se
mostra justo. Arrependimento significa “passar
por uma mudança de mente e sentimentos”, “fazer uma mudança de princípios e
práticas”. Essa mudança profunda e radical ocorre quando, pela graça de
Deus, compreendemos o amor gracioso de Deus por nós pecadores. O fato de termos
recebido uma nova vida pelo favor de Deus, leva-nos a demonstrar gratidão a
esse Deus que nos ama, adequando nossas vidas ao ensino, a ética e aos valores do
Reino de Deus. Nossa salvação é evidenciada pelo arrependimento, por um viver
santo que honre e glorifique o Deus que nos salvou.
3)
A ALEGRIA DA NOSSA SALVAÇÃO RESULTA EM COMUNHÃO COM
DEUS E SEU POVO. Deus não só salva o homem pecador,
mas também o restaura: “Achando-a, põe-na
sobre os ombros, cheio de júbilo” (v. 5).
A ovelha precisa ser achada e depois precisa ser levada de volta ao
aprisco, ao convívio das outras ovelhas. No versículo 6 lemos: “E,
indo para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo,
porque já achei a minha ovelha perdida”. Aqui encontramos um convite para participarmos da alegria com a conversão
dos pecadores, uma alegria que se expressa comunitariamente. Certo pastor
contemporânea declarou: “Jesus está nos
ensinando aqui que a alegria, em primeira instância, deve ser expressa e
compartilhada em comunidade, na igreja. Isso implica na recepção do homem
pecador no seio da igreja e no cuidado que esta deve prestar a este homem... Os
novos discípulos devem ser integrados na vida da igreja”.
Somos salvos e restaurados no Corpo
de Cristo, a família de Deus. É na comunhão cristã que encontramos o ambiente
propício para desenvolvermos a nossa salvação, crescermos em santidade,
servindo a Cristo com os nossos dons.
Warren Wiersbe declarou que “quando um pecador se entrega ao Salvador,
sua alegria é quadruplicada. Apesar de a história não dizer coisa alguma a
respeito de como a ovelha se sentiu, certamente o coração da pessoa encontrada
enche-se de alegria. Tanto as Escrituras (At 3:8; 8:39) quanto nossa
experiência pessoal comprovam a alegria da salvação”.
quarta-feira, outubro 22, 2014
ENQUANTO O SENHOR NÃO VEM - 1 Tessalonicenses 5.1-11
Vimos
que a doutrina da 2ª vinda de Cristo estava trazendo alguns
problemas à igreja de Tessalônica. Alguns estavam confusos, achando
que os cristãos que morreram antes da 2ª vinda estavam perdidos.
Outros achavam que a vinda era tão próxima que abandonaram o
trabalho e viviam ociosos e dependentes de outros. Paulo os lembra
que assim como Deus ressuscitou a Cristo também ressuscitará os
cristãos que já morreram. Também os exorta a viver de modo digno e
não como parasitas dando um mau testemunho. Pois bem, nos versículos
iniciais do capítulo 5, o apóstolo fala acerca do cronograma da
volta de Cristo. Deixa claro a eles que o dia da volta ninguém sabe,
somente Deus o sabe (Mt 24.36). Ela será repentina, como um ladrão
que invade uma casa. Assim, Paulo nos apresenta alguns conselhos para
aqueles que estão Esperando o Senhor voltar. Quais seriam as
atitudes corretas que os cristãos devem apresentar enquanto Jesus
não vem? Esta é a questão aqui. 1.
Enquanto o SENHOR não vem, vivamos como filhos da luz.
“Porque outrora vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor.
Vivam como filhos da luz” (Efésios 5.8). O cristão é alguém que
foi trazido para a luz. É alguém totalmente diferente do que era
sem a graça de Deus. “As trevas pertencem ao velho homem, e a luz,
de fato, relaciona-se com o homem novo” (Agostinho). Jesus declara
de Si mesmo como a Luz do mundo. “Eu sou a Luz do mundo; quem me
segue não andará nas trevas, pelo contrário terá a luz da vida”
(Jo. 8.12). Como cristãos, somos ordenados a viver neste mundo como
uma luz intensa (Mateus 5.14-16). Viver como filho da luz é viver em
santificação, consagração a Deus. E o método bíblico de
santificação é o de compreender a verdade e depois aplicá-la. Daí
a oração de Jesus: Santifica-os na Verdade; a Tua Palavra é a
verdade”. O Rev. James Kennedy nos lembra que o pecado tem um
"poder corruptor", o qual age em nós "contaminando
nossa personalidade, mente e ações". "Santificação é o
processo de retirar essa corrupção" e, "se amamos a Deus,
deveríamos estar dispostos e ansiosos para obedecê-lo (...)
santificação é um mandamento". A santidade é um processo
contínuo e envolve luta, pois, como nos diz Packer, "a
santidade é uma experiência de conflito". Paulo nos fala de
uma tensão entre a carne e o Espírito: Porque a carne luta contra o
Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes se opõem um ao
outro, para que não façais o que quereis (Gálatas 5.17). Assim
devemos ser perseverantes no caminho da santidade. O autor aos
Hebreus nos ensina a seguir a santidade (Hb 12.14). E isto envolve
nos sujeitarmos ao Espírito de Cristo. A Bíblia nos ensina que o
Espírito Santo opera por meios – os meios de graça, a saber: a
Palavra, oração, comunhão, adoração e a ceia do Senhor. Nesse
processo é mister o nosso envolvimento através da disciplina e o
esforço. "A formação de hábitos é a maneira normal pela
qual o Espírito Santo nos leva para a santificação". 2.
Enquanto o SENHOR não vem, vivamos sempre alerta. O
apóstolo lhes diz
que não deveriam dormir, Ignorar aviso mas vigiar. Embora a vinda de Cristo seja
repentina e possa pegar
os incrédulos despreparados, isto não deverá acontecer com o
cristão. Nós sabemos que Cristo virá e devemos estar prontos para
encontrá-Lo a qualquer momento. Estar vigilantes é estar
desenvolvendo uma intimidade com Deus, em comunhão com Ele por meio
da oração. Certa vez ouvi que aqueles que não vivem intimamente
com Deus hoje, porque deveriam acreditar que na eternidade
desfrutariam? Visto
que o céu é estar com Jesus, estar com Jesus é o céu. E podemos
estar com Ele agora. Como cristãos, é nosso imenso privilégio
comungar com Cristo diariamente, ouvir Sua voz na Bíblia, buscá-lO
em oração, partilhar com Ele nossas ansiedades e preocupações,
expressar-Lhe o nosso amor e a nossa adoração. Chegamos a Cristo
com pedidos por nossas necessidades e pelas dos outros, e pelo
progresso do Seu reino. Recebemos dEle direção, fortalecimento e
consolo. Não seria isso prelibar o céu?(Rev.
Edward Donnelly). 3.
Enquanto o SENHOR não vem, vivamos com sobriedade.
Aqueles aguardam a vinda de Cristo permanecem acordados e não se
embriagam como as pessoas do mundo. Ser "sóbrio" significa
ser moderado, temperado, em todas as coisas - no comer, no beber, no
falar, no vestir, etc..
Deus,
pela pena inspirada de Pedro, exorta-nos a que sejamos sóbrios em
tudo, e isto acopla também a sobriedade espiritual, pois o diabo,
nosso adversário, anda ao redor de nós, bramando e rugindo como
leão, buscando a quem possa tragar. Muito facilmente, mesmo novas
criaturas, podemos perder o controle e deixarmos de ser sóbrios.
Cuidado, as consequências podem ser graves. Cuidado, porque nós
somos débeis e fracos e o inimigo das nossas almas é forte, astuto
e mau. "Nós, que somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo-nos
da couraça da fé e do amor, tendo sempre por capacete a esperança
da salvação..."
(I Tessalonicenses 5:8). Santidade, vigilância e sobriedade são os
requisitos necessários para aqueles que aguardam a segunda vinda de
Jesus!
segunda-feira, outubro 20, 2014
O CASAMENTO É UMA ALIANÇA - Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu (Cantares 6.3)
Cântico dos Cânticos é um livro da
Bíblia inteiramente dedicado ao romance, ao amor e à intimidade entre o homem e
sua mulher. É a celebração do amor como dádiva de Deus. Salomão compreendeu as
alegrias e virtudes do amor conjugal e escreveu esta canção tão bela. Como
disse certo pregador em nossos dias, “Cântico
dos Cânticos é certamente uma canção de amor. Não é só a melhor canção de amor
que Salomão compôs, mas, acima de tudo, a canção de amor inspirada por Deus e
preservada na Escritura”. Neste livro Deus fala-nos sobre a arte de amar,
ensina-nos sobre como deve ser o amor entre um homem e uma mulher. Portanto,
bem-aventurados seremos se, atentamente, aprendermos deste livro. Permita-me,
ainda que de forma sucinta, lembrar-lhes o enredo deste poema. Sulamita e seus
irmãos trabalham para Salomão cuidando de suas vinhas (8:11-14). Disfarçado de
pastor, o rei Salomão visita suas vinhas, vê a Sulamita e se apaixona por ela
(1:1 - 2:7). Ela descreve o tempo que passam juntos como um rico banquete. Na
primavera seguinte, ele a pede em casamento, e ela aceita. Contudo, o amado
precisa ausentar-se algum tempo com a promessa de voltar. Na ausência do amado,
a Sulamita sonha com ele (3:1-5). Então, ele volta e lhe revela que é o rei
Salomão. Eles se casam e consumam a união na noite de núpcias (3:6 - 5:1). A
declaração da Sulamita é feita em resposta ao questionamento das mulheres
acerca da ausência do amado. As mulheres a indagam: PARA ONDE FOI O TEU AMADO?
Ela afirma: EU SOU DO MEU AMADO, E O MEU AMADO É MEU. Assim ela nos “apresenta os padrões determinados por Deus
para o casamento, ilustrando os privilégios maravilhosos e as responsabilidades
sérias que o marido e a esposa têm para com Deus e um para com o outro”,
conforme nos ensina Warren Wiersbe. Portanto, aprendemos aqui que O
CASAMENTO É UMA ALIANÇA. O Rev. Van Groningen corretamente nos diz que “o casamento é uma aliança estabelecida por
Deus, instituída por Deus, e vivida diante de Deus, para expressar
simbolicamente a união de Deus e seu povo por meio de um amor real”. Assim
devemos compreender o casamento como um relacionamento pactual estabelecido por
Deus e seus votos são feitos a Deus. O Profeta Malaquias nos diz: “o SENHOR foi testemunha da aliança entre ti
e a mulher da tua mocidade (...) sendo ela a tua companheira e a mulher da tua
aliança (...) Portanto, cuidai de vós mesmos, e ninguém seja infiel para com a
mulher da sua mocidade”. O propósito do casamento não é fazer o homem
feliz, mas, sim, glorificar a Deus e fazer com que a geração seguinte conheça a
glória de Deus. Portanto, o casamento é uma aliança que (1) requer dependência
e unidade, pois exige uma entrega total de cada um para o outro; (2) requer
fidelidade, pois fundamenta-se nas promessas mútuas; (3) requer a presença de
Deus.
1)
O CASAMENTO É UMA ALIANÇA QUE REQUER DEPENDÊNCIA E UNIDADE , POIS EXIGE UMA
ENTREGA TOTAL DE CADA UM PARA O OUTRO. Na criação
da mulher devemos notar a necessidade que o ser humano tem de companheirismo. O
homem não foi feito para a solidão, mas para a comunhão, para a comunicação com
o outro. “Deus fez a mulher e o homem de modo que a fusão de ambos resulte na
verdadeira felicidade”. Eu sou do meu amado e o meu amado é meu. Num casamento
nos pertencemos um ao outro. Há também a ideia de complementariedade. O que
falta ao homem, a mulher supre, o que falta a mulher, o homem supre. A
independência que tiveram até aqui é substituída por uma dependência em amor,
amizade e respeito. O eu, o meu, saem
para dar lugar ao nosso. Não são mais dois, mas uma só carne. No romance de Shakespeare, depois que o
leitor sonha com o encontro, Romeu e Julieta morrem. Eu creio que não pode ser
outra coisa que deva acontecer no altar senão isto. Ambos se tornam uma só
carne. É Deus quem os juntou. E esta união deve ser a mais completa possível.
Deve haver união de corpos, de propósitos, mas acima de tudo, uma união de
alma. E esta união espiritual é a mais importante de todas, pois é a união da
fé, da esperança e do amor que vem de Deus. O casal deve ter a mesma fé em
Deus. Eu e minha casa serviremos ao Senhor e, assim, esta união se projetará
para a eternidade e os frutos dessa união, os filhos, terão um ambiente
harmonioso para crescerem.
2)
O CASAMENTO É UMA ALIANÇA QUE REQUER FIDELIDADE, POIS FUNDAMENTA-SE NAS
PROMESSAS MÚTUAS. Na declaração apaixonada da Sulamita
fica claro o senso de dependência mútua, que é refletido em FIDELIDADE. “Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu”.
Somente a fidelidade conjugal em todos os momentos da vida pode trazer
segurança. É um muro protetor com cerca eletrificada e portões fechados com
cadeados de segredo que somente o casal conhece. Deus estabeleceu a intimidade
sexual, a qual deve ocorrer dentro do contexto do casamento. “Um lar cristão
consagrado é a coisa mais parecida com o céu que se pode experimentar na Terra,
e começa com um casamento cristão”. “O
significado mais elevado e o propósito mais sublime do casamento é o de
manifestar a relação pactual entre Cristo e Sua igreja. Viver esta verdade, e mostrar
essa verdade, é o que significa, mais profundamente, ser casado. Essa é a razão
mais elevada para o casamento existir. Há outras razões, mas essa é a
principal” (John Piper). Deus fez o casamento indissolúvel. “O que Deus ajuntou
não o separe o homem”. O casamento, diante de Deus e de todas as testemunhas
na cerimônia, é um pacto, onde o marido e a mulher prometem compromisso e
fidelidade. A aliança que carregam no dedo anelar é um sinal destas
promessas. A Palavra de Deus afirma que “Digno de honra entre todos seja o
matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e
adúlteros” (Hebreus 13:4).
3)
O CASAMENTO É UMA ALIANÇA QUE REQUER
A PRESENÇA DE DEUS.
Cada um dos
aspectos que formam o casamento é importante, mas não é a base do mesmo. É
importante a casa, o amor, a amizade, o dinheiro, mas a base mesmo é o SENHOR.
Todo casamento deve ter suas amarras em Deus que uniu o homem e a mulher. Se
assim não for o relacionamento não permanecerá. Bruno e Thalita, você precisam
ver além das emoções, viver além das emoções. Vivam na certeza da graça e da
presença de que Deus os uniu. A Bíblia nos relata que o primeiro milagre de
Jesus ocorreu numa festa de casamento em Caná da Galileia. A presença de Jesus
naquela festa foi a solução de um problema circunstancial, mas que foi
resolvido porque Jesus estava ali. Assim, Bruno e Thalita, a base desse enlace
é a presença de Jesus. A busca contínua da comunhão com Cristo e a obediência
aos seus ensinos são indispensáveis para um matrimônio feliz. Sem Deus corremos
o risco de construirmos um relacionamento de frustração, tristeza e dor. A
chave de uma vida conjugal, familiar plena de alegria e felicidade está na
presença de Jesus em nosso relacionamento.
Jamais
devemos esquecer que o casamento é uma aliança que (1) requer dependência e
unidade, pois exige uma entrega total de cada um para o outro; (2) requer
fidelidade, pois se fundamenta nas promessas mútuas; (3) requer a presença de
Deus. E assim vivamos esse amor intensa e maravilhosamente sob a bênção do
SENHOR.
quarta-feira, outubro 08, 2014
APRENDENDO COM O PROFETA ISAÍAS
Isaías nos informa que é um profeta e que a sua mensagem não foi
inventada por ele, mas, sim, é a Palavra que o Senhor lhe falou (Isaías 1:1).
Surge, então, a questão: O que o Senhor falou? Qual a mensagem proclamada da
parte do Senhor? Creio que a mensagem é uma só em todo o livro. Apesar de ser
um livro extenso com 66 capítulos há uma única mensagem permeando todo livro e
o Rev. Martin Lloyd-Jones resumiu bem: “Isaías escreveu para explicar a causa
dos problemas e o único caminho de saída”. Nos capítulos iniciais do livro de Isaías vemos que o
povo de Deus achava-se em dificuldades por não ouvir a voz do Senhor, por ser
indiferente à proclamação profética. A queixa de Deus é a de um pai que criou seus
filhos com todo empenho e eles se rebelaram contra Ele. “Criei filhos e os fiz
crescer, mas eles se revoltaram contra mim" (Isaías 1:2). Warren Wiersbe declara: “O mais revoltante é que esse povo rebelde
também era religioso (Isaías 1:10-15). Os judeus adoravam no templo e ofereciam
uma grande variedade de sacrifícios ao Senhor, mas seu coração estava longe de
Deus e sua adoração era hipócrita. Os sacrifícios, por si sós, não eram
suficientes para agradar ao Senhor, uma vez que, juntamente com a observação
exterior, Deus requer obediência interior (1 Samuel 15:22), um coração contrito (SaImo 51:17) e uma vida piedosa (Miquéias 6:6-8). A adoração de Judá ao Senhor era
iniquidade e não piedade, e Deus estava cansado dela! Em vez de levantar
"mãos santas" em oração (1 Timóteo 2:8), as mãos do povo estavam manchadas
de sangue por causa de seus muitos pecados (Isaías 59:3; Ezequiel 7:23)”. A
consequência desta rebeldia é o cativeiro babilônico. Deus afirma que as coisas
piorariam e eles seriam levados cativos. Deus levava a sério o pecado de seu
povo. Se não se arrependessem nem aceitassem sua oferta de perdão (Isaías
1:18), então só restaria ao Senhor enviar seu juízo. No capítulo 6 encontramos
um profeta que reconhece o pecado do povo de Deus e o juízo de Deus. Ainda nos
informa que Uzias, o rei havia morrido. Ele foi um dos maiores líderes de Judá,
mesmo que em seus últimos anos tivesse sido disciplinado por sua desobediência
a Deus (2 Crônicas 26:16-21). A palavra que descreve o reinado de Uzias é
prosperidade. No livro das Crônicas lemos a respeito de Uzias: “nos dias em que buscou ao SENHOR, Deus o
fez prosperar” (2 Crônicas 26.5). Com a morte do rei, o pecado da nação e o
iminente juízo de Deus, não há esperança e neste momento o profeta vai ao templo.
Com isso nos ensina algo importante: Nos momentos difíceis e conturbados da nossa vida devemos nos voltar a
Deus. Muitos, ao enfrentarem problemas, abandonam
o culto, deixam de congregar. Isaías nos ensina que nestes momentos devemos ir
ao culto, buscar a orientação do SENHOR para nossas vidas. É no ajuntar do povo
de Deus que Ele fala conosco! A mensagem que o profeta recebe do SENHOR é que
ELE REINA. Ainda que um grande rei tivesse deixado seu trono na terra, o maior
dos Reis continuava assentado em seu trono celestial. Esta é a visão de Isaías.
Ele viu um Deus que é Senhor, Soberano e Rei. Para o jovem Isaías, as
perspectivas eram sombrias. Seu rei (Uzias) tão estimado havia falecido, sua
nação estava em perigo e não lhe restava muito o que fazer sobre isso. As
perspectivas podiam ser desanimadoras, mas o que via ao olhar para o alto era
glorioso! Deus ainda estava assentado em seu trono reinando como Soberano do
universo! "Toda a terra" estava "cheia da sua glória" (Isaías 6:3). Quando seu mundo começa a desmoronar é bom ver as coisas do ponto de
vista de Deus. Isaías olhou para o alto, pois o nosso socorro vem do SENHOR
(Salmo 122.1). Deus nos diz: “Invoca-me, e te responderei; anunciar-te-ei
coisas grandes e ocultas, que não sabes” (Jeremias 33.3). Caro leitor quero concluir nossa reflexão com as palavras
de Isaías: “Buscai o SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está
perto” (Isaías 55:6).
quinta-feira, outubro 02, 2014
CRISTÃOS MUTANTES
O
rev. John MacArthur me chamou a atenção para um fato notório em nossos dias. O
surgimento de outro “evangelho” que produz um “cristão mutante”. Ele declarou:
“O poder do Evangelho está em sua verdade imutável; uma semente mutante só
produzirá uma colheita mutante”. Lamentavelmente vivemos dias em que aqueles
que se dizem cristãos não demonstram convicções e nem apresentam firmeza no que
creem. São inconstantes e se curvam as tendências teológicas que prevalecem em
nossa época, rejeitando os padrões absolutos da Palavra de Deus. Somos conclamados,
pelas Escrituras, a permanecer fiéis à Verdade de Deus: “Assim, pois, irmãos,
permanecei firmes e guardais as tradições que vos foram ensinadas, seja por
palavra, seja por palavra nossa” (2 Ts 2.15). A Bíblia é o livro de Deus. Ela é
a Palavra de Deus. Deus é o autor
primário das Escrituras Sagradas. E o propósito de Deus se ter revelado através
da Bíblia é de nos despertar à fé em Jesus Cristo e nos dar a salvação que há
nEle! Calvino, o reformador do século XVI, afirma que a Escritura contém o guia
perfeito de uma vida boa e feliz. Isto porque a verdadeira felicidade está na
reconciliação do homem com Deus, o Criador. Uma vez que a Bíblia é o livro de
Deus e tem um propósito tão especial, ela se reveste de tremenda importância
para nossas vidas. Como cristãos somos exortados pelo apóstolo Paulo a
chegarmos “à perfeita varonilidade”, isto é, sermos pessoas maduras, “pessoas
que alcançaram à altura espiritual de Cristo” (Efésios 4.13,14). O objetivo
desta exortação é “para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado
para o outro, e levados ao redor por toda sorte de doutrina”. Isto só é
possível se edificarmos nossas vidas na imutável Palavra de Deus.
quinta-feira, setembro 25, 2014
EVANGELIZAÇÃO:A SUPREMA TAREFA DA IGREJA
A igreja tem como
propósito principal a glória de Deus. Ela foi estabelecida para o louvor da
glória de Deus. A evangelização é um instrumento pelo qual cumprimos o nosso
propósito. Devemos proclamar o Evangelho de Cristo, reunindo os que creem em
igrejas locais, com o objetivo de edificá-los na fé. E em Mateus 28.16-20 Jesus
deixa evidente que a missão da igreja é fazer discípulos, os ensinando a
guardar todas as coisas que Ele tem ordenado. A igreja é a agência do Reino de Deus no mundo,
povo de propriedade exclusiva de Deus para proclamar as virtudes do Deus
Eterno, conforme o apóstolo Pedro mesmo destaca em 1 Pedro 2.9. Proclamar as
virtudes do Deus eterno consiste em manifestar a Sua glória “para que ao Nome
de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e
toda confesse que Jesus Cristo é Senhor,
para a glória de Deus Pai” (Filipenses 2:10,11). A grande comissão em Mateus 28:16-20 define a
missão da igreja. Ela existe para proclamar o evangelho de Cristo a todas as
nações. É importante ressaltar que evangelização é o meio pelo qual conduzimos
pecadores à adoração do único e verdadeiro Deus. A igreja existe para promover
a glória de Deus e a evangelização é um instrumento usado para conduzir
pecadores á adoração. A evangelização é a suprema tarefa da igreja. A evangelização, primeiramente, é uma
tarefa honrosa. Isto porque ao realiza-la entrega uma mensagem que recebeu
do próprio Deus. Por isso Paulo declara: “De
sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por
nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com
Deus” (2 Coríntios 5:2). Em segundo
lugar, a evangelização é uma tarefa urgente. A Bíblia é o livro da
salvação, pois a mensagem central da Bíblia é o que o Deus da graça fez e está
fazendo, por meio de Seu Filho e de Seu Espírito, para a salvação de pecadores.
Por outro lado, a humanidade está morta em seus delitos e pecados e caminha “segundo
o curso destemundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que
agora atua nos filhos da desobediência(...) segundo as inclinações da nossa
carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos” (Efésios 2.1-3) e, por isso, encontra-se sob a ira de Deus. É
pela pregação das boas novas de Deus em Cristo que o homem encontra a salvação
da ira de Deus. Devemos pregar urgentemente, pois muitos não sabem acerca desta
tão grande salvação. Por último, a
evangelização é uma tarefa abrangente. Devemos anunciar todo o desígnio de
Deus (Atos 20:27) a todas as pessoas. A evangelização consiste não só em
anunciar a salvação mas em ensinar. A
ênfase de Cristo na grande comissão vai muito mais além do que evangelizar
implica em discipular. A missão da igreja não é simplesmente conseguir
conversões, mas completar o processo da vida cristã fazendo
discípulos. A vocação da igreja é
promover a glória de Deus através da proclamação do Evangelho de Cristo e
discipular os que creem, com o objetivo de edificá-los na fé. Em Mateus
28.16-20 Jesus deixa evidente que a missão da igreja é fazer discípulos, os
ensinando a guardar todas as coisas que Ele tem ordenado.
A
evangelização é a suprema tarefa da igreja e a vocação de todos os cristãos; todos são chamados a
testemunhar. J.I. Packer, em sua obra intitulada: Evangelização e a Soberania de Deus, afirma que “a comissão de pregar o Evangelho e fazer
discípulos jamais foi limitada aos apóstolos. Nem está atualmente confinada aos
ministros da Igreja. Trata-se de uma comissão que repousa sobre toda a Igreja
coletivamente e, portanto, sobre cada cristão individualmente”. Portanto, o
triunfo da Igreja hoje está no ministério da
evangelização. Que possamos nos envolver nesta tarefa honrosa, urgente e
abrangente.
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