terça-feira, agosto 27, 2013

Uma fé genuína - 1 tessalonicenses 3


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Tanto no capítulo 2 como no capítulo 3 desta epístola temos “a visão do coração pastoral de Paulo”, como afirmou Stott. É possível perceber as inquietações que pairam no coração de um verdadeiro pastor. Como já estudamos a igreja foi estabelecida num período curto de tempo, Paulo pregou por 3 sábados na sinagoga de Tessalônica e a conversão de judeus e muitos homens tementes a Deus ocasionou uma forte perseguição, de maneira que Paulo e seus companheiros fugiram para Bereia. Quando souberam onde Paulo estava os judeus revoltosos o seguiram até Bereia e de lá também o expulsaram. Com isto Paulo chega em Atenas. Ali seu coração pastoral pulsou mais forte. Como estariam os seus filhos na fé em Tessalônica diante de tamanha perseguição? Permaneceriam firmes? Paulo bem que tentou voltar para ampará-los em meio as tribulações, contudo Satanás o impediu. Isto o fez enviar Timóteo, irmão deles, servo de Cristo e companheiro de Paulo, a fim de que os fortalecessem. As notícias trazidas por Timóteo acerca dos tessalonicenses eram boas. Apesar do pouco tempo entre eles a mensagem das boas novas da salvação frutificou, produzindo uma fé genuína. Deus operara grandiosamente entre os tessalonicenses, de modo a transformar vidas e firmá-las na fé. A confiança que demonstraram na obra salvífica de Cristo e nas promessas gloriosas do nosso Deus era autêntica, real. Assim com esses irmãos aprendemos que:
(1) Uma fé genuína é confirmada pelas provações. A mensagem do Evangelho trouxe-lhes a bênção de uma nova vida e também as provações que a fé nos impõe. Isto fica claro na própria declaração de Paulo no versículo 3: “porque bem sabemos que fomos destinados para isso”. Em todo NT a ideia de aflição para o cristão é normal. O próprio Senhor Jesus nos diz: “No mundo passais por aflições”. Na verdade as tribulações são “uma evidência da genuinidade da fé, e penhor da sua herança na glória vindoura” (F. F. Bruce). Pedro, o apóstolo, nos ensina que enfrentamos por breve tempo aflições a fim de que nossa fé seja comprovada e produza a glória e honra a Deus. Contudo, Deus não nos abandona em nossas lutas e sempre provê a nós alento em meio as lutas. Timóteo é incumbido de fortalecê-los, animá-los na fé.
(2) Uma fé genuína é firmada na Palavra. No pouco tempo em que Paulo permaneceu entre eles, ele examinou as Escrituras, explicando e demonstrando acerca de Cristo e Sua obra. Ele anunciou-lhes o Evangelho, explicando-lhes o seu sentido e deu-lhes evidências e provas das verdades bíblicas. Talvez tenham esquecido que Paulo já lhes havia ensinado que passariam por tribulações, por isso envia-lhes Timóteo, para recordar-lhes tudo o que havia ensinado para que ninguém fraquejasse e se mantivesse firme. Quando vemos uma criança desejamos que ela cresça, se desenvolva, isto é natural. Queremos ensiná-la muitas coisas e entre elas desejamos ensiná-la a andar. Porém, antes de dar os primeiros passos precisamos ensiná-la a firmar as pernas e ficar de pé. É necessário que as pernas estejam firmes para que a criança caminhe. A preocupação de Paulo não era fazê-los andar, mas que eles estivessem firmes, sem vacilar. E esta firmeza quem dá é a Palavra de Deus. W. Wiersbe acertadamente nos diz que “o cristão que não conhece a Bíblia é vítima de toda onda de doutrina e nunca se confirma no Senhor”. ( Leia: 2 Ts 2.15-17).
(3) Uma fé genuína é sustentada pela oração. Outro fato importante aqui é que Paulo lutou com eles em meio as dificuldades por meio da oração. Diz que rogou continuamente a Deus por eles, pedindo que os fortalecesse e os fizesse crescer. Wiersbe faz uma importante declaração, ele nos diz que “o que confirma a igreja é o ministério duplo da Palavra de Deus e da oração. Se houver ensino e pregação, mas não oração, as pessoas terão luz mas não poder. Se houver oração sem o ensino da Palavra, talvez você tenha um grupo de entusiasta com mais calor do que luz! O pastor, o professor de Escola Dominical, o missionário e o trabalhador cristão que falam com Deus sobre seu povo e, depois, com seu povo a respeito do Senhor têm um ministério equilibrado e confirmado”.
Paulo é bastante claro ao nos ensinar que as provações confirmam a fé autêntica, a qual é firmada na Palavra de Deus e sustentada pela oração. Não devemos estranhar o fogo ardente em nosso meio, destinado para nos provar e aprovar, mas, em meio as lutas devemos nos dedicar ao estudo das Escrituras e à prática da oração que nos dão todo o suporte para permanecermos firmes na fé.

segunda-feira, agosto 12, 2013

UM MINISTÉRIO IDEAL - 1 TESSALONICENSES 2

       
Domingo passado analisamos o capítulo 1 desta carta. Vimos que a pregação do Evangelho fez nascer a igreja de Tessalônica, em meio a grandes dificuldades e perseguições e em pouquíssimo tempo. Contudo, a Palavra de Cristo chegou até eles “em poder, no Espírito Santo e em plena convicção”. E, assim, o Evangelho se espalhou “não só na Macedônia e Acaia, mas por toda parte”. De modo que a igreja se tornou modelo, por meio de uma fé atuante, de um amor prestativo e de uma firme esperança em Cristo. Aprendemos sobre as características de uma igreja ideal, uma igreja segundo o coração de Deus.
         Ao analisarmos esta nova perícope, uma nova seção da carta podemos perceber que além das perseguições externas promovidas pelos judeus, Paulo teve que lidar com aqueles que, dentro da igreja, se opunham ao seu ministério e o difamavam. O rev. John Stott afirma: “Os adversários de Paulo em Tessalônica, para minar a sua autoridade e seu evangelho, decidiram desacreditá-lo com uma campanha maliciosa. Esse ataque pessoal deve ter sido extremamente doloroso para o apóstolo. Sua determinação em responder às acusações que foram levantadas contra ele veio, não da vaidade ou de orgulho ferido, mas porque a verdade do Evangelho e o futuro da igreja estavam sendo ameaçados”. As respostas dadas pelo apóstolo nos dá a ideia das acusações levantadas. Eles o acusavam  de querer tirar vantagem, isto é, pregava o evangelho para ganhar alguma coisa como dinheiro, prestígio e poder. Por isso, quando veio a perseguição e se viu em perigo, Paulo fugiu. Diziam que Paulo não estava preocupado com os tessalonicenses, ele os havia abandonado! O objetivo era levar Paulo e seus companheiros ao descrédito e, assim, a mensagem de Cristo proclamada por eles não frutificaria.  Em defesa do Evangelho e de seu ministério o apóstolo nos apresenta nestes versículos as marcas de um ministério ideal. Paulo assinala as características ministeriais daqueles que foram  aprovados por Deus a ponto de Deus lhes confiar o Evangelho. Interessante notar que o apóstolo usa termos que se referem a u ma família. Assim percebemos que o ministério ideal requer:
(1) A fidelidade de um mordomo.  Paulo tem consciência do seu chamado e ministério. Ele havia sido testado e aprovado por Deus e Deus mesmo lhe confiou o Evangelho, a mensagem de boas novas de salvação. Assim o apóstolo via a si mesmo, bem como seus companheiros, como despenseiro, mordomo de Deus. Importante observar que a expressão que aparece no versículo 1, “não foi em vão que vos visitamos”, pode ter uma outra tradução possível. Hendriksen, um estudioso do NT, sugere a seguinte tradução: “nossa entrada entre vós, não foi de mãos vazias”. Esta tradução é a melhor por causa de todo o contexto. Ele estava sendo acusado de tirar algo dos tessalonicenses, contudo ele não se apresentou de mãos vazias, ele esteve entre eles para dar. Entregou-lhes a Verdade de Deus. Como mordomo do SENHOR distribuiu-lhes a mensagem de salvação. Sabemos que o que ser requer dos despenseiros é que sejam achados fiéis, como o próprio apóstolo declarou aos coríntios.  Por isso assevera que seu objetivo era agradar a Deus e não aos homens, pois Deus é Aquele de quem nada se oculta, Seus olhos sonda os motivos internos, sejam eles bons ou maus. Em Jeremias 17.10 lemos: “Eu, o SENHOR, esquadrinho o coração, eu provo os rins; e isto para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto de suas ações”.  O Rev. J. Stott declara: “Os mordomos do evangelho devem responder primeiramente não a igreja nem aos líderes, mas a Deus. Prestar contas a Deus é ser liberto da tirania da crítica humana”. O ministéro de Paulo em Tessalônica foi um trabalho de mordomo, e o próprio Deus era testemunha de sua fidelidade.
(2) O cuidado amoroso de uma mãe. Longe de querer os benefícios dos tessalonicenses, o apóstolo dedicou-se a servi-los. E compara o seu serviço ministerial ao trabalho de uma mãe.  A mãe geralmente é aquela que se doa, que sacrifica a si mesma para o bem dos seus filhos. É abnegada, dedicada, cuidadosa no cuidado com as crianças. O amor de Paulo por eles alcança seu clímax na declaração do versículo 8: “Assim, devido ao grande afeto por vós, estávamos preparados a dar-vos de boa vontade não somente o evangelho de Deus, mas também a própria vida, visto que vos tornastes muito amados para nós”. Warren Wierbse nos lembra que “o como a mãe nutre os filhos é tão importante quanto a maneira como os nutre”. O apóstolo cuidava, como uma mãe, afetuosamente do rebanho de Deus naquela cidade. 
(3) A orientação e ensino de um pai. O ministério de Paulo entre aqueles irmãos era comparado não só ao trabalho de um mordomo, de uma mãe, mas também ao papel de um pai. O pai tem como uma das funções principais na família o papel educacional. Cabe a ele ser referência aos filhos, servindo-lhes de modelo. Modelo de integridade, de caráter, de responsabilidade, de espiritualidade, de modo que os filhos desejem ser como ele é. Contudo, o papel educacional não se limita a isto. Cabe também ao pai encorajar, confortar e exortar. O pai deve zelar pela família e sacrificar-se pelo seu bem-estar.  tudo, o papel educacional não se limita a isto. Cabe também ao pai encorajar, confortar e exortar. O pai deve zelar pela família e sacrificar-se pelo seu bem-estar.  Vejam irmãos a afirmação de Paulo nos versículos  11-13: “E sabeis, ainda, de que maneira, como pai a seus filhos, a cada um de vós, exortamos, consolamos e admoestamos, para viverdes por modo digno de Deus, que vos chama para o seu reino e glória. Outra razão ainda temos nós para, incessantemente, dar graças a Deus: é que, tendo vós recebido a palavra que de nós ouvistes, que é de Deus, acolhestes não como palavra de homens, e sim como, em verdade é, a palavra de Deus, a qual, com efeito, está operando eficazmente em vós, os que credes”. Ele e seus companheiros labutaram entre eles orientado-os, ensinando-os e encorajando-os a fim de que eles vivessem de modo digno de Deus.
(4) O amor e amizade de um irmão. Por último, Paulo nos diz que seu ministério foi como de um irmão, de quem se espera amor e amizade.  É importante observar que a palavra “irmãos” aparece 23 vezes nas duas cartas aos tessalonicenses. Assim, ele se vê como um deles, como membro da família. Warren Wierbse, em seu comentário desta epístola, afurma: “No versículo 17, ele (Paulo) diz que está “orfanado” deles por um breve espaço de tempo, como uma criança longe de casa. Ele ama-os, ora por eles e deseja muito vê-los de novo. Afinal, o que testa a nossa vida espiritual não é o que fazemos quando estamos com a “família” na igreja, mas como nos comportamos fora da igreja. Paulo não era o tipo de membro da igreja que “tira férias” da    
casa do Senhor”.
         Paulo descreve neste capítulo o seu ministério entre os tessalonicenses e assim apresenta-nos as marcas de um ministério ideal. Porém, alguém pode questionar: Eu não sou pastor, portanto, este texto não tem nada a me ensinar. Quero dizer que os princípios apresentados por Paulo aqui se aplicam na vida de todo verdadeiro cristão. Nem todos são pastores na igreja, pois os dons e ministérios são variados, mas todos os cristãos foram vocacionados por Deus para exercer um ministério específico. Ninguém foi chamado para não fazer nada, ou para “esquentar bancos”. E na realização do nosso ministério necessitamos das qualidades mencionadas pelo apóstolo. Devemos realizar nosso ministério com a fidelidade de um mordomo, o cuidado amoroso de uma mãe, a autoridade e ensino de um pai e o amor amizade de um irmão. Que Deus nos ajude a realizarmos nossa missão com a mesma dedicação de Paulo, e nos use para sermos bênçãos na vida de toda igreja!


sexta-feira, agosto 09, 2013

TESSALÔNICA: UMA IGREJA MODELO -1 TESSALONICENSES 1

       
O que Deus espera da Igreja? Quais as características de uma igreja segundo o coração de Deus? Para cumprir nosso papel no mundo hoje é necessário responder a tais questões.  A compreensão de quem somos e para onde vamos é fundamental para cumprir nossa missão onde estamos. Creio que estudar a carta aos Tessalonicenses nos ajuda a responder estas questões.
      A carta aos Tessalonicenses é provavelmente o primeiro escrito do Novo Testamento. Paulo escreveu entre 49 e 50 d.C., não muitos meses depois de ter estado ali, pregando-lhes a mensagem de Cristo. Lucas é quem nos dá o relato do estabelecimento da igreja em Tessalônica em Atos 17, onde podemos observar:
  • A evangelização ocorreu em período curto de tempo, apenas 3 sábados Paulo pregou na sinagoga local;
  • Alguns judeus foram convertidos, entre eles destaca-se Jasom. Mas era uma igreja em sua maioria gentílica, pois houve um número grande gregos tementes a Deus e mulheres gregas de posição que foram transformados pelo poder do Evangelho de Cristo;
  • Intensa oposição dos judeus não convertidos, gerando tumultos e perseguição. Isto fez com que Paulo e seus companheiros fugissem para Beréia. Isto trouxe inquietação ao coração de Paulo: 1 Ts 3.5.

        Contudo o Evangelho chegou ali não só em palavras, mas sobretudo em poder. E as notícias trazidas por Timóteo alegraram o coração de Paulo. Não só pode reconhecer que os irmãos de Tessalônica eram de fato eleitos de Deus, como eram instrumentos divinos na propagação do Evangelho não só na Macedônia, Acaia, bem como em toda a região. Tessalônica, uma igreja modelo (1 Ts 1.7).
MODELO DE FÉ ATUANTE – O Rev. Stott declara que “os tessalonicenses eram exemplos de uma fé que envolvia a totalidade da pessoa, levando-a a um novo modo de viver”. Eles testemunhavam acerca de uma fé operosa, que produziu uma mudança radical. Abandonaram aos ídolos e serviam ao Deus vivo e verdadeiro. Tiago, irmão de Jesus, nos diz “a fé sem obras é morta”. O cristianismo ali vivido não era intelectual ou um religiosismo aparente e farisaico. Mas a evidência de uma transformação profunda, marcante na vida dos convertidos.
MODELO DE AMOR PRESTATIVO – Eles não só demonstravam uma fé atuante, mas também um amor abnegado, evidenciado por feitos de gentileza e misericórdia. Eles haviam compreendido, pela graça de Deus e pela ação do Espírito Santo, compreendido o amor gracioso de Deus por eles. Amor que os resgatou de uma vida fútil, sem significado dedicada aos ídolos, para uma vida abundante em Cristo Jesus. Agora demonstravam o mesmo amor para com os perdidos, proclamando-lhes a mensagem de salvação, o Evangelho da graça de Deus. O amor de Deus os impulsionou ao amor em favor de pecadores que caminhavam neste mundo perdidos.
MODELO DE ESPERANÇA EM CRISTO - A palavra 'esperança' é uma palavra escatológica, a qual refere-se a uma expectação confiante na volta de Cristo, produzindo constância, perseverança mesmo diante de tão intesas tribulações.   Esperança produziu firmeza e determinação. As dificuldades e perseguições não os impediu de realizarem a obra de Deus.
         A igreja de Tessalônica nos ensina que a igreja segundo o coração de Deus é aquela que foi transformada pelo poder do Seu Evangelho e que assume um compromisso com a evangelização. Fé atuante, amor prestativo e esperança em Cristo são as marcas que o SENHOR espera da Sua igreja. 

sexta-feira, julho 12, 2013

UM HOMEM E UMA MULHER



DUAS VIDAS GERADAS, AMADAS E ENSINADAS,

FRUTO DO AMOR SINCERO, DE UM HOMEM E UMA MULHER.



DUAS VIDAS SE CRUZAM, SE ENCONTRAM,

FRUTO DA PROVIDÊNCIA DIVINA, QUE UNE UM HOME E UMA MULHER.



DUAS VIDAS SE APAIXONAM SE ENAMORAM,

FRUTO DO AMOR DE DEUS, DERRAMADO NO CORAÇÃO DE UM HOMEM E UMA MULHER.



DUAS VIDAS SE JUNTAM, SE TORNAM UMA SÓ,

FRUTO DA CUMPLICIDADE DE UM HOMEM E UMA MULHER.



DUAS VIDAS INSEPARÁVEIS, ETERNAS,

FRUTO DA PRESENÇA DIVINAL, ABENÇOANDO UM HOMEM E UMA MULHER.



sexta-feira, maio 24, 2013

TUDO TEM UMA OCASIÃO CERTA

O sábio nos diz que “tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu” (Ec. 3.1). É fácil perder o tempo determinado para executar certa missão. Israel teve um tempo determinado para tomar posse da terra prometida; mas por causa da incredulidade, a oportunidade passou. Eles tentaram criar o seu próprio tempo, porém ficaram feridos e derrotados. Assim, aprendemos que a nossa vontade tem de submeter-se ao tempo determinado por Deus. Os espias que subiram para ver a terra que Deus haveria de dar aos israelitas, não confiaram na promessa de Deus e seduziram a todo o povo a não subir (Leia Nm 13 e 14). Como resultado desta incredulidade aquela geração fora impedida de entrar na nova terra, morreriam no deserto. Mas depois do castigo dado por Deus, sem buscar a vontade de Deus nesta nova situação, o povo se levantou pela manhã e subiu ao cume do monte dizendo: “Eis-nos aqui e subiremos ao lugar que o Senhor tem prometido, porquanto havemos pecado” (Nm 14.40). Moisés, então, os advertiu: Por que transgredis o mandado do Senhor? Pois isso não prosperará (Nm 14.41). E pelo desprezo desta advertência, o povo multiplicou seus pecados contra o Senhor. Pelo uso da própria vontade, o povo se tornou rebelde contra Deus e presunçoso nas suas próprias capacidades. Porém, nada prospera sem a aprovação de Deus. Deste modo o povo foi ferido e derrotado cruelmente pelos amalequitas. Há neste episódio duas lições a aprender. Primeira, sem o devido preparo e a direção de Deus, boas intenções não têm nenhum valor e o fim é sempre desastroso. Segunda, um erro não pode corrigir outros erros.

Permita o Senhor que estejamos atentos ao Seu querer e prontos a obedecê-Lo, crendo em suas promessas. Lembre-se que episódios como este, são narrados para nos ensinar a não repetir os mesmos erros. Que sejamos sábios e cumpramos a vontade de Deus em nossa vida.

sábado, abril 13, 2013

CONHEÇAMOS E PROSSIGAMOS EM CONHECER AO SENHOR

Quem é Deus? Esse é um questionamento feito pelas mais diversas pessoas, nas mais diferentes épocas. Há quem diga que a divindade é uma concepção ou construção de cada indivíduo, ou seja, Deus pode ser diferente para cada pessoa, ou cada um pode ter o “seu deus”, adorando-o como lhe for conveniente. Contudo a idéia pluralista não é bíblica e todas as tentativas não-bíblicas de descrever a divindade são equivocadas. Apesar de todo o esforço das autoridades, persiste em todo o mundo a atividade de criminosos especializados em imprimir e distribuir dinheiro falso. Uma cédula de R$ 50,00 falsificada é muito parecida com uma original. Para reconhecer uma nota falsa, é fundamental que se conheça bem as cédulas verdadeiras. Diferenças são perce­bidas na textura do papel, fios de segurança e outros pequenos detalhes. Para discernir os falsos deuses, é preciso conhecer ao Deus verdadeiro. O Deus revelado nas Escri­turas é singular. Nenhuma outra divindade imagi­nada pelos homens ou sugerida por Satanás pode ser comparado a Ele. No Antigo Testamento, ele revela-se como o Deus eterno, “aquele que é”. Por meio de seus profetas, ele se manifesta majestoso, único, e em diversos pormenores incompreensí­vel ao raciocínio humano. Disse Moisés a Deus: Eis que, quando eu vier aos filhos de Israel e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós outros; e eles me perguntarem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? Disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós outros (Êx 3.13-14).
Com quem comparareis a Deus? Ou que coisa semelhante confrontareis com ele? (Is 40.18).
Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o SENHOR, o Criador dos fins da terra, nem se cansa, nem se fatiga? Não se pode esquadrinhar o seu entendimento (Is 40.28).
Duas coisas são fundamentais na vida cristã: abandonar os falsos deuses e conhecer, mais e mais, ao Deus verdadeiro.
Então, disse Jacó à sua família e a todos os que com ele estavam: Lançai fora os deuses estranhos que há no vosso meio, purificai-vos e mudai as vossas vestes (Gn 35.2).
Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR; como a alva, a sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra (Os 6.3).
Por que precisamos conhecer a Deus? A prática do discipulado exige o entendimento da revelação bíblica sobre o ser de Deus, pelas se­guintes três razões:

1. O conhecimento de Deus produz autoconhecimento
Todo conhecimento que podemos ter acerca de nossa identidade, nossas capacidades e nosso lu­gar no universo é iluminado e redimensionado pelo conhecimento de nosso Criador. Se nos afas­tamos desse conhecimento, precipitamo-nos no engano, tornamo-nos distorcidos em nosso cará­ter e erramos o alvo da existência feliz.
Quase toda a soma de nosso conhecimento, que de fato se deva julgar como verdadeiro e sólido conhecimento, consta de duas partes: o conhecimento de Deus e o conhecimento de nós mesmos. (...) Por outro lado, é notório que o homem jamais chega ao puro conhecimento de si mesmo até que haja antes contemplado a face de Deus, e da visão dele desça a examinar-se a si próprio (CALVINO, 2006, 1.1,2, p. 41, 42).

2. O conhecimento de Deus produz uma fé amorosa e inteligente
Envolver-se com a religião sem conhecer ao Deus verdadeiro produz apenas fanatismo ou ativismo oco. O verdadeiro conhecimento de Deus nos ca­pacita para respondermos a ele amorosa, voluntá­ria e inteligentemente.
Eu te amo, ó SENHOR, força minha (Sl 18.1).
Agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro do meu coração, está a tua lei (Sl 40.8).
Porque a mim se apegou com amor, eu o livrarei; pô-lo-ei a salvo, porque conhece o meu nome (Sl 91.14).
A isto ele respondeu: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e: Amarás o teu próximo como a ti mesmo (Lc 10.27).

3. O conhecimento de Deus nos ajuda a servir melhor

O ser divino é a fonte, bem como o modelo do perfeito serviço. Nele encontramos pessoalida­de que possibilita relacionamentos, diversidade que valoriza a distinção, unicidade que destaca como singular e unidade que consolida perfeita harmonia. O Cristianismo se diferencia de todas as ou­tras religiões e confirma sua origem divina, aco­lhendo a revelação bíblica do Deus tripessoal (pes­soalidade e diversidade), único (unicidade) e uno (indivisibilidade). Tais características são aspectos fundamentais do Deus verdadeiro. As descrições da divindade oferecidas pelas outras religiões não contemplam, conjuntamente, todas essas características. Por isso são inadequa­das para fornecer uma base para a comunhão com Deus e o serviço humano. 

A FACE AJUDADORA DE DEUS (uma reflexão do Salmo 46)

Nunca presenciei um terremoto. Entretanto, as imagens da destruição causadas por terremotos me impressionam e assustam. Pontes destruídas e edifícios desmoronados apresentam uma visão do poder incontrolável deste fenômeno da natureza. Creio que as pessoas que passam por esta experiência jamais se esquecerão daquela situação.
Davi, no salmo 46, fala do terror de uma tragédia que veio sobre sua vida. Ele descreve sua tribulação como um terremoto. No entanto, no meio da natureza convulsionada, os montes abalados lançando-se sobre os mares, a terra em transtorno, o salmista vê A FACE AJUDADORA DE DEUS. É a face daquele que está sempre pronto a socorrer – “O Deus Todo-poderoso está do nosso lado; o Deus de Jacó é o nosso refúgio”. Deus não vira as costas a nós por um minuto sequer. É Aquele que está no meio da calamidade da nossa vida, na incerteza, no abatimento, na dor, na sensação de abandono. Ele intervém com palavras de conforto e ânimo. Quando experimentamos momentos difíceis, quando nossos problemas parecem um furação e as crises um terremoto, podemos ter a certeza de que:
Em primeiro lugar, Deus é maior que os nossos problemas. Deus nos diz: “A quem, pois, me comparareis para que Eu lhe seja igual?” (Isaías 40.25).  Não há nada que seja maior do que Deus e não há ninguém que se compare a Ele. Diante da grandeza de Deus tudo se torna pequeno, inclusive as nossas crises, os terremotos que enfrentamos.
Em segundo lugar, Deus é o nosso único refúgio e segurança. Quando as ondas do mar agitado rugem na sua fúria incontrolável, o pequeno marisco se agarra a rocha e dela não se desprende por nada. Ele sabe que somente ali está em segurança. Deus é a nossa rocha em quem devemos confiar e nos firmar para vencermos as tempestades da vida. Lembre-se que “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações” (Sl 46.1).
Em terceiro lugar, Deus pode transformar situações ruins em bênçãos. Assim devemos fixar nosso olhar não nas circunstâncias difíceis, mas no Deus Todo Poderoso. Esta foi a experiência de José, filho de Jacó, quando Deus transformou o mal que seus irmãos lhe fizeram em bem. Paulo nos lembra que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Romanos 8.28).

Tempos de dificuldades são muito comuns na vida de todos nós. Devemos entregar toda a nossa inquietação, toda a nossa aflição nas mãos do Senhor. Assim, quero lhe dizer: “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia Nele, e o mais Ele fará...Descansa no Senhor e espera Nele” (Salmo 37.5,7)

quarta-feira, fevereiro 20, 2013

UMA FAMÍLIA ENLUTADA

Dois após o meu 47° aniversário eu recebi uma notícia que me entristeceu e me fez chorar. Um amigo querido, amigo verdadeiro, que não nos abandona nas horas de crise, havia falecido e sido sepultado. A morte é uma dura realidade, invade a nossa história, nossa vida e nossa família. Rompe laços de amizade, trazendo tristeza e dor. Assim foi também na família em Betânia, a morte invadiu o lar de Marta e Maria. Jesus estava em Betânia (do outro lado do Jordão) (João 1:28), cerca de 30 quilômetros de Betânia, cidade de Lázaro, quando recebeu a notícia de que seu amigo adoecera. O mensageiro gastou um dia para chegar a Jesus. E, portanto, ao sair de Betânia Lázaro morreu. Quando deu a notícia a Jesus, Lázaro já estava morto. Jesus demora mais dois dias. E gasta outro dia para chegar. Daí quando chegou Lázaro já estava sepultado há quatro dias. E sobre esta família enlutada, que enfrenta a dor da morte e a tristeza que ela causa que gostaria de meditar com vocês e aprender lições valiosas que Jesus nos traz neste episódio.
1) Uma família enlutada que enfrenta a realidade da dor e da morte. A morte aponta-nos para a transitoriedade da vida. Tiago escreveu: QUE É A VOSSA VIDA? SOIS, APENAS, COMO NEBLINA QUE APARECE POR INSTANTE E LOGO SE DISSIPA (4.14). O irmão de Jesus fala-nos da fragilidade da existência humana comparando-a com um vapor. Moisés também fala-nos disto comparando a vida com a erva, com uma planta que de manhã floresce e a tarde seca e murcha. A nossa existência é transitória, efêmera A morte é dor, tristeza, separação que causa um sofrimento profundo. A família de Betânia experimenta da fragilidade humana diante da morte de Lázaro e do sofrimento que a morte causa.
A declaração de que Jesus amava àquela família leva-nos a indagar: Se Jesus amava tanto o amigo Lázaro, por que permitiu que ficasse enfermo? Por que se demorou em ir a Betânia? E por que não curou Lázaro à distância, como havia feito com o filho do oficial do rei? (lo 4:43-54). W. Wierbse afirma que Não devemos jamais pensar que amor e sofrimento são incompatíveis. Por certo, os dois se unem em Jesus Cristo. Lembre-se que Deus amava Jesus, mas permitiu que experimentasse a cruz em nosso lugar. O Rev. Hernandes nos diz que o amor de Jesus não nos garante imunidade especial contra tragédias, mágoas e dores. Jesus nos diz que no mundo enfrentaríamos aflições. O Evangelho de Jesus não nos isenta de passarmos pela dor e tristeza. O cristão, neste mundo, se depera com a triste realidade da morte e os sofrimentos que ela nos impõe.
2) Uma família enlutada que experimenta a compaixão de Jesus. No relato de João encontramos o versículo mais curto das Escrituras. Este versículo nos declara: Jesus chorou. Esta é uma declaração extraordinária. Nela vemos um Deus eterno que assumiu nossa humanidade. Jesus é Deus e Jesus é homem ao mesmo tempo. Justamente por isso Ele é capaz de se compadecer de nós. “As lágrimas de Jesus revelam a humanidade do Salvador. Passou por todas as experiências de nossa existência e sabe como nos sentimos. Na verdade, por ser o Deus-homem perfeito, Jesus experimentou tudo isso de maneira mais profunda do que nós. Suas lágrimas também nos mostram sua compaixão. Foi, de fato, um "homem de dores e que sabe o que é padecer" (Is 53:3). Hoje, é nosso Sumo Sacerdote misericordioso e fiel, e podemos nos aproximar do trono da graça e receber toda a ajuda de que precisamos”. (Hb 4:14-16). Jesus chorou. E o que provocou as lágrimas em Jesus foi a destruição causada pelo pecado no mundo que havia criado. “A morte é um inimigo e, para Satanás, o medo da morte é uma arma poderosa” (Hb 2:14-18).
3) Uma família enlutada, mas fortalecida na fé. Apesar de enfermidades e problemas em geral serem motivos de tristeza e, até mesmo, desespero, e, além disso, aparentemente, não terem outro propósito que não o sofrimento humano, Deus pode ter propósitos específicos e bons quanto a isso. Jesus disse: “Essa doença não acabará em morte; é para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por meio dela” (v.4), e também: “Lázaro morreu, e para o bem de vocês estou contente por não ter estado lá, para que vocês creiam. Mas, vamos até ele” (vv.14-15). Como nos lembra o Rev. Hernandes, este milagre tem um papel pedagógico. Jesus queria ensinar aos discípulos, a família de Betânia e aos judeus acerca da fé.

“Quem se vê diante de enfermidades, de decepções, de demoras e até mesmo da morte, o único alento é a Palavra de Deus. Deve-se viver pela fé, não de acordo com as circunstâncias. A situação das irmãs parecia sem saída, mas ainda assim não deixaram de crer que Jesus era o Senhor de todas as situações. O fato de o homem estar morto havia quatro dias conferiu maior autenticidade ao milagre e uma oportunidade maior ainda de muitas pessoas – inclusive os próprios discípulos - crerem (ver J011:15). Cada experiência de sofrimento e de provação deve aumentar nossa fé, mas esse tipo de crescimento espiritual não é automático. É preciso reagir de maneira positiva ao ministério da Palavra e ao Espírito de Deus” (W. Wierbse).
É interessante observar que, neste momento, muitos olhavam para o passado e dizem: Jesus poderia ter evitado a dor e o sofrimento. Marta e Maria olhavam para o futuro, quando no último dia Jesus ressuscitará os mortos. Jesus fez com todos voltassem seus olhos para o presente. Onde quer que Jesus esteja, a ressurreição de Deus está disponível agora!
Jesus capítulos antes havia declarado que Ele é a luz do mundo e, em seguido, ilustrou esta verdade com a cura do cego de nascença. No capítulo 10 afirmou que veio para dar vida completa para os homens e a ressurreição de Lázaro é a ilustração da promessa de Jesus.

Conclusão

O que encontro de Jesus com a família enlutada nos ensina?
1- Jesus que trazer vida para as famílias que sofrem com a realidade da morte. A Bíblia nos diz que a morte, por causa do pecado de Adão, tornou-se uma experiência real, experiência de dor e sofrimento em todos os lares: Romanos 5:12. Jesus declara de modo enfático: “Eu sou a ressurreição e a vida; Quem crer em mim, ainda que morra, viverá”.
2- A presença de Jesus em nosso lar não nos isenta de enfrentarmos lutas, dissabores e tristezas, mas é fonte de toda consolação e fortalecimento de nossa fé.

terça-feira, janeiro 22, 2013

O DISCÍPULO E A PALAVRA


Tornamo-nos cristãos a partir de um encontro real e pessoal com Cristo, que nos faz novas criaturas a fim de que, de fato, amoldemos nosso viver à vida de Cristo (Romanos 8.29). Sem este encontro é impossível ser cristão. Se como discípulos, os cristãos devem ser com Jesus é, então, imperativo que conheçamos a Jesus. É impossível ser como Cristo e nos conformarmos ao caráter de Jesus se não O conhecermos, se não andarmos com Jesus. Obviamente não andamos, falamos e passamos tempo com Jesus nos mesmos moldes dos discípulos do primeiro século. Não temos a presença física de Jesus conosco. Contudo é necessário que convivamos com Ele para sermos seus discípulos. Esta convivência real e pessoal com Jesus é possível hoje através das Escrituras. “Examinais as Escrituras, pois são elas mesmas que testificam de mim”, afirmou Jesus. É possível ter hoje um falso conceito de Jesus. Pensar que somos seus discípulos, quando na verdade não somos (Mateus 7.21-23).
Com base na declaração de João 8.31 o discípulo de Jesus é aquele que permanece em Sua Palavra. Devemos examinar os Evangelhos com uma perspectiva nova e o coração aberto para moldar nossos pensamentos, palavras e ações pelo Jesus verdadeiro, que Se revela nas Escrituras mediante a iluminação do Espírito Santo. Permanecer na Palavra significa que o discípulo deve perseverar e continuar a entender e compreender quem Ele é e o seu ensino. O Pr. Milton Jones afirma: “Para os discípulos nos evangelhos, permanecer na Palavra significava que ouviriam o que Jesus tinha a dizer enquanto se achavam com Ele”. E alhures declara: “Permanecer na Palavra significava continuar com Ele e conforma-se a Ele”. Certa ocasião, após um duro discurso de Jesus, muitos “discípulos” já não queriam segui-Lo. Mas os verdadeiros discípulos permaneceram, mesmo quando a Palavra era difícil de ser compreendida.             A Palavra de Deus nos revela o caráter, os desígnios e a vontade de Deus e, assim, necessitamos meditar nela dia e noite a fim de que desfrutemos de uma intimidade tão grande com o nosso Criador que sejamos capazes de expressar os atributos divinos como parte da nossa própria existência. E, com Paulo, possamos afirmar: Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim (Gálatas 2.20). Permanecer na Palavra envolve:
1)      Ouvir a Palavra da Deus. Aprendemos a Palavra de Deus através dos sermões que ouvimos. Hoje dispomos de muitos recursos para ouvir as Escrituras.
2)      Ler a Palavra de Deus. A Palavra é recebida através da leitura. Diariamente devemos ler a Bíblia, sublinhando palavras ou pensamentos-chaves.
3)      Estudar a Palavra de Deus. É precisamos ir além de uma simples leitura. Precisamos nos aprofundar na compreensão dos textos bíblicos.
4)      Meditar na Palavra de Deus. Não só devemos ler a Bíblia, mas refletir, pensar sobre a Palavra, a fim de que seus conceitos e verdades se tornem parte de nós. Só por meio de uma observação permanente das Escrituras o discípulo obtém a “mente de Cristo”. 
5)      Memorizar a Palavra de Deus. Devemos gravar na memória versículos que nos auxiliarão no testemunho da verdade de Deus.
É bem-aventurado aquele que persevera na Palavra. Ela torna-nos sábios, orientando e iluminando nosso caminho a um viver que agrade a Deus. “Quanto amo a Tua lei” é a declaração do salmista. Você tem amado também a Palavra de Deus a ponto de buscar continuamente a sua direção? A mensagem de Jesus precisa ser vivida e praticada. Obediência está intimamente relacionada ao discipulado. Como discípulos devemos ler, meditar na Palavra e torná-la parte integrante da nossa vida. “Tornai-vos, pois, praticantes da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Tg 1.22). Jesus mesmo nos ensina que sábio é aquele que ouve as suas palavras e as pratica, é comparável ao bom construtor que edifica sua casa na rocha. Como você tem edificado a sua vida?          

terça-feira, novembro 27, 2012

O ESPÍRITO SANTO E A EVANGELIZAÇÃO NO PROCESSO DE PLANTAÇÃO DE IGREJAS


O verbo evangelizar no Novo Testamento significa “proclamar boas notícias”, “anunciar boas novas” ou simplesmente “pregar”. A evangelização consiste na pregação do Evangelho, as boas novas. Tanto o Rev. J. Stott como o Rev. J. I. Packer afirmam que a evangelização não pode ser definida em termos de resultado. “Evangelizar, na acepção bíblica do termo, não significa ganhar conversos (como em geral se pensa, quando usamos a palavra), mas simplesmente anunciar as boas novas, independentemente dos resultados” . Contudo, isso “não quer dizer que devamos ser indiferentes quanto a ver ou não os frutos do nosso testemunho em favor de Cristo; se não estiverem aparecendo os frutos devemos buscar a face de Deus para descobrir o motivo” . A evangelização não consiste em somente informar, transmitir as boas novas, mas também a conversão do pecador. O propósito de Paulo na proclamação do Evangelho era salvar pecadores. Em sua primeira carta aos coríntios (9.22) declarou: “Fiz-me fraco para com os fracos, com o fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para com todos, com o fim de, por todos os modos salvar alguns”. Obviamente que a Bíblia declara peremptoriamente que a conversão é obra do Espírito Santo. Sobre esta questão, o Rev. Wadislau M. Gomes observa que “para uma grande maioria de cristãos frustrada com a tarefa de “ganhar” (ou manipular?) almas, é reconfortante saber que este não é o nosso alvo primário, mas este é, sim, o alvo do Espírito Santo. Quanto a nós, descansamos no fato de que a Palavra e o Espírito suprem nossas necessidades, e de que o nosso alvo é a fidelidade no cumprimento da Grande Comissão, indo sobre a promessa de que o Espírito Santo convencerá o mundo do pecado da descrença, do juízo estabelecido e da justiça satisfeita “ . Mas não podemos “confundir o convencimento do pecado, da justiça e do juízo, com a tarefa de persuadir os homens da verdade bíblica, do amor de Deus e da grandeza de suas obras. Naquele, é o convencimento do Espírito, que as pessoas não entendem porque se discernem espiritualmente, e, no outro caso, é a persuasão que significa a explicação da revelação proposicional verbalizada aos homens de maneira que lhes dê raciocínios certos com que o Espírito os convence” . Curiosamente, como observa J. I. Packer, o termo “conversão” aparece em três passagens bíblicas  com a idéia de converter alguém a Deus, porém o sujeito do verbo não é Deus, como esperaríamos que fosse. Isso indica que a conversão de outras pessoas deve ser o objetivo dos cristãos. “Evangelizar, portanto, não é simplesmente uma questão de ensinar, de instruir, de proporcionar informações às mentes dos homens. É muito mais do que isso. Evangelizar inclui o esforço de obter resposta afirmativa à verdade ensinada. É uma comunicação que tem em vista a conversão. É uma questão não meramente de informar, mas igualmente de convidar. É uma tentativa de ganhar, conquistar ou atrair nossos semelhantes para Cristo” . Devemos nos empenhar nesta tarefa tendo como alvo a conversão e salvação de pecadores. Devemos lhes expor o Evangelho de Cristo de forma clara e levá-los a uma decisão. Jamais devemos esquecer que o homem natural é incapaz de compreender por si mesmo a mensagem cristã. Paulo afirmou que “o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parece loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1Coríntios 2.14). A Bíblia nos diz que os homens estão cegos (2 Coríntios 4.4), surdos (Atos 28.26,27; João 8.43) e mortos (Efésios 2.1). Assim devemos nos lembrar que a conversão de alguém não depende do meu poder de persuasão e, sim, da ação sobrenatural do Espírito de Deus, pois é Ele quem convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo (João 16.8). Assim devemos suplicar que o Espírito Santo nos use e, Ele mesmo, abra a mente dos que estão sendo evangelizados. O Rev. James Kennedy nos diz: “Devemos familiarizar-nos com essas leis de persuasão e usá-las quando criticamos a nossa apresentação do Evangelho, para ajudar-nos a detectar os lugares da nossa fraqueza. Devemos perguntar a nós mesmos: Falhei em conseguir a atenção deles em manter seu interesse? Se foi assim, por que e como posso fazer para mudar isto? Até que ponto despertei o seu desejo de conhecer a Cristo e fazer parte do Seu Reino? Como isto pode ser aumentado? A pessoa ficou convencida quanto aos seus pecados e sua necessidade de perdão? Se não, por quê? Confrontei a pessoa claramente, com a necessidade que ela tem de fazer uma decisão por Cristo e dedicar sua vida a Ele com arrependimento e fé? Se não, como posso melhorar para a próxima vez?” .
Na conversão de Lídia, em Atos 16, Lucas nos diz que “o Senhor abriu seu coração para responder às palavras ditas por Paulo” (v. 14). Deus operou através da instrumentalidade da pregação do apóstolo, de modo que a salvação é de Deus. O mesmo Paulo nos ensina que pessoas são convertidas “não tão-somente em palavras, mas sobretudo em poder, no Espírito Santo e em plena convicção” (1 Ts 1.6). Mas à igreja, como proclamadora das boas–novas, cabe a responsabilidade de persuadir as pessoas, rogando-lhes que recebam a Palavra (2 Co 5.20; 6.1).

sexta-feira, agosto 17, 2012

OS SERVOS E OS TALENTOS - Dr. Russel Shedd


A parábola dos talentos (Mt 25.14-30) põe em relevo o desperdício de capacidade não investida. Os primeiros escravos receberam seus cinco e dois talentos, respectivamente, e logo os aplicaram. Seus ganhos foram estupendos, já que um talento pesa 30 kg ou 6,000 denários, cada um dos quais valia o salário de um dia de trabalho (cf. Mt 20.10). Tanto dinheiro nas mãos de um escravo (doulos) prova até que ponto o senhor confiava em seus servos. Eles foram galardoados com a doação dos talentos que ganharam, acrescentados aos talentos do senhor. Ficaram riquíssimos.
O terceiro escravo escondeu seu talento em um buraco, no chão. Quando o senhor voltou, o diálogo com o terceiro escravo mostrou seu desprezo pelo senhor e sua própria raiva, provocada pelo desperdício. A desculpa foi rejeitada. “Servo mau e negligente! Você sabia que eu colho onde não plantei e junto onde não semeei? Então você devia ter confiado o meu dinheiro aos banqueiros, para que, quando eu voltasse, o recebesse de volta com juros” (Mt 25.26,27, NVI).
A condenação do servo foi por causa do desperdício. Como escravo, ele não tinha direitos sobre sua própria vida e menos ainda sobre os quilos de prata ou ouro que seu senhor colocara em suas mãos. Ele não tinha nenhum direito de desobedecer à ordem do seu mestre e desperdiçar o valor dos juros que o investimento com os banqueiros poderia ter rendido.
O que Jesus desejava ensinar com isto é que não desenvolver alguma capacidade para o reino é desperdício e desobediência. Nada que temos em nossas mãos realmente nos pertence, uma vez reconhecendo que fomos comprados por preço alto (1Co 6.19). Se nossas vidas não são nossas, a liberdade de escolha que aparentemente temos, é condicional. Se recusarmos utilizar e investir as capacidades que temos, somos servos maus e negligentes. O castigo na parábola foi tirar o talento do terceiro servo e entregá-lo ao primeiro. “Pois a quem tem, mais será dado, e terá em grande quantidade. Mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado” (v. 29, NVI). A única maneira de segurar o que temos é utilizar, investir, desenvolver e não desperdiçar. O Mestre não convida preguiçosos para o seguirem, a não ser para transformá-los e utilizar os talentos que ele mesmo lhes deu. Em conclusão, devemos notar duas observações a respeito destas duas parábolas de Mateus 25: “As virgens néscias falharam por pensarem que sua responsabilidade era fácil demais, enquanto o servo mau falhou por pensar que sua tarefa era difícil demais”.

Rev. Russel Shedd

quinta-feira, maio 17, 2012

TENHO SEDE!

“Aquele que a isto viu testificou, sendo verdadeiro o seu testemunho”. São palavras de João, o discípulo amado, com respeito a crucificação de Jesus.  Ele é a testemunha  perceptiva, próxima de Jesus, e é capaz de relatar não somente os fatos mas o significado que encontra neles.

Diferentemente dos demais evangelistas, João não descreve nada que não pudesse ser visto em outra crucificação. Mas menciona tudo o que uma testemunha perceptiva é capaz de discernir. O que ele vê é simplesmente o fato de que, naquela cruz, o Verbo de Deus, o Logos Eterno é também verdadeiramente homem: Tenho sede! Há nesta declaração uma expressão de agonia, de sofrimento. Sofrimento este que o Cristo teria de passar para satisfazer o pacto concertado com o Pai na eternidade, pois tinha a certeza de ser esta a única alternativa para a salvação do Seu povo. Agonia experimentada não só no Calvário, mas desde o momento em que assume a nossa humanidade. E como bem disse Calvino: “Com toda verdade se pode dizer que não somente passou toda a sua vida em perpétua cruz e aflição, senão que toda ela não foi senão uma espécie de  cruz contínua”[1].
Obviamente a sua união hipostática foi voluntária tanto quanto a sua entrega para morrer a nossa morte. “Jesus Cristo foi o único homem que não precisava padecer, todavia Ele voluntariamente o fez por nós”[2]. O segundo Adão, perfeito, santo, imaculado “foi feito sujeito à lei, que se cumpriu perfeitamente; padeceu imediatamente em sua alma os mais cruéis tormentos e em seu corpo os mais penosos sofrimentos”[3] para a redenção de pecadores. E, assim, por amor à sua igreja, Ele aprendeu a ver as coisas do plano da humanidade. Sendo Deus, participou das dificuldades humanas e identificou-se com seus irmãos na carne. As nossas provações, nossos fardos e nossas dores tornarem-se Dele. Tenho sede! Exclamou o nosso Sumo Sacerdote,  o qual é capaz de compadecer-se de nossas fraquezas. Tenho sede! A sua vida tem sido digna do sacrifício de Cristo e do Seu propósito?
 

[1] J. Calvino, Instituición, III.8.1
[2] Hermisten M. P. Costa, Os Sofrimentos de Cristo, p.5
[3] Confissão de Westminster, 8.4

A FÉ SALVADORA


O cristianismo autêntico e verdadeiro é a religião da justificação pela fé – fé somente, sem obras. Paulo, o apóstolo, nos diz: Concluímos, pois que o homem é justificado pela fé independentemente das obras da lei (Romanos, capítulo  3, versículo28). Mas, o que é fé? A ideia popular é de que a fé é sinônimo de força interior. A fé, nesse sentido, se refere a um certo otimismo obstinado, onde em meio aos problemas, as enfermidades e dificuldades que enfrentamos temos a esperança assegurada. Isso, porém, é apenas a forma da fé sem seu conteúdo vital. Uma atitude confiante separada, divorciada de um objeto que corresponda a essa confiança não é fé no sentido bíblico. Na Bíblia a fé envolve confiança. Contudo, a fé não está baseada em uma igreja infalível, pois a igreja, neste mundo, jamais será infalível. Também não está fundamentada em alguma experiência mística ou sobrenatural, ou em alguma revelação particular. A fé origina-se diretamente da Palavra de Deus. “A fé vem pela pregação e a pregação da Palavra de Cristo”, diz-nos as Escrituras. A fé tem início quando o Evangelho de Cristo é ouvido e quando os homens tomam consciência de que se trata da própria verdade de Deus. Portanto, a fé bíblica é uma convicção certa, infundida no coração (humano) pelo Espírito Santo, pela verdade do Evangelho, e uma cordial confiança e segurança nas promessas de Deus. Ter fé é vir a Cristo e deixar-se cair em seus braços abertos. Fé nada mais é que voltar-se para Deus de mãos vazias para que Ele as encha com Sua graça, conforme nos ensina o Reverendo Wadislau Gomes. É deixarmos de confiar em nossa religião, em nossas orações, em nossa piedade, pois nada disso nos salvará. E enquanto não deixarmos de confiar nessas coisas, Cristo também não nos salvará, pois ainda não confiamos nEle verdadeiramente. A fé abandona a esperança nas realizações humanas e vem a Cristo, sozinha e de mãos vazias, atirando-se sobre sua misericórdia. Esta é a fé bíblica, é a fé que salva!

sábado, maio 12, 2012

O GUARDA DAS FONTES - Peter Marshall


Era uma vez um certo povoado que cresceu no pé de uma cordilheira. A aldeia foi protegida pelas alturas dos montes, de modo que o vento que tremia as portas e arremessava punhados de granizo contra as janelas era um vento cuja fúria já fora gasta. Alto nas colinas, um misterioso e calmo morador da floresta tomou sobre si a incumbência de ser o Guarda das Fontes. Ele patrulhava as colinas e onde quer que achasse uma fonte, ele limpava sua piscina barrenta de lodo, e tirava toda matéria estranha. Desta forma, a água que borbulhava da fonte corria para baixo limpa, fria e pura. A água pulava cintilante sobre pedras e se derramava alegremente em cascatas de cristal até que, fortalecida por outros córregos, tornava-se um rio de vida para o movimentado povoado. As rodas de azenha giravam por sua força. Os jardins eram refrescados por suas águas. As fontes a jogavam como diamantes no ar. Os cisnes navegavam em sua superfície límpida, e crianças riam brincando nos seus bancos na luz do sol.

Mas o Conselho de Cidade era um grupo de homens de negócios, pães duros e práticos. Esquadrinharam o orçamento e acharam o salário do Guarda das Fontes. Disse o Guarda da Bolsa: "Por que nós devemos pagar esse sujeito? Nós nunca o vemos; ele não é necessário à nossa vida de negócios no povoado. Se construirmos um reservatório perto da cidade, nós poderemos dispensar seus serviços e poupar seu salário". Com isso, o Conselho de Cidade votou para dispensar o gasto desnecessário com um Guarda das Fontes, e construir um reservatório de cimento.
Então o Guarda das Fontes deixou de visitar as piscinas barrentas, mas observou das alturas enquanto construíram o reservatório. Quando foi terminado, logo se encheu com água, mas a água não parecia ser a mesma. Não era mais limpa, e uma espuma verde logo contaminou sua superfície estagnada. Havia problemas constantes com a maquinaria delicada dos moinhos, freqüentemente entupido com o lodo, e os cisnes acharam outro lar distante do povoado. Finalmente, uma epidemia se alastrou, e os dedos amarelos da doença alcançaram cada lar em cada rua e alameda.
O Conselho de Cidade se reuniu outra vez. Tristemente, encarou como a cidade estava em apuros, e francamente reconheceu o erro em demitir o Guarda das Fontes. Procuraram-no na sua barraca alta nas colinas, e imploraram-lhe que retornasse a seu abençoado trabalho. Felizmente, ele concordou e começou mais uma vez a fazer suas rondas. Não demorou até que água pura viesse cantarolando felizmente para baixo sob túneis de samambaias e musgos e a cintilar no reservatório limpo. As rodas de azenha rodaram como antigamente. Os odores desapareceram. A doença diminuiu, e crianças em recuperação da suas doenças se alegraram outra vez, porque os cisnes haviam voltado.
Não me considere demasiadamente extravagante em minha linguagem quando digo que penso em mulheres, especificamente em nossas mães, como Guardas das Fontes. A frase, embora poética, é verdadeira e descritiva. Nós sentimos seu calor… sua influência que abranda… e não importa quão esquecidos nos tornemos… o quão presumidos sobre as dádivas preciosas da vida, ficamos cientes de memórias afáveis do passado – as doces, tenras e comoventes fragrâncias do amor. Nada que foi dito, nada que poderia ser dito, nem que jamais será dito, seria suficientemente eloqüente, suficientemente expressivo, nem adequado para fazer loquaz essa emoção peculiar que nós sentimos para com as nossas mães. Então farei meu tributo um apelo para as Guardas das Fontes, que sejam fiéis à sua tarefa.
Nunca houve um tempo de maior necessidade para Guardas das Fontes, nem quando haviam mais fontes poluídas precisando ser limpas. Se o lar fracassar, o país estará perdido. O colapso da vida e influência familiar marcarão o colapso da nação. Se as Guardas das Fontes desertarem seus postos ou forem infiéis às suas responsabilidades, a perspectiva futura deste país é bastante sombria. Esta geração necessita de Guardas das Fontes que sejam corajosas o suficiente para limpar as fontes que forem poluídas. Não é uma tarefa fácil – nem é popular, mas deve ser feito por causa das crianças, e as mulheres jovens de hoje devem fazê-lo.
A emancipação do sexo feminino começou com o cristianismo, e termina com o cristianismo. Teve seu começo há uns mil e novecentos anos atrás quando veio a uma mulher chamada Maria uma visão e uma mensagem do céu. Ela viu as nuvens da glória partidas e as fortalezas escondidas do céu. Ela ouviu um anúncio angelical da notícia quase inacreditável que ela, de todas as mulheres na terra... de todas as Marias da história... seria a única a trajar ao mesmo tempo a rosa vermelha de maternidade e a rosa branca da virgindade. Foi contado a ela – e todas as Guardas das Fontes sabem como tais mensagens vêm – que ela seria a mãe do Salvador do mundo.
Era mil e novecentos anos atrás “quando o próprio Jesus se submeteu a ser um bebê e banhou em lágrimas de bebê a Sua divindade" … e naquela noite, quando aquela Criança pequenina estava deitada na palha de Belém, começou a emancipação de sexo feminino.
Quando Ele cresceu e começou a ensinar o caminho da vida, Ele conduziu a mulher a um novo lugar nas relações humanas. Concedeu-lhe uma nova dignidade e a coroou com uma nova glória, de modo que, onde quer que o evangelho cristão foi durante dezenove séculos, as filhas de Maria foram respeitadas, honradas, lembradas, e amadas, pois os homens reconheceram que a feminilidade é algo sagrado e nobre, que as mulheres são de um barro mais fino... mais ligadas aos anjos de Deus e têm a função mais nobre que a vida possui. Onde quer que o cristianismo se espalhou, por mil e novecentos anos, homens se curvaram e as honraram.
Ficou para o vigésimo século, em nome do progresso, em nome da tolerância, em nome da sofisticação, em nome da liberdade, arrastá-la do seu trono e tentar torná-la como um homem.
Ela quis igualdade. Por mil e novecentos anos ela não havia sido igual – ela havia sido superior. Mas agora, disseram, ela quis igualdade, e para obtê-la, ela teve que se rebaixar. E então é que, em nome da tolerância sofisticada, os vícios do homem agora tornaram-se da mulher.
A tolerância do vigésimo século ganhou para a mulher o direito de ficar embriagada, o direito ter hálito alcoolizado, o direito de fumar, a trabalhar como um homem e agir como um homem – porque não é que ela é igual ao homem? Hoje chamam de “progresso”, mas amanhã, ó Guardas das Fontes, eles terão que reconhecer que isso não é progresso.
Nenhuma nação jamais fez qualquer progresso num rumo para baixo. Nenhum povo jamais tornou-se grande baixando seus padrões. Nenhum povo jamais tornou-se bom adotando uma moralidade mais frouxa. Não é progresso quando o tom moral é abaixado. É nada de progresso quando a pureza não é mais doce. Não é progresso quando o sexo feminino perde sua fragrância. Seja o que for, não é progresso!
Precisamos de Guardas das Fontes que compreendam que o que é politicamente correto pode não ser moralmente certo. Nossa nação necessita hoje de mulheres que nos levem de volta a uma antiga moralidade, a uma antiga decência, a uma antiga forma de pureza e doçura, se para nenhuma outra razão, então para o bem da próxima geração.
Esta geração viu um novo tipo de feminilidade emergir da confusão atordoada dos nossos dias. Temos hoje nos Estados Unidos um padrão de vida mais alto que em qualquer outro país, ou em qualquer outro tempo na história do mundo. Temos mais automóveis, mais cinemas, mais telefones, mais dinheiro, mais bandas, mais rádios, mais televisores, mais boates, mais crime, e mais divórcio que qualquer outra nação no mundo. Mães modernas querem que seus filhos gozem das vantagens desta nova era. Querem que, se possível, eles consigam um diploma de universidade para colocar na parede de seu quarto, e o que muitas delas consideram como igualmente importante – um convite para um clube social. Estão desesperadamente ansiosas para que suas filhas sejam populares, embora o preço desta popularidade talvez não seja calculado até que seja tarde demais. Em resumo, elas querem que seus filhos prosperem, mas a definição comum de sucesso, de acordo com os padrões de nossos dia, é sobretudo materialista.
O resultado de tudo isso é que a criança moderna é criada num lar que é decente, educado, confortável, mas, totalmente sem fé. Ao nosso redor, vivendo na própria sombra das nossas grandes igrejas e belas catedrais, crianças crescem sem um pingo de treinamento ou influência Cristã. Os pais de tais crianças normalmente abandonaram completamente a procura por qualquer âncora espiritual. A princípio, eles provavelmente tiveram algum tipo de idealismo vago quanto àquilo que seus filhos deveriam ser ensinados. Podem lembrar algo da instrução religiosa recebida quando eram crianças, e sentir que algo semelhante deveria ser passado às crianças de hoje. Mas não podem fazer, porque a verdade simples é que não têm nada a dar. Nossa tolerância moderna tirou a educação religiosa das escolas públicas. Nossa vida moderna e nossa irreligião moderna a tirou dos lares.
Então resta só um lugar onde pode ser obtido, e isso está na Escola Dominical, mas não está mais na moda ir à Escola Dominical. O resultado é que há muito pouca educação religiosa, e pais que nem tampouco tiveram, não podem dá-la a seus filhos – portanto, temos o caso dos “cegos conduzindo os cegos”, e tanto filhos como pais quase que certamente acabarão na vala da incerteza e incredulidade.
Quando você pensa na sua própria mãe, lembrando-se dela com amor e gratidão – em tenro amor ou saudade solitária, estou plenamente seguro que as memórias que aquecem e amolecem o seu coração não são em nada parecidas com as memórias que as crianças de hoje terão... Porque você, sem dúvida, está lembrando-se do aroma de goma fresca no avental da sua mãe ou o aroma de uma blusa recentemente passada, o aroma de pão fresco, a fragrância das violetas que ela tinha na blusa. Seria uma pena se tudo que se pudesse lembrar fosse o aroma de tabaco e o odor de cerveja no hálito dela!
O desafio da maternidade do vigésimo-século é tão antigo quanto a própria maternidade. Embora a típica mãe americana tenha vantagens que as mulheres dos pioneiros nunca experimentaram – vantagens materiais: educação, cultura, avanços da ciência e medicina; embora a mãe moderna saiba muito mais sobre esterilização, dietas, saúde, calorias, germes, drogas, remédios e vitaminas, que a mãe dela sabia, há um assunto sobre o qual ela sabe muito menos – e este é Deus.
O desafio moderno à maternidade é o desafio eterno – o de ser uma mulher temente a Deus. Até a frase soa estranho nos nossos ouvidos. Nós não a ouvimos hoje em dia. Ouvimos sobre outro tipo de mulher – mulheres belas, mulheres inteligentes, mulheres sofisticadas, mulheres de carreira, mulheres com talento, mulheres divorciadas, mas tão raramente ouvimos de uma mulher temente a Deus – como nem tampouco de um homem temente a Deus.
Acredito que mulheres chegam mais perto de cumprir seu papel dado por Deus no lar do que em qualquer outro lugar. É uma coisa muito mais nobre ser uma boa esposa, do que ser a Miss América. É uma realização maior estabelecer um lar cristão, do que produzir um romance de segunda categoria cheio de sujeira. No âmbito moral, é uma coisa muito superior ser antiquado, do que ser ultramoderno. O mundo tem mulheres o bastante que sabem como segurar seus coquetéis e que perderam todas suas ilusões e sua fé. O mundo tem mulheres suficientes que sabem ser espertas. O que precisamos são mulheres dispostas a serem simples. O mundo tem mulheres o bastante que sabem como ser brilhantes. O que necessitamos são algumas que sejam corajosas. O mundo tem mulheres suficientes que são populares. Necessitamos mais daquelas que são puras. Necessitamos tanto de mulheres como de homens, que prefiram ser moralmente certos do que politicamente corretos.
Não nos enganemos – sem o cristianismo, sem educação cristã, sem os princípios de Cristo ensinados aos jovens, estamos simplesmente criando pagãos. Fisicamente, estarão perfeitos. Intelectualmente, serão brilhantes. Mas espiritualmente, serão pagãos. Que não nos enganemos. A escola não faz nenhum esforço para tentar ensinar os princípios de Cristo. A Igreja só não o pode fazer. Eles nunca podem ser ensinados o suficiente a uma criança, a menos que a mãe os conheça e os pratique todos os dias.
Se você mesmo não tem nenhuma vida de oração, é um gesto inútil obrigar seu filhos a fazer suas orações toda noite. Se você não entra numa igreja, é bastante vão enviar seu filho à Escola Dominical. Se você tiver o hábito de contar “mentirinhas”, será difícil ensinar seu filho a dizer a verdade. Se você contar coisas maliciosas sobre seus vizinhos e sobre outros membros da igreja, será difícil seu filho aprender o significado de bondade.
O desafio à maternidade do vigésimo-século – no final das contas – é para que as mães tenham uma experiência de Deus... uma realidade que elas possam passar adiante para seus filhos. Porque a mais nova das ciências começa a compreender, depois de um estudo dos ensinos de Cristo do ponto de vista da psicologia, que somente na medida em que o ser humano descobre e segue as eternas leis espirituais, é que irá encontrar a felicidade e contentamento que todos procuram.
Um pastor conta sobre sua ida a um hospital para visitar uma mãe cujo primeiro filho havia nascido. Era uma jovem totalmente moderna. O lar dela era bastante típico para jovens casados. "Quando entrei no quarto, ela estava sentada e escrevendo. 'Entra,' ela disse, sorrindo. 'Estou no meio da faxina, e eu quero sua ajuda'. Eu nunca tinha ouvido falar de uma mulher fazendo faxina enquanto estava numa cama de hospital. O sorriso dela era contagiante – parecia que ela havia descoberto uma nova e genial idéia. "'Tive uma oportunidade maravilhosa de pensar aqui,' ela começou, 'e me ajudaria a entender algumas coisas se pudesse conversar com o senhor.’ Ela baixou seu lápis e caderno, e dobrou as mãos. Então respirou fundo e começou: 'Desde que era menininha, eu odiava qualquer tipo de restrição. Eu sempre quis ser livre. Quando eu terminei o segundo grau, eu fiz um curso de administração e consegui um emprego – não porque necessitava de dinheiro – mas porque quis viver por conta própria. Antes que José e eu nos casássemos, dizíamos que nós não seriamos escravos um do outro. E depois que casamos, nosso apartamento tornou-se um quartel general para uma turma igual a nós. Nós não éramos realmente maus – apenas fizemos tudo aquilo que nos agradava'. Ela parou por um minuto e sorriu pesarosamente. 'Deus não significava muito para nós – Ignoramos Ele. Nenhum de nós queria filhos – ou pelo menos pensávamos que não queríamos. E quando soube que eu ia ter um bebê, eu tive medo'. Ela parou outra vez com olhar pensativo. 'Não é engraçado, as coisas que a gente pensava antes?’ Ela quase havia esquecido que eu estava lá – ela falava à menina que antigamente ela era antes de sua grande aventura. De repente, ela lembrou de mim 'Onde é que eu estava? Sim! Bem, as coisas estão diferentes agora. Eu não sou livre mais e eu não quero ser. E a primeira coisa que eu devo fazer é limpar a casa'. Aí ela levantou a folha de papel do caderno. 'Essa é minha lista de faxina. Veja, quando eu levar Bete da maternidade para casa comigo –nosso apartamento será o lar dela – não mais apenas o de José e eu. E não está pronto para ela agora. Certas coisas terão que ir – por causa de Bete. E tenho que fazer também uma faxina no meu coração e na minha mente. Não sou mais apenas eu, agora sou mãe da Bete. E isso significa que eu preciso de Deus. Eu não posso fazer meu trabalho sem Ele. Você poderia orar por Bete, José e eu, e pelo nosso novo lar'? Eu via nela todas as mães de hoje – mães em apartamentos minúsculos e em sítios solitários... em grandes edifícios e em casinhas de periferia, que estão enfrentando o desafio de todos os tempos - o de criar seus filhos no amor e conhecimento de Deus'. E parecia que estava vendo nosso Salvador – com os Seus braços repletos de crianças da Judéia distante – dizendo àquela mãe e a todas as mães – o velho convite tão necessário nestes dias: 'Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino de Deus pertence aos que são semelhantes a elas'."
Acredito que esta geração de jovens tem coragem o suficiente para encarar o futuro desafiador. Acredito que seu idealismo não está morto. Acredito que elas têm a mesma coragem e a mesma devoção às coisas valiosas que suas avós tiveram. Tenho plena confiança que elas estão ansiosas para conservarem o melhor da nossa herança, e Deus sabe que, se perdemo-lo aqui neste país, será perdido para sempre. Acredito que as mulheres de hoje não descuidarão de suas responsabilidades. Eis a razão pela qual eu ousei falar tão francamente. Guardas das Fontes, nós queremos cumprimentá-las!
Pai, retire de nós a sofisticação de nossa idade e o ceticismo que veio, como geada, para congelar e enfraquecer a nossa fé. Oramos para um retorno daquela fé simples, aquela antiga confiança em Deus, que fortaleceu e engrandeceu os lares de nossos antepassados, que construíram esta terra boa e que, ao edificá-la, nos deixaram nossa herança. No nome forte de Jesus, nosso Senhor, nós fazemos esta oração, Amém.
[Traduzido por Dennis Downing para o site www.hermeneutica.com]