quinta-feira, fevereiro 28, 2008

DISCIPLINA: A PROVA DA NOSSA FILIAÇÃO

A epístola aos hebreus é, sem dúvida nenhuma, um dos escritos neotestamentários mais obscuro quanto ao pano de fundo histórico. Contudo sua mensagem se reveste de valor inestimável, pois descreve a supremacia do cristianismo em relação a outras religiões. Para Calvino, depois da carta de Paulo aos Romanos, Hebreus a segue em importância. Portanto ainda que algumas questões não possam ser respondidas de forma satisfatória, devemos nos esforçar nas na tentativa em respondê-las, a fim de que tenhamos uma melhor compreensão do seu conteúdo.

Uma Destas questões é quanto a autoria d carta. Muitos nomes têm sido indicados: Paulo, Barnabé, Lucas, Clemente de Roma e Apolo. Origines foi o mais sábio na tentativa de identificá-lo: “O caráter de estilo da epístola aos Hebreus carece da rudeza expressiva do apóstolo (refere-se a Paulo); a epístola, idiomáticamente, é mais grega na composição de suas locuções. Aquele que está capacitado para reconhecer diferenças de estilo, poderá verificar isto. Mas, por outro lado, os pensamentos da epístola são admiráveis e de nenhuma maneira inferiores àqueles reconhecidos como escritos pelo apóstolo (...) porérm, quem foi o verdadeiro autor da carta, Deus sabe a verdade do assunto”[1]. Embora o autor nos seja desconhecido, sabemos, por outro lado, que o mesmo estava familiarizado com seus leitores (veja-se: 5.12; 6.9; 13.18,19, 23-24), conhecia Timóteo (13.23) e que pelo conhecimento do ritual judaico seria, provavelmente, judeu.

Esta epístola é dirigida a uma comunidade de crentes, onde seus leitores eram cristãos judeus. W. Manson sugere que a epístola toda estava dirigida a uma minoria de hebreus, que formavam uma seção da igreja judeu-cristã de Roma[2]. O que nos leva a datá-la no período anterior da perseguição de Roma em 64 d.C. “Moule aprecia a opinião... de que a epístola foi escrita antes de 70 A.D., quando ao rebentar a guerra judaica, uma onda de patriotismo pode ter perfeitamente varrido a palestina até cobrir toda a diáspora do judaísmo, constituindo uma grande tentação para que os cristãos judeus revertessem ao judaísmo”[3]. Portanto, o autor escreve a uma comunidade que teve que suportar uma perseguição severa por causa da fé em Jesus Cristo (10.32), alguns negligenciavam a assembléia pública (10.25) e outros apostataram de forma irrevogável (6.1-6); 10. 26-31). O autor recorda-lhes, então, o sofrimento de cristo (12.2,3) e exorta-os: “Ora na vossa luta contra o pecado, ainda não tendes resistido até o sangue” (v.4). Referia-se a um combate mortal. Desta forma, estava afirmando que eles ainda não haviam sido chamados a selar o seu testemunho com o próprio sangue. Ou como nos Lightfoot, “o teste deles não tinha sido do tipo mais severo, pois até aquela ocasião nenhum deles tinha morrido como mártir pela causa de Cristo”[4]. Na verdade estava dizendo que não era tempo de ficarem desencorajados, houveram irmãos (cf. cap. 11) que haviam permanecido firmes em meio a sofrimentos muito piores. Calvino afirma “que não há razão para pedirmos do Senhor um descanso, seja qual for o serviço que tenhamos prestado; pois Cristo não licenciará a seus soldados até que tenham conquistado a mesma morte”[5]. Em vez disso deviam dar-se conta que suas lutas presentes eram um sinal do amor de Deus por eles, revelando o Seu cuidado paternal. Contudo, a submissão à correção de Deus se faz necessária para evidenciar este cuidado, conforme observa Calvino: “...o apóstolo nos demonstra que as correções dó são paternais quando obedientemente nos submetemos a Ele”[6].

Deus se tem utilizado, muitas vezes, de provas difíceis e duras como métodos de nos disciplinar e como sinal de que realmente somos filhos amados de Deus (Hb 12.5,6). “Por meio de provações e dificuldades Deus treina seus filhos no caminho que deseja que sugam, e que essas dificuldades em lugar de servirem para indicar o desagrado de Deus, são na realidade uma prova de seu amor”[7]. Isto é claramente percebido no versículo 7, do capítulo 12, pois a falta de interesse de um pai em aplicar a correção é sinal de ilegitimidade, ou seja, “se Deus não se preocupassem em discipliná-los, então não seriam seus filhos”[8]. Observamos o que o autor diz em 5.8: “Embora sendo Filho (com referência a Cristo), aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu”.

Não nos esqueçamos que nosso Pai Celestial nunca irá nos impor uma disciplina que não seja para o nosso bem (Romanos 8.28). E o bem supremo que Deus tem para seus filhos é este: que eles participem de Sua santidade. “Os castigos de Deus estão destinados a subjugar e mortificar nossa carne, a fim de que sejamos renovados para uma vida celestial”[9]. Assim, a participação na santidade de Deus não pode ser interpretada literalmente, senão como meio que nos exercita na mortificação da carne. Portanto, a santidade é a meta pela qual Deus está preparando o seu povo, a qual será consumada de forma plena na manifestação final da glória de Cristo. Em nossas lutas não nos deixemos desanimar, antes, cientes de sermos filhos de Deus e que, por Ele mesmo, somos santificados, “corramos com perseverança a carreira que nos está proposta”.



[1] Citado por F.F. Bruce in La Epistola a los Hebreos, p.xxxvii.


[2] Ver F. F. Bruce, op.cit., p. xxiv, notá de rodapé no. 8.


[3] Citado por N. R. Lightfoot, Hebreus, p.37, cf nota de rodapé no. 40.


[4]Op.cit., p.283.


[5] Epistola a los Hebreos, p. 278.


[6] Op. Cit., p.279.



[7] Lightfoot, op. Cit., p.284.


[8] F.F. Bruce, op. Cit., p.360.


[9] Calvino, op. Cit. P.281.

terça-feira, fevereiro 26, 2008

SEJA SÁBIO, OBEDEÇA A DEUS NO TEMPO CERTO

O sábio nos diz: "tudo tem seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito para todo propósito debaixo do céu" (Eclesiaste 3.11). É fácil perder o tempo para determinada missão. Israel teve um tempo determinado para tomar posse da terra prometida; mas por causa da incredulidade, a oportunidade passou. Eles tentaram criar o seu próprio tempo, porém foram feridos e derrotados.
Assim, aprendemos que a nossa vontade tem de submeter-se ao tempo determinado por Deus. Os espias que subiram para ver a terra que o Senhor haveria de dar aos israelitas, não confiaram na promessa de Deus e seduziram todo povo a não subir (Leia Números 13,14). Como resultado dessa incredulidade aquela geração fora impedida de entrar na nova terra, morreram no deserto. Mas depois do castigo dado por Deus, sem buscar a direção e a vontade de Deus nesta nova situação, o povo se levantou pela manhã e subiu ao cume do monte dizendo: "Eis-no aqui e subiremos ao lugar que o Senhor tem prometido, porquanto havemos pecado" (Números 14.40). Moisés então os advertiu: "Por que transgredis o mandato do Senhor? Pois não prosperará (v.41). E pelo desprezo desta advertência, o povo multiplicou seus pecados contra o Senhor. Pelo uso da própria vontade, o povo se tornou rebelde contra Deus e presunçoso nas suas próprias capacidades. Porém nada prospera sem a aprovação de Deus. Deste modo o povo foi ferido e derrotado cruelmente pelos amalequitas.
Há neste episósido duas lições a aprender. Sem o devido preparo e aprovação de Deus boas intenções não tem nenhum valor e o fim é sempre desastroso. Segunda, um erro não pode corrigir outros erros. Permita Deus o Senhor que estejamos atentos ao Seu querer e prontos a obedecê-Lo, crendo em suas promessas. Lembre-se que episódios como este, são narrados para nos ensinar a n ão repetir os mesmos erros. Que sejamos sábios e cumpramos a vontade de Deus em nossas vidas, no tempo determinanado por Ele.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

AMAI-VOS UNS AOS OUTROS

“Acaso sou eu tutor do meu irmão?” Esta é a resposta dada por Caim a Deus quando interrogado acerca de seu irmão Abel. Caim se mostrou sarcástico e irresponsável diante de Deus.
O mandamento divino nos ensina que se alguém é meu irmão, então eu sou seu tutor. “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”, declara-nos Jesus. E isto inclui que devo cuidar dele com amor e preocupar-me com o seu bem-estar.
Creio que a primeira evidência de um cristão cheio do Espírito Santo não é uma experiência mística particular, mas o nosso relacionamento prático de amor com as outras pessoas. Falar do amor em termos abstratos e generalizados é fácil, o que nos torna hipócritas por não vivermos aquilo que cremos. O que se requer do verdadeiro cristão é um agir concreto em situações que realmente demonstramos amor. Por isso Paulo nos exorta: “Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura (...) levai as cargas uns dos outros e assim cumprireis a Lei de Cristo (Gálatas 6.1,2).
O relacionamento entre cristãos deve ser marcado pelo serviço. Se meu irmão tiver um fardo pesado, devo ajudá-lo a carregar esse fardo. Se ele cair em pecado, devo restaurá-lo, fazendo-o com mansidão. Isto é amar! O Rev. Ray Stedman declara: “Levar os fardos um do outro significa pelo menos apoiar um ao outro em oração. Significa também estra disposto a gastar tempo, tentando compreender profundamente o problema da outra pessoa e se comprometer num certo esforço de aliviar tensões ou desânimo, ou de achar algum modo de ajudar financeiramente ou com um conselho sábio”.
É através desta atitude que cumprimos a Lei de Cristo. A “lei de Cristo” é amar uns aos outros como Ele nos ama. Cristo deseja ver em nós qualidades do Seu caráter. Espera de nós ações que são de acordo com a Lei de Deus e com a mente do Espírito Santo de Deus.

O EXEMPLO DE NEEMIAS

A realização da obra de Deus é motivada por dois fatores essenciais: 1o) a convicção do chamado de Deus e, 2o), por uma necessidade específica. Este é o caso de Neemias. Em seu livro o vemos enfatizando que a reconstrução dos muros de Jerusalém era algo que Deus pusera em seu coração e esta vocação é despertada a partir das informações dadas por Hanani: Os restantes que não foram levados para o exílio se acham lá na província, estão em grande miséria e desprezo, os muros de Jerusalém estão derribados, e as suas portas queimadas (1.3). Portanto, a obra empreendida por ele não foi executada por capricho ou interesse particular, mas por vocação divina e uma real necessidade.O sucesso deste empreendimento viria não pelo poder e força humanos, mas do próprio Deus que nos chama. E Neemias sabia disto: “tendo eu ouvido estas palavras, assentei-me, chorei, e lamentei por alguns dias; estive jejuando e orando perante o Deus dos céus” (1.4). Precisamos lembrar ainda que realizar a obra de Deus implica, necessariamente, enfrentar obstáculos, encontrar oposição e dificuldades. E assim foi também com Neemias, pois inimigos se levantaram contra ele, zombando e o desprezando. Contudo, vemos Neemias com o povo lutando com uma das mãos e construindo com a outra (4.17). A convicção da presença de Deus nesta obra fez com que eles fortalecessem as mãos para a obra. Por fim, os muros foram edificados, provando que no Senhor o trabalho não é vão. Nós hoje, a semelhança de Neemias, temos uma grande obra a empreender. Não devemos nos abater com as dificuldades, mas nos envolver nesta luta com fé, oração e santificação. Lembre-se: “O Deus dos céus é quem nos dará bom êxito; nós seus servos nos disporemos e reedificaremos” (Neemias 2.20).

sexta-feira, janeiro 18, 2008

AS MARCAS DE JESUS - Gálatas 6.17

A palavra grega para “marcas” é stigmata, donde surge a nossa palavra estigma. Os homens da idade média acreditavam que essas marcas eram cicatrizes das mãos, dos pés e do lado de Jesus, e através de uma profunda identificação de Paulo com Cristo elas haviam aparecido no corpo do apóstolo. Entretanto, é muito pouco provável que as marcas de Jesus que Paulo levava fossem desse tipo.
No grego secular essa palavra relaciona-se com o verbo stizo, “ferrar”, “marcar com um instrumento pontiagudo”, e, quando se aplica a carne de homens e animais , “ferretear”, “tatuar”. Usava-se para a marcação de um escravo ou um criminoso. Creio com isso que Paulo não estava querendo dizer que tinha o seu corpo tatuado com um símbolo cristão, como a cruz, ou o nome de Jesus. Em 2 Coríntios 11.23-25 Paulo conta-nos dos sofrimentos enfrentados: açoites, apedrejamento, naufrágios, prisões, etc. Os ferimentos que seus perseguidores lhe infligiram e as cicatrizes que ficaram estas eram as marcas de Jesus. É possível que, neste texto, ele estivesse afirmando que a perseguição e não a circuncisão era a autêntica tatuagem cristã. O Rev. J. Stott declara que “como judeu, ele tinha em seu corpo a marca que os judaizantes enfatizavam; mas também tinha outras marcas, provando que pertencia a Jesus Cristo, não ao povo Judeu. Ele não havia evitado a perseguição por causa da cruz de Cristo. Pelo contrário, carregava em seu corpo ferimentos que o marcavam como verdadeiro escravo, um devoto fiel de Jesus Cristo”. Deste modo, o apóstolo está pensando metaforicamente no distintivo de Jesus sobre ele, o escravo do Senhor. Aos filipenses (3.3) escreveu: “Porque nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne”. Sua ênfase está não num rito exterior e físico como o da circuncisão, mas nas evidências internas que nos confirma como verdadeiros cristãos.
Temos nós hoje, em nosso corpo, as marcas de Cristo? Quais os sinais que evidenciam o senhorio de Jesus em nossas vidas? É claro que não falo de cicatrizes que possa haver em nossos corpos, pois, pela misericórdia de Deus, não enfrentamos perseguições. Contudo, falo de evidências em nosso viver diário que autenticam o nosso cristianismo; que comprovem que, verdadeiramente, somos de Cristo, somos filhos de Deus. Creio que algumas marcas são comuns a todos os cristãos.
A primeira delas é A MARCA DA CONVERSÃO. Li em uma revista cristã, intitulada Fé para Hoje, um tópico intitulado “Regeneração e Conversão”. Neste pequeno extrato de teologia o autor declara: “As Escrituras nos ensinam não somente que a regeneração é essencial em todo conversão, mas também que toda regeneração é invariavelmente acompanhada pela conversão responsável e inteligente da alma (...) a regeneração é uma obra divina, uma obra que transforma o coração do homem, por meio da soberana vontade de Deus; enquanto a conversão é a atitude de uma pessoa em voltar-se para Deus, tendo uma nova inclinação outorgada ao seu coração”.
A conversão é o lado humano da mudança espiritual que se opera no homem, a qual, vista do lado divino, nós chamamos de regeneração. Nela há dois elementos. O primeiro deles é negativo e é chamado de arrependimento, constituído de tristeza que sente o pecador pelo seu estado de miséria e da resolução de abandonar o pecado. O segundo é positivo, chamado de fé, que é a resolução do pecador de voltar-se para Cristo. Portanto a conversão envolve fé e arrependimento. Certo estudioso afirmou que “a conversão é tanto um evento como um processo. Significa a atuação do Espírito Santo sobre nós, por meio do qual somos movidos a responder a Jesus mediante a fé. Inclui também a obra contínua do Espírito Santo dentro de nós, purificando-nos e remoldando-nos à imagem de Cristo”. A prova de que a nova vida realmente começou precisa ser buscada na conduta diária da pessoa. Paulo exorta-nos “Desenvolvei a vossa salvação”. Temos nós apresentado em nosso viver a marca da conversão? Há evidências claras da graça de Deus operada em nós?
Outra marca que é comum a todos os cristãos é A MARCA DO SOFRIMENTO. O Rev. John MacArthur declarou que “a dor e o sofrimento são resultantes da hostilidade do mundo aos crentes e assim, seriam algo normal; alguma coisa que os crentes devem esperar acontecer em suas vidas”. Ainda que não gostemos de admitir, é algo que deve ser dito: o sofrimento faz parte da própria natureza da nossa vida com Cristo aqui neste mundo.. O Senhor mesmo declarou isto: “No mundo tereis aflições”; e referiu-se ao discipulado como “lançar mão no arado”, “tomar a cruz”, “negar a si mesmo”. Não devemos nos desanimar se nosso cristianismo não é popular e se poucos concordam conosco. “Estreita é a porta, e apertado o caminho e são poucos os que acertam por ela” (Mateus 7.14). Paulo enfrentou grandes tribulações, como já mencionamos, e ele comissionou Timóteo aos crentes de Tessalônica dizendo: “... a fim de que ninguém se inquiete com estas tribulações. Porque vós mesmos sabeis que estamos designados para isto”.
A Bíblia afirma que estamos crucificados com Cristo, o que nos identifica com o seu sofrimento e sua morte, ou como diz o apóstolo Pedro somos co-participantes dos sofrimentos de Cristo. Contudo, do mesmo modo que com Ele sofremos, também com Ele seremos consolados. “Se com Ele (Cristo) sofremos, também com Ele seremos glorificados” (Romanos 8.17). Paulo nos lembra que estas aflições sãos leves e temporárias em comparação com a glória eterna vindoura. Houve um missionário que resolveu colocar sua vida no altar de Deus. Trabalhou entre os índios da América do Norte. Seu nome: David Brainard. Ele calculou o preço de seguir a Cristo e deliberadamente fez uma escolha significava separar-se do mundo civilizado, com suas vantagens, e associar-se à dureza, ao trabalho e, possivelmente, a uma morte prematura. Morreu aos 29 anos devido a sua fragilidade física e aos rigores do campo missionário, ele contraiu tuberculose. Certo biógrafo escreveu: “Ele foi como uma vela que na medida em que se consumia, transmitia luz àqueles que estavam em trevas” (Testemunho extraído da Revista Fé para Hoje).
Uma terceira marca a destacar é A MARCA DO SERVIÇO. Marcos, o evangelista apresenta-nos Jesus como exemplo de servo. O próprio Mestre afirmou que não veio para ser servido, mas para servir. Toda existência foi gasta em prol do próximo. Suas palavras de graça, seu ensino com autoridade, seus milagres, tudo foi evidência que Ele havia vindo ao mundo para servir. Neste aspecto revolucionou o mundo grego, pois “a entrega voluntária de si mesmo ao serviço de seu próximo é estranha ao pensamento grego. O alvo mais sublime do homem era o desenvolvimento de sua própria personalidade”. Jesus traz a novidade de uma vida de serviço e exorta a sua igreja a seguir seu exemplo.
Paulo nos lembra que outrora fomos escravos do pecado, mas que pela misericórdia de Deus, Jesus Cristo nos libertou desta escravidão e nos fez escravos de Deus. Para o apóstolo o homem sempre será escravo; ou do pecado, que traz vergonha e morte, ou de Deus, que resulta em santificação e vida eterna. Ele mesmo se viu como servo de Deus e se considerava um ministro. Ele é ministro de Deus, de Cristo, do Evangelho e da Igreja. A palavra ministro traduz a palavra grega diakonos que quer dizer servo. Então, quando se referia a si mesmo como ministro não estava atribuindo um título de honra, mas colocava-se como servo de Deus, de Cristo, do Evangelho e da Igreja.
A Bíblia nos exorta: “esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens”. J. C. Ryle declarou: “Esforcemo-nos por deixar o mundo melhor, mais santo, mais feliz do que era quando nascemos. Uma vida dessa maneira verdadeiramente se assemelha à de Cristo”.Por certo poderíamos enumerar outras marcas, mas creio que estas já nos são suficientes. Que as marcas da conversão, do sofrimento e do serviço estejam presentes em nosso viver.

quarta-feira, novembro 28, 2007

NUNCA ESTAMOS SÓS

Há um cântico que nos diz: “Não há deus maior, não há deus melhor, não há deus tão grande como o nosso Deus”. Verdadeiramente o Deus que se revelou na Bíblia é incomparável e insondável. No salmo 139 somos lembrados que tentar enumerar todos os pensamentos sobre quem é Deus e o que Ele fez e faz é como tentar contar os grãos da areia da praia. Tal tarefa nos é impossível. Com isso podemos afirmar que a nossa mente só é capaz de compreender uma parcela infinitamente pequena da grandeza de Deus. Ainda que o nosso Deus seja imenso e incomparável, Ele se faz presente em nosso viver, Se preocupa conosco e deseja nossa companhia. Assim, declara o salmista: “Para onde me ausentarei do Teu Espírito? Para onde fugirei da Tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a Tua mão, e a Tua destra me susterá” (Sl 139.7-10). Este é o ensino bíblico; não é que meramente Deus estaria vendo o salmista onde quer que ele fosse, mas Ele estaria ali para guiá-lo e sustentá-lo. Tal doutrina nos enche de perplexidade, gera reverência, mas, sobretudo, se revela confortadora ao verdadeiro cristão. Podemos ter certeza da atenção integral de Deus. E ainda que o nosso problema possa ser profundamente misterioso a nós e inteiramente incompreensível aos nossos amigos, podemos dizer, em nossos momentos de aflição, o mesmo que declarou Jó: “Mas Ele(Deus) sabe o meu caminho...” (Jó 23.10). Deus jamais nos abandona e pôr mais solitários que nos sintamos, nunca estamos sós.

segunda-feira, outubro 15, 2007

O CULTO CRISTÃO

A Reforma Protestante ressaltou a autoridade e a suficiência das Escrituras. Daí afirmarmos que a Bíblia é a nossa regra de fé e prática. “Toda a Escritura é inspirada”, afirmou o apóstolo. Portanto, no que diz respeito ao culto cristão, devemos nos orientar pela Palavra de Deus. A nossa Confissão de Fé nos diz: “...o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por Ele mesmo, e é tão limitado pela Sua própria vontade revelada, que Ele não pode ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens, ou sugestões de Satanás, nem sob qualquer representação visível, ou qualquer outro modo não prescrito nas Santas Escrituras”[1]. A. A. Hodge comentando esta declaração afirmou: “Se Deus tem prescrito o modo aceitável de adorá-LO e serví-LO, é uma ofensa e pecado descuidar-se desse método ou preferir a prática inventada por nós...não só as doutrinas e mandamentos de homens, senão todo culto voluntário, isto é, atos e formas de culto inventados, são abominações para Deus”[2]. Vejam o exemplo bíblico de Abel e Caim (Gênesis 4.4-7). Reafirmamos que o culto é segundo a Palavra. “O problema de Caim e a aceitação de Abel é que no interior de ambos havia o chamado da Palavra; Abel resolveu obedecê-la e Caim resolveu seguir o seu próprio jeito. Esta é a primeira norma de Deus para o culto: ele deve ser bíblico, deve ser como Deus determina em Sua Palavra”[3]. Sendo assim, entendemos que Deus não somente ensina que devemos adorá-LO, mas também o modo como devemos adorá-LO. Então, a pergunta que devemos fazer antes de introduzirmos qualquer coisa em nossas liturgias deve ser: É bíblico? A Palavra de Deus nos ensina a adorarmos o nosso Deus deste modo?
Além de estar em concordância com a Palavra de Deus, o culto que prestamos a Deus deve proceder de uma vida cristã autêntica, isto é, exige vida de santidade, consagração. Lemos em Gênesis 4.4 que ”Agradou-se o Senhor de Abel e de sua oferta”. Primeiro vem o nome do adorador e então o culto. Para Ele o importante é o adorador, vindo, a seguir, o culto. Deus não aceita culto de ímpios (Isaías 1.11-14). Certa ocasião ouvi algo que é verdadeiro e que se aplica aqui: “Se não há culto na vida não há vida no culto”.
Outro aspecto a se destacar é que o culto deve ser solene, respeitoso. Deus é excelso, grande, Santo e Se agrada da reverência de Seus filhos. Quando Moisés chegou em Sua presença, recebe a ordem de tirar as sandálias dos pés (Êx. 3.5). Participar de uma reunião onde não há solenidade, não há respeito, pode estar certo, não há louvor ali. “O verdadeiro louvor tem uma conotação de consciência de Quem é Deus. Devemos expressar aquilo que Ele é, conforme revelado nas Escrituras e que tem sido experimentado em nossa vida diária”[4]: E conhecendo o caráter de Deus, a nossa adoração, necessariamente, deve ser reverente, condizente com a revelação que Deus faz de Si mesmo.
Por último, o nosso culto, nossa adoração deve ser alegre. O louvor que oferecemos a Deus é a expressão de nossa gratidão por todas as bênçãos que recebemos de Suas mãos. A vida e a preservação dela, a inteligência humana, a comunhão com Ele e com os nossos irmãos, o consolo nas aflições e sobretudo a salvação e a vida eterna em Cristo Jesus. Quando louvamos a Deus, nosso coração, nossa alma deve estar alegre, grata, jubilosa. Não precisamos, entretanto, confundir alegria com um turbilhão de emoções incontidas, ferozes e irracionais. Paulo escreveu que devemos cantar com o coração, mas também com o entendimento (1 Co 14.15; Rm 12.1,2).
Nosso louvor, nosso culto deve ser bíblico, fruto de uma vida consagrada a Deus, respeitoso e alegre.



[1] CFW, Cap. XXI.I
[2] Comentário de La Confision de Fe de Westminster, p.251
[3] Figueredo, C.A., Louvor e Vida, p.20
[4] Costa, H.M.P., O Verdadeiro Louvor, p11

domingo, outubro 07, 2007

TUDO O QUE TENHO, TUDO O QUE SOU

Tudo o que tenho, tudo o que sou...
Nada é meu;
Sequer pertenço a mim mesmo;
Tudo devo somente ao Deus gracioso,
Que a mim a vida emprestou.

São dádivas do meu Senhor,
Tudo o que tenho, tudo o que sou.
Por isso peço-Te:
Ensina-me a ser-Te
Fiel ó Amado benfeitor!

Oh! Tu que andas na solidão da tua riqueza
E, insensato,
Declaras a ti mesmo:
"Alma!descansa, come, bebe e regala-te".
E no solilóquio não te dás conta da pobreza!

Deus, então, te adverte:
"Louco! Esta noite te pedirão a tua alma;
E o que tens preparado, para quem será?"
Nada levarás para a sepultura,
Para onde descerá teu corpo inerte.

A Ti devo, ó meu Senhor!
Não a outro.
Tudo o que tenho, tudo o que sou.
Aceita a gratidão, o trabalho e a obediência
Do servo que vive por Teu favor!

Baseado em Lucas 12.13-21

FAZENDO A VONTADE DO PAI

Jesus havia deixado a Judéia e ia em direção à Galiléia. Era costume dos judeus, ao empreenderem tal viagem, atravessarem o Jordão desviando-se de Samaria, uma vez que eles não se davam com os samaritanos. Contudo,cumprindo o propósito do Pai, era necessário a Jesus atravessar a província de Samaria.
Cansado e com fome, evidenciando Sua humanidade, o Mestre assentou-se junto a fonte de Jacó, enquanto Seus discípulos foram comprar alimentos. Ao regressarem O encontraram conversando com uma mulher samaritana e embora admirassem tal fato, nada disseram. Tendo a mulher deixado o seu cântaro e ido à cidade testemunhar de Jesus; Seus discípulos insistiram a Jesus que se alimentasse. Jesus, então, responde-lhes: "A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar sua obra" (João 4.34). Nosso Mestre não perdeu a oportunidade de ensinar aos discípulos uma grande lição.
Jesus estabeleceu como prioridade em Seu viver a realização da vontade de Deus. O Pai O enviara com um propósito, assim, cabia-Lhe envidar todos os esforços para que este propósito se concretizasse. A realização da obra é uma necessidade básica, inerente ao Seu Ser. Deste modo, fazer a vontade do Pai, é a Sua maior necessidade.
Temos nós também dado ao Reino a prioridade necessária? Temos empreendido todos os esforços para realizarmos aquilo para o qual fomos chamados? Muitos têm se esquecido do ensino de Jesus: "Buscai, pois, em primeiro lugar, o Seu Reino e a Sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas" (Mateus 6.33). Neste episódio aprendemos a importância de se realizar a obra de Deus. Ela tem que estar acima de tudo e de todos, deve ser a primazia em nosso viver. Que o Senhor nos ajude a viver assim!

segunda-feira, outubro 01, 2007

EU, UM SERVO?

Encontramos em Jesus, o Servo por excelência. Ele afirmou que “o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (Marcos 10.45). A nossa nova vida em Cristo requer serviço, trabalho. “Por Jesus é trabalhar! Prontamente, fielmente, trabalhar! Em servi-Lo, que prazer! E só tu ó crente, o poderás fazer!”, diz um dos nossos hinos.

Impressiona-me a vida de um casal, Áqüila e Priscila. Em sua segunda viagem missionária Paulo os encontrou em Corinto. Levou-os a Éfeso, deixando-os ali. Depois, na segunda carta de Paulo nos diz: “Todos os irmãos vos saúdam. No Senhor, muito vos saúdam Áqüila e Priscila e, bem assim, a igreja que está na casa deles” (2 Co 16.19). Depois os encontramos em Roma e Paulo, na sua carta dirigida àquela igreja, escreve: “Saudai Priscila e Áqüila, meus cooperadores em Cristo Jesus...saudai igualmente a igreja que se reúne na casa deles” (Rm 16.3,5). Perceberam? Eram cristãos engajados na obra do Senhor e por onde passavam deixavam uma igreja! Precisamos de crentes assim!

Paulo nos diz: “porque de Deus somos cooperadores” (2 Co 3.9). Calvino afirmou que “algo extraordinário é dito aqui sobre o ministério, ou seja: que quando Deus resolve, por si mesmo, levar avante as coisas, Ele nos toma, seres insignificantes que somos, como seus auxiliares e nos usa como seus instrumentos”. Que privilégio tem o cristão! Foi convocado por Deus para engajar nas lides do Senhor!

Jesus contou-nos a parábola dos talentos para ensinar que os servos do Senhor devem ser fiéis, administrando pronta e eficientemente o que lhes foi confiado. S. Kistemaker comentando esta parábola declara: “O cristão que trabalha com fé colherá imensos dividendos. Ele não se preocupa consigo mesmo ou com seus próprios interesses, pois o que quer que tenha pertence ao Senhor, e o que quer que faça o faz pelo Senhor. Nenhum seguidor de Jesus pode jamais dizer que lhe faltam dons para o serviço, simplesmente por não ter a estatura de um Paulo, Lutero, Calvino ou Knox. A parábola ensina que cada um dos servos recebeu dons: “segundo a sua própria capacidade”. Jesus conhece a capacidade de cada cristão e espera receber frutos”. E você tem frutos a entregar ao Mestre ou só folhas?

sexta-feira, setembro 28, 2007

EU, UM DISCÍPULO?

Todo cristão é um discípulo. Embora, nem todo discípulo seja necessariamente um cristão. A Bíblia nos ensina que há casos que o discipulado é meramente nominal. Logo após Jesus ter afirmado ser o pão da vida, alguns dos seus discípulos se escandalizaram e João relata-nos: “À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com Ele” (João 6.66). Jesus mesmo nos ensinou: “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?’ Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal!” (Mateus 7.21-23).

Como discípulos de Jesus, temos como alvo a maturidade da vida cristã. Nas palavras do apóstolo Pedro, devemos crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (2 Pe 3.18). D. Bonhoeffer afirmou que “o chamado ao discipulado é comprometimento com a pessoa de Jesus Cristo” e o Rev.J. Stott que “um cristão não é somente um crente justificado: é uma pessoa que foi unida com Cristo Jesus de uma maneira viva e pessoal”. O verdadeiro cristão é aquele que se relaciona diariamente com Cristo, anda no Espírito. Isto implica envolvimento, exige de nós tempo. E assim o cristão convertido terá que acertar a sua lista de prioridades. Somos desafiados a revisar nosso sistema de valores. Buscar em primeiro lugar o Reino de Deus, pensar nas coisas que são de cima, do alto. O Pr Paulo Solonca está certo ao nos advertir que “Deus está a procura de verdadeiros adoradores – homens e mulheres que estejam prontos a comprometerem-se com Sua Pessoa, Seus ensinos, Seu reino. Deus sempre condenou a falsa religiosidade do seu povo. Ele está farto de membros de igrejas, domingueiros que mais se identificam com agentes secretos da fé cristã do que discípulos comprometidos com uma causa”.

O verdadeiro cristão tem prazer na Lei do Senhor e valoriza toda e qualquer oportunidade de ouvir a Palavra de Deus, seja ela proclamada na escola dominical, no culto ou nos estudos bíblicos. Jesus nos ordena fazer novos discípulos, pois o método da evangelização divina é o homem. Mas Deus não pode fazer algo através de mim antes de fazer algo em mim.

Temos nós andado com Jesus? Podemos afirmar como Paulo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim? Há evidências de um discipulado verdadeiro em nossas vidas?

quarta-feira, setembro 12, 2007

EVANGELIZAÇÃO - Parte 3

Jamais devemos esquecer que o homem natural é incapaz de compreender por si mesmo a mensagem cristã. Paulo afirmou que “o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parece loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1coríntios 2.14). A Bíblia nos diz que os homens estão cegos (2Coríntios 4.4), surdos (Atos 28.26,27; João 8.43) e mortos (Efésios 2.1). Assim devemos nos lembrar que a conversão de alguém não depende do meu poder de persuasão e, sim, da ação sobrenatural do Espírito de Deus, pois é Ele quem convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo (João 16.8). Assim devemos suplicar que o Espírito Santo nos use e, Ele mesmo, abra a mente dos que estão sendo evangelizados.

O apóstolo Pedro escreveu que o Senhor nos guia por seu exemplo (1Pedro 2.21). Devemos seguir os seus passos em todos os aspectos da vida, inclusive na maneira de testemunhar. Jesus em sua conversa com a samaritana junto ao poço de Jacó apresenta-nos alguns princípios que devemos seguir. Em sua oração sacerdotal, Jesus não rogou para que o Pai nos tire do mundo, mas que nos livrasse do mal. Assim, o primeiro passo no testemunho consiste em ter contatos sociais com os não crentes. Muitas vezes limitamos o nosso círculo de amizades aos irmãos da fé. Como poderemos levar pessoas a Jesus se não conhecemos os descrentes? Com isso, volto a dizer, que a igreja precisa ir em busca dos perdidos e a evangelização não pode ser limitada entre quatro paredes.. Jesus mesmo foi censurado por andar e comer com pecadores e em resposta afirmou que “os sãos não precisam de médico, e sim os doentes; não vim chamar justos, e sim pecadores” (Marcos 2.17). O segundo passo consiste em obter a atenção. O Mestre começou onde ela estava e iniciou sua conversa dizendo: dá-me de beber. Ele começou com algo que ela estava interessada. A partir daí, pouco a pouco, Ele desviou a conversa até chegar a uma realidade espiritual que ela nada sabia. O terceiro passo consiste em despertar interesse. A samaritana perguntou-Lhe: “Como, sendo tu judeu, pedes de beber a mim que sou mulher samaritana?” (João 4.9). O simples fato de Jesus conversar com aquela mulher põem abaixo barreiras sociais, religiosas, políticas e raciais. Assim, Ele a surpreendeu. E por não fazer discriminação, mas, antes, aceitá-la, conseguiu seu interesse. E mais ainda: “Replicou-lhe Jesus: Se conheceras o dom de Deus e quem é que te pede: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva” (João 4.10). Imediatamente ela respondeu: “...Senhor, tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; onde pois, tens a água viva?” (João 4.11). Em quarto lugar, devemos levar as pessoas a desejar o que lhe oferecemos. João 4.14,15. Obviamente que sendo uma mulher de má reputação, tendo que ir ao poço ao meio dia, quando ninguém estava por perto, ela estava interessada em não ter que vir ao poço tirar água, do que não ter sede novamente. Depois Ele trouxe à luz, a evidência do seu pecado. Eis aí o quinto ponto: convicção de pecado (joão 4.16-18). Por último, devemos levá-la a tomar uma decisão. João 4.26. Ela deveria aceitá-lo ou rejeitá-lo.

O Rev. James Kennedy nos diz: “Devemos familiarizar-nos com essas leis de persuasão e usá-las quando criticamos a nossa apresentação do Evangelho, para ajudar-nos a detectar os lugares da nossa fraqueza. Devemos perguntar a nós mesmos:

Falhei em conseguir a atenção deles em manter seu interesse? Se foi assim, por que e como posso fazer para mudar isto?

Até que ponto despertei o seu desejo de conhecer a Cristo e fazer parte do Seu Reino? Como isto pode ser aumentado?

A pessoa ficou convencida quanto aos seus pecados e sua necessidade de perdão? Se não, por quê?

Confrontei a pessoa claramente, com a necessidade que ela tem de fazer uma decisão por Cristo e dedicar sua vida a Ele com arrependimento e fé? Se não, como posso melhorar para a próxima vez?”[1].



[1] Evangelismo Explosivo, p.47

terça-feira, setembro 11, 2007

EVANGELIZAÇÃO - Parte 2

I. O QUE É EVANGELIZAÇÃO?

O verbo evangelizar no Novo Testamento significa “proclamar boas notícias”, “anunciar boas novas” ou simplesmente “pregar”. A evangelização consiste na pregação do Evangelho, as boas novas. Tanto o Rev. J. Stott como o Rev. J. I. Packer afirmam que a evangelização não pode ser definida em termos de resultado. “Evangelizar, na acepção bíblica do termo, não significa ganhar conversos (como em geral se pensa, quando usamos a palavra), mas simplesmente anunciar as boas novas, independentemente dos resultados”[1]. Contudo, isso “não quer dizer que devamos ser indiferentes quanto a ver ou não os frutos do nosso testemunho em favor de Cristo; se não estiverem aparecendo os frutos devemos buscar a face de Deus para descobrir o motivo”[2]. A evangelização não consiste em somente informar, transmitir as boas novas, mas também a conversão do pecador. O propósito de Paulo na proclamação do Evangelho era salvar pecadores. Em sua 1ª carta aos coríntios (9.22) declarou: “Fiz-me fraco para com os fracos, com o fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para com todos, com o fim de, por todos os modos salvar alguns”. Obviamente que a Bíblia declara peremptoriamente que a conversão é obra do Espírito Santo. O Rev. J. I. Packer observa que curiosamente o termo “conversão” aparece em três passagens bíblicas[3] com a idéia de converter alguém a Deus, porém o sujeito do verbo não é Deus, como esperaríamos que fosse. Isso indica que a conversão de outras pessoas deve ser o objetivo dos cristãos. “Evangelizar, portanto, não é simplesmente uma questão de ensinar, de instruir, de proporcionar informações às mentes dos homens. É muito mais do que isso. Evangelizar inclui o esforço de obter resposta afirmativa à verdade ensinada. É uma comunicação que tem em vista a conversão. É uma questão não meramente de informar, mas igualmente de convidar. É uma tentativa de ganhar, conquistar ou atrair nossos semelhantes para Cristo” [4]. Devemos nos empenhar nesta tarefa tendo como alvo a conversão e salvação de pecadores. Devemos lhes expor o Evangelho de Cristo de forma clara e levá-los a uma decisão.

II. MOTIVAÇÃO PARA A EVANGELIZAÇÃO.

Já mencionamos que os irmãos do primeiro século demonstravam um ardor pela evangelização. Paulo o demonstra quando, em Mileto, falou aos presbíteros de Éfeso: “... jamais deixando de vos anunciar cousa alguma proveitosa e de vo-la ensinar publicamente e também de casa em casa, testificando tanto a judeus como a gregos o arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo”[5]. Mesmo que fossem humilhados, torturados ou até mesmo perdessem a via, os cristãos estavam dispostos a anunciarem as boas novas do Evangelho de Cristo. Surge, então, a questão: O que motivou os cristãos da igreja primitiva a desempenharem com tanto fervor a obra de evangelização? Michael Green, em sua obra Evangelização na Igreja Primitiva, sugere-nos três razões explicam a motivação dos nossos irmãos:

Primeiramente destaca o sentimento de gratidão. “Estas pessoas (os cristãos) não difundiram sua mensagem porque fosse recomendável fazê-lo, nem porque fosse sua responsabilidade diante da sociedade. Eles não o fizeram, em primeiro lugar, por razões humanitárias ou beneficentes. Fizeram-no por causa da experiência extraordinária do amor de Deus que Jesus Cristo lhes proporcionara” [6]. Paulo afirmou que “o amor de Cristo nos constrange”[7]. Calvino comentando o texto afirma que “o conhecimento do imensurável amor de Cristo, do qual Ele nos deu evidência em Sua morte, deve constranger nossos afetos de modo que não sigam outra direção que não a de amá-lo em retribuição... Todo aquele que deveras procura ponderar nesse maravilhoso amor torna-se, por assim dizer, ligado a Ele e constrangido pelo mais estreito laço; e se devota inteiramente ao Seu serviço”[8]. João, o apóstolo do amor nos lembra: “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou e enviou o Seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. Amados, se Deus de tal maneira nos amou, devemos nós também amar uns aos outros ... E nós temos visto e testemunhamos que o Pai enviou o Seu Filho como Salvador do mundo (...) Nós amamos porque Ele nos amou primeiro”[9]. A evangelização cristã tem sua motivação na obra redentora de Deus em favor dos homens pecadores. Bem observou o Rev. J.I. Packer que “se uma pessoa ama alguém, estará constantemente procurando descobrir a melhor coisa que pode fazer por esse alguém e a melhor maneira de agradá-lo, tendo prazer em planejar coisas lhe dêem prazer. Se, pois, amamos a Deus – Pai, Filho e Espírito Santo – por tudo quanto Ele tem feito por nós, então devemos reunir toda a nossa iniciativa e empenho para em cada situação, fazer o máximo possível para a Sua glória – e uma das principais maneiras de fazer isso é procurar meios de propagar o Evangelho, obedecendo ao mandato divino de fazer discípulos por toda parte”[10].

O conhecimento que temos do amor de Deus por nós impulsiona-nos a realizar Sua vontade. Em Marcos 16.15 lemos a ordem de Jesus: “ide por todo mundo e pregai o Evangelho a toda criatura”. Estaremos dispostos a superar qualquer obstáculo que nos impeça de pregar o Evangelho, cumprindo a vontade de Jesus? Pedro e João, sim. Quando exortados para que não mais ensinassem sobre Cristo, responderam: “Julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos a vós outros do que a Deus, pois nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos” (Atos 4.19,20; ver também vv.29 e 31).

Se verdadeiramente amamos a Deus, guardamos os Seus mandamentos. Se de fato O amamos, proclamemos em todo parte e a todo homem a vida eterna que há em Jesus.

Em segundo lugar, o sentimento de responsabilidade. “Se anuncio o Evangelho, não tenho de que me gloriar; pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o Evangelho!” (1 Coríntios 9.16). Tais palavras evidenciam o senso de responsabilidade que tinha Paulo para com a evangelização. Jesus contou a parábola do servo obediente aos seus apóstolos, registrada em Lucas 17.7-10. O servo, depois de trabalhar no campo, tem de servir ceia ao seu senhor para depois se servir. Jesus, então, conclui: “Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer”. Somos servos inúteis, a quem nada se deve. Se nos empenharmos na evangelização não faremos nada além daquilo que devíamos fazer. Devemos nos lembrar que chegará o dia em que compareceremos ao tribunal de Cristo, quando nossas obras serão julgadas. Paulo nos lembra que neste dia “não somente trará à plena luz as cousas ocultas das trevas, mas também manifestará os desígnios dos corações; e, então, cada um receberá o seu louvor da parte de Deus” (!Coríntios 4.5; ver também 3.11-15). Mchael Green afirma que “a idéia da responsabilidade pessoal e de prestar contas a Deus, o juiz soberano, era um estímulo importante à evangelização na igreja primitiva” [11]. Precisamos resgatar este sentimento de responsabilidade ao mesmo tempo em que nos lembramos que teremos que prestar contas a Deus por nossas obras.

Por último, o sentimento de preocupação. Quando observamos o ministério terreno de Jesus é possível ver a compaixão que demonstrava para com os pecadores. Na ocasião da segunda multiplicação dos pães e peixes Jesus disse: “Tenho compaixão desta gente...” (Mateus 15.32). Em outra oportunidade é relatado que Jesus observando as multidões, “compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor” (Mateus 9.36). A própria encarnação de Jesus é uma demonstração de compaixão para com os pecadores. E essa mesma compaixão é evidenciada na igreja primitiva, pois sabiam que a única esperança para o mundo era Jesus. “A preocupação pelos não evangelizados era uma das grandes forças motivadoras da pregação cristã do evangelho na igreja primitiva”[12]. O desejo de conquistar pecadores, livrando-os das trevas do pecado, deveria ser, e é, o fruto espontâneo de alguém que nasceu de novo. Em nós o amor de Deus foi derramado, assim devemos amar os que se perdem do mesmo modo que fomos amados. Não podemos viver indiferentes diante da terrível realidade, de que o meu vizinho, meu colega de trabalho ou de escola, e muitos dos nossos familiares estão perdidos, longe de Deus e se nós nos calamos eles viverão uma eternidade sem Deus. O segundo grande mandamento é o de amar o nosso próximo como a nós mesmos. E se nós os amamos devemos proclamar-lhes o Evangelho de Cristo, que bem maior poderíamos dar ao nosso próximo senão a salvação? O Rev. J.I. Packer afirmou: “o impulso de evangelizar deve surgir espontaneamente em nossos corações, ao vermos a necessidade que nossos semelhantes têm de Cristo”[13].

Se deixarmos de nos empenhar na evangelização e não proclamarmos a mensagem do Evangelho, seremos responsáveis pelo destino dos que não ouviram. Ezequiel 3.17.19. Paulo sabia disso e por isso aos presbíteros de Éfeso afirmou: “Portanto, eu vos protesto, no dia de hoje, que estou limpo do sangue de todos; porque jamais deixei de vos anunciar todo o desígnio de Deus” (Atos 20.26).



[1] Stott, J., A Base Bíblica da Evangelização, in A Missão da Igreja no mundo de hoje, ABU, SP, 3ª.

edição, 1989,p. 39.

[2] Packer, J. I., op.cit., p.30.

[3] Lucas 1.16; Tiago 5.19 e Atos 26.18.

[4] Packer, J.I., p.36.

[5] Atos 20.20,21.

[6] Green, M., Evangelização na Igreja Primitiva, Ed. Vida Nova, SP,2ª edição, p.290.

[7] 1 Coríntios 5.14.

[8] Citado por R. B. Kuiper in Evangelização Teocêntrica, PES, SP, 1976, p.81.

[9] 1 João 4.10-12,14,19.

[10] Op.cit., p.55.

[11] Op.cit., p.301.

[12] Green, M., op.cit., p. 302.

[13] Op. Cit., p.53.

segunda-feira, setembro 10, 2007

EVANGELIZAÇÃO - parte 1

É comum ouvirmos de alguns membros e, até mesmo, de presbíteros e pastores, que o importante não está nos números, mas, sim, na qualidade. Este tem sido o argumento usado para justificar a falta de crescimento nas igrejas presbiterianas. Quando observamos o relato bíblico, a igreja primitiva crescia tanto em número como em qualidade. A qualidade, não exclui, de maneira nenhuma, a quantidade. Lucas, em Atos 9.31, escreveu: “A igreja, na verdade, tinha paz por toda a Judéia, Galiléia e Samaria, edificando-se e caminhando no temor do Senhor, e, no conforto do Espírito Santo, crescia em números”. Por que hoje não pode ser assim? O Rev. Augustus Nicodemus nos diz:

Que motivos Deus teria para querer que as igrejas reformadas fossem pequenas e que os anos se passem sem que novos membros sejam adicionados pelo batismo? Que motivos secretos levariam o Deus que nos mandou pregar o Evangelho a todo o mundo impedir que as igrejas locais reformadas cresçam em um país livre, onde a pregação é feita em todo o lugar e onde outras igrejas evangélicas estão crescendo vertiginosamente? Penso que o problema da naniquice não está em Deus, mas em nós. Ai de nós, porque além de não crescermos ainda culpamos a Deus por isso! [1]

O Evangelho não mudou e muito menos o nosso Deus. Concordo com o Rev. Nicodemus que o problema está em nós. Havia na Igreja primitiva um ardor pela evangelização. Sua prioridade era a evangelização. Não pretendo desconsiderar a doutrina, a oração e a comunhão, que devem existir na Igreja. “Fomos chamados para sermos a Igreja e ao mesmo tempo proclamarmos as boas novas: as duas coisas são absolutamente indissociáveis”[2]. Observamos, porém, que na Igreja primitiva, cada cristão era um missionário. Lemos em Atos 8.4: “Entrementes, os que foram dispersos iam por toda a parte pregando a Palavra”. Com a perseguição que sobreveio à Igreja de Jerusalém, todos, com exceção dos apóstolos que permaneceram em Jerusalém, foram dispersos e por onde passavam proclamavam o Evangelho. Lamentavelmente, como M. Green observa, “hoje tudo tende a centrar-se em torno do pastor. Espera-se que o servo remunerado da Igreja empenhe-se em falar de Deus, mas não os outros”[3]. Temos sufocado o nosso impacto na sociedade porque a Igreja, bem estabelecida e socialmente aceita, tem limitado a proclamação da mensagem de Cristo a um único ponto focal: o prédio da Igreja; e a um único ponto vocal: o pregador no púlpito. “Na Igreja primitiva, a política adotada era ir ao encontro das pessoas, onde elas estivessem, e fazer discípulos entre eles ... A Igreja de hoje tenta a implosão, o convite, ou seja, procura “arrastar” o visitante; a Igreja primitiva praticava a explosão, a invasão, saía ao encalço das pessoas”[4]. A evangelização é a vocação de todos os cristãos; todos são chamados a testemunhar. J.I. Packer, em sua obra intitulada: Evangelização e a Soberania de Deus, afirma que “a comissão de pregar o Evangelho e fazer discípulos jamais foi limitada aos apóstolos. Nem está atualmente confinada aos ministros da Igreja. Trata-se de uma comissão que repousa sobre toda a Igreja coletivamente e, portanto, sobre cada cristão individualmente”[5]. Portanto, o triunfo da Igreja primitiva está no fato de que cada crente era um missionário. Além disto, precisamos considerar a natureza da Igreja. A Bíblia usa várias figuras referentes à Igreja. Ela é o corpo de Cristo, a noiva de Cristo, o povo de Deus. Em todas estas figuras o que se destaca é o fato da Igreja ser um organismo vivo. O problema que muitas vezes pensamos na igreja como uma instituição ou num prédio em um determinado lugar. A Igreja é viva e tem vida. E como tal é natural que cresça. Howard A. Snyder afirmou que, segundo as Escrituras, a “igreja é uma comunidade carismática” pois “é através da graça (charis) que ela é salva, e através do exercício dos dons espirituais da graça (carismata) que a igreja é edificada” [6]. Paulo, em Efésios 4.16, escreveu: “todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor”.



[1] Dez Motivos pelos quais pastores conservadores costumam ter igrejas minúsculas, postado no

Blog Temporas-More.

[2] Green, M., Evangelização na Igreja Primitiva, in A Missão da Igreja no mundo de hoje, ABU, SP,

3ª edição, 1989, p.78

[3] Op.cit., p.56.

[4] Green, M., op.cit., p.57.

[5] Packer, J.I., Evangelização e a Soberania de Deus, p. 33.

[6] Snyder. H. A., A igreja como agente de Deus na evangelização, in A Missão da Igreja no mundo de hoje,

ABU, SP, 3ª edição, 1989, p.90.

UMA MENINA ANÔNIMA - 2 Reis 5.1-19

No chamado sermão do monte, Jesus, dirigindo-se aos seus discípulos disse: “Vós sois o sal da terra”. Depois de descrever o cristão nas bem-aventuranças, Ele nos diz o que o cristão faz. Nós somos sal e, assim, devemos “salgar”. Deste modo, destaca-se a diferença que há entre os cristãos e os ímpios. E como afirmou o Rev. Stott , “a influência dos cristãos na sociedade e sobre a sociedade depende da sua diferença e não da sua identidade”. Em nosso texto encontramos uma menina que fez diferença na sociedade em que se encontrava. Era uma jovem que conhecia e temia ao Senhor e estando na Síria como escrava, ainda assim, pode salgar. Tal como o sal, ela deu um novo sabor a vida de Naamã. Assim,quero destacar algumas coisas que são relevantes na vida daquela menina que são relevantes também hoje.

Muitas pessoas acham que o “poder”, o “sucesso” e o “dinheiro” são as coisas mais importantes no mundo. Assim vivemos dias marcados pela disputa, pela competição a qualquer custo, gerando ódio e conflitos que resultam em guerra declarada. Por outro lado, a Bíblia deixa claro que existe uma coisa muitíssimo mais importante: o amor! O amor sempre foi e é a coisa mais importante do mundo! O amor é um conceito eterno, o qual se relaciona com a própria essência de Deus. Deus é amor, afirmou João. O apóstolo quis dizer que a natureza essencial de Deus, o Deus vivo e pessoal, é amor. Deus é a personificação do amor. Como cristãos somos convocados a amar como Ele nos amou.

A jovem de nossa história abrigava em seu coração o amor de Deus. Ela foi capaz de amar o seu senhor, quando poderíamos esperar o ódio. Naamã, o herói de guerra, comandante do exército da Síria, o algoz de Israel. Ele a levou cativa e a fez serva em sua casa. Talvez esperaríamos que houvesse em seu coração o ódio, o desejo de vingança. Ela bem poderia ter negociado com Naamã a sua libertação. Ou simplesmente ter dito que sua doença era castigo de Deus, por destruir o povo de Deus. Mas, não! Ela o amou a ponto de dizer: “Oxalá o meu senhor estivesse diante do profeta que está em Samaria; ele o restauraria da sua lepra”. Jesus, no sermão do monte, nos diz: “Ouvistes o que vos foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste...” Isto só é possível a aquele em quem o amor de Deus foi derramado. “Nós amamos porque Ele nos amou primeiro”, escreveu João. Não é possível ter o amor de Deus e não ser capaz de amar ao próximo. É impossível ter um amor e não ter o outro. O amor cristão envolve a demonstração daquelas atitudes e ações para com os outros que Cristo demonstrou quando veio ao mundo e viveu entre os homens.

A menina anônima foi capaz de amar seu inimigo. E também foi testemunha do poder de Deus. Testemunhar, como um termo jurídico, consiste em “pessoa que viu e ouviu alguma coisa ou que é chamada a depor sobre o que viu e ouviu”. Aquela menina havia testemunhado os grandes feitos de Deus evidenciados pelo profeta Eliseu e, talvez, ouvido dos feitos do profeta Elias. Nos dias destes profetas, como uma nova etapa da revelação divina, muitos sinais e prodígios foram feitos. Ela sabia que o seu Deus era um Deus poderoso, capaz de mudar a vida de Naamã. Ela enxergou em meio à adversidade uma oportunidade de falar e testemunhar do poder de Deus. Ela não considerou sua posição, pois poderia ter pensado: eu sou uma simples escrava, por certo Naamã não me ouvirá. Mas ela não se calou, testemunhou do Deus de Israel. Quero lembrar-lhes ainda que somente aquele que verdadeiramente conhece a Deus e o Seu poder pode testemunhar. Era uma menina de fé! Seu testemunho levou a Naamã reconhecer que somente o Deus de Israel é Deus. “Eis que agora reconheço que em toda terra não há Deus senão em Israel. Nunca mais oferecerá este teu servo holocausto, nem sacrifícios a outros deuses, senão ao Senhor”.

Podemos também afirmar que aquela pequena seguiu o imperativo de Deus a Abraão: “Sê tu uma bênção”.

Bênção significa abençoar, tornar feliz. Aquela jovem trouxe a alegria a Naamã. Ele era um homem honrado, herói em sua terra e, como a Bíblia diz, “era grande homem diante do seu senhor, e de muito conceito”, contudo era leproso. A lepra era incurável naqueles dias, o que deveria causar-lhe grandes dificuldades, apesar de seu prestígio. E do mesmo modo que a luz dissipa a escuridão, a menina brilhou em meio às trevas. E que trevas. “Trevas de uma situação injusta na qual um povo vizinho, prepotente e cruel, fazia freqüentes incursões no território de sua gente, saqueando e levando presos indefesos cidadãos que, desse modo, se tornavam seus escravos”.

Necessitamos de mulheres, bem como verdadeiros crentes, que possam amar com o amor de Deus. Há uma sociedade que se perde sem conhecer a Deus e Seu amor. Compete a nós demonstrar o amor do Pai através das nossas atitudes. É preciso também testemunhar do poder de Deus. Muitas são as pessoas que estão contaminadas pela lepra do pecado e se deterioram dia após dia. Somente o poder de Deus pode restaurá-las, curá-las. E Deus nos usa para evidenciar o seu poder do mesmo modo que usou aquela menina. Devemos ser ainda bênção ao nosso próximo. È preciso que a nossa presença em meio aos ímpios possa abençoar, trazer a felicidade a estes que se perdem.