sexta-feira, outubro 13, 2017

ENQUANTO É DIA

     
O livro de Atos dos Apóstolos é um livro histórico, o qual relata-nos o desenvolver do cristianismo ao longo do primeiro século da era cristã. Leroy Aims em seu livro “A Arte Perdida de Fazer Discípulos” lembra-nos que “Deus usa as pessoas. Homens e mulheres escolhidos por Deus são os meios que Ele usa para a proclamação das boas novas... Deus não usa anjos como testemunhas do evangelho, e sim pessoas. Imagine o que Deus poderia ter feito para que as boas novas de Jesus chegassem a este mundo perturbado. Ele poderia fazer com que as estrelas no céu ficassem de tal forma que o texto de João 3.16 seria escrito em todas as línguas e visto por todos. Poderia colocar em órbita um anjo com um megafone, proclamando a mensagem de Cristo em todos os idiomas. Mas escolheu pessoas”. Ele está correto em sua declaração e o livro de Atos confirma isto, pois ali vemos Jesus continuando Seu ministério através de homens, que foram vocacionados, transformados e capacitados para realizar a obra de evangelização. Que tarefa grandiosa deveriam empreender os apóstolos e toda a igreja de Jerusalém! Como uns poucos homens simples e, em sua maioria, pescadores, poderiam realizar tal empreendimento, de levar ao mundo inteiro a salvação em Cristo Jesus? Aqueles poucos homens simples o fizeram e transtornaram o mundo com a mensagem de Jesus, pois Ele os revestiu com poder ao derramar sobre eles o Seu Espírito (Atos 1.8). A presença do Espírito Santo na vida daqueles homens os capacitou, fazendo-os lembrar dos ensinos de Jesus e dando-lhes ousadia e coragem para com toda a intrepidez proclamassem o Evangelho de Cristo.
Jesus nos deu uma grande responsabilidade: a de pregar as boas novas em todo o mundo. A igreja do século XXI precisa continuar comprometida com a proclamação do Evangelho assim como a igreja do primeiro século. Na igreja primitiva havia um ardor pela evangelização. E este desejo intenso deve existir na igreja hoje. A evangelização é a vocação de todos os cristãos; todos são chamados a testemunhar. O triunfo da igreja primitiva estava no fato de que cada crente era uma testemunha obediente de Jesus: Entrementes, os que foram dispersos iam por toda a parte pregando a Palavra (Atos 8.4).
Os dias são maus, vivemos em tempos selvagens como afirmou o apóstolo Paulo. Imoralidade, corrupção, torpeza e toda sorte de impureza permeia a nossa sociedade. Há um mundo corrompido carente da mensagem de salvação. E Jesus ainda fala a igreja atual: Ide e pregai o Evangelho a toda criatura. Deus nos chama para ser igreja, sal da terra e luz do mundo. Capacita-nos com Sua Palavra e com Seu Espírito Santo, dando-nos a mensagem e poder. Lembre-se das palavras de Jesus: Enquanto é dia, é necessário que realizemos as obras daquele que me enviou; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar (João 9.4). 

sábado, outubro 07, 2017

DIANTE DA MORTE

A cada dia deparamo-nos com fatos e histórias que nos chocam e nos fazem refletir. Stephen Paddock, um homem de 64 anos que não tem passagens pelas forças armadas ou antecedentes criminais, abriu fogo na plateia de um festival de música na cidade de Las Vegas nos EUA. Em seguida ele se suicidou. Ao menos 515 pessoas foram levadas a hospitais da cidade após o ataque e 59 pessoas morreram. Um brasileiro que estava de férias declarou: “Só escapei porque não consegui ingresso”. Para este jovem a morte esteve bem próxima e, neste momento, a vida para ele se revelou bela e valiosa! Quem de nós já não enfrentou o perigo da morte ao menos uma vez na vida? De certo modo ela está sempre diante de nós. As vezes ela se aproxima de uma forma mais clara e quase podemos tocá-la. Uma enfermidade que se agrava, um acidente do qual escapamos por pouco e outros fatos que experimentamos em nossa vida e que apontam para a fragilidade da existência humana e nos faz lembrar da realidade da morte. Não é preciso chegar perto da morte para descobrir que a vida é boa. Basta pensar que a morte é certa.
A Bíblia nos ensina: Que é a  vossa vida? sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa (Tiago 4.14). O irmão de Jesus fala-nos da fragilidade da existência humana comparando-a com um vapor. Moisés também fala-nos disto comparando a vida com uma planta que de manhã floresce e a tarde seca e murcha. A nossa existência é transitória, efêmera. Assim, precisamos encontrar o sentido para qual existimos ou a nossa vida não terá o brilho e vigor que uma vida humana deve ter. A vida faz sentido para quem encontra o sentido da vida. Paulo, o apóstolo, estando preso, impedido de viver como queria, e, em outras ocasiões enfrentando necessidades e privações, ainda assim conseguia transmitir uma qualidade de vida capaz de consolar de dentro da prisão aos que estavam livres. Tudo porque tinha um objetivo claro, definido: viver para realizar a vontade de Deus em sua vida e para testemunhar do Evangelho da graça de Deus. Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro, escreveu ele. Sua vida era de Cristo e para Cristo.
Jesus declarou: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. A vida é Cristo e aqueles que não O receberam não têm a vida. Só vive quem já se encontrou com Cristo e passou da morte para a vida.  Só encontrou um motivo de existir aquele que tomou uma decisão de estar com e em Cristo. Não sabemos quando a morte nos virá, mas é certo, ela virá.  Diante da realidade da morte, é tempo de decidirmos pela vida. É momento de decidirmos por Cristo, pois Ele promete: Quem crê em Mim, ainda que morra, viverá.

terça-feira, janeiro 10, 2017

APRENDENDO COM NEEMIAS

O ano de 2016 terminou. Olhamos para trás e vemos sonhos alcançados e desafios superados e, assim, declaramos: “até aqui nos ajudou o Senhor”. Por certo, nem tudo conseguimos realizar. Alguns projetos nem saíram do papel, outros foram interrompidos por dificuldades várias. Um novo ano nasce e com ele surge a expectativa de novas realizações ou reiniciar o que paramos. Se observarmos apenas os desafios, os obstáculos e as nossas limitações não alcançaremos o nosso alvo, cairemos abatidos e desanimados. Perseverança é a palavra chave. A Bíblia nos exorta a correr com perseverança a carreira que nos está proposta (Leia Hebreus 12!). Se desejarmos ser perseverantes, devemos observar a vida dos servos de Deus no passado. Creio que vislumbrar os feitos de Deus através destes servos é encorajador para nós. Dentre muitos heróis da fé cristã quero convidá-lo a refletir na vida de Neemias. Ele foi escolhido por Deus para a obra de reconstrução dos muros de Jerusalém. Os desafios foram muitos. Uma cidade desolada e destruída, desprovida de recursos. Um homem (e era apenas um homem!) exilado, que era escravo. Contudo, Neemias revelou-se compassivo e temente a Deus. Sua compaixão por seu povo o fez se humilhar e colocar-se de joelhos na presença de Deus. E em 52 dias Neemias alcançou seu objetivo: “Acabou-se, pois, o muro aos vinte e cinco dias do mês de elul, em cinqüenta e dois dias” (Neemias 6.15). Qual o segredo do sucesso na obra de Neemias? Quais os fatores que o levaram a ser bem-sucedido em seu empreendimento? Enumeramos três aspectos importantes: O primeiro é o trabalho em equipe. O capítulo 3 descreve o envolvimento do povo na obra de reconstrução. John White observa que 39 grupos diferentes de trabalhadores estiveram envolvidos na obra. O chamado, a visão foi de Neemias, mas ele não poderia reconstruir sem a participação do povo de Jerusalém. “Nenhum líder pode liderar sem delegar responsabilidades para outras pessoas”. Deus queria usar todos, e todos podiam contribuir independentemente de sua função, posição social ou técnica. O povo como um todo participou da construção do muro. Foram muitos que contribuíram. Com diferentes posições, diferentes ideias e diferentes talentos, mas com um objetivo em vista, conseguiram atuar em equipe sob a liderança de Neemias. O segundo é oração e trabalho. A realização da obra de Deus despertou oposição (Neemias 4:2-3). A resposta de Neemias a esta oposição foi a oração (4:4-5). Ele colocou em prática aquilo que Paulo nos ensina (Rom 12:19). Neemias tem na oração o fato de deixar a vingança nas mãos do Senhor. E após a oração, seguiu-se o trabalho, continuaram a obra de reconstrução (4:6). E, em terceiro, vigilância. A dificuldade foi aumentando cada vez mais e o povo se desanimou: “Então, disse Judá: Já desfaleceram as forças dos carregadores, e os escombros são muitos; de maneira que não podemos edificar o muro” (4:10). A pressão parecia começar a fazer efeito. Mais uma vez vemos a liderança de Neemias: “Então, pus o povo, por famílias, nos lugares baixos e abertos, por detrás do muro, com as suas espadas, e as suas lanças, e os seus arcos; inspecionei, dispus-me e disse aos nobres, aos magistrados e ao resto do povo: não os temais; lembrai-vos do Senhor, grande e temível, e pelejai pelos vossos irmãos, vossos filhos, vossas filhas, vossa mulher e vossa casa” (4:13-14). Tal atitude frustrou os inimigos (4:15). Encontramos um povo que tem nas mãos a espada e a pá, que não baixa guarda, vigia e trabalha!

A cooperação do povo e a liderança de Neemias foram vitais para a difícil tarefa de reconstruir os muros da cidade. Se quisermos ter bom êxito na obra de Deus, devemos aprender a trabalhar em equipe, dedicar-nos à oração e nunca baixar a guarda. Essas lições de Neemias são muito úteis e devemos usá-las em nossa vida diária. 

*primeira pastoral do boletim da IP de Sapopemba

terça-feira, janeiro 03, 2017

O OFÍCIO DE PRESBÍTERO

 As Escrituras relatam-nos que Jesus, ao contemplar as multidões, sentiu profunda tristeza, pois estavam “aflitas e exaustas, como ovelhas que não tem pastor”  . Por isso, como o Supremo Pastor das ovelhas, Jesus tem comissionado homens aos quais lhes tem dito: “apascenta as minhas ovelhas” . E, diante de tamanha responsabilidade, nós os comissionados devemos buscar no ministério do Grande Pastor um modelo pastoral ideal. Isso nós encontramos no Evangelho de João 10.1-16. Nesta passagem encontramos as qualidades do Bom Pastor.
1) É aquele que conhece as suas ovelhas. Esta é uma das qualidades ministeriais que encontramos em Jesus. Ele chama pelo nome as suas próprias ovelhas. Ele conhece as suas ovelhas; e elas O conhecem. Há aqui uma compreensão pessoal e não meramente intelectual. Está implícito um relacionamento de confiança e intimidade.  Portanto, a característica básica dos pastores comissionados por Cristo é o relacionamento pessoal que se deve desenvolver entre o pastor e as suas ovelhas. O Rev. John Stott afirma que “talvez a primeira característica dos subpastores de Cristo seja o relacionamento pessoal que se deve desenvolver entre o pastor e as pessoas. Elas não são clientes nossos, nem nossos eleitores, pacientes ou fregueses. E muito menos são meros nomes guardados em registro ou, pior ainda, números de um arquivo de computador. São indivíduos, pessoas que nós conhecemos e que nos conhecem”  . R. Baxter em sua obra, O Pastor Aprovado, afirma que “precisamos conhecer cada pessoa das que estão a nosso cargo, pois como poderemos olhar por elas, se não as conhecermos? Devemos ter conhecimento completo dos que fazem parte do nosso rebanho. Como um pastor cuidadoso cuida de cada ovelha, individualmente, ou como um bom mestre-escola cuida bem de cada aluno, individualmente, ou como um bom médico conhece a cada um de seus pacientes”.
2) É aquele que serve as suas ovelhas. Jesus afirma: “Eu sou o bom Pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas”. Ele se dedica ao bem estar delas, e toda a Sua vida é dominada pelas necessidades delas. Como pastores que somos, fomos chamados para cuidar de pessoas as quais o próprio Deus nos confiou.  “Uma das coisa fundamentais ao ofício e à profissão de um pastor é isto: paixão suficiente para providenciar que suas ovelhas tenham tudo de que carecem, e senso bastante para evitar que elas tenham aquilo que as machucaria ou que as destruiria”. Nem sempre é tão fácil servir ao rebanho de Deus, pois tal qual uma ovelha, os homens se mostram obtusos, desviam-se do caminho facilmente. Outras vezes são exigentes, mal-agradecidos, sendo-nos difícil de amá-los. E nessa hora devemos nos lembrar que eles são rebanho de Deus, comprados com o sangue de Cristo e confiados aos nossos cuidados. Como nos ensina Baxter: “ouçamos as palavras de Cristo, toda vez que sentimos crescer em nós a tendência para nos tornarmos lerdos e relaxados: “Morri por eles, e vocês não querem cuidar deles? Eles foram dignos do meu sangue e todavia não são dignos do seu labor? Fiz e sofri muitíssimo pela salvação deles, me dispus a fazer de vocês por cooperados meus e, contudo, se recusam dar-me o pouco que tem em mãos?” Assim, toda vez que olharmos para os que congregam em nossas igrejas, lembremos vividamente que elas são a aquisição feita pelo sangue de Cristo”.
3) É aquele que guia as suas ovelhas. Como ministros de Cristo é nossa responsabilidade guiar as pessoas de tal modo que seja seguro para elas seguirem a nós. Com isso temos que ser para elas um exemplo coerente e confiável. John Stott nos diz que “Jesus introduziu no mundo um novo estilo de liderança, a saber, a liderança pelo serviço e pelo exemplo, e não pela força”  . É isso o que nos ensina o apóstolo Pedro: “Pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade, nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho”.
4) É aquele que alimenta as suas ovelhas. Cabe aos presbíteros alimentar o rebanho de Deus. Somos exortados por Paulo, o apóstolo, a pregar a Palavra, em tempo oportuno ou não, a corrigir, repreender e exortar com toda longanimidade e doutrina. O pastor, ministro ordenado, é, acima de tudo, um ministro da Palavra. Mas duas das qualidades necessárias para o exercício do presbiterato são que ele seja apto para ensinar e apegado a Palavra fiel que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder, assim para exortar pelo reto ensino como para convencer os que o contradizem. Stott nos lembra: “Seja nas igrejas cansadas do ocidente ou nas vibrantes igrejas de muitos países no terceiro mundo, nada mais é necessário hoje, do que uma exposição fiel e sistemática da Escritura no púlpito (...) É demais o número de congregações que estão enfermas e até mesmo morrendo de fome por falta do alimento sólido da Palavra de Deus”  .
5) É aquele que guarda as suas ovelhas. Phillp Keller em sua exposição do salmo 23 nos lembra que “outra tarefa que o cuidadoso pastor realiza durante o verão é manter uma vigilância constante por causa dos animais de rapina. Ele procura sinais de lobos, coiotes, onças e ursos. Se esses animais atacam ou importunam o rebanho, ele sai à caça deles, ou então esforça-se ao máximo para apanhá-los em armadilhas, a fim de que o rebanho descanse em paz”. Como pastores do rebanho de Deus devemos ser vigilantes  e não permitir que falsos ensinos penetrem em nossos templos, para que são sejamos considerados pastores inféis que permitiram que o rebanho se espalhasse e se tornassem pastos para todas as feras do campo (Ez 34.5). É responsabilidade nossa não só ensinar a sã doutrina mas também “convencer os que contradizem” (Tt 1.5). “Quando um fogo se acende, tratem logo de apagá-lo no início. Não deixem sequer uma fagulha rebrilhar, antes de vocês extingui-lo. Assim, vão logo a todas as pessoas que vocês desconfiam estarem contagiadas. Aconselhem-nas até estarem certos de que se recuperaram daquele mau espírito”.
6) É aquele que busca as suas ovelhas. Vejam a declaração de Jesus em João 10.16. E em Lucas há o registro da parábola da ovelha perdida, onde o pastor se esforça em encontrá-la e restaura-la ao rebanho.
Eis aí o modelo pastoral de Cristo, que nos serve de diretriz para o desenvolvimento de nosso ministério. Como  presbíteros do rebanho de Deus devemos conhecer,  servir, guiar, alimentar, guardar e buscar nossas ovelhas

sábado, setembro 17, 2016

O CRISTÃO E O DESÂNIMO

No livro “O Peregrino”, que descreve a viagem  de Cristão ruma  à Cidade Celestial, o personagem de John Bunyan, após passar pelo Desfiladeiro da Dificuldade, chega ao Palácio  Belo.  Cristão, então,  pergunta  ao  porteiro: “Que  casa  é  esta?”  E  este  lhe responde: “Esta casa foi construída pelo Senhor do morro, e ele a ergueu para alívio e segurança dos peregrinos...” Em   nossa   peregrinação   rumo   à   Jerusalém   enfrentamos   muitas   dificuldades   que podem nos desencorajar em nossa caminhada. E este tem sido um instrumento que o diabo tem usado para nos impedir de alcançar nosso destino. Conta-se uma lenda em que o  diabo  fez  um  leilão  das  suas  ferramentas  de  trabalho. Num canto  escondido encontrava-se  uma  ferramenta  com  a  placa: “Não  está  a  venda”.    Indagado o porquê  de  não  estar  à  venda,  ele  respondeu: “Algumas  ferramentas  são  indispensáveis.  Essa  é  uma  delas.  Com  ela  posso  penetrar  profundamente  nos  corações  dos homens, esmagando suas emoções e imobilizando suas mentes”. E esta ferramenta é o desânimo.  O antídoto para combater ao veneno do desânimo é o encorajamento.  Encorajar consiste em “dar  coragem”, “estimular”, “incentivar”.    Esta é  uma necessidade que todos nós precisamos,  pois nos deparamos com  muitas dificuldades em nosso dia.  Salomão nos ensina que “do fruto da boca o coração se farta, do que produzem os lábios se satisfaz. A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto” (Provérbios 18.20,21). É por isso que Deus proporciona  momentos  para nosso  alívio.  É na comunhão com o povo de Deus que encontramos estes momentos. Há um cântico antigo que nos diz: “Quando estou com o povo de Deus eu sinto a maior alegria, quando estou com o povo de Deus eu vejo a real harmonia, que prazer ver o povo de Deus louvando”.  Quando nos reunimos em adoração comunitária, nos encorajamos mutuamente ao ver o que Deus tem feito em nossas vidas, e nos alegramos com Seus feitos. Dai a exortação bíblica para não deixarmos de congregar (Hebreus 10.24,25). Busque a comunhão do povo de Deus, pois nesta comunhão encontramos força para viver! O Rev. Mauro S. Aiello nos ensina: "Lembre-se que uma brasa fora do braseiro esfria e morre. Lembre-se que a fé tem forte componente comunitário. Lembre-se que é muito melhor habitar no tabernáculo do Senhor do que nas tendas da perversidade. Lembre-se de evitar conselhos de ímpios. Lembre-se de não se deter no caminho daqueles que amam o pecado. Lembre-se de não assentar na roda dos escarnecedores. Seja um cristão que ama a Igreja pela qual Cristo morreu. Não maltrate aquela (Noiva de Cristo) por quem Cristo deu sua preciosa vida e derramou seu precioso sangue. Lembre-se antes que você se esqueça do quão bom é viverem unidos os irmãos".  E acrescento: Lembre-se que a comunhão vence o desânimo!

quinta-feira, agosto 18, 2016

CORAGEM!

Deus ecoou aos ouvidos do apóstolo Paulo: Coragem! É uma palavra de estímulo, de ânimo para continuar fazendo o que se está fazendo. O apóstolo estava em Jerusalém e, mesmo diante de muitas ameaças, testemunhava de Cristo e de Sua salvação. Foi quando Deus lhe falou: "Coragem! Assim como você testemunhou a  meu respeito em Jerusalém, deverá testemunhar em Roma" (Atos 23.11).  As vezes, realizar a obra de Deus e envolver-se com o ministério da evangelização, como afirma o poeta sacro, "é duro o chão e semear parece em vão". Contudo, devemos ouvir a voz de Deus que nos diz: Coragem! É preciso prosseguir, continuar e perseverar, não obstante, os muitos obstáculos que enfrentamos. No devido tempo a semente produzirá o seu fruto. Lembre-se que "quem observa o vento não plantará! Quem olha pras nuvens nunca colherá! (...) Mas não te esqueças que o vento soprou (...sopra e soprará) Pra onde Deus quiser que vá! É ele, e não eu, que opera o germinar; Que faz crescer a planta e o fruto dar". Na carta aos Hebreus encontramos exemplos de irmãos que foram perseguidos, encarcerados, serrados ao meio, apedrejados, queimados vivos e, no entanto, forma fiéis a Deus. Eles não se entregaram e não negaram o Nome de Jesus, pois ouviram a voz de Deus em seus ouvidos: Coragem! Deus não nos torna insensíveis aos sofrimentos. Não temos prazer na dor. Porém, Deus acrescenta às nossas aflições a graça. Ele nos diz: "A minha graça te basta". Alguém com muita propriedade afirmou: "Em certos casos o milagre não se dá no livramento, mas na coragem para resistir à provação".  Assim, olhando firmemente para o Autor e consumador da nossa fé, prossigamos em realizar a vontade do nosso Pai celestial. Ele continua dizendo: "Coragem!"

sábado, março 26, 2016

EM VERDADE TE DIGO QUE HOJE ESTARÁS COMIGO NO PARAÍSO – LUCAS 23:43

Edward Donnelly escreveu um livro cujo título nos chama a atenção: Depois da morte o que? Este título trás uma indagação que nos remete às questões existenciais da humanidade, quando nos perguntamos sobre quem somos, bem como para aonde vamos. Interessante notar que o episódio narrado por Lucas em seu evangelho, descrevendo o encontro do Cristo crucificado com os dois malfeitores, vem ao encontro dessas inquietações humanas, revelando-nos quem somos e apontando-nos para a eternidade do ser humano. Somos todos eternos. Deus nos fez eternos a fim de que experimentássemos uma humanidade completa por meio da comunhão com o Deus eterno. Contudo, o pecado irrompeu em nossa história nos fez des-humanos ou sub-humanos (não há como duvidar deste fato, pois a realidade da nossa sociedade aponta-nos para a nossa desumanidade) e trouxe-nos a morte, a separação eterna com o nosso Criador. É por meio da cruz e da ressurreição, a obra consumada por Cristo, que Deus restaura ao homem pecador sua dignidade e sua comunhão com o Criador. Jesus veio para salvar homens pecadores dos seus pecados. Ele mesmo afirmou que “o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido” (Lucas 19:10). Ao analisarmos a narrativa de Lucas nesta passagem podemos observar que:
1. O paraíso que Cristo nos oferece é gratuito. A vida eterna é inteiramente gratuita, não depende daquilo que fazemos, mas fundamenta-se na vontade e ação de Deus. Nas Palavras do apóstolo Paulo, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia (Rm 9.16). O ladrão estava cravado na cruz de pés e mãos e ele nada podia fazer pela sua vida. Todavia, a graça de Cristo o salvou! Hoje estarás comigo no paraíso! Wierbse: “O julgamento e a morte de Jesus Cristo revelaram tanto a perversidade do coração humano quanto a graça do coração de Deus. Enquanto os seres humanos mostravam o pior de si, Deus lhes dava o que tinha de melhor. "Mas onde abundou o pecado, superabundou a graça" (Rm 5:20)”.
2. O paraíso que Cristo nos oferece requer arrependimento. A mensagem de Cristo foi e continua sendo: “arrependei-vos e crede”. O arrependimento não é uma condição prévia para se alcançar o favor de Deus, mas é a resposta à graça que foi dispensada. Arrependimento significa “passar por uma mudança de mente e sentimentos”, “fazer uma mudança de princípios e práticas”. Essa mudança profunda e radical ocorre quando, pela graça de Deus, compreendemos o amor gracioso de Deus por nós pecadores. O ladrão da cruz evidenciou-se arrependido, deu evidências de seu arrependimento ao repreender seu companheiro que blasfemava. Ele reconheceu seu pecado; a santidade e justiça de Cristo; creu que Cristo poderia salvá-lo e, em humildade, clamou por salvação (vv.40-42).
3. O paraíso que Cristo nos oferece é eterno. Diante do clamor arrependido do ladrão, Jesus respondeu: em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso. Jesus lhe promete uma comunhão imediata, consciente e eterna com Ele no paraíso. O paraíso é um termo persa, cujo significado é “um lugar de delícias” e aqui, bem como nas duas outras ocorrências do NT, designa o céu, o lugar da morada do Deus eterno. Estar no paraíso é desfrutar de uma comunhão plena e perfeita com Deus. Comunhão que experimentamos a partir do nosso encontro com Cristo, que continuamos a experimentar após a nossa morte, mas que se tornará uma bem-aventurança perfeita no dia da ressurreição, no dia de Cristo.

            Irmãos e amigos, o paraíso é uma oferta a todos os pecadores. Dois ladrões, ambos indignos,  imerecedores, pecadores e carentes do perdão de Deus. Dois ladrões, ambos viram o Cristo, ouviram do amor e da graça de Deus. Dois ladrões, um incrédulo, indiferente e que permaneceu perdido, como sempre; outro arrependido, humilde, clamou por misericórdia e foi salvo. E você? Hoje recordamos a paixão de Cristo, a Sua entrega voluntária por pecadores, satisfazendo a ira e a justiça de Deus; demonstrando a graça, o amor e misericórdia de Deus. Que diante deste Cristo, aos pés de sua cruz, arrependidos, alcancemos o paraíso!