terça-feira, dezembro 05, 2006

A JUSTIIFICAÇÃO DO PECADOR

A Bíblia, ao descrever a condição natural do homem, de toda humanidade, fala-nos que “todos estão debaixo do pecado...não há um justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram...pois todos pecaram”(Rom. 3.9-12,23). Todos, independentemente da cor, da raça, do conhecimento e da posição social – todos. Como afirmou certo estudioso, “esta palavra de cinco letras é, na realidade, uma das mais compreensivas do nosso idioma, uma das mais cheias de significado. Chega, através dos séculos, até ao primeiro homem; alcança a todos os recantos do mundo habitado, e inclui a cada uma das criaturas em todas as latitudes e de todas as cores” [1].
Este ensino revela-nos que Deus – que não vê as coisas superficialmente como nós homens vemos – tem esquadrinhado e provado todos os corações, e, como Justo Juiz, tem declarado a terrível sentença, contra a qual não há apelação: Culpado!
Portanto, se todos acham-se debaixo do pecado, se todos são culpados diante de Deus, destaca-se a importância da pergunta no livro de Jó: Como, pois, seria justo o homem perante Deus? Encontramos, na Palavra de Deus, a resposta a esta questão. Deus, em seu infinito amor e sabedoria, resolveu este problema de uma maneira a inspirar ao mais desesperado pecador e, ao mesmo tempo, satisfazer Sua própria justiça, dignificando Sua honra, ofendida pelo pecado.
O homem pecador não pode ser justificado pelas obras da lei (Romanos 3.20). Este é o ensino bíblico e, no entanto, há muitas pessoas que estão tratando de alcançar o céu, a comunhão com Deus, através das boas obras. Acham que se cumprirem a lei, alcançarão o céu! Se amarem a Deus e ao próximo, como nos diz a Lei, terão direito ao paraíso. Este é um ensino falso e fatal! Com razão as Escrituras nos ensinam que “há caminho que parece direito ao homem, mas ao final são caminhos de morte” (Pv 16.25). Não podemos, por nós mesmos, mudarmos a nossa natureza pecaminosa com uma reforma exterior, pois “quem da imundícia poderá tirar cousa pura?” (Jó 14.4). E outra razão que encontramos na Bíblia para a impossibilidade de alguém justificar-se a si mesmo é que “pela Lei vem o pleno conhecimento do pecado” (Rom 3.20). O pedreiro ao construir uma parede utiliza-se de um fio de prumo. Esse fio de prumo é um instrumento exato, pois forma uma linha reta, perfeitamente perpendicular. O pedreiro ao colocá-lo em uma parede torta, sem dúvida nenhuma constatará que a parede está torta e mais nada poderá fazer o prumo. Ele não poderá endireitar a parede. A Lei é expressão da perfeita santidade de Deus e, tal qual o prumo, põe em relevo os nossos pecados e nos condena. Ë por isso que Paulo exclama: “Desaventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Rom 7.24). Deus nos deu a Sua Lei para que através dela nos reconhecêssemos como de fato somos: pecadores!
O homem é justificado pela graça (Romanos 3.24). Após analisarmos a justificação de forma negativa, chegamos a resposta afirmativa, aquela que nos diz a maneira como podemos ser justificados, a saber: “Justificados gratuitamente, por sua graça”. Tendo Deus nos condenado pela Lei, agora oferece tratar-nos sobre a base da sua graça. Somente depois de termos perdido toda a esperança de salvação por nossas boas obras, Deus nos oferece um dom gratuito, algo que jamais poderíamos adquirir, fizéssemos o que fizéssemos. A salvação é pela graça! Esta é a mensagem simples do Evangelho, as boas novas de salvação. Contudo, por causa do nosso orgulho, muitos têm recusado tal dádiva. Muitos não querem reconhecer que, perante a Lei de Deus, estão arruinados e sem esperança alguma. Tenazmente se deixam possuir do pensamento de que há algum mérito em sua própria religiosidade, no fato de que freqüentam assiduamente a igreja, ajudam aos outros que são mais carentes ou simplesmente por observar uma boa conduta diante de todos. Não se deixe enganar querido amigo. A Bíblia afirma que “não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo a sua misericórdia, Ele nos salvou...” (Tito 3.5)
O homem é justificado pelo sangue (Romanos 5.9). Não podemos pensar que Deus perdoa o pecador pela graça, desconsiderando os nossos pecados. A Bíblia é clara ao nos mostrar que a recompensa do pecado é a morte. “A alma que pecar, essa morrerá” (Ez 18.20), ensina-nos o profeta Ezequiel. E Paulo declarou: “o salário do pecado é a morte” (Rom 6.23). Deus pronunciou contra o pecado a sentença de morte, e a executa. Isto é o que aconteceu na cruz de Cristo, e isto é o significado das palavras: justificados pelo sangue de Cristo. A Cristo custou-Lhe levar sobre si a iniquidade de todos nós, despojando-se a Si mesmo de toda grandeza e glória, assumindo a forma de Servo, entregando a Sua própria vida por nós pecadores. “Carregando Ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para o pecado, vivamos para a justiça; por suas chagas fostes sarados” (1Pe 2.24). Este é o glorioso Evangelho! “Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus” (1 Pe 3.18). “Lutero relata que um dia viu (talvez em sonhos) a Satanás, que lhe apresentava uma extensa lista dos seus pecados, perguntando-lhe se os reconhecia como seus. –“Sim – respondeu Lutero – reconheço-os. Desgraçadamente tenho-os cometido”. – Como, então, te chamas cristão? – insistiu Satanás. – “Ah! – replicou Lutero – há uma coisa que ignoras: Não sabes que sobre esta lista está escrito: “O sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo o pecado” (1Jo 1.7). Imediatamente Satanás desapareceu”
[2].
É no sangue de Cristo vertido na cruz que encontramos a salvação. E somente aqueles que “lavaram as suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro" (Ap 7.14) se acharão diante do trono de Deus.
Indaga-nos Salomão: “Quem pode dizer: Purifiquei o meu coração, limpo estou do meu pecado?” (Provérbios 20.9). Cônscios de nossos pecados e das conseqüências que ele nos traz, busquemos em Cristo a nossa justificação, pois Nele há perdão e reconciliação. Quero encerrar nossa reflexão com as palavras do autor da carta aos Hebreus: “Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos. Se, pois, se tornou firme a palavra falada por meio de anjos, e toda transgressão ou desobediência recebeu justo castigo, como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?”







[1] Collet, S. Estudos Bíblicos. Volume I. Ed. R. S. Canuto, Lisboa, 1937, p.3
[2] op.cit., p.11

NÃO ANDEIS ANSIOSOS


A Palavra de Deus nos traz a história de Marta e sua irmã Maria, esta quedava-se assentada aos pés de Jesus, enquanto que a outra estava agitada, inquieta e preocupada com muitas coisas. Hoje, em nossos dias, vemos muitos que andam ansiosos como Marta; vivem numa indevida inquietação quanto a se ter os meios para prover-se de alimento e vestuário para si e os seus dependentes. Jesus não está censurando a solícita provisão para o futuro, ao invés disto, Ele ordena que Seus discípulos se abstenham de aborrecer-se indevidamente acerca do que o amanhã possa trazer. Assim, exorta-os : Não andeis ansiosos (Mateus 6.25).
Premeiramente, não devemos andar ansiosos porque a ansiedade nega a providência divina. Existe na humanidade um conceito errôneo a respeito da providência divina. Muitos crêem que Deus criou todas as coisas e abandonou tudo, como se Deus houvesse criado uma máquina e, uma vez posto em funcionamento, estaria apenas a apreciá-la. Contudo, a Bíblia, nos mostra uma outra realidade: Deus criou todas as coisas e, em sua maneira santa, sábia e poderosa, cuida de cada uma delas. Entre várias passagens citamos o Salmo 104, que exemplifica a providência divina quando afirma:
“Tu fazes rebentar fontes no vale, cujas águas correm entre os montes; dão de beber a todos os animais do campo....Fazes crescer a relva para os animais, e as plantas para o serviço do homem, de sorte que da terra tire o seu pão... Os leõezinhos rugem pela presa, e buscam de Deus o seu sustento".Também não devemos nos esquecer da providência de Deus para com o povo de Israel, quando em sua peregrinação pelo deserto, Deus mandou o maná do céu e fez brotar da rocha água, quando de dia colocava a nuvem por sombra e, a noite, a coluna de fogo para aquecê-los. Mas tomando por base o texto de Mateus, Jesus contrasta a inquietação, a ansiedade, a distração dos hoemns com as aves e as flores, que são intrinsicamente de muito menor valor. As aves, contudo, se ocupam largamente com a provisão para o futuro. Trabalham arduamente construindo seus ninhos e conseguindo comida para os seus filhotes e,, todavia, não ficam inquietas. Não tem tempo de semeadura e tempo de ceifa com que se preocupar, mas levam a vida cumprindo o propósito para qual Deus as criou. Semelhantemente, as flores silvestres, a sua maneira instintiva, olham para o futuro. Suas atividade se dirigem todas à produção da florescência, que é a sua glória, porém tão calma e tranqüila é a sua vida que parece que não estão fazendo absolutamente nada. Não obstante, Deus as veste com uma beleza que jamais pode ser manufaturada, nem mesmo pelo rei mais rico de todos.
O Filho de Deus não nos manda imitar as aves e as flores, pois isso é impossível, mas nos pede que observemos o cuidado providencial de Deus por criaturas menos valiosas a sua vista do que os homens e mulheres. Deixarmos de ver a realidade de um Deus providente na Bíblia, na história de Israel e emtoda a criação e vivermos indferentes a estes fatos, seria o mesmo que negar que Deus é providente. Não andeis ansiosos porque a ansiedade nega a providência divina.
Também não devemos andar ansiosos porque a ansiedade é inútil. Sabemos que Deus é Senhor Soberano e isto inclui, sem dúvida nenhuma, que o homem está debaixo de Sua vontade. O Catecismo Maior em resposta a pergunta 14; “Como executra Deus os Seus decretos?”, diz: “Deus executa os seus decretos nas obras da criação e da providência, segundo a sua presciência infalível e o livre e imutável conselho da sua vontade”. Embora existam causas no mundo, como as forças da natureza e a vontade humana, tais causas não trabalham independentemente de Deus. Deus é operante em cada ato das criaturas. Declara-nos Berkhof: “Devemos guardar-nos contra a idéia de que Deus e o homem tem parte na obra, porque Deus é sempre a causa primária, sem a qual o homem nada pode fazer”. É por isso que Jesus afirma: Qual de vós por ansioso que esteja pode acrescentar um côvado ao curso de sua vida? Não adianta a nossa ansiedade, a nossa agitação, o nosso desejo ardente, pois tais sentimentos não irão mudar a vontade soberana de Deus. A nossa Confissão de Fé. Afirma: “Posto que, em relação a presciência e ao decreto de Deus, que é a causa primária, todas as coisas acontecem imutável e infalivelmente, contudo, pela mesma providência, Deus ordena que elas sucedam conforme a natureza das causas secundárias, necessárias, livres ou contigentemente”. Portanto, não andeis ansiosos porque a ansiedade é inutil.
Por último, não devemos andar ansiosos porque a ansiedade é sinal de incredulidade. Jesus mostra-nos que a ansiosa solicitude da vida não é característica do povo de Deus e, sim, dos gentios, daqueles que não conheceram a Cristo e nada sabem de um Pai celestial, a cujos olhos, cada um dos seus filhos é infinitamente precioso e que está plenamente ciente de todas as suas necessidades. Estar ansioso é estar duvidando do poder de Deus.
A marca distintiva do cristão deve ser, primária e acima de tudo, promulgar o Reino de Deus entre os homens, anunciando que Jesus é Senhor e Salvador. John Flavel declara: “O propósito de tudo o que Deus tem feito por vocês, é torná-los uma bênção para outras pessoas”.
Cristo manda seus discípulos terem fé e, se esta for a primazia em suas vidas, as outras coisas lhe serão dadas. Em outras palavras, se orarem “venha o teu reino” o “seu pão de cada dia” será dado.
Vemos o exemplo de Paulo que se desgastou em anunciar o reino de Deus aos gentios, contudo, demonstra que tal obra fora feita com base na providência divina, diz ele: “Tudo posso naquele que me fortalece”, pois aprendera a viver esperando no Senhor. “Buscai, pois, em primeiro lugar o Seu Reino e a Sua justiça e todas estas coisas vos serão acrescentadas”. Não andeis ansiosos porque a ansiedade é sinal de incredulidade.
A Palavra de Deus nos narra também a história de Jó e, se atentarmos para a sua vida, veremos que lhe fora tirado filhos, bens e enfermidades lhe foram acrescidas, todavia, não deixou que a ansiedade, a incerteza aflitiva tomasse conta do seu coração, pois estava pronto a esperar em Deus e tinha firmado nEle a sua fé. Por certo, todos nós cientes de que enfrentamos provações, possamos estar lançando sobre Deus a nossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de nós. A ansiedade se mostra como uma característica dos gentios e não pode alterar o plano de Deus, que em sua infinita misericórdia é um Deus providente. Portanto, NÃO ANDEIS ANSIOSOS.

quarta-feira, novembro 29, 2006

TODOS OS CAMINHOS LEVAM A DEUS?

“Todas as religiões são boas e levam a Deus”. Este é o pensamento popular, a idéia que impera em nossos dias. Mas, este é o ensino bíblico? Há mais de um caminho de reconciliação com Deus? Todo homem que vem a este mundo tem uma natureza depravada, má e perversa aos olhos de Deus. A Bíblia mesmo declara: “Não há um justo, nem sequer um, não há ninguém que entenda, não há ninguém que busque a Deus; todos se extraviaram ... pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos, capítulo 3, versículos 10 à 12 e 23). E por causa disto o homem é incapaz de reconciliar-se a si mesmo com Deus. Nós precisamos de um Mediador ou um Advogado que possa responder a todas as acusações contra nós e, ao mesmo tempo, possa interceder por nossa causa. Onde podemos encontrá-lo? Em Cristo Jesus. Ele é o nosso Salvador, nosso Amigo, nosso Advogado. O apóstolo Pedro, em Atos, capítulo 4, versículo 12, afirmou: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”. Estas palavras dão a entender que ninguém pode salvar-se do pecado – com sua culpa, poder e conseqüências – a não ser por Jesus Cristo. Ninguém pode obter a paz com Deus, nem o perdão, nem livrar-se da ira vindoura, senão através dos méritos da obra de Cristo. Este é o ensino bíblico. Fora de Cristo não há salvação! Se não crermos no ensino deste versículo, teríamos que deixar de crer na Bíblia. Em toda a Bíblia encontramos um único caminho de salvação: Cristo Jesus. O próprio Senhor Jesus nos ensina: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por Mim” (Evangelho de João, capítulo 14, versículo 6). Devemos confiar em Cristo Jesus, como nosso Substituto, como quem já pagou o preço dos nossos pecados. “Todo aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas todo aquele que rejeita o Filho não verá a vida, pois sobre ele permanece a ira de Deus” ( Evangelho de João, capítulo 3, versículo36).
Crer em Cristo significa muito mais do que concordar mentalmente com as verdades da Bíblia à Seu respeito. Significa que dependemos totalmente dele e que confiamos nas verdades da Bíblia em todas as situações da nossa vida. Crer é uma entrega total, sem reservas a Cristo, confiando que Ele é todo poderoso para nos salvar. Crer significa deixarmos o pecado e servirmos a Cristo como nosso Senhor.
Quero lhe dizer ainda que Deus não apenas maravilhosamente nos salva através de Jesus, como também nos dá a fé para podermos crer nEle. “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” ( Efésios, capítulo 2, versículos 8 e 9).
Você pode orar a Deus e Ele lhe dará a fé no Senhor Jesus Cristo como Salvador. É através da Bíblia que Deus trabalha para nos dar essa fé. O apóstolo Paulo escreveu que “a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” (Romanos, capítulo 10, versículo 17). Se você está buscando a salvação de Deus e o próprio Deus, deve aproveitar todas as oportunidades de ouvir e estudar a Bíblia, a qual é a única Palavra de Deus. Que Deus o abençoe!

quinta-feira, novembro 23, 2006

SEDE IMITADORES DE DEUS

O pastor Ed René Kivitz afirmou: O Evangelho não é algo para ser ouvido é para ser visto. Assim, nós, cristãos, devemos fazer diferença na sociedade em que estamos inseridos. Daí a declaração de Jesus: Vós sois o sal da terra. Por isso “a influência dos cristãos na sociedade e sobre a sociedade depende da sua diferença e não de sua identidade”, conforme declarou J. Sott.. Contudo, observa-se que a sociedade tem reclamado da igreja uma postura que revele o seu verdadeiro compromisso com o Senhor Jesus Cristo. Muitos se ausentam do nosso meio com o argumento de que o cristianismo não tem feito diferença na vida dos cristãos. O hiato existente entre aquilo que cremos e aquilo que realmente somos tem levado a muitos a rejeitarem a mensagem de Jesus. O impacto da queda do Pr Ted Haggard foi desastroso para o cristianismo.
O Rev. Martin Lloyd Jones, um dos maiores expositores bíblicos do século XX, exorta-nos: “Viva de tal maneira que todos os que o conhecem sejam a levados a pensar em Deus porque você é filho de Deus”. Isto nos será possível se imitarmos a Deus. Daí a declaração de Paulo: Sede imitadores de Deus ou Tornai-vos imitadores de Deus (Efésios 5.1). Aqui o apóstolo nos ensina um processo de cultivo. Devemos desenvolver a nova vida, que nos foi dada mediante a graça de Deus, nos tornando imitadores de Deus. Deus nos fez Seus filhos e concede-nos o Seu Espírito e Sua Palavra para que possamos conhecê-Lo e moldar nossas vidas imitando-O. Em Efésios 5 encontramos algumas diretrizes para que isto seja verdadeiro em nosso viver.
Primeiramente somos exortados a andar em amor. “ Vivam em amor, como também Cristo nos amou e se entregou por nós como oferta e sacrifício de aroma agradável a Deus”, afirmou o apóstolo. A nossa conduta e a nossa conversação devem ser efetuadas nos domínios do amor e na esfera do amor, pois Deus é amor. Agostinho nos lembra: “Há dois amores: o do mundo e o de Deus. Se o amor do mundo fixar residência em nós, o amor de Deus não poderá entrar. Que se afaste o amor do mundo e tenha morada em nós o amor de Deus. Que o melhor tome conta do lugar. Se antes amavas o mundo não o ames mais. Quando esvaziares o coração do amor terreno, haurirás o amor divino. E nele logo começa a habitar a caridade da qual nenhum mal pode proceder”.
Andar em amor é dar-se aos outros e pelos outros, tal como Cristo fez. Jesus declarou: “o meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei”. Este é um princípio inalterrável do viver segundo a vontade de Deus. Martinho Lutero costumava dizer que o problema com o homem é que ele é curvado sobre si mesmo. Eçle torceu os propósitos de Deus para a sua vida, vivendo para si mesmo. Mas a graça de Deus muda isso, e o faz mudar mais e mais, com vistas a produzir a semelhança de Cristo em nós. Assim, devemos andar em amor.
Em segundo lugar somos exortados a andar na luz. Paulo ao escrever aos efésios ensina-nos a nos espelhar em Deus. Ele afirma: Imitem-No! Sejam como Ele! Deus demonstrou o seu amor; portanto amem! Ele os tirou das trevas e os levou para a sua luz; portanto andem na luz. “Porque outrora vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor. Vivam como filhos da luz” (Efésios 5.8). O cristão é alguém que foi trazido para a luz. É alguém totalmente diferente do que era sem a graça de Deus. Devemos andar na luz. “As trevas pertencem ao velho homem, e a luz, de fato, relaciona-se com o homem novo” (Agostinho). Jesus declara de Si mesmo como a Luz do mundo. “Eu sou a Luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, pelo contrário terá a luz da vida” (Jo. 8.12). Como cristãos, somos ordenados a viver neste mundo como uma luz intensa (Mateus 5.14-16). Há um hino que diz:
Resplandeçam nossas luzes
Através do escuro mar,
Pois nas trevas do pecado
Almas podem naufragar!

Andar na luz é andar em santificação, consagração a Deus. E o método bíblico de santificação é o de compreender a verdade e depois aplicá-la. Daí a oração de Jesus: Santifica-os na Verdade; a tua palavra é a verdade. Assim, devemos andar na luz.
Por último somos exortados a andar em sabedoria. Paulo nos diz que não devemos andar mais como néscios, loucos, tolos. Mas, ensina-nos que devemos ter cuidado com a nossa vida cristã. Devemos levá-la a sério. Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem; que não seja como insensatos, mas como sábios. Sabedoria consiste no poder e na capacidade de aplicar o conhecimento, relacionando-os com as coisas comuns da vida diária. Provérbios diz: “Procure obter sabedoria e entendimento; não se esqueça das minhas palavras nem delas se afaste. Não abandone a sabedoria,e ela o protegerá; ame-a, e ela cuidará de você. O conselho da sabedoria é: Procure obter sabedoria; use tudo o que você possui para adquirir entendimento. Dedique alta estima à sabedoria, e ela o exaltará; abrace-a, e ela o honrará. Ela porá um belo diadema sobre a sua cabeça e lhe dará de presente uma coroa de esplendor”.
Valho-me agora do que o Rev. Stott nos diz em seu comentário da carta as Efésios. Primeiramente, as pessoas sábias são aquelas que tiram o maior proveito do seu tempo. O tempo é o bem mais precioso que temos e devemos empregá-lo com o maior proveito possível. S. Ferguson declarou: “Se há uma característica que marca assinaladamente o cristão é o fato de que ele vive sempre consciente de que a vida tem um começo, um desenvolvimento e um fim. Não dura para sempre. Você alguma vez parou para pensar que você só tem uma vida para viver, e de que cada dia dela só pode ser vivido uma vez? Pois bem, se você é alguém que se ocupa em realizar a vontade de Deus, o seu coração se devotará aos grandes interesses por viver esta breve vida segundo a perfeita vontade de Deus”.
O verbo remir tem o significado de tirar o maior proveito do tempo e tempo refere-se a cada oportunidade que passa. Jonathan Edwards, o grande teólogo do avivamento do século 18, escreveu em suas famosas resoluções: “Resolvi: nunca perder um só momento de tempo, mas, sim, tirar proveito dele de maneira mais proveitosa que eu puder”. Eis aí um exemplo de homem sábio, pois a primeiro sinal de sabedoria que Paulo dá aqui é o uso disciplinado do tempo.
Em segundo lugar, pessoas sábias discernem a vontade de Deus. Portanto, não sejam insensatos, mas procurem compreender qual é a vontade do Senhor. Nada é mais importante na vida do que descobrir e praticar a vontade de Deus. A obediência do cristão em direção à vontade de Deus é uma compreensiva e inteligente busca daquilo que Deus revelou. Outra vez cito Ferguson: “Viver para a glória de Deus significa imitar a Jesus. Significa conhecer mais e mais as fontes internas que ativaram todo o Seu comportamento, e pôr em prática em nossas vidas esses princípios. Significa viver na dependência do Espírito Santo, que nos foi dado com a específica função de glorificar a Jesus em nossas vidas. Será que a sua vida está sendo governada por um propósito celestial? Você procura deliberadamente imitar a Jesus? Você mantém Jesus Cristo diante dos seus olhos como o Guia e o Exemplo pelo qual você vive? É quando seguimos a Jesus Cristo assim, que somos capacitados a glorificar a Seu Deus e Pai”.
Andar em sabedoria implica em encher-se do Espírito Santo. Ser guiado, dirigido e conduzido pelo Espírito de Cristo. E o significa isto? O que é ser cheio do Espírito? Há um princípio básico da hermenêutica: a Bíblia explica a própria Bíblia. O texto paralelo de efésios 5.18 é colossenses é 3.16 que diz: “Habite ricamente em vocês a palavra de Cristo”. Habitar em nós a Palavra de Cristo e ser cheio do Espírito Santo são expressões sinonímicas, significam a mesma coisa. Ser cheio do Espírito é ser guiado e dirigido pelos princípios da Palavra de Cristo. E não uma experiência supra-natural.
Leon Morris declara que “é impossível conhecer a Deus, e tal conhecimento não influir na vida diária”. Há um cântico que diz: Jesus Cristo mudou meu viver e se isto de fato aconteceu com você, a sua vida deve ser uma imitação da vida de Deus. A exortação paulina a nós hoje é: Sejam imitadores de Deus, como filhos amados.

terça-feira, novembro 21, 2006

"DE MADRUGADA TE BUSCAREI"


Devo orar antes de ver qualquer pessoa. Às vezes quando durmo demais, ou encontro uma pessoa bem cedo, já é onze ou doze horas antes de eu começar a oração em secreto. Esse é um mau sistema. É antibíblico. Cristo levantou-se antes do amanhecer e foi a um lugar solitário. Dvi diz: “De madrugada te buscarei”; “de madrugada ouvirás a minha voz”. A oração familiar perde muito das suas forças e doçuras e não posso fazer bem àqueles que me procuram. A consciência sente-se culpada, a alma sem alimento, a candeia sem óleo. Então, muitas vezes, a alma não está em boa condição para a oração em secreto. Eu sinto que é muito melhor começar com Deus – ver a Sua face primeiro, elevar a minha alma para junto d’Ele antes de me aproximar dos outros

Robert Murray McCheyne

Os homens que fizeram mais para Deus neste mundo estiveram sobre seus joelhos de manhã. Aquele que desperdiça os primeiros momentos da manhã, empregando-os em outras coisas em vez de buscar a Deus, terá dificuldades em buscá-lO o resto do dia. Se Deus não está em primeiro lugar em nossos pensamentos e esforços pela manhã, Ele estará no último lugar durante todo o resto do dia.
É o ardente desejo que nos impele a buscar a Deus, que nos faz levantar e orar bem cedo. O homem que se acorda sem ambições demonstra um coração sem aspirações. O coração que é tardio em buscar a Deus pela manhã, perdeu o sabor da comunhão com Deus. O coração de Davi era ardente para com Deus. Ele tinha fome e sede de Deus, de modo que buscava Deus bem cedo antes da luz do dia. A cama e o sono não podiam prender a sua alma sedenta de Deus. Cristo ansiava pela comunhão com Deus e assim, levantando-se bem antes do amanhecer, subiu à montanha para orar. Os discípulos, quando despertados, ficaram envergonhados da sua negligência, pois sabiam onde encontrá-lO. Se passássemos os olhos à lista dos homens que poderosamente influenciaram o mundo a favor de Deus, os encontraríamos orando bem cedo. O anseio para com Deus que não quebra as fadigas do sono, é fraco e realizará muito pouco em favor de Deus, mesmo que possa satisfazer-se a si mesmo. O anseio por Deus, que nos conserva bem longe do diabo e do mundo, no alvor do dia, não se deixa embaraçar por estas coisas.
Não é um anseio simples que faz os homens marcharem e os torna capitães dos exércitos de Deus, mas anseio ardente que os aviva e quebra todas as cadeias de auto-indugência. Mas o levantar cedo manifesta, aumente e fortalece esse anseio. Mas se eles permanecem no leio são indulgentes para consigo mesmo, o anseio se extinguirá. Mas aquele anseio faz com que eles se despertem e busquem a Deus com todas as forças. Quando se considera e põe em prática esse anseio, a sua fé conquista a Deus e lhe concede a manifestação doce e transbordante de Deus ao seu coração. Esse poder da fé e a plenitude da revelação os torna eminentemente santos e o halo de Sua santidade vem até nós e entramos em gozo e nada mais fazemos.
Necessitamos de uma geração de pregadores que busquem a Deus de madrugada, e dediquem a Deus a disposição de seus corações e seus esforços e assegurem, por outro lado, a plenitude do Seu poder, que Ele pode conceder-lhes, alegremente, como orvalho através de todo o calor e o labor do dia. Nossa negligência para com Deus é um pecado clamoros. Os filhos deste mundo são muito mais sábios do que nós. Eles se dedicam ao trabalho desde a madrugada até tarde da noite. Nós, porém, não buscamos a Deus com ardor e diligência. Ninguém alcançará a Deus sem buscá-lO com todo esforço e nenhuma alma se põe a buscar a Deus com todas as forças a não ser pela madrugada.
autoria não identificada

terça-feira, novembro 14, 2006

A SUFICIÊNCIA DAS ESCRITURAS


Na cerimônia de coroação da rainha Elizabeth foi lhe entregue uma Bíblia e, naquela ocasião, o pastor da Igreja da Escócia declarou: “Apresentamos este livro, a coisa mais valiosa que este mundo possui. Aqui há sabedoria, aqui está a lei real; estes são os oráculos vivos de Deus”. Tais palavras são verdadeiras, pois as Escrituras nos trouxeram luz nas trevas, força na fraqueza e conforto na tristeza. Assim, ela exerce um papel positivo em nosso viver através do poder que dela emana.
O rei Davi foi alguém que sempre se dirigia a Deus em busca de respostas aos seus problemas pessoais, pois entendia a sua própria depravação e a soberania de Deus. Ele sabia que Seu todo-suficiente Salvador tinha as respostas para suas necessidades e poder para aplicar essas respostas. Ele sabia que as respostas deveriam ser achadas na verdade sobre Deus, revelada em Sua Palavra, a qual é em si mesma, perfeitamente suficiente. O Salmo 19, de autoria de Davi sob a inspiração do Santo Espírito de Deus, é a mais monumental afirmativa, feita em termos precisos, sobre a suficiência das Escrituras:
“A lei do SENHOR é perfeita, e revigora a alma.
Os testemunhos do SENHOR são dignos de confiança,
e tornam sábios os inexperientes.
Os preceitos do SENHOR são justos, e dão alegria ao coração.
Os mandamentos do SENHOR são límpidos, e trazem luz aos olhos.
O temor do SENHOR é puro, e dura para sempre.
As ordenanças do SENHOR são verdadeiras, são todas elas justas.
São mais desejáveis do que o ouro, do que muito ouro puro;
são mais doces do que o mel, do que as gotas do favo.
Por elas o teu servo é advertido; há grande recompensa em obedecer-lhes.
Quem pode discernir os próprios erros? Absolve-me dos que desconheço!
Também guarda o teu servo dos pecados intencionais;
que eles não me dominem!
Então serei íntegro, inocente de grande transgressão.
Que as palavras da minha boca e a meditação do meu coração
sejam agradáveis a ti, SENHOR, minha Rocha e meu Resgatador".
Não há substituto para a submissão às Escrituras. A vida depende de colocar o máximo valor na Palavra de Deus e obedecê-la com um coração bem disposto. Que o Senhor nos abençoe com a leitura das riquezas de Sua Palavra.

segunda-feira, novembro 13, 2006

LUCAS 12.13-21

Tudo o que tenho, tudo o que sou...
Nada é meu;
Sequer pertenço a mim mesmo;
Tudo devo somente ao Deus gracioso,
Que a mim a vida emprestou.

São dádivas do meu Senhor,
Tudo o que tenho, tudo o que sou.
Por isso peço-Te:
Ensina-me a ser-Te
Fiel ó amado Benfeitor!

Oh! Tu que andas na solidão da tua riqueza
E, insensato,
Declaras a ti mesmo:
“Alma! Descansa, come, bebe e regala-te”.
E no solilóquio não te dás conta da pobreza!

Deus, então, te adverte:
“Louco! Esta noite pedirão a tua alma;
E o que tens preparado, para quem será?”
Nada levarás para a sepultura,
Para onde descerá teu corpo inerte.

A Ti devo, ó meu Senhor!
Não a outro.
Tudo o que tenho, tudo o que sou.
Aceita a gratidão, o trabalho e a obediência
Do servo que vive por Teu favor.
(Lucas 12.13-21)

W. B. C.

A IMPORTÂNCIA DA COMUNHÃO CRISTÃ

O apóstolo Paulo nos ensina que um dos principais objetivos da comunhão cristã é a edificação de todos os que se reúnem. Ele afirmou: “Quando vos reunis...Seja tudo feito para a edificação”( 1 Coríntios 14.26). Mas como é possível ser edificado, se nós nos ausentamos de nossos encontros congregacionais (reuniões de oração, estudos bíblicos, escola dominical, culto de louvor e adoração)? Tendo esta questão em mente, o autor da carta aos Hebreus, exorta-nos para que não deixemos de congregar (Hebreus 10.25). O verbo pode ser traduzido por “negligenciar”, “abandonar”, “deixar para traz”. Não resta dúvida que, para ele, este “negligenciar” da comunhão com o tempo irá nos levar a completa deserção da fé. Não há nenhuma indicação do motivo pelo qual os leitores daquela carta estavam deixando de congregar. Entre os estudiosos a resposta mais plausível é que alguns estavam cedendo as pressões externas, com medo das autoridades e, assim, evitavam freqüentar a adoração pública para não serem reconhecidos como cristãos. Por certo, hoje, em nosso contexto cultural, ninguém é perseguido e morre por causa da fé cristã. Porém, muitos, lamentavelmente, por qualquer motivo banal, deixam de freqüentar as reuniões, desdenhando da importância da adoração comum e das responsabilidades da comunhão cristã. Outros há que só se interessam por freqüentar os cultos pensando em obter bênçãos momentâneas de Deus e, tendo obtido o favor divino, se retiram. Tais são como Esaú, impuros e profanos, que a sua semelhança serão rejeitados e no dia de Cristo não acharão lugar de arrependimento, mesmo que com lágrimas o busquem (Hebreus 12.16-17). O congregar é algo vital a fé cristã, pois através da comunhão cristã podemos fortalecer a fé, encorajar os fracos e abatidos, bem como enfrentar as falsas doutrinas que podem influenciar os outros.

SOMOS O BOM PERFUME DE CRISTO


Há um mundo sem Cristo, sem salvação e que necessita ser confrontado com a mensagem do Evangelho e, como Paulo, o apóstolo, nos diz, resta-nos pouco tempo para isso (Rom. 13.11-14). É preciso, entretanto, que a igreja desperte do sono e comprometa-se com a obra de evangelização. Avistamos um mundo corrompido na ética, na moral, na política. Observamos uma sociedade vazia, destituída de valores e conteúdo. Somos chamados, como cristãos, a ser luz do mundo e sal da terra, isto é, a nos tornar um referencial em nossa sociedade, ou conforme nos diz um servo de Deus, “um bote salva-vidas para um mundo naufrago num mar de pecados”. Contudo, com muita tristeza, é possível observar que a Igreja se esqueceu de quem é. O Rev. R. Stedman afirmou: “Hoje em dia a igreja parece ter perdido o seu sentido de identidade. Como alguém que estivesse sofrendo de amnésia, ela está se perguntando: “Quem sou eu, e para que é que estou aqui?”. A não compreensão de sua identidade e de sua vocação torna a igreja fraca e suscetível a influências externas.
Assim, quero lembrar-lhes o que Paulo nos diz acerca de nós: SOMOS O BOM PERFUME DE CRISTO (2 Co 2.14). A ilustração usada por Paulo para expressar seu pensamento é a de uma procissão triunfal de um exército vitorioso – uma visão familiar para os cidadãos romanos do primeiro século. Quando o exército retornava vitorioso à sua cidade, os sacerdotes dos deuses romanos ofereciam incenso para celebrar a vitória, e o aroma impregnava o ar. O apóstolo compara o aroma de Cristo a esse perfume da vitória. No que se refere ao aroma, todos os cristãos se qualificam. Como cristãos, eu e você, somos instrumentos nas mãos de Deus a fim de levar ao mundo a “fragrância do seu conhecimento”. Deus opera por meio de nós. Daí a necessidade de nosso cristianismo ser “autêntico”. A autenticidade é imprescindível. Devemos cheirar e não vender. Somente aquele que está em e anda com Jesus, cheira Jesus. Esta fragrância vem por meio do nosso envolvimento com o Cristo ressurrecto. A nossa presença no mundo deve ser impactante. Nossos encontros pessoais devem, ou trazer a salvação ou a condenação de nossos ouvintes. Deus mesmo declarou que a sua palavra não voltaria vazia. E a mensagem que pregamos através de nosso viver não deve ser diferente. No entanto, assistimos em nossos dias uma igreja morna, repleta de crentes mornos, aos quais Deus vomitará de sua boca. Pois qual valor terá o sal que não salga, a luz que não ilumina e o perfume que não espalha a sua fragrância?
É preciso que recordemos, constantemente, a nós mesmos, quem somos para que verdadeiramente glorifiquemos ao Senhor com o nosso viver. Que nosso cristianismo possa exalar o bom perfume de Cristo!




W.B.C

terça-feira, novembro 07, 2006

NOSSA CAPACIDADE VEM DE DEUS

“Mas acima de tudo, ele sobressaiu em oração. A profundidade e a gravidade do seu espírito, a reverência e a solenidade das suas maneiras e comportamento, ma raridade e a plenitude de suas palavras impressionaram muitas vezes até os estranhos e estes se admiraram como estas coisas traziam consolos aos outros. O quadro mais imponente, vivo e reverente que jamais senti ou contemplei, devo dizer, foi a sua oração. E verdadeiramente ele era um testemunho. Conheceu e viveu mais perto do Senhor do que qualquer outro, porque aqueles que o conhecem mais, têm maior razão para aproximar-se d’Ele com reverência e temor”.
William Penn a respeito de George Fox

As bênçãos mais doces, por uma leve perversão, podem produzir o mais amargo fruto. O sol dá vida, mas as insolações matam. Prega-se para dar vida; mas pode obter-se morte. O pregador possui as chaves tanto para fechar como para abrir. A pregação é uma grande instituição divina para a semeadura e o amadurecimento da vida espiritual. Quando convenientemente executada, seus benefícios são incalculáveis; quando erradamente realizada, nenhum mal pode superar seus resultados danificadores. É fácil destruir o rebanho, se o pastor for incauto ou o pasto for destruído; é fácil capturar a fortaleza, se as sentinelas estiverem adormecidas ou o alimento e a água forem envenenados. Investido de tais graciosas prerrogativas, exposto a tão grandes males, envolvendo tão numerosas e graves responsabilidades, seria uma caricatura da astúcia do diabo e um libelo contra o seu caráter e reputação, se este não empenhasse suas influências mestras para adulterar o pregador e a pregação. Em face de tudo isto, a exclamação de Paulo “para estas coisas quem é idôneo?” não está fora de propósito.
Paulo diz: “A nossa capacidade vem de Deus, o qual nos fez também capazes de ser ministros dum novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica” (II Cor. 3:5,6). O verdadeiro ministério é ungido por Deus, capacitado por Deus e formado por Deus. O Espírito de Deus está sobre o pregador, ungindo-o de poder, o fruto do Espírito está no seu coração. O Espírito de Deus vitaliza o homem e a palavra: sua pregação dá vida, concede vida como a primavera desperta vida: dá vida como a ressurreição dá vida; outorga vida ardente como o verão dá vida ardente; dá vida frutífera como o outono dá vida frutífera. O pregador que ministra vida, é um homem de Deus, cujo coração tem sempre sede de Deus, cuja alma está buscando a Deus constante e intensamente, cujos olhos estão postos só em Deus e em quem pelo poder do Espírito de Deus, a carne e o mundo foram crucificados e seu ministério é como uma corrente abundante de um rio que dá vida. A pregação que mata não é uma pregação espiritual. A capacidade de tal pregação não vem de Deus. Fontes inferiores e não Deus lhe deram energia e estímulo. O Espírito não se manifesta nem no pregador nem na pregação. Muitas espécies de forças podem ser projetadas e estimuladas por uma pregação que mata, mas elas não são forças espirituais. Podem assemelhar-se às forças espirituais, mas são meramente sombras e falsificações; podem parecer que têm vida, mas esta vida está magnetizada. A pregação que mata é da letra, letra rude e seca, casca nua e vazia. A letra pode ter nela o gérmen da vida, mas não tem a aragem da primavera para despertá-la; são sementes do inverno, tão duras quanto o solo hibernal, tão gélidas como o ar de inverno, e por elas não se derretem nem germinam.
A pregação da letra contém a verdade. Mas, ainda que verdade divina, sozinha não possui energia vivificante; deve ser revigorada pelo Espírito, com todas as forças divinas em seu apoio. A verdade que não for vivificada pelo Espírito de Deus,embota tanto quanto ou mais do que o erro. Pode ser verdade sem mistura; mas, sem o Espírito, o seu matiz e o seu toque são mortais; sua verdade, erro; sua luz, trevas. A pregação da letra não é ungida nem suavizada nem lustrada com óleo pelo Espírito. Pode haver lágrimas; lágrimas, porém, não podem por em movimento a maquinariia de Deus; as lágrimas podem ser apenas uma brisa de verão sobre um iceberg coberto de neve, só derrete a superfície e nada mais. Podem haver emoção e ardor, mas é a emoção de um ator e ardor de um advogado. O pregador pode sentir o entusiasmo do seu próprio brilhantismo, ser eloqüente sobre sua própria exegese, ardente para transmitir o produto de seu próprio cérebro; o professor pode usurpar o lugar e imitar o fogo de um apóstolo; cérebros e nervos podem tomar o lugar e simular a obra do Espírito de Deus, e com estas forças a letra pode irradiar luz e brilhar como um texto iluminado, mas o brilho e a centelha serão tão destituídos de vida como o campo semeado de pérolas. Um elemento mortal jaz atrás das palavras, do sermão, da ocasião, dos modos, da ação.
O maior obstáculo está no próprio pregador. Não traz em si mesmo as forças poderosas que produzem vida. Pode não haver desconto na sua ortodoxia, honestidade, pureza ou ardor; mas, de algum modo, o homem, o homem interior, no íntimo, nunca se quebrantou e sujeitou a Deus; sua vida interior não é uma grande via para a transmissão da mensagem de Deus, do poder divino. De alguna forma, é o ego e não Deus quem governa o santo dos santos. Em algum lugar sem que disso tenha consciência, algum elemento espiritual incondutível tocou no seu interior e a torrente divina foi detida. Seu interior nunca sentiu o quebrantamento espiritual completo, sua total incapacidade; nunca aprendeu a clamar com um clamor indizível de desespero de si mesmo e impotência própria, até que venha o poder de Deus e o fogo divino e a aptidão própria, de alguma forma perniciosa, profanaram e violaram o templo que devia estar consagrado a Deus.
A pregação vivificante custa muito ao pregador: morte do ego, crucificação para o mundo, iluminação da própria alma. Só a pregação crucificada pode dar vida. E a pregação crucificada só pode vir de um homem crucificado.
                                                                                                                      E.M. BOUNDS

domingo, novembro 05, 2006

O CANAL DIVINO DE PODER



Estuda a santidade universal da vida. Disso depende a tua utilidade plena, pois teus sermões duram apenas uma ou duas horas; mas tua vida prega durante toda semana. Se satanás puder transformar um ministro cobiçoso em amante de louvor, de prazer, de iguarias, terá arruinado o seu ministério. Entrega-te à oração e obtém os teus temas, os teus pensamentos e as tuas palavras de Deus. Lutero empregava as suas melhores três horas em oração.
- Robert Murray McCheyne


Estamos constantemente empenhados, senão obcecados, em arquitetar novos métodos, novos planos e novas organizações para fazer a igreja progredir e assegurar a divulgação e a eficiência do Evangelho..
Essa direção hodierna tem a tendência de perder a visão do homem ou afogar o homem no plano ou na organização. O plano de Deus é usar o homem e usa-lo muito mais do que qualquer outra coisa. Homens são o método de Deus.
A igreja está procurando métodos melhores; Deus está buscando homens melhores. “Houve um homem enviado de Deus cujo nome era João”. A dispensação que anunciou e preparou o caminho de Cristo, estava confiada àquele homem, João. “Um menino nos nasceu, um filho se nos deu” (Isaías 9.6). A salvação do mundo se origina nAquele Filho ainda menino. Paulo traz à luz o segredo do êxito dos homens que arraigaram o Evangelho no mundo quando pôs em relevo o caráter pessoal desses homens. A glória e a eficiência do Evangelho dependem dos homens que o proclamam. Quando Deus declara que “quanto ao Senhor, Seus olhos passam por toda a terra, para mostra-se forte para com aqueles cujo coração é perfeito para com Ele” (II Cron. 16:9), declara a necessidade de homens e o fato de Deus depender dse homens que sejam canais por meio dos quais exerça Seu poder sobre o mundo.
Essa verdade vital e urgente é o que esta era das máquinas tende a esquecer. Esquece-la é funesto para a obra de Deus como seria desastroso se o sol desaparecesse da abóboda celestial. Seguir-se-iam trevas, confusão e morte.
O que hoje a igreja necessita não é de mais e melhor maquinismo, de novas organizações ou mais e novos métodos, mas homens a quem o Espírito Santo possa usar – homens de oração, homens poderosos na oração. O Espírito Santo não se derrama através de métodos, mas por meio de homens. Não vem sobre maquinaria, mas sobre homens. Não unge planos, mas homens – homens de oração.
Um eminente historiador disse que os acidentes do caráter pessoal mais têm a ver com as revoluções das nações do que os historiadores, filósofos ou políticos democráticos o reconhecem. Essa verdade tem aplicação plena ao Evangelho de Cristo, ao caráter e à conduta dos seguidores de cristo – Cristianiza o mundo e transforma nações e indivíduos. Em relação aos pregadores do Evangelho, é eminentemente verdadeiro.
Tanto o caráter como o sucesso do Evangelho estão confiados ao pregador. Ele faz ou desfaz a mensagem de Deus ao homem. O pregador é o tubo de ouro pelo qual o óleo divino flui. O tubo deve ser não só dourado, mas também aberto e sem rachaduras, para que o óleo flua bem, sem obstáculo e sem desperdício.
O homem faz o pregador. Deus deve fazer o homem. O mensageiro é, se possível, mais do que a mensagem. O pregador é mais do que seu sermão. Como o leite nutridor do seio materno é a própria vida materna, de igual modo tudo o que o pregador diz está matizado e impregnado daquilo que o pregador é. O tesouro está nos vasos de barro e o sabor do vaso nele se impregna e pode decorá-lo. O homem, o homem todo, jaz atrás do sermão. A pregação não é tarefa de uma hora. É a manifestação de uma vida. É preciso vinte anos para fazer um sermão, porque são necessários vinte anos para formar o homem. O verdadeiro sermão é uma obra de vida. O sermão evolui porque o homem se desenvolve. O sermão é poderoso, porque o homem tem poder. O sermão é santo, porque o homem é santo. O sermão está cheio de unção divina, porque o homem está cheio desta unção divina.
Paulo denominou-o “Meu Evangelho”; não que o tenha degredado por suas excentricidades pessoais ou desviado por apropriação egoísta, mas o Evangelho foi colocado no coração e no sangue do homem Paulo, como uma responsabilidade pessoal, para ser executada pelas peculiaridades paulinas, a fim de traze-lo em chamas e impulsiona-lo pela ígnea energia de sua alma ardente. Os sermões de Paulo – que eram eles? Onde estão eles? Esboços, fragmentos esparsos, flutuando no mar da inspiração! Mas, o homem Paulo, maior que os seus sermões, vive para sempre, em plena forma, figura e estatura com sua mão modeladora sobre a Igreja. A pregação é apenas uma voz. A voz silencia, o tema é esquecido, o sermão apaga-se da memória; no entanto o pregador vive.
O sermão não pode elevar-se em suas forças vivificadores acima do homem. Homens mortos tira de si sermões mortos e sermões mortos matam. Tudo depende do caráter espiritual do pregador. Sob a dispensação judaica, o sumo sacerdote trazia um frontal de ouro com a inscrição “Santidade ao Senhor” em letras engastadas de jóias. De igual modo, todo o pregador no ministério de Cristo deve ser moldado e dominado por essa mesma divisa sagrada. É um vergonhas berrante para o ministério cristão estar abaixo do sacerdócio judaico na santidade de caráter e na santidade de objetivo. Jonathan Edwards disse: “Eu continuei com minha busca intensa de mais santidade e conformidade com Cristo. O céu que eu desejava era o céu da santidade”. O Evangelho de Cristo não é movido por ondas comuns. Não tem o poder de auto-propagação. Move-se como se movem os homens que tomaram o encargo disso. O pregador deve personificar o Evangelho. As características divinas e mais salientes do Evangelho devem estar nele incorporadas. O poder do amor, que constrange, tem que estar no pregador como uma força relevante, excêntrica, que o domina todo e o faz esquecer-se de si mesmo. A energia da abnegação própria tem que constituir seu ser, coração,sangue e ossos. Ele deve seguir avante entre os homens como homem, revestido de humildade, cheio de brandura, prudente como a serpente, simples como a pomba; reunindo em si a sujeição de um escravo e o espírito de um rei, um rei de figura nobre, real e independente, e a simplicidade e doçura de uma criança. O pregador tem que lançar-se a si mesmo, com todo abandono de uma fé perfeita e esvaziada de si e dum zelo que o consome, a sua obra pela salvação dos homens. Sinceros, heróicos, compassivos e intimoratos mártires têm que ser os homens que conquistam a geração e a moldam para Deus. Se são escravos do tempo, oportunistas, agradadores de homens, se t~em respeito humano, se sua fé em Deus e Sua Palavra tem pouca profundidade, se sua abnegação pessoal é quebrada por qualquer fase do “eu” ou do mundo, não podem tomar conta nem da igreja nem do mundo para Deus.
A pregação mais penetrante e forte do pregador deveria ser feita a si mesmo. Sua obra mais difícil, delicada, laboriosa e radical deve ser consigo. A instrução dos doze foi a grande, difícil e paciente obra de Cristo. Os pregadores não são produtores de sermões, mas formadores de homens e de santos e só quem fez de si mesmo um homem e um santo está bem instruído para essa obra. Não de grandes talentos, de grandes estudos ou de grandes pregadores que Deus necessita, mas de homens grandes em santidade, grandes em fé, grandes em amor, grandes em fidelidade, grandes para Deus – homens que pregam sempre por meio de sermões santos no púlpito e por vidas santas fora do púlpito. Esse podem moldar uma geração para Deus.
Os primeiros cristãos foram formados segundo esse princípio. Eram homens de sólida formação, pregadores conforme o tipo celestial – heróicos, rijos, militantes e santos. Para eles, a pregação significava uma obra de auto-abnegação, de auto-crucificação, séria, árdua, e de mártir. Aplicaram-se a ela de tal modo que influíram na sua geração e formavam no seu seio uma geração que haveria de nascer para Deus. O pregador deve ser homem de oração. A oração é a mais poderosa arma do pregador. É em si mesma uma força onipotente, e dá vida e força a tudo.
O sermão real é feito no recinto secreto. O homem – o homem de Deus – é formado no recinto secreto. Sua vida e suas mais profundas convicções nascem da sua comunhão secreta com Deus. Suas mensagens mais ricas e doces são alcançadas quando está a sós com Deus. A oração faz o homem; a oração faz o pregador; a oração faz o pastor.
O púlpito de hoje é pobre em oração. O orgulho da erudição opõe-se à humilde dependência da oração. A oração do púlpito é por demais oficial – um desempenho na rotina do culto. Para o púlpito moderno, a oração não é mais a força poderosa como o era na vida e no ministério de Paulo. Todo pregador que não faz da oração um poderoso fator em sua própria vida e ministério é fraco como agente no trabalho de Deus e impotente para fazer prosperar a Sua causa neste mundo.

Edward M. Bounds - O Pregador e a Oração

quarta-feira, novembro 01, 2006

CARTA REAL INGLESA DO SÉCULO 16 SERÁ VENDIDA





A letter from the 1500s which tells part of the story of how the church of England began is expected to sell for a high price. It was written by Catherine of Aragon, the 1st wife of King Henry VIII, while he and the Pope were struggling for power. Here's our arts correspondent, Lawrence Pollard:
It's always being said that British schoolchildren don't know much about British history, but one thing they do all know is that Henry VIII had six wives - as the saying goes "divorced beheaded died, divorced beheaded survived".
Catherine of Aragon was the Spanish first wife who was divorced when she failed to give the King a son. The letter for sale is dated February the 8th 1534, in the middle of this tumultuous and gripping period. King Henry wanted the Pope to annul his marriage to Catherine so that he could have a child with another woman.
This autographed letter, signed 'Katharina', is to the Holy Roman Emperor Charles V. In it she pleads - in Spanish - for Charles to press the Pope to stand up to Henry saying that the [quote] "sufferings, surprises and affronts which every day puts on us, are of universal notoriety". Catherine was successful, the Pope supported her, but of course Henry defied the Pope, divorced Catherine, and set up the Church of England.
The letter is enormously rare and could fetch over 100,000 dollars when it's sold in December. The price reflects how intimate a glimpse it gives into the operation of a brutal and totalitarian society.

quinta-feira, outubro 26, 2006

O Evangelho de Judas

Vez por outra a mídia lança propagandas e especulações anticristãs, voltadas mais especificamente contra a Igreja Católica Romana, mas que afetam também o protestantismo, principalmente as Igrejas históricas. As revistas Superinteressante e National Geographic estão sempre veiculando notícias na tentativa de abalar o cristianismo. Ataques tentando destruir os princípios cristãos, fundamentados nas Escrituras, não são novidades em nossos dias. Desde os primórdios do cristianismo isto ocorre. Foram muitas as heresias que surgiram no início, principalmente com referência a Cristologia. Com isto a Igreja reuniu-se em concílios para refutarem os erros.
O Evangelho de Judas é um documento arqueológico datado por meados do II século, escrito não por Judas, mas por uma seita intitulada Cainitas. Creio que a observação feita pelo Rev. Augustus Nicodemos é pertinente: “Como pesquisador e estudioso do Novo Testamento estou sempre aberto para descobertas arqueológicas e novas pesquisas que nos tragam subsídios para melhor entendermos o mundo do Novo Testamento e a sua mensagem. Creio que a publicação do evangelho de Judas contribui para nossa compreensão do gnosticismo e da seita dos cainitas”.
Em 1945 camponeses egípcios encontraram um conjunto de textos gnósticos, enterrados em um jarro de cerâmica próximo a cidade de Nag Hammadi. Entre estes textos a “Carta a Filipe”, atribuída ao apóstolo Pedro e “Revelação de Jacó”. Depois de uma peregrinação nas mãos de colecionadores, bibliotecas, comerciantes de antiguidades, chegou às mãos das autoridades. Em 2004 foi anunciada ao mundo a descoberta de um códice com 25 páginas de papiro, envolta em couro, das 62 páginas do código original. Somente essas 25 páginas foram resgatadas pelos especialistas e é a tradução deste códice que veio a lume agora.
Este documento é escrito na língua copta, egípcio escrito com caracteres gregos, e segundo um especialista, em reportagem a revista National Geographic, afirma que “Nós todos nos sentimos à vontade situando a origem no século 4º”. Contudo, por volta do ano 180, Irineu, bispo de Lyon, escreveu um volumoso tratado intitulado “Contra as Heresias” e, nesta obra, o bispo atribui a autoria deste evangelho a um grupo gnóstico cainitas e citando desta obra declarando-a espúria.
Gnosticismo vem do grego gnosis, “conhecimento”. É um movimento antigo que floresceu na Babilônia, Egito, Síria e Grécia e posteriormente procuraram se amalgamar ao ensino de Cristo, desviando os cristãos mediante a manipulação das palavras e a torção dos significados das Escrituras. Alguns consideram o gnosticsmo “como produto da combinação entre a filosofia grega e o cristianismo” (EHTIC, 203). Tertuliano, um dos defensores do cristianismo escreveu: “O que mesmo Atenas tem a ver com Jerusalém? Que concórdia há entre a Academia e a Igreja? O que há entre os hereges e os cristãos?... Fora com todas as tentativas de produzir um cristianismo misturado, composto de modo estóico, platônico e dialético”.
Os gnósticos não eram um grupo homogêneo. Defendem a idéia de que o homem carrega dentro de si uma fagulha divina dentro de si e enxergavam o papel e os ensinos de Jesus de modo bem distinto dos cristãos.
Afirmavam que Deus pertence ao mundo espiritual (portanto “bom”) e criou seres finitos chamados éons, e um deles (Sofia) dá a luz a Demiurgo, deus criador, que fez o mundo material (portanto “mau”). Se o mal está na matéria, a solução lógica para o mal é a libertação deste mundo, que se dá após sucessivas passagens da alma na terra (reencarnação). Por isso que nas idéias gnósticas modernas, o corpo é visto invariavelmente como prisão do espírito.
Norma Braga afirma que “o imbróglio entre visões religiosas tão diferentes começou já nos primórdios da igreja cristã. Na tentativa de conciliação com os ensinamentos de Jesus, gnósticos como Marcião (160 d.C.) e Valentim ensinavam que Cristo é um desses seres finitos (éons) que desceu dos poderes das trevas para transmitir o conhecimento secreto (gnosis) e libertar os espíritos da luz, cativos no mundo material terreno, para conduzi-los ao mundo espiritual mais elevado”. No evangelho de Judas há uma afirmação atribuída a Jesus que demonstra o dualismo citado: “Você (Judas) irá sacrificar o homem que me veste”.
A Bíblia ensina-nos que o mal não é criação de algum deus nem atribuído à matéria (criada e aprovada por Deus como boa em Gênesis), mas sim conseqüência da vontade de autonomia do homem, que crê poder decidir entre o bem e o mal sem a participação de Deus. A morte, resultado do desejo de autonomia do homem entrou no mundo, e uma das principais tragédias humanas é que, apesar de diferenciar o bem e o mal, o homem não consegue por si só decidir-se a favor do bem: Jo. 8.34; 6.40, 44, 37. Aqueles que reconhecem a necessidade de arrependimento deste desejo de autonomia e colocarem Deus no centro de sua vontade são salvos, e se valem do único meio de fazê-lo: o sacrifício de Jesus, o Deus encarnado, que assumiu a nossa humanidade e, portanto, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, que levou no madeiro o nosso mal. A salvação está em Deus e não no homem. Devemos lembrar que Cristo morreu, mas ressuscitou não como espírito e, sim, como homem (Lucas 24.36-43).

terça-feira, outubro 24, 2006

Pondo nossa confiança em Deus

As bem-aventuranças são dádivas que a graça de Cristo nos concede e não o resultado de nossos esforços ou manifestações de nosso temperamento. Por isso “qualquer pessoa que se diga filho de Deus, ou que diz conhecê-Lo, ou pertencer ao seu reino, ou ser membro de seu corpo, a Igreja; em suma, todos aqueles em que seja notória a ausência destas qualidades, é mentiroso e não conhece a verdade”[1].
“Bem-aventurados os hulmides de espírito, porque deles é o reino dos céus”, declarou Jesus. Creio que a compreensão da primeira bem-aventurança apenas confirma aquilo que Cristo apresenta em todo o contexto. Nela “Jesus contradiz todos os critérios humanos de julgamento e todas as expectativas nacionalistas do reino de Deus. O reino é dado aos pobres, não aos ricos; aos fracos, não aos fortes; as criancinhas que são suficientemente humildes para aceitá-lo, não a soldados que gabam de poder obtê-lo por suas próprias proezas”
[2]. Isto nos leva a concluir que a compreensão desta primeira declaração de Jesus serve de chave para entendermos tudo o que vem depois. Há nas bem-aventuranças uma seqüência lógica e espiritual.
Mas, qual o significado da palavra “pobre” ou “humilde” que aparece no texto?A princípio a Bíblia a palavra “pobre” significava, literalmente, passar necessidades materiais. Porém, gradualmente, esta palavra ganhou nuances espirituais e passou a ser identificada como humilde dependência de Deus. No salmo 34.6, o salmista se declara “aflito” (lit., “homem pobre”), ou seja, ele descreve a si mesmo como “aquele que está sofrendo e não tem capacidade de salvar-se por si mesmo e que, por isso, busca a salvação de Deus, reconhecendo que não tem direito a mesma”