quinta-feira, novembro 25, 2010

O FARISEU, JESUS E A MULHER (Lucas 7.36-50)


Você ama Jesus? Amar não é um sentimento e nem uma simples declaração que ama alguém. Mas antes de responder minha indagação, quero convidá-lo a meditar, a refletir no episódio registrado por Lucas em seu evangelho, que narra o encontro do fariseu, Jesus e uma mulher, designada como pecadora. No centro do diálogo de Jesus com o fariseu, que é identificado pelo nome de Simão, há uma parábola curta e para entendê-la é preciso avaliar todo o contexto. Lucas nos informa em seu registro que um fariseu convidou Jesus para participar com outros convidados, de uma refeição em sua própria casa. Provavelmente Jesus pregara na sinagoga da cidade e considerando que era uma honra convidar um pregador visitante para o jantar, conforme nos lembra J. Jeremias[1], Simão não titubeia em convidar Jesus. No entanto, Simão não oferece a Jesus a acolhida esperada. No Oriente Médio “quando um hóspede é convidado a ir à casa de alguém, espera que sejam oferecidas as costumeiras gentilezas da hospitalidade. Quando o hóspede é um Rabi o dever de oferecer hospitalidade em sua forma mais refinada é bem reconhecido. Mas Simão convidou Jesus a ir à sua casa, e começou a violar todas as regras de hospitalidade”[2]. Por outro lado, a mulher, a quem Simão denomina pecadora, oferece o que o fariseu não ofereceu. Vês esta mulher?” – perguntou Jesus a Simão – “Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; esta, porém, regou os meus pés com lágrimas e os enxugou com os seus cabelos. Não me deste ósculo; ela, entretanto, desde que entrei não cessa de me beijar os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta, com bálsamo, ungiu os meus pés”. Assim, “em três atos claros, aquela mulher demonstrou a sua superioridade em relação a Simão”, como bem observou Bailey. A parábola usada por Jesus aqui relata—nos a estória de dois devedores. Nenhum deles é capaz de quitar seus débitos. No entanto, o credor os perdoou de suas dívidas, oferecendo graça a ambos. Embora os dois devedores tenham em comum a incapacidade de pagar a dívida e a necessidade do perdão, há um contraste entre eles, que marca o contraste entre Simão e a mulher pecadora. A pergunta de Jesus a Simão o deixa num beco sem saída: “Qual deles amará mais?” J. Jeremias nos ensina que tanto no hebraico como no aramaico não havia uma palavra que corresponda ao nosso “obrigado” e usava-se o verbo amar para expressar a gratidão. Com isso evidencia-se que a gratidão é uma reação de uma graça imerecida. Então, qual o significado do versículo 47: “Aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama”? Jesus está nos ensinando que o fariseu não demonstrou amor porque não se julgava necessitado do perdão. As atitudes da mulher eram demonstrações de amor, isto é, gratidão pelo perdão que alcançara com a mensagem do evangelho de Cristo. Simão a via apenas como pecadora. Jesus a via como uma pecadora que tinha sido perdoada. Jesus sabia que seus pecados eram muitos. E justamente por seus muitos pecados serem perdoados ela muito amou. Quais lições nós podemos aprender neste relato? Primeira, Jesus conhece o nosso coração. Ele é onisciente. Note no versículo 39 que Simão não expressou de modo notório a sua indignação por Jesus aceitar que uma mulher de vida duvidosa lhe tocasse. Jesus conhecia seus pensamentos e os confronta com a verdade do evangelho. Mais uma vez cito K. Bailey: “O grande pecador que não se arrependeu (cuja presença contamina) é Simão, e não a mulher. O profeta não havia lido apenas o coração da mulher: ele havia lido também o coração de Simão. O juiz (Simão) se torna réu. O drama começa estando Jesus sendo examinado minuciosamente. A mesa vira, e Simão é exposto”. Outra lição é: A salvação é pela fé e não por obras. Jesus declarou a mulher: “A tua fé te salvou”. Não é a atitude da mulher que a salvou e, sim, a graça imerecida de Deus. O amor gracioso de Deus é o tema central da parábola. A última lição que destaco é que a nossa salvação é evidenciada pela gratidão, pelo amor traduzido em ações. Os atos de amor são manifestações de gratidão pela graça recebida e não uma tentativa de se alcançar o favor de Deus. J. C. Ryle afirmou que “se não entregamos nosso coração a Cristo; nossas mãos fraquejarão. O trabalhador que ama será sempre o que mais faz na vinha do Senhor”[3]. Assim volto a questão inicial. Você ama a Jesus? Quais as atitudes que evidenciam sua gratidão por Ele?


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[1] Parábolas. Ed. Paulinas.




<!--[if !supportFootnotes]-->[2]<!--[endif]--> Levison, citado por Bailey, K. in “As Parábolas de Lucas”, Ed. Vida Nova.



<!--[if !supportFootnotes]-->[3]<!--[endif]--> Comentário Expositivo do Evangelho Segundo Lucas. Publicado pela Confederação Evang. Do Brasil.

2 comentários:

prjosivaldo disse...
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prjosivaldo disse...

Parabéns pelo texto meu caro colega e amigo Rev. Walter. Mensagem grandiosa! Continue escrevendo e nos abençoando assim.