quinta-feira, dezembro 29, 2011

O MISSIONÁRIO


Ele achou primeiro a seu irmão e o levou a Jesus (Jo 1.41-42).


Há na Palavra de Deus um homem que nos mostra o que significa ser missionário: é André. André não era orador como Pedro, não tinha a amável personalidade de João, nem os dons de Tiago; ele era apenas o irmão de Simão e assim era apresentado aos outros. Não podia ensinar como o grande Paulo, porém se alegrava em ser simplesmente André. Não era o mordomo dos dez talentos; contudo usava fielmente o seu único talento: trazer homens para conhecerem Jesus. E com que habilidade fazia isto! André estava entre os dois primeiros que seguiram o Mestre depois de ter ouvido a pregação de João Batista e de ter passado um dia com Jesus (Jo 1.39). Após essas experiências, movido por seu amor ao irmão, levou Simão Pedro ao Messias (Jo 1.42). Quando Jesus indagou por alimento, vendo a multidão que o seguia, foi André que achou o rapaz com os cinco pães e dois peixinhos e o trouxe ao Senhor (Jo 6.8-9); e Jesus os multiplicou e alimentou a todos. Na Páscoa, alguns gregos que vieram a Jerusalém dirigiram-se a Filipe pedindo para ver Jesus. Então Filipe foi dizê-lo a André, e André e Filipe o comunicaram a Jesus (Jo 12.20-22). Novamente, vemos André trazendo pessoas ao Mestre. Nem todos os cristãos podem pregar publicamente, nem têm o dom e a capacidade para tanto; muitos de nós somos apenas como André. Mas podemos cumprir nossa missão, seguindo o seu exemplo: levando a Jesus amigos, vizinhos, parentes, colegas de trabalho e crianças. Se você não pode ser um Pedro, seja simplesmente André. Comece como ele, na família. Depois alargue sua tenda, como diz Isaías (54.2-3), para atingir os outros. Esta é uma das mais lindas passagens da Bíblia – não foi escrita por grandes pregadores, mas pelos que têm compaixão pelas almas, em todos os tempos, trazendo-as para Jesus Cristo, como diz o texto: “e o levou a Jesus” (v.42). Vamos ser André? Vale a pena tentar!

Extraído do Pão Diário

quarta-feira, novembro 30, 2011

DEUS, NOSSO AMIGO - SALMO 23

Não há dúvidas que este salmo é uma das passagens mais conhecidas de toda a Escritura. Muitos o conhecem de cor. Concordo com Derek Kidner que afirma que “a simplicidade deste salmo tem profundidade e força por trás dele”. Nós nos referimos a este texto como o salmo pastoral, uma vez que Deus Se revela como o nosso Pastor. Contudo, se atentarmos bem, veremos que o Senhor nos diz que, além de ser o nosso Pastor, Ele é o nosso Amigo.

Um amigo é uma das maiores bênçãos na vida, ainda que verdadeiros amigos sejam raros. Muitos são nossos amigos quando tudo vai bem, mas poucos são aqueles que permanecem ao nosso lado quando estamos doentes, desamparados ou necessitados. Neste Salmo lemos: preparas-me uma mesa. Esta declaração é muito significativa. No contexto bíblico significa amizade. Mesa, muito diferente do objeto que usamos hoje, pois naquela época não havia mesa com pernas como hoje, tem o significado de comunhão. Não se comia com uma pessoa desconhecida. Mesa é um lugar de vivência familiar. Comer com alguém é um ato de companheirismo, de amizade.

Os versículos 5 e 6 descrevem um homem que caminha no deserto. E como nos diz certo estudioso da Bíblia, “deserto é sinônimo de provação, de sofrimento, de abandono. Deserto é lugar sem vida, árido”. E este errante do deserto é perseguido, ameaçado, por bandoleiros do deserto. Ele, então, encontra um homem rico, que lhe dá abrigo e oferece sua amizade. Deus, então, revela-Se como um Amigo. Como Aquele que vê nossas necessidades, angústias e nos ampara. Quando nos tornamos amigos de Deus encontramos:

1. Segurança: Preparas uma mesa na presença dos meus adversários. Aquele homem rico e poderoso do deserto oferece sua amizade àquele homem perseguido, diante dos seus perseguidores. É como se ele dissesse: Esse homem que vocês estão perseguindo é meu amigo, está comigo e eu ofereço segurança a ele. Se vocês o querem, terão de me enfrentar. A amizade com Deus nos dá segurança. No capítulo 9 de Atos lemos sobre a conversão de Saulo. Neste episódio Jesus o interroga dizendo: “Saulo, Saulo, porque me persegues?” Era a igreja a quem Saulo perseguia. No entanto, a igreja é a menina dos olhos de Deus. Ir contra ela era ir contra o próprio Deus. Aquilo que Saulo estava fazendo aos cristãos o Senhor estava vendo como perseguição a Ele. Esta é a primeira lição que aprendemos aqui. Deus guarda os que são seus. Deus nos valoriza e toma as nossas dores. Aquele que colocou a sua fé em Cristo Jesus, quando tiver que passar pelo deserto, quando enfrentar perseguições deve se lembrar que tem um Amigo, o melhor Amigo, que o defende, que oferece abrigo, que sai em sua defesa, que lhe promete segurança para esta vida e para a eternidade.

2. Cuidado e Provisão: Unges-me a cabeça com óleo e o meu cálice transborda. A unção mencionada aqui não é a unção do sacerdote, não é a capacitação para o exercício de uma vocação. A ideia é a de refrigério. Andar pelo deserto, debaixo de um sol escaldante pode causar insolação. O amigo oferece amizade com uma refeição e refresca a cabeça do seu hóspede. Desfrutar da amizade de Deus é desfrutar de Seu cuidado para conosco. O poeta sacro diz: Deus cuida de mim, na sombra de Suas asas, Deus cuida mim. Por isso a Bíblia nos ensina: “Não andeis ansiosos de coisa alguma”. A ansiedade é filha da incredulidade e da desconfiança. A Bíblia nos ensina acerca de um Deus providente, que supre as nossas necessidades, que cuida dos seus filhos. A ideia de um cálice transbordante é a de abundância. Deus cuida e cuida bem dos seus filhos. Paulo nos diz que Deus é “muitíssimo mais poderoso para fazer muito mais além do que pedimos ou pensamos”.

3. Proteção: Bondade e misericórdia me seguirão. Há uma mudança no tempo verbal no versículo 6. Os verbos do v. 5 estão no presente, neste versículo estão no futuro. Com isso Davi nos ensina que a segurança, o cuidado e a provisão de Deus continuarão conosco, para sempre! O homem que caminha no deserto encontrou abrigo com aquele que lhe ofereceu sua amizade. Contudo, ao sair das tendas do seu amigo, os bandoleiros estarão lá. É aí que vem a promessa: Bondade e a misericórdia certamente me seguirão. Um pastor batista nos diz que bondade e misericórdia “são dois guarda-costas que realmente vêm grudados nas costas do homem para proteger”. Bondade é tudo o que é bom. Misericórdia é o amor do pacto, amor que levou Deus nos escolher. É um amor inalterável e inabalável. Paulo nos ensina que “se formos infiéis Ele permanece fiel porque não pode negar-se a si mesmo”. Assim posso crer que em cada dia da minha vida, não haverá um dia se quer que Deus se esqueça de mim. Não é esta a promessa de Jesus? “Eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século”.

Tudo o que o Salmo nos oferece encontramos na pessoa de Jesus Cristo. Jesus é o amigo melhor. Ele quer ser seu amigo, partilhar da sua mesa, quer cuidar de você, lhe oferece uma salvação que consiste de salvação nesta vida e por toda eternidade. Venha a Cristo e desfrute da amizade com Aquele que é também o nosso Pastor.

segunda-feira, novembro 07, 2011

AS BEM AVENTURANÇAS - Rev. Manoel Peres Sobrinho

Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte, e, como se assentasse, aproximaram-se os seus discípulos; e ele passou a ensiná-los, dizendo: Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que vieram antes de vós. Mateus 5:1-12

“Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” Mateus 5:3.

As bem-aventuranças “abrem” o Sermão do Monte como uma porta de rara beleza que dá acesso a um suntuoso templo. Neste caso, o templo é o da Verdade de Deus. Fazem parte da “Plataforma do Reino” como um resumido prefácio, onde seguem como resultados do comportamento daqueles que amam a Deus e encaminham suas vidas pelas verdades divinas. A sua singularidade está em que estas máximas são de caráter inegociável e só serão realidade, vista e proveitosa, quando cumpridas em sua totalidade, na simplicidade e seriedade como Jesus as estabeleceu. Como fazem parte do Reino de Deus, sua aparição se dá por toda a Bíblia, disseminadas como sementes da fé e frutos do amor a Deus, ora de forma explícita, ora de forma implícita, mas sempre concitando os filhos de Deus a uma resposta adequada e verdadeira diante das suas exigências. Estabelecem-se como desafios diários que devem ser buscados como uma finalidade da existência cristã, como parte da adoração e obediência que devem os filhos de Deus ao seu Senhor e Salvador. São promessas que seguirão aqueles que levam Deus a sério diariamente e em todo lugar e momento e que desejam espelhar em suas vidas nos santos caminhos do Senhor. Felizes serão aqueles que atentarem para estes ensinamentos.

Ore: Senhor, meu Deus. Renova em meu coração o desejo de buscar a felicidade e a alegria nos teus ensinamentos. Dá-me o prazer da obediência sem tristeza e a coragem da fé sem esmorecimento. Em nome de Cristo, amém.

Pense: Somente aqueles que perseveram nos caminhos do Senhor serão felizes, pois só eles completam nossas carências humanas.

Rev. Manoel Peres Sobrinho : http://mpfragmentos.blogspot.com

quinta-feira, outubro 13, 2011

VIVENDO DE MODO DIGNO DO SENHOR - Colossenses 1.9-11

O desejo de Paulo em relação aos irmãos de Colossos era que eles vivessem de modo que Deus fosse honrado. Deveriam proceder diante dos homens de tal modo que suas vidas trouxessem crédito para o nome do Seu Senhor. Na verdade este é o dever de todo verdadeiro cristão. “Viver de acordo com a doutrina e prática da Escritura Sagrada; honrar e propagar o Evangelho pela vida e pela palavra”. O apóstolo, escrevendo aos coríntios, ensina-nos esta mesma verdade: “Quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Co 10.31). Não há distinção entre palavras e ações, prática e doutrina. A vida do cristão é coerente, condizente e harmônica com tudo o que ele professa ser. A sã doutrina nos leva a conduta correta. Não há prática cristã sem o conhecimento da doutrina. Isto está claro no texto, o verbo “viver” está no infinitivo e introduz uma afirmativa de resultado esperado. Viver vidas dignas do Senhor é resultado prático daqueles que estão cheios do pleno conhecimento da sua vontade. “Quanto mais os filhos de Deus O conhecem, tanto mais irão amá-Lo; e quanto mais o amarem, também mais desejarão obedecê-lo em pensamento, palavras e ações”. O cristianismo não é um simples ‘modo de vida’ no sentido moderno, mas sempre um modo de vida fundamentado sobre uma doutrina. O Rev. Mauro Meister afirmou que “Evangelho não é comportamento, mas envolve viver a vida com uma dignidade que nos distancia de todos os demais”. Assim há um padrão de vida em Cristo! Paulo aponta quatro características de uma conduta digna do Senhor:

1. Frutificando em toda boa obraPaulo deixa claro aqui que as boas obras não são o fundamento da graça, mas, sim, o fruto da graça em nós. “Boas obras são vistas no fruto de tudo aquilo que nós fazemos!” O Rev. Russel Shedd afirma que “não se trata de ação ou boa obra alguma que o homem possa efetuar para conseguir mérito aos olhos de Deus, mas, sim, atos cheios de amor que quem os observa não pode explicá-los sem recorrer à operação de Deus na vida do cristão”.

2. Crescendo no pleno conhecimento de Deus“Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor ... porque eu quero misericórdia e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus mais do que os holocaustos” (Os 6.3,6).

3. Sendo fortalecidos com todo poder“O aforismo ‘conhecimento é força’ é verdadeiro na vida espiritual mais do que em qualquer outra área. Quando uma pessoa cresce no pleno conhecimento de Deus, sua força e coragem aumentam” (Hendriksen). Tudo posso Naquele que me fortalece, diz o apóstolo Paulo, que diante das dificuldades pregou o Evangelho com perseverança e longanimidade.

4. Dando, com alegria, graças ao Pai“E, quanto fizerdes por palavras ou obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por Ele graças a Deus Pai” (Cl 3.17).

Você, meu irmão (ã), tem vivido de modo digno do Senhor? Há coerência no seu proceder com aquilo que você declara crer? Deus tem sido glorificado através das palavras e ações que você realiza? “Se a nossa vida, como cristãos, deixar de corresponder à vida do Senhor, estaremos andando indignamente”

sexta-feira, setembro 30, 2011

ANDA NA MINHA PRESENÇA E SÊ PERFEITO

Creio que a declaração de Deus a Abraão expressa a Sua vontade a todos os seus filhos. Deus diz a Abraão e a nós: Anda na minha presença e sê perfeito (Gn 17.1). Andar com Deus é desejar que Sua vontade seja a nossa própria vontade. Andar com Deus não é algo que se faz aos domingos, mas é algo contínuo, permanente. Isto implica em duas coisas simples e básicas da vida cristã.

A primeira delas é a oração. A Bíblia exorta-nos: Orai sem cessar. Através da oração falamos com Deus, colocando em Suas mãos toda a nossa vida, nossas angústias e necessidades. A oração nos faz desfrutar da intimidade com Deus e, assim, somos impactados com Sua santidade. Somos, então, transformados, tornando-nos como Ele é. J. C. Ryle afirmou que “oração e pecado jamais habitarão juntos em um mesmo coração. Ou a oração sufocará o pecado, ou o peado sufocará a oração. Quando me lembro disto e considero a vida dos homens, acredito que poucas pessoas oram”.

A segunda é a leitura da bíblia diariamente e o estudo diligente da Palavra de Deus. O cristão deve desejar a Palavra de Deus como o recém-nascido deseja e necessita do leite materno. O cristianismo é uma via de duas mãos, onde falamos com Deus e ouvimos a Deus. Lembre-se que Deus trabalha em nós de dentro para fora, do homem interior para o homem exterior. Portanto, renove seu coração permitindo que a Palavra de Deus dirija sua vida.

Oração e o estudo das Escrituras nos levam a plenitude do Espírito, nos tornam perfeitos, isto é, completos. Que cada um de nós, verdadeiramente possa estar andando com Deus, como Abraão andou e foi chamado amigo de Deus..

segunda-feira, setembro 26, 2011

PERMANECENDO NA PALAVRA

Como cristãos somos exortados pelo apóstolo Paulo a chegarmos “à perfeita varonilidade”, isto é, sermos pessoas maduras, “pessoas que alcançaram à altura espiritual de Cristo” (Efésios 4.13,14). O objetivo desta exortação é “para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para o outro, e levados ao redor por toda sorte de doutrina”. Lamentavelmente vivemos dias em que aqueles que se dizem cristãos não demonstram convicções e nem apresentam firmeza no que creem. São inconstantes e se curvam as tendências teológicas que prevalecem em nossa época, rejeitando os padrões absolutos da Palavra de Deus. Somos conclamados, pelas Escrituras, a permanecer fiéis à Verdade de Deus: “Assim, pois, irmãos, permanecei firmes e guardais as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por palavra nossa” (2 Ts 2.15). A Bíblia é o livro de Deus. Deus é o autor primário das Escrituras Sagradas. Rev. Adão C. Nascimento nos lembra que “a Escritura se originou na mente de Deus e foi comunicada pela boca de Deus, pelo sopro de Deus, ou pelo seu Espírito”. E o propósito de Deus se ter revelado através da Bíblia é de nos despertar à fé em Jesus Cristo e nos dar a salvação que há nEle! Calvino, o reformador do século XVI, afirma que a Escritura contém o guia perfeito de uma vida boa e feliz. Isto porque a verdadeira felicidade está na reconciliação do homem com Deus, o Criador. Uma vez que a Bíblia é o livro de Deus e tem um propósito tão especial, ela se reveste de tremenda importância para nossas vidas. Contudo, não devemos adorar a Bíblia e, sim, o Deus que Se revela em suas páginas. Essa adoração inclui estudar e obedecer aos mandamentos de Deus, bem como transmitir os seus ensinamentos a outros.

terça-feira, setembro 20, 2011

UMA PALAVRA AOS PERSEVERANTES - Hebreus 12.12-17

J. C. Ryle, um grande servo de Deus do passado, nos lembra que “o Cristianismo que o mundo requer, e que a Palavra de Deus revela (...) é uma religião útil para todos os dias. É uma planta saudável, forte e viril, a qual pode viver em qualquer posição, e florescer em qualquer atmosfera, exceto a do pecado. É uma religião que o homem pode levar com ele aonde ele for, e nunca precisa deixar para trás”. Em Hebreus 12 encontramos verdades essenciais para se viver esse cristianismo autêntico e relevante em nossos dias. Por isso temos nos esforçado em aprender e aplicar tais verdades às nossas vidas para sermos, de fato, uma igreja que faça toda diferença em nossa sociedade.

No texto de hoje encontramos uma nova exortação, a qual se inicia com a expressão “por isso”. Isto é significativo, pois nos lembra que o que o autor irá nos falar depende da compreensão de tudo o que já foi dito. Primeiramente seus leitores são exortados a serem perseverantes na vida cristã, observando o testemunho dos heróis da fé, mas, acima de tudo, olhando para Jesus, o Autor e Consumador da fé. Lembra-lhes que nesta jornada encontrariam dificuldades, mas os sofrimentos não são sinais de reprovação, pelo contrário, evidenciam o cuidado paternal de Deus, moldando-nos para que sejamos participantes da Sua santidade. Agora, nesta perícope, exorta seus leitores a se encorajarem mutuamente, de modo que aqueles que se acham desanimados sejam estimulados pelo testemunho da maioria e também se tornem perseverantes. É possível observar por toda carta que havia na igreja irmãos que, diante das tribulações, estavam esmorecendo. Em Hebreus 10.25 somos informados que estes estavam deixando de congregar. Contudo, observemos que eram “alguns” e não a maioria. E essa maioria deveria levar em conta as circunstâncias e fraquezas dos demais a fim de apoiá-los. Por isso a exortação em Hebreus 10.24: “Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras”. Portanto, nesta seção, encontramos UMA PALAVRA AOS PERSEVERANTES.

1. SEJAM CORAJOSOS. A primeira exortação é: Sejam corajosos. Mãos fracas e joelhos vacilantes formam uma metáfora que representa o desânimo e o desespero. Somente os covardes desistem quando o caminho é difícil. O autor os admoesta a não se contaminarem com o desalento de poucos, mas a se mostrarem fortes, corajosos, pois a coragem “pode reanimar os corações abatidos e renovar o progresso no caminho do cristianismo”. Convida-os a continuarem sendo perseverantes e, assim, fortaleceriam os que estavam em dúvida e reergueriam sua confiança.

2. SEJAM ÍNTEGROS. O autor desta carta era alguém que conhecia bem o Antigo Testamento. Para estimulá-los a coragem cita Isaías e para convocá-los a integridade refere-se a Provérbios: “Os teus olhos olhem direito, e as tuas pálpebras, diretamente diante de ti. Pondera a vereda de teus pés, e todos os teus caminhos sejam retos. Não declines nem para a direita nem para a esquerda; retira o teu pé do mal”. Sejam íntegros! Esta é a exortação aqui. Deveriam andar numa linha reta, com honestidade e franqueza, sem inconsistências morais ou espirituais em sua vida. Integridade significa inteiro, completo, sadio. A integridade é essencial para aqueles que representam Deus e Cristo neste mundo, para que o manco não se extravie, pelo contrário, seja curado. Lighfoot nos lembra que “a advertência é no sentido de que os fortes devem avançar num curso reto e auxiliar no percurso os irmãos fracos que de outra forma seriam tentados a desviar-se e abandonar a carreira cristã”.

3. SEJAM PACIFICADORES. No versículo 14 encontramos a terceira exortação: Segui a paz com todos. O verbo seguir é enfático e sugere-nos todo o esforço possível para se alcançar algo. O primeiro objeto a ser perseguido é a paz. Embora a expressão “com todos os homens” tenha um paralelo direto com Romanos 12.18, “se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens”, indicando uma abrangência em seu uso, creio que em nosso texto refira-se exclusivamente ao relacionamento dos cristãos. O versículo 15 confirma essa interpretação. Neste versículo o autor os previne para que não haja nenhuma raiz de amargura, citando o texto de Deuteronômio. A ideia não é de ressentimentos entre eles, mas, sim, a introdução de um veneno, isto é, uma raiz venenosa, que poderia trazer a destruição. O desânimo é essa raiz venenosa, que se não fosse eliminada contaminaria o ânimo de toda a congregação. Lembra-lhes que indiferença gera indiferença e apostasia gera apostasia. O autor já os havia advertido antes: “Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo” (Hb 3.12). Assim, fala-lhes daquilo que precisava ser corrigido na igreja. A estagnação, ainda que fosse uma realidade de alguns, estava evoluindo e deveria ser combatida com tolerância e amor. O conceito bíblico paz não consiste na ausência de conflitos, guerras. É, antes de tudo, o estabelecimento de um bom relacionamento entre o homem e Deus. E neste sentido, como pacificadores, os crentes perseverantes deveriam ajudar os que estavam se ausentando da congregação a “restaurar” o relacionamento com Deus para que toda a igreja não se contaminasse com o desânimo.

4. SEJAM SANTOS. O outro objeto ser perseguido é a santificação. Esta expressão assemelha-se à declaração de Paulo aos tessalonicenses: “Deus não nos chamou para a impureza, e sim para a santificação” (1 Ts 4.7). O autor aos Hebreus nos ensina a seguir a santidade e isto envolve nos sujeitarmos ao Espírito de Cristo. A Bíblia nos ensina que o Espírito Santo opera por meios – os meios de graça, a saber: a Palavra, oração, comunhão, adoração e a ceia do Senhor. Nesse processo é preciso o nosso envolvimento através da disciplina e do esforço. A formação de hábitos é a maneira normal pela qual o Espírito Santo nos leva para a santificação. Assim, o antídoto ao veneno mortal do desânimo é o esforço deliberado do cristão no uso destes meios de graça para a sua santificação. Aqui o autor traz a lembrança o exemplo de Esaú que fez uma má escolha e não pode mudar as conseqüências desta escolha. Assim a exortação é para que não desprezem os privilégios cristãos como Esaú o fez, senão incorremos no mesmo erro dele.

Amados irmãos, a compreensão destas verdades é significativa a nós hoje. Obviamente as dificuldades que enfrentamos hoje não são idênticas à daqueles irmãos. Contudo, sofremos problemas que podem nos desanimar em nossa jornada cristã. Ainda hoje há, como expressou o poeta sacro, aqueles que corriam bem e longe de Deus agora vão, outros que caminham sem fervor e sem vigor. Portanto, neste texto aprendemos que, em primeiro lugar, devemos cuidar da nossa própria espiritualidade. Certo servo de Deus nos diz que “ninguém tem esperança alguma de revivificar outras pessoas se não se esforçar para revivificar a si mesmo”. Não devemos permitir que as lutas que enfrentamos ou o desânimo de alguns nos façam estagnar. Acima de tudo, devemos nos fortalecer no Senhor, vivendo com integridade o Evangelho de Cristo. Em segundo lugar, devemos suportar uns aos outros em amor. Uma vez revigorados, animemos os desalentados! E, por último, jamais devemos negligenciar os meios de graça que o Senhor nos dá. Nas palavras de Paulo, não apagueis o Espírito!

domingo, setembro 11, 2011

ANDANDO NOS PASSOS DE JESUS

A Bíblia nos ensina claramente que o objetivo final de Deus para todo o verdadeiro cristão é que ele se assemelhe a Jesus. Paulo em Romanos 8.29 nos diz que fomos predestinados antes da fundação do mundo para sermos conforme a imagem e semelhança de Jesus. Deus nos transforma a imagem de Seu Filho conforme a atuação do Espírito Santo em nós. Esse processo de transformação é denominado na Palavra de Deus como santificação. Na santificação, não só o Espírito opera, mas exige-se o envolvimento intencional do crente, ou seja, a cooperação do crente. Entretanto, quero lembrar-lhes outra dimensão do ensino bíblico para promover a nossa santificação – o exemplo de Jesus. “A Bíblia diz claramente que nós, como cristãos, devemos moldar a nossa vida de acordo com o procedimento de Jesus Cristo”, lembra-nos Larry McCall.

1. ANDAR NOS PASSOS DE JESUS É NOSSO CHAMADO. Jesus certa ocasião nos disse:Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma (Mt 11.28). O próprio Jesus nos deu a graciosa ordem de ir a Ele a fim de aprender. Não somos chamados, em primeiro lugar, a uma instituição ou a uma doutrina em particular, e, sim, a uma Pessoa verdadeira. É dessa pessoa, com todos os Seus atributos, que devemos aprender. Jesus nos convida a aproximar Dele para aprender e devemos obedecer-Lhe o chamado. Quando respondemos a este chamado, nossos primeiros passos com Cristo devem ser caracterizados pela atitude de imitá-Lo.

2. ANDAR NOS PASSOS DE JESUS É NOSSA OBRIGAÇÃO. Professar que estamos ligados a Cristo pela salvação, nos leva ao dever de endossar esse testemunho verbal com um estilo de vida que reflete o caráter de Cristo. É isso que nos ensina o apóstolo João: “Nisto sabemos que estamos nele: aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou” (1Jo 2.5b,6). Ser como Cristo é um padrão necessário para o cristão. Se não buscamos refletir o caráter de Cristo em nossa própria vida, que direito temos de alegar que somos cristãos?

3. ANDAR NOS PASSOS DE JESUS É NOSSO TESTEMUNHO. O Rev. Martin Lloyd-Jones afirmou que o mundo ainda julga Deus e Jesus Cristo pelo que vê em nós. Muito do que o mundo conhece acerca de Jesus Cristo resulta da observação da vida daqueles que alegam estar unidos a Cristo. Nós cristãos hoje temos a obrigação de oferecer uma constante demonstração em carne e osso do verdadeiro cristianismo. Esse é nosso ministério! Nada mais prejudicial à evangelização do que uma pregação dissociada da vida.

Devemos nos dedicar mais e mais ao estudo da Pessoa de Cristo por meio de Sua santa Palavra, orando para que o Espírito Santo nos conforme, nos molde mais e mais à semelhança do nosso bendito Salvador.

(Texto adaptado do livro "Andando nos Passos de Jesus" de Larry McCall - Editora Fiel)

quinta-feira, setembro 08, 2011

CRESCENDO NAS ADVERSIDADES

Cortland Myers escreveu que “a mais fina porcelana do mundo é queimada pelo menos três vezes, e algumas mais de três vezes. A de Desdren sempre é queimada três vezes. E por que passa por esse calor intenso? Uma ou duas deveriam ser suficientes. Não, aquela porcelana precisa ser queimada três vezes para que os adornos de ouro e carmesim fiquem mais belos e se fixem nela permanentemente. Em nossa vida somos trabalhados segundo o mesmo princípio. Nossas provações ardem em nós uma, duas, três vezes. E pela graça de Deus as cores mais belas são nelas gravadas, e se fixam para sempre”. Quanta verdade há nesta declaração! Às vezes, como é próprio da natureza humana, nos queixamos dos nossos fardos e das tribulações que enfrentamos. Por que tenho que passar por tudo isso de novo? Esta é a indagação que fazemos. Alguns valores e princípios da vida cristã precisam ser trabalhados em nós e Deus usa as adversidades para imprimi-los em nós. Deus está nos transformando na imagem de Seu Filho. O fruto do Espírito está se desenvolvendo em nós. Muitos ao verem nossas dores nos acusam de estarmos em pecado, tal como os amigos de Jó. Para estes nossos sofrimentos são evidências de perdição, mas, com afirmou o apóstolo Paulo, na verdade são provas da nossa salvação (Fp 1.28). Nossas tribulações têm um caráter didático. O nosso Pai deseja que aprendamos algo a fim de que possamos viver de modo digno do Evangelho de Cristo. A teologia da prosperidade, tão difundida em nossos dias, descarta o ensino que obtemos através do fogo ao proclamar que devemos determinar a Deus que nos livre do mal. Lembremos que nos “foi concedida a graça de padecermos por Cristo e não somente de crerdes nele” (Fp 1.29). Se o próprio Filho de Deus “aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu” (Hb 2.8), quanto mais nós pecadores. Portanto, não devemos murmurar e, sim, glorificarmos a Deus, pois Ele está trabalhando em nós para nos apresentar perante Ele perfeitos, sem máculas e nem rugas. Que possamos crescer em meio as nossas adversidades e, como o salmista, dizer: “Foi me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teu decretos” (Salmo 119.71). (extraído)

terça-feira, agosto 23, 2011

OS MANDAMENTOS BÁSICOS DA EDUCAÇÃO DOS NOSSOS FILHOS - Efésios 6.4

Certa ocasião eu afirmei que vivemos dias maus. Dias em que assistimos a desconstrução da família. A sociedade quer nos impor um novo conceito de família, com novos valores e princípios que não estão pautados na Palavra de Deus. Creio que isto se deve pelo simples fato de que nós pais transferimos a nossa responsabilidade de educar nossos filhos a outros. Ora entregamos a criação dos nossos filhos à escola, ora à igreja e, assim, muitos pais se eximem do mandato que Deus nos delegou. Em Efésios 6.4 nos aprendemos que Deus entregou a responsabilidade da criação dos filhos aos pais. Obviamente tanto a escola como a igreja devem ter participação na formação do caráter de nossos filhos. Contudo, ninguém pode substituir de modo adequado ou completo o papel que cabe a nós pais e, jamais devemos abrir mão da educação dos nossos filhos. Nesta tarefa a nós delegada, devemos lembrar que Deus é o nosso modelo de paternidade. E baseados no modelo divino de paternidade encontramos, neste versículo, três mandamentos básicos. Propositadamente quero apresentar estes mandamentos na ordem invertida.
O primeiro mandamento é: ENSINAR. Paulo em nosso texto usa a palavra “admoestação”, que pode ser traduzida por “instrução”. Esta palavra se refere primariamente ao que se diz à criança. Está implícito aqui também que devemos dar aos nossos filhos um exemplo de vida e conduta cristãs. Nossos filhos são reflexos do que somos. E, acima de tudo, nossa instrução deve levá-los a um relacionamento íntimo com Deus. Assim, devemos orar por eles e com eles, ajudá-los na compreensão das verdades bíblicas ensinando-lhes as Escrituras e permitindo que eles nos vejam aprendendo destas mesmas Escrituras. Pv. 22.6.
O segundo mandamento é: DISCIPLINAR. O termo que é empregado aqui é Paidéia, que traz o conceito de instruir, educar por meio de disciplina. A disciplina nem sempre é agradável no momento em que a aplicamos, mas depois produz frutos excelentes. Em outro lugar Paulo usa este termo no sentido de “instruir na justiça”. É uma educação mediante regras e normas, recompensas e, se necessário, castigos. A Bíblia nos diz que “o que retém a vara odeia a seu filho, mas o que o ama, cedo o disciplina”. No passado assistimos uma disciplina severa, exagerada. No presente vemos uma reação que nos leva a permissividade e, perplexos, temos visto o resultado disto. O Dr. Lloyd-Jones sabiamente nos diz: “O oposto da disciplina errada não é a ausência de disciplina mas, sim, a disciplina certa, a disciplina verdadeira (...) o oposto de nenhuma disciplina não é a crueldade mas, sim, a disciplina equilibrada, a disciplina controlada (...) Ao disciplinar uma criança, você deve ter primeiramente controlado a si mesmo (...) Que direito tem você de dizer ao seu filho que ele precisa de disciplina quando obviamente está precisando dela também? O autocontrole do seu próprio gênio, é uma condição prévia essencial no controle dos outros”.
O terceiro mandamento é: AMAR. O apóstolo expressou esse mandamento assim: “Não provoqueis vossos filhos à ira. Criai-os com afeição ou ternura”. Os filhos precisam da ternura e da segurança do amor. O encorajamento positivo de pais amorosos e compreensivos faz que a personalidade da criança floresça e que seus dons desenvolvam. Há muitas maneiras de expressar amor, de dizer aos filhos que os amamos. “Os filhos não devem ter a prioridade em tudo, mas não podemos deixar as necessidades deles em último lugar”. Precisamos dedicar um tempo para estarmos com eles, brincarmos juntos, de prestar atenção em nossos filhos. É necessário expressar esse amor através do contato físico. Um abraço, um beijo, um colo, um carinho. Nada comunica tão bem o amor como o sentido do tato.
Como pais temos uma grande responsabilidade. Os filhos são herança do Senhor e devemos criá-los para a glória do nosso Deus. Deus, como modelo de paternidade, nos ensina a educá-los. Seus mandamentos são: Instruam, disciplinem e amem seus filhos!

terça-feira, agosto 09, 2011

VIVENDO SEM AVAREZA

A Bíblia nos exorta: "Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes" (Hebreus 13.5). A filosofia deste mundo desconhece por completo tal exortação e, assim, estimula os homens adentrarem numa disputa consumista. Diariamente somos impactados por uma série de comerciais que nos impressionam e impulsionam a investir em coisas supérfluas, não essenciais a vida.
Na passagem citada há uma exortação contra a cobiça ou concupiscência, que é o desejo intenso de gozos materiais ou ambição pela riqueza. A cobiça na verdade é uma forma de egoísmo e é extremamente prejudicial a espiritualidade. Jesus mesmo nos diz: "Não podeis servir a Deus e as riquezas" (Mateus 6.24). Muitas passagens falam dos perigos do dinheiro e do uso errado do mesmo. "Ora, os que querem ficar ricos caem em tentações, e ciladas, e em muitas concupiscência insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e na perdição. Porque o amor do dinheiro é a raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviam da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores" (1 Timóteo 6.9-10). A necessidade de ter mais e mais coisas é resultado do medo, medo da pobreza, de passar privações. E, também, desconfiança de Deus e de sua providência. Pois Ele mesmo nos diz: "De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei" (Hebreus 17.5). Em vez de apegar-nos às possessões terrenas e fiar nossos corações nos bens materiais os quais a traça e a ferrugem corroem e ladrões escavam e roubam, deveríamos compreender que tendo Deus temos o suficiente. Ele jamais permitirá que as coisas essenciais à vida nos sejam tiradas. E assim como Paulo, possamos aprender "a viver contente em toda e qualquer circunstância", sabendo que o Senhor nos sustenta e nos fortalece.

segunda-feira, agosto 01, 2011

A BÍBLIA E CRISTO

A mensagem central da Bíblia é uma só: Cristo. O próprio Senhor Jesus afirmou: “Examinai as Escrituras porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim” (João 5.39). Fora das Escrituras, Cristo não pode ser conhecido. Somente por meio dela que Ele é revelado. A Bíblia nos ensina que Jesus é o único Salvador dos pecadores, pois “não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (Atos 4.12). Estas palavras dão a entender que ninguém pode salvar-se do pecado – com sua culpa, poder e conseqüências – a não ser por Jesus Cristo. Ninguém pode obter a paz com Deus, nem o perdão, nem livrar-se da ira vindoura, senão através dos méritos da obra de Cristo. Em toda a Bíblia encontramos um único caminho de salvação: Cristo Jesus. O próprio Jesus afirmou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por Mim” (João 14.6). Devemos confiar em Cristo, como nosso substituto, como quem já pagou o preço dos nossos pecados. A Bíblia declara que “todo aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas todo aquele que rejeita o Filho não verá a vida, pois sobre ele permanece a ira de Deus” (João 3.36).
Crer em Cristo significa muito mais do que concordar mentalmente com as verdades da Bíblia a Seu respeito. É ter um conhecimento espiritual, não simplesmente um conhecimento intelectual; não teórico, mas experimental de Cristo. Significa que dependemos totalmente dEle. É uma entrega total, sem reservas a Cristo, confiando que Ele é Todo-Poderoso para nos salvar.
A Bíblia foi escrita com o objetivo de revelar-nos a Jesus, para que possamos crer que Ele é o Cristo, o Filho de Deus e para que, crendo, tenhamos a vida eterna (João 20.30 e 31).

domingo, julho 31, 2011

PESCADORES DE HOMENS - Warren Wierbse

Jesus não apenas proclamou as boas-novas e ensinou ao povo a verdade de Deus, mas também escolheu para si alguns discípulos que pudesse treinar para o serviço do reino. Em Mateus 4:18-22, lemos sobre o chamado de Pedro, André, Tiago e João, homens que já haviam se encontrado com Jesus e crido nele (lo 1:29-42). Voltaram para seu negócio de pesca, mas Jesus os chamou para deixar tudo e segui-lo. Os detalhes desse chamado podem ser encontrados em Marcos 1:16-20 e Lucas 5:1-11. A expressão "pescadores de homens" não era nova. Há séculos, filósofos gregos e romanos usavam-na para descrever o trabalho daqueles que procuravam ensinar e persuadir outros. "Pescar homens" é apenas uma dentre muitas imagens que retratam o evangelismo na Bíblia, e não devemos nos limitar a ela. Jesus também falou do pastor à procura de ovelhas perdidas (Lc 15:1-7) e de trabalhadores na época da colheita. Uma vez que esses quatro homens trabalhavam com a pesca, nada mais lógico que Jesus usar essa abordagem. Quatro (ou talvez até sete) dos doze discípulos de Jesus eram pescadores (ver Jo 21 :1-3). Por que Jesus chamou tantos pescadores?
Em primeiro lugar, eles eram homens ativos; não costumavam passar o dia inteiro ociosos. Quando não estavam no barco, passavam boa parte do tempo selecionando o que haviam pescado, preparando-se para a pescaria seguinte ou fazendo a manutenção de seu equipamento. O Senhor precisava de pessoas ativas, que não tivessem medo de trabalhar.
Os pecadores tinham de ser corajosos e pacientes. Sem dúvida, é necessário paciência e coragem para levar pessoas a Cristo. Era preciso ser habilidosos e aprender com outros os melhores lugares para encontrar peixes e a melhor maneira de pescá-los. A pesca de almas requer habilidade. Os pescadores precisam trabalhar em equipe, e o trabalho do Senhor também requer cooperação.
Acima de tudo, porém, a pescaria requer fé: os pescadores não conseguem ver os peixes, portanto não sabem ao certo o que pegarão em suas redes. A fim de ser bem-sucedida, a pesca de almas também exige fé e vigilância.

Warren Wierbse

domingo, julho 24, 2011

CORRAMOS, COM PERSEVERANÇA, A CORRIDA DA FÉ. Hebreus 12.1-3

A epístola aos hebreus é, sem dúvida nenhuma, uma das cartas do Novo Testamento mais obscura quanto ao pano de fundo histórico. Contudo, sua mensagem se reveste de valor inestimável, pois descreve a supremacia do cristianismo em relação a outras religiões. Esta carta dirige-se a judeus que se converteram ao cristianismo e, por causa da fé em Cristo Jesus, enfrentavam uma severa perseguição (Hb 10.32-39). Por causa disto, muito provavelmente, alguns apostataram da fé (Hb 6.4-8). Outros estavam deixando de congregar (Hb 10.24,25). Assim, o autor desta epístola, lembra seus leitores que a vida cristã é semelhante a uma competição atlética: “... corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta”. A palavra “carreira” aqui usada denota, na língua original, a ideia de “luta”, “conflito”. Paulo a empregou várias vezes em suas cartas para referir-se ao seu sofrimento e lutas que enfrentou na pregação do Evangelho (Fp 1.30 e 1 Ts 2.2). A ideia de uma disputa intensa associada ao verbo correr informa-nos que a figura usada para descrever a vida cristã é uma corrida, mais especificamente, a uma maratona e não uma corrida de curta distância. Sendo assim, exorta-os a continuarem em sua jornada. Lembra-lhes que, os que estão em Cristo, não retrocedem para a perdição (Hb 10.39). E convida-os: “CORRAMOS, COM PERSEVERANÇA, A CORRIDA DA FÉ!
1. CORRAMOS, COM PERSEVERANÇA, A CORRIDA DA FÉ, ESTIMULADOS PELO TESTEMUNHO DOS HERÓIS DA FÉ. Primeiramente seus leitores deveriam lembrar-se que “temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas”. Referia-se aos heróis da fé descritos no capítulo anterior. A princípio poderíamos imaginar que esta expressão sugere-nos expectadores num estádio torcendo pelos atletas em sua disputa. Creio, entretanto, que a intenção do autor não é afirmar que os heróis estão a nos observar e, sim, que nós devemos observá-los. Quer nos chamar atenção para a fidelidade de Deus. Por isso exorta-os: “Guardemos firmes a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel” (Hb 10.23). E a prova desta fidelidade está no testemunho dos heróis da fé. Homens e mulheres que, por causa do compromisso com Cristo, “foram torturados (...) passaram pela prova de escárnio e açoites, sim, até algemas e prisões. Foram apedrejados, provados, serrados ao meio, mortos a fio de espada; andaram peregrinos, vestidos de pele de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos e maltratados” (Hb 11.35-37) e, no entanto, nunca negaram sua fé e agora estão na Jerusalém celestial, chegaram à cidade do Deus vivo e a igreja dos primogênitos arrolados no céu. Olhem para estes e não retrocedam na fé! Eles venceram e, em Cristo, somos vencedores.
2. CORRAMOS, COM PERSEVERANÇA, A CORRIDA DA FÉ, DESEMBARAÇANDO-NOS DE TODO PESO E PECADO. Você pode imaginar um maratonista, em plena competição, com uma mochila nas costas? Por isso o autor desta carta exorta aos cristãos judeus que se desvencilhem de todo o peso que possa impedi-los de correr. A palavra “peso” indica “volume”, “massa”. Quando aplicada ao atleta pode significar (1) qualquer excesso de peso no corpo ou (2) a qualquer artigo pesado que possa ser colocado ou levado no corpo. Certo estudioso observa que esta “metáfora refere-se primariamente ao corredor que lança fora o peso das coisas desnecessárias, como roupas incômodas, apesar da idéia de reduzir o peso pelo treino e exercício não estar muito distante”. Na verdade, exortava-os a abrir mão de tudo o que impedia a jornada com Cristo. É preciso remover tudo aquilo que nos impede de correr a carreira cristã. F. F. Bruce nos diz que “há muitas coisas que podem ser boas em si mesmas, mas que estorvam um competidor na carreira da fé; são pesos que devem ser deixados de lado”. Mas, sobretudo, o cristão em sua jornada deve abandonar o pecado. Se há algo que impede ou retarde a nossa caminhada com Cristo é o pecado. Com “pecado” não se referia a um pecado específico, mas ao pecado em geral. Assim, quem quer viver para agradar a Deus deve deixar de lado, deixar parta trás tudo o que impede seu progresso, principalmente, o pecado.
3. CORRAMOS, COM PERSEVERANÇA, A CORRIDA DA FÉ, OLHANDO FIRMEMENTE PARA JESUS. O corredor que tem por objetivo alcançar a meta final não pode se distrair facilmente, nem com a multidão e nem com os demais competidores. O verbo olhar significa desviar os olhos de todas as outras coisas a fim de olhar para uma única ou como afirmou J. C. Ryle, “deixar de olhar para outros objetos e olhar um, apenas um, e observá-lo com um olhar firme, fixo e intenso”. Assim, os leitores desta epístola são exortados a fixar seus olhos em Jesus, o nosso alvo e modelo. Isto porque Ele é o “autor e consumador da fé”, isto é, a fé encontra sua expressão completa em Cristo, especialmente em Seu sofrimento (Hb 5.7-10). O significado desta declaração é explicado pelo próprio autor da carta quando diz: “O qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia”. Jesus não se esquivou em fazer o que Ele sabia ser a vontade de Deus. Certo estudioso compreendeu bem o significado desta exortação ao declarar que “a exortação nessas linhas pode ser colocada da seguinte forma: “Considerem Jesus. Comparem as experiências dEle com as suas. Ele também viveu na carne e foi um companheiro nas tribulações. Foi violentamente antagonizado, suas palavras foram deturpadas, e suas reivindicações ridicularizadas. Considerem os seus sofrimentos e a maneira como os enfrentou”. Fica perfeitamente implícito que, se os leitores da epístola fizerem uma avaliação exata, não irão desfalecer na pista antes de terminar a corrida”.
Diante do texto que separamos para nossa edificação nesta noite, é possível que alguém pense: “Eu não sou judeu e nem estou sofrendo ameaças de morte, porque esta mensagem é importante para mim?”
Primeiro quero lembrar-lhes o que Paulo escreveu a Timóteo: “Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”. Em segundo lugar, como cristãos, temos um caminho a percorrer. Com desafios tremendos, obstáculos gigantescos e com um inimigo a rodear-nos, pronto para nos devorar. Ainda enfrentamos um mundo ímpio, que cada dia mais se corrompe e se torna mais violento. E neste caminho que percorremos existem vidas feridas, lares desfeitos, pessoas aprisionadas, povos não alcançados e igrejas a serem implantadas. Esta é a carreira que nos está proposta. Assim, Deus nos fala hoje e exorta-nos: CORRAMOS, COM PERSEVERANÇA, A CORRIDA DA FÉ, ESTIMULADOS PELO TESTEMUNHO DOS HERÓIS DA FÉ; DESEMBARAÇANDO-NOS DE TODO PESO E PECADO E OLHANDO FIRMEMENTE PARA JESUS.

domingo, julho 17, 2011

A EVANGELIZAÇÃO E A ORAÇÃO

Creio que ao Senhor pertence a Salvação (Jn 2.9). A vida eterna é inteiramente gratuita, não depende daquilo que fazemos, mas fundamenta-se na vontade e ação de Deus. Nas Palavras do apóstolo Paulo, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia (Rm 9.16). Contudo, é através da proclamação da Palavra de Cristo que Deus nos tem dado a vida, mesmo estando nós mortos em nossos delitos e pecados (Ef 2.4 e 5). Paulo, escrevendo aos Romanos, declarou que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. E salienta a estreita relação entre a salvação e a pregação do evangelho ao acrescentar: Como, porém invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E a conclusão lógica é que a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo (Rm 10.13-15 e17).
Todo homem que é alcançado pela graça tem a responsabilidade de transmiti-la através da proclamação do evangelho de Cristo. E Paulo estava cônscio disto e por isso declara: Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho! (1Co 9.16). Sabia também que deveria fazê-lo na dependência de Deus, pois o evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16). No entanto, para ele, a oração, na evangelização, não consistia em rogar a Deus para que determinada pessoa fosse alcançada pela graça, como é comum fazermos em nossos dias. Consistia, sim, em ser ela um instrumento nas mãos de Deus para que vidas fossem salvas.
Em primeiro lugar, através da oração, buscava uma oportunidade para pregar: Suplicai, ao mesmo tempo, também por nós, para que Deus nos abra porta à palavra (Cl 4.3). A oração é a chave que abre a porta para divulgar o mistério de Cristo.
Em segundo lugar, através da oração buscava intrepidez. “Vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos e também por mim, para que me seja dado, no abrir da minha boca, a palavra, para com intrepidez, fazer conhecido o mistério do evangelho”(Ef 6.18,19). Uma vez que Deus nos abre a porta, nos é necessário ousadia, intrepidez, coragem para anunciarmos a Cristo.
Em terceiro lugar, através da oração buscava a palavra. Deus pode nos dar oportunidades, abrindo portas, e intrepidez para falarmos de Jesus, mas se Ele não colocar a palavra em nossa boca a nossa obra será inútil. Devemos aproveitar as oportunidades, como exortou aos colossenses, mas acrescentou: a vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um (Cl 4.6). Deveriam fazer uso da palavra com graça, ou seja, numa linguagem atraente, que provoque nos incrédulos uma reação favorável. Assim fez Jesus, maravilhando pessoas com palavras de graça que lhe saíam da boca (Lc 4.22).
Portanto, devemos orar em favor da evangelização do nosso país, rogando ao Senhor que nos dê oportunidades, abrindo portas, intrepidez e, principalmente, a palavra para que o mistério de Cristo se torne conhecido e todos os eleitos de Deus sejam salvos.












*Este texto foi publicado no Brasil Presbiteriano em 2004

segunda-feira, julho 11, 2011

O EVANGELHO DE JESUS É UMA ORDEM AO ARREPENDIMENTO

O versículo chave para compreender o significado do encontro de Jesus e Levi, descrito em Mateus 9.9-13, é o versículo 13. Jesus resume a mensagem do cristianismo e descreve o propósito do seu ministério ao declarar: “Não vim chamar justos, e, sim, pecadores”. Jesus se encarnou com o objetivo de chamar pecadores – pessoas que sabem que têm uma doença fatal e que nada merecem, mas que desejam profundamente ser perdoadas. Ao relatar este mesmo episódio em seu evangelho, Lucas acrescenta duas palavras: “Não vim chamar justos, e, sim, pecadores ao arrependimento”. A mensagem do evangelho de Jesus é, antes de tudo, uma ordem ao arrependimento. Desde o início do ministério de Jesus sua mensagem consistiu em chamar pecadores ao arrependimento. Sua primeira pregação foi: “Arrependei-vos” (Mateus 4.17). O pastor ou pregador que negligenciar a chamada dos pecadores ao arrependimento não estará pregando o evangelho segundo Jesus. Mas, o que é arrependimento? Primeiro é preciso dizer o que ele não é. Arrependimento não é remorso, isto é, sentir-se envergonhado e triste pelo pecado, embora isto esteja presente no verdadeiro arrependimento. O arrependimento não é uma obra humana e, sim, um dom de Deus. Em Atos dos Apóstolos lemos: “Logo, também aos gentios foi por Deus concedido o arrependimento para vida” (Atos 11.18). Se é Deus quem concede o arrependimento, não pode ser uma obra humana. O Rev. John MacArthur define muito bem o arrependimento, ele nos diz que “o arrependimento é um chamado a repudiar a velha vida e voltar para Deus para ser salvo”. Quando analisamos o encontro de Jesus e Mateus podemos compreender o arrependimento. Primeiro, o arrependimento consiste em voltar-se para Deus. Jesus encontrou Mateus na coletoria e disse-lhe: Segue-me. Somos informados que Mateus deixou tudo e O seguiu. Mateus abandonou tudo para seguir a Jesus. Ele pagou um preço bem alto. Como cobrador de impostos, servindo ao império romano, ao abandonar seu posto seria imediatamente substituído e não teria volta. É uma decisão de se submeter ao senhorio de Cristo, é colocar-se sob a direção de Deus. Assim, o verdadeiro arrependimento resulta numa mudança de comportamento. A mudança em si não é arrependimento, mas seu fruto inevitável e “onde não há mudança de conduta, não se pode confiar que haja ocorrido arrependimento”. Em segundo lugar, arrependimento consiste em abandonar o erro. Mateus era publicano, ou seja, cobrador de imposto. Alguém que havia traído o seu próprio povo e servia a Roma e vivia da extorsão dos seus próprios patrícios. O fato de ir após Jesus revela que ele era alguém que estava sob convicção de pecado e ansiava por libertar-se desta vida. Jamais teria seguido a Jesus por capricho, pois o preço era muito alto. Em terceiro lugar, arrependimento consiste em servir a Deus. Mateus decidiu oferecer um banquete e apresentar Jesus aos seus amigos. Jesus repreendeu aos religiosos da época afirmando que os são não precisam de médico e, sim, os doentes. A transformação de Mateus o levou a agir como Jesus, buscando pecadores ao arrependimento a fim de que encontrassem a cura. No arrependimento verdadeiro há não só a disposição de voltar- se para Deus, abandonando o pecado como também a disposição em se fazer à vontade de Deus. Se faltar qualquer um destes elementos não há arrependimento genuíno. Em Tessalonicenses 1.9 vemos estes mesmos elementos na conversão daqueles irmãos. Paulo descreve o arrependimento dos tessalonicenses assim: “Deixando os ídolos, vos convertestes a Deus, para servirdes o Deus vivo e verdadeiro”. O Evangelho de Jesus é um chamado ao arrependimento, a uma mudança radical e transformadora em nossas vidas. Ele continua nos dizendo: Arrependei-vos!

domingo, julho 10, 2011

A ARTE DE FAZER CALAR - SALMO 131.1,2.


“SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes cousas, nem de cousas maravilhosas demais para mim. Pelo contrario, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo.” - Salmo 131.1,2.


A pior decepção é aquela que sentimos com relação a nós mesmos. Quando nos decepcionamos com um amigo, familiar, projeto de trabalho ou até mesmo na vida financeira, esta dor incomoda, mas é circunstancial. Existem muitos fatores externos à nossa vontade que contribuem para que determinados projetos e planos não se realizem. Por outro lado, algumas pessoas estão presas a valores e uma visão de vida diferente da nossa, por isso, a decepção nestes ambientes são comuns. O problema se torna mais complexo quando nos decepcionamos com nossa reação em determinado momento, com nossas palavras e com nossa visão e valores acerca da vida. O salmista aqui está nos ensinando algo muito profundo. Ele abre seu coração diante de Deus e aponta um caminho para todos os seus leitores. Neste texto podemos aprender a não nos decepcionarmos com nossas atitudes na vida.
Em primeiro lugar, devemos fazer um diagnóstico de nossa alma na presença de Deus. O salmista aqui é Davi. Na presença do SENHOR ele abre seu coração e diz que afastou sentimentos ruins de sua vida. Na alma de Davi não existia soberba, altivez e desejo de coisas grandes demais para ele.
Em segundo lugar, devemos perguntar; como Davi alcançou este coração? Davi aprendeu a fazer calar e sossegar a sua alma. Precisamos aprender a arte de fazer calar e sossegar a nossa alma. Quando não fazemos a nossa alma calar, ela fala o que não deve. Sim, a boca fala aquilo que está na alma. Se nossa alma está cheia de choro, nossos lábios tremem, nossos olhos ficam cheios de lágrimas e o rosto se transforma. Se nossa alma está cheia de ira, nossas expressões faciais denunciam. Se nossa alma está cheia de alegria, os lábios não conseguem conter o sorriso. Não existe maquiagem para a alma. Quando Davi testemunhou a sua paz interior, ele compartilhou o segredo de uma alma que sabe ficar calada. Como fazer? Orar quando refletir sobre o assunto, pensar antes de falar e falar com palavras escolhidas para não machucar. Mesmo quando for um elogio devemos ter o cuidado para não parecer simples bajulação. Que Deus nos abençoe na arte de fazer calar e sossegar nossa alma.

"Autor : Rev. Leonardo Sahium - Pastor da Igreja Presbiteriana da Gávea

quinta-feira, junho 30, 2011

O SENHOR É MEU PASTOR



O salmo 23 é, sem dúvida, um dos textos bíblicos mais conhecidos em todo o mundo. São poucos os que não o sabem de cor. Davi usando de seus conhecimentos pastoris estabelece de uma forma singela, simples a relação vivida por ele com Deus como sendo de uma ovelha e um pastor. Assim, Deus é descrito como Aquele que cuida e dispensa todo cuidado para prover o sustento diário ao seu povo. É Ele quem nos conduz aos pastos verdejantes e leva-nos as águas de descanso. Por isso Jesus nos lembra que devemos buscar a Deus acima de todas as coisas, na certeza de que o comer, o beber e o vestir serão supridos.Porém devemos observar que o caminho que nos leva às planícies é o caminho dos vales. Ninguém julgue que por ser cristão está isento de enfrentar tribulações e aflições. O Rev. A. W. Pink nos lembra que “devemos estar preparados para os reveses que a Providência permite”. O texto nos diz: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte...” Em nosso viver atravessamos os vales. Somos atribulados, provados e afligidos. Por vezes, enfrentamos reveses insuportáveis e, nestas horas, devemos lembrar que, embora Deus não nos livre de tais problemas, Ele promete estar conosco. “Tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam”. Como é bom sabermos que temos alguém ao nosso lado, para nos apoiar, incentivar, encorajar, ouvir e consolar. Melhor ainda quando este alguém é o próprio Deus. Certo estudioso bíblico escreveu: “Como crentes, descobriremos, mais cedo ou mais tarde, que é nos vales da vida que encontramos o refrigério proveniente de Deus. Somente depois que caminhamos com Ele através dos profundos vales das dificuldades, aprendemos que Ele pode nos levar a encontrar refrigério nEle bem em meio as tribulações”. Em situações que estão além do nosso controle devemos ter a mesma atitude do profeta Elias: buscar a presença de Deus em oração, certos de que o nosso Supremo Pastor cuida de nós e nos ouve. Que todos nós possamos declarar: O Senhor é o meu Pastor.

terça-feira, junho 21, 2011

Salmo 18 - Deus é nosso refúgio, nossa luz e nossa força!

O salmo 18 foi escrito por Davi em sua velhice. Muitos estudiosos atribuem a este salmo como sua última canção. Ao observar o contexto em que foi escrito vemos que Davi vivia dias difíceis. Ele nos fala de tribulação, laços de morte, da angústia experimentada por causa dos seus inimigos. E, no entanto, escreve um salmo de louvor ao Senhor. E com Davi podemos aprender lições preciosas para a nossa vida.
A primeira lição: Deus é nosso refúgio (v.6). – Deus é descrito neste salmo como um Pai Celestial em quem podemos confiar. Davi achava-se angustiado. Angústia nos dá a ideia de um lugar apertado e sem saída. É estar diante do perigo e não ver saída. É estar num beco-sem-saída. Neste momento ele recorre ao Senhor. Deus não é uma divindade distante, que não se importa conosco. O Deus que habita um alto e sublime trono também habita com o contrito e abatido para o vivificar (Is. 57.15). Deus ouviu a oração de Davi e respondeu ao seu clamor. Muitas vezes, diante das nossas aflições, nos angustiamos, achamos que Deus está muito ocupado para se importar com os nossos problemas. Mas aqui aprendemos que Ele se importa. Esta á a mensagem da graça. Deus sente profundamente os nossos sofrimentos. Creia nisso! Se os tempos estão difícieis, se as dificuldades lhe sobrevieram, recorra a Deus. Ele é refúgio, é apoio e nos socorre quando clamamos.
A segunda lição: Deus é nossa luz (v. 28). – Muitas vezes nos encontramos em situações, tal qual Davi, em que tudo em nossa volta é trevas, não conseguimos enxergar nada, nem ver nenhuma saída. E Deus nos concede luz suficiente para darmos apenas o próximo passo. Aqui nos lembramos do Salmo 27: “O Senhor é a minha luz e a minha salvação; de quem terei medo?” Nesse mesmo salmo somos lembrados de que mesmo que nossos pais nos desampararem, o Senhor nos acolherá. Deus ilumina nosso caminho melhor que nossos pais. A luz do Senhor fornece direção e livramento, porque devemos temer?
A terceira lição: Deus é nossa força (vv. 31-39). Paulo também nos ensina isto quando declara: “Tudo posso naquele que me fortalece”. O grande poder de Deus é aperfeiçoado em nossa absoluta fraqueza. Deus nos diz: “Meu poder é melhor demonstrado quando você é fraco” (2 Coríntios 12.7-10). Esse é o segredo.
Às vezes, como cristãos, vacilamos e nos esquecemos quem é o Deus a quem servimos. Queremos resolver as nossas dificuldades, nossos problemas, queremos enfrentar nossas trevas confiados em nós mesmos e nas nossas capacidades. Davi nos lembra que o nosso Deus é refúgio, é luz e é força. Ele ouve o nosso clamor, orienta-nos em meio a confusão, iluminando nosso caminho e é a nossa força para vencermos o mal.

terça-feira, maio 17, 2011

UMA VIDA FRUTÍFERA




Há nos Evangelhos o registro de muitas parábolas, quero destacar uma, registrada tanto por Mateus como por Marcos, cujo ensino é significativo a nós hoje. É a parábola da figueira sem frutos. Geralmente uma figueira produz frutos e depois as folhas. Assim, quando ela está totalmente enfolhada esperamos achar figos nela; doutra forma não dará mais fruto naquela estação. A narrativa bíblica nos diz que Jesus aproximou-se da figueira porque teve fome e esperava encontrar figos, visto que já houvesse folhas. Contudo, não havia fruto algum! Da mesma forma podemos afirmar que Cristo anseia por receber frutos de nós, os cristãos. Ele espera ver em nós as qualidades do Seu caráter. Ele espera de nós ações que são de acordo com a Palavra de Deus e com a mente de Cristo. Se Ele não receber tais frutos estará sendo privado daquilo que Lhe é devido. No Salmo 92 o salmista declara que o justo, na velhice, ainda daria frutos! Temos apresentado uma vida frutífera? Temos demonstrado uma vida cristã autêntica? O que precisamos fazer para ter uma vida frutífera?
I. UMA VIDA FRUTÍFERA REQUER INTIMIDADE COM JESUS. Jesus mesmo afirmou: “Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15.5).Este texto nos mostra a necessidade de termos um relacionamento íntimo e pessoal com Cristo para que haja produção de frutos. “Um ramo de videira não tem vida nem utilidade se não continuar ligado a videira. A seiva que flui pelo caule capacita-o a produzir uvas; sem isto ele fica infrutífero. A mesma coisa acontece com os discípulos de Jesus; somente a medida que permanecem unidos a Ele e têm nEle a origem de sua vida é que podem produzir o fruto do Espírito”.
II. UMA VIDA FRUTÍFERA REQUER INTIMIDADE COM A PALAVRA DE DEUS. “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite. Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido”. O cristão que medita na Palavra de Deus é comparado a uma árvore plantada as margens de um rio. A conclusão óbvia é que a nossa frutificação depende da importância que a Palavra de Deus tem para nós. Do mesmo modo que o rio é a fonte de alimento para a árvore, a Bíblia é a fonte de alimento para a nossa vida. Não há frutos sem a Palavra de Deus. Rev. Billy Graham nos diz que “à medida que lemos e meditamos na Bíblia, o Espírito Santo – que inspirou a Bíblia, como sabemos – vai nos convencendo de pecados que precisam ser erradicados e nos dirige ao padrão de vida que Deus quer para nós. Sem a Palavra de Deus não pode haver crescimento espiritual duradouro nem produção de frutos em nossa vida”. COLHEMOS O QUE PLANTAMOS, PRECISAMOS DAR FRUTOS E NÃO VIVER APENAS PARA NÓS MESMOS.

quarta-feira, maio 04, 2011

FAÇA SUA VIDA VALER A PENA







"Faça sua vida valer a pena". Esta é a mensagem deste vídeo. Assim, quero convidá-lo a refletir sobre a vida. A Bíblia nos ensina acerca da fragilidade da existência humana comparando-a com um vapor (Tg 4.14) e com uma planta que de manhã floresce e a tarde seca e murcha (leia o Salmo 90). A nossa existência é transitória, efêmera. Precisamos encontrar o sentido para qual existimos ou a nossa vida não terá o brilho e o vigor que uma vida humana deve ter. A vida faz sentido para quem encontra o sentido da vida. Paulo, o apóstolo, estando preso, impedido de viver como queria, e, em outras ocasiões enfrentando necessidades e privações, ainda assim conseguia transmitir uma qualidade de vida capaz de consolar de dentro da prisão aos que estavam livres. Tudo porque tinha um objetivo claro, definido: viver para realizar a vontade de Deus e testemunhar do Evangelho da graça de Deus. "Porquanto, para mim, viver é Cristo, e o morrer é lucro" (Fp 1.21), escreveu Paulo. Jesus declarou: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. A vida é Cristo e aqueles que não O receberam não têm a vida. Só vive quem encontrou com Cristo e passou da morte para a vida. Só encontrou um motivo de existir aquele que tomou uma decisão de estar com Cristo. A morte é uma trisdte realidade. Não sabemos quando ela virá, mas é certo, ela virá. Hoje é tempo de decidirmos pela vida. É momento de decidirmos por Cristo, pois Ele promete: Quem crê em Mim, ainda que morra, viverá (João 11.25).

quinta-feira, abril 28, 2011

Salmo 6 - Crendo em Deus e em Suas promessas

É possível ver neste salmo um homem profundamente perturbado. Há aflição tanto no corpo como na alma. Davi experimentou o que tem sido a realidade de muitas pessoas hoje, cristãs ou não. Assim, percebemos o quanto a Bíblia é maravilhosa e atual. Ela fala ao homem de nossos dias, trazendo esperança e forças àqueles que não têm ânimo para orar.
A oração de Davi está alicerçada não em algo que possa realizar, mas, sim, na graça de Deus. “Sara-me por tua graça”, exclamou ele. A graça é favor imerecido, algo que não conquistamos. O primeiro passo, para a cura, é o reconhecimento da nossa debilidade e incapacidade para mudar nossa vida. Davi buscou a Deus, “ele se reanimou no Senhor, seu Deus”[1]. Não se trata de uma fé na “fé” ou uma crença no pensamento positivo, “eu vou mudar”. È fé na revelação do caráter de Deus. È fé baseada em quem Ele é. Por isso roga: “Volta-Te”. Repete, torna a fazer como antes. Vemos, então, que a intimidade com Deus não nos impede de sofrermos aflições. Esse é o ensino bíblico. Mas, também, só é possível passar pelas aflições e as vencermos se desfrutarmos a intimidade com o Senhor, sabendo que Ele está conosco e que o Seu bordão e o Seu cajado nos consolam. Só assim poderemos dizer: “Antes de ser afligido, andava errado, mas agora guardo a Tua Palavra”[2].
Deus é Senhor imutável. Ele mesmo declarou: “Porque eu, o Senhor não mudo”[3]. Sabia Davi que seus adversários, os que praticavam a iniqüidade, não haveriam de prevalecer no juízo. E com esta certeza futura exclama: “o Senhor ouviu a voz do meu lamento, o Senhor ouviu a minha súplica”. Que possamos ter a mesma fé que Davi, crendo em quem Ele é e no que Ele diz.

[1] 1 Samuel 30.6
[2] Salmo 119.67
[3] Malaquias 3.6

segunda-feira, abril 25, 2011

NO CAMINHO DE EMAÚS - Lucas 24.13-35

Lucas registra em seu Evangelho uma das passagens mais bela e comovente acerca do Cristo ressurreto, cuja vitória sobre a morte celebramos hoje. Dois caminhantes na estrada de Emaús, que liga a cidade de Jerusalém a este pequena aldeia, num percurso aproximado de 12 km. Jesus se coloca no caminho com os discípulos trazendo um novo alento. Quero convidá-lo a refletir comigo nesta história, pois aprendemos que:
1. No caminho de Emaús encontramos discípulos entristecidos e frustrados. Quando Jesus se coloca a cominho na estrada com os discípulos, logo os interroga: "Que é isso que os preocupa e de que ides tratando a medida que caminhais?" Então, lemos: "Eles pararam entristecidos" (v. 17). A primeira observação a fazer é que Emaús é um lugar de tristeza. E esta tristeza revela a frustração daqueles homens: "Ora, nós esperávamos que fosse Ele quem havia de redimir a Israel". O judeus estavam subjugados pelos romanos e havia uma uma grande expectativa que Jesus os libertasse. Mas Ele morreu! Parece que Deus falhou. Nada mudou! Ainda continuavam sob o domínio de Roma. Sim, Emaús é um caminho de tristeza e decepção. Quem de nós já não trilhou por ele? Quem aqui não caminhou por Emaús? Com tristeza e dor, com frustração e decepção? Nem sempre as coisas saem do jeito que planejamos ou sonhamos. E, assim, a tristeza nos invade e somos tomados pelo desânimo. E, muitas vezes, provoca mágoas e revolta. Por que Deus permite isso? Por que não mudou a minha sorte?
2. No caminho de Emaús encontramos discípulos com uma visão errada de Cristo e incrédulos. Interrogados por Jesus sobre quais fatos ocorreram nos últimos dias, respondem: "O que aconteceu a Jesus, Nazareno, que era varão profeta". Jesus viveu por três anos ensinando e mostrando quem Ele era: O Filho de Deus, o Deus humanado. João nos diz que Jesus fez muitos sinais para que pudessem crer que Jesus é o Filho de Deus e recebessem a vida eterna (João 20.30,31). No entanto, os discípulos de Emaús O viram apenas como varão profeta. Jesus não é um simples profeta, é Emanuel, Deus conosco! Eles estavam equivocados a respeito de Jesus, o Messias. Erraram por não compreenderem as Escrituras! E uma visão errada acerca de Sua pessoa os leva a uma visão errada de sua obra. Esperavam um libertador político. Não assim também em nossos dias? Muitos O vêem como alguém que resolve os nossos problemas, ajuda-nos a superar nos dificuldades e curar nossas enfermidades. Não O vêm como é, O Salvador, O Senhor, O Deus encarnado, Aquele que morreu na cruz para religar o pecador com o Seu Criador, para dar-nos o perdão! E por desconhecerem as Escrituras descrêem dos fatos da ressurreição (v. 25). A "fé" que não está fundamentada na verdade de Deus é incredulidade, leva-nos a tristeza e decepção.
3. No caminho de Emaús encontramos o Cristo ressuscitado. Somos informados que enquanto caminhavam, discutindo a respeito de todas as coisas sucedidas "o próprio Jesus se aproximou e ia com eles". Apesar da tristeza, frustração e da incredulidade dos discípulos, Jesus chega e caminha com eles, O Cristo ressuscitado se faz presente, transformando a tristeza em alegria, a decepção em vitória! A Sua presença aponta-nos para a veracidade das Escrituras pois tudo o que os profetas falaram sobre o Messias se cumpriu. Jesus venceu a morte! "Onde está, ó morte, a tua vitória?" A vida está em Jesus e Ele nos dá graciosamente. Ele mesmo afirmou: "Eu vim para que tenham vida". Não há motivo para pranto, dor e frustração, Cristo já ressuscitou!
A realidade do Cristo ressurreto no caminho de Emaús nos desafia. Nos desafia a proclamar o significado profundo que o túmulo vazio tem. Nos desafia a um viver coerente com a doutrina da ressurreição. Nos desafia a uma nova vida. Uma vida ressuscitada e uma mente transformada. Nos desafia a um viver segundo o poder da ressurreição!

terça-feira, abril 19, 2011

CRUZ VAZIA

Nós adoramos o Cristo, da cruz vazia!

VAZIA,

dos nossos pecados, porque Ele os levou sobre a cruz.

VAZIA,

das nossas dores, porque Ele a suportou por nós.

VAZIA,

dos preconceitos, porque ele os tirou.

VAZIA,

das nossas aflições porque Ele afirmou: tenham bom ânimo!

VAZIA,

da escravidão, pois Ele nos libertou.

VAZIA,

das injustiças, porque Ele se tornou nossa justiça, diante de Deus.

VAZIA,

das nossas preocupações porque: Ele é o nosso pastor e nada nos faltará.

VAZIA,

da crueldade da morte, porque Nele temos vida eterna.

A cruz e o túmulo vazios, são provas

Incontestáveis da Glória do meu Senhor

Mas, nós, estamos cheios: da sua Graça,

do seu Perdão e do seu Amor!

Sione Rocha

segunda-feira, abril 18, 2011

AOS PÉS DA CRUZ

Não há dúvidas que, para nós cristãos, tanto o natal como a páscoa são as datas mais significativas do nosso calendário. A primeira nos fala da encarnação do Filho de Deus, do Deus-humanado que veio buscar e salvar o perdido. A segunda fala-nos do modo pelo qual o Cristo salva os pecadores e aponta-nos para o sacrifício, a obra vicária do Messias na cruz, e Sua ressurreição. Nesta reflexão me detenho na cruz. Ali Jesus enfrentou duras provas. Foi julgado e condenado de um modo injusto pelos homens, sofreu afrontas e foi pregado no madeiro. A declaração do autor aos Hebreus nos ajuda a entender a cruz ao afirmar que "sem derramamento de sangue não há remissão" (Hb 9.22). Na cruz Jesus, o Senhor, derramou o Seu sanguue, a Sua vida a fim de que encontrássemos a redenção, a reconciliação do pecador com o Criador. Jesus, estando na cruz, proferiu algumas frases, as quais são grande ensino para a nossa vida. Convido-o a colocar-se sob a cruz, aos pés da cruz, e ouvirmos as palavras de Jesus.
1. Aos pés da cruz ouvimos um brado de dor: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?
Houve um intenso sofrimento físico pelo qual Jesus passou. Açoites, coroa de espinhos, carregar o madeiro e as dores dos pregos cravados nos punhos e nos pés. Contudo, este não foi o maior sofrimento enfrentado pelo Salvador. A bíblia nos lembra das manifestações cósmicas naquele momento. A escuridão tomou conta da terra, lembrando-nos que o juízo de Deus caía sobre o Substituto dos homens na cruz. Sobre o Cordeiro de Deus caía o peso de todo o pecado, o peso de toda culpa da humanidade. Cumpria-se as palavras de Isaías e Jesus foi "traspassado por nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades". O pecado faz separação entre nós e Deus (Is59.2) e naquele momento o Cristo sentiu a dor da separação. Certo pastor afirmou: "Amaldiçoado, Jesus precisava suportar a solidão do pecado e da condenação, suportando a angústia do inferno, separado de Deus". É impossível compreender esse sofrimento. Mas, para os que são salvos, só resta-nos louvá-Lo, pois jamais enfrentaremos tal dor. Ele o fez por nós!
2. Aos pés da cruz ouvimos um brado de satisfação: Está consumado!
Que maravilhosa declaração: Está consumado! Não é afirmação de alguém que foi derrotado, mas a declaração de satisfação por completar o que veio cumprir. Ela resume toda a obra de Cristo. Foi feito o que era preciso fazer! O preço foi pago! Este é o sentido. A Lei de Deus estava plenamente cumprida e a Sua justiça satisfeita. Aquele grito queria dizer que a dívida estava paga. Por isso Paulo declara que não há mais condenação para os que estão em Cristo Jesus e que o escrito de dívida foi cancelado! (Rm 8.1 e Col. 2.14). A dívida satisfeita foi a dívida do nosso pecado. Porque o salário do pecado é a morte (Rm 6.23a). Mas, o dom gratuito de Deus é a vida eterna! (Rm 6.23b). Aleluia! A dívida foi paga e o pecado dos que crêem foi cancelado!
3. Aos pés da cruz ouvimos um brado de perdão: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o fazem.
Jesus dirige-se ao Pai e intercede pela multidão. Multidão que aglomerava-se para ver o espetáculo da crucificação. Multidão que O seguia em busca de pão, de curas e milagres. Multidão que O aclamou na entrada de Jerusalém, a mesma que gritava: Crucifica-O! E, agora, multidão que assistia Sua morte na cruz. Em nenhum momento Jesus declarou ser a multidão inocente, mas clamou pelo perdão do Pai. Perdão que poderia ser aplicado com base no Seu sofrimento e na satisfação da justiça de Deus pelo Seu sacrifício. Que nesta páscoa ouçamos a voz que ecoa da cruz: Cristo salva o pecador, Aleluia!